segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Espiritismo para o século 21 - O que queremos - por Alexandre Machado

Espiritismo para o Século XXI - O que queremos

 “ Eu não tenho talento especial; eu sou apenas um curioso apaixonado” – Albert Einstein

Objetivo desta coluna

Iniciamos este mês esta coluna destinada a registrar contribuições feitas por espíritas livre-pensadores que através de seu trabalho de pesquisa, estudo ou elaboração filosófica produziram material inovador, contribuindo para o desenvolvimento do Espiritismo Laico.

Jaci Régis estava muito focado em estimular a atuação de nosso grupo livre-pensador, sua grande procupação estava ligada à nossa capacidade de produzir conhecimento. Este foi quem sabe o maior motivador da criação do Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita, que neste momento está na fase de preparação para a sua 15ª edição.

Jaci assim se referia à questão da produção de novas ideias:

“ A resistência às novas ideias é um fato real, porque as pessoas tendem a se acomodar com o que aceitam como verdade. Embora a dinâmica da cultura, a tendência é manter e cristalizar as verdades conhecidas, o que sugere conforto e tranquilidade.” ( Resistência às novas ideias – Jaci Régis, Abertura Outubro 2007)

Evidentemente que este jornal, busca permanentemente trabalhar para a consolidação das ideias renovadoras, buscando agir conforme ensinado por Allan Kardec. Sabemos do enorme desafio que temos pela frente. Para reforçar a importância e a dificuldade da tarefa destacamos algumas considerações de Régis:

“Embora teoricamente o Espiritismo seja uma Doutrina progressiva e progressista, a tendência é manter o conhecimento atual num patamar estável, senão intocável”.

Todavia, o Espiritismo foi estruturado para manter-se atualizado, acompanhar o desenvolvimento das ideias e das alterações das verdades consagradas.

O ponto crucial é a estrutura mental do espírita.

Ele precisa mobilizar suas energias, sua inteligência, seu tirocínio para que o Espiritismo não permaneça à margem do progresso e, simultaneamente, manter seu eixo de consciência e consistência doutrinária.

Esse perfil do adepto do Espiritismo foi desenhado por Kardec ao criar uma Doutrina sui generis que se propõe a se auto revisar, evoluir e crescer”. ( Resistência às novas ideias – Jaci Régis, Abertura Outubro 2007)

Allan Kardec em seu livro Obras Póstumas, que como todo sabemos foi editado bem depois de sua desencarnação, utilizando-se de textos que Kardec haviavinha trabalhando e que nos deixa tres pontos importantes sobre o futuro do Espiritismo:

O primeiro ponto não tem a ver com o propósito deste artigo, e trata da formação de seitas ou dissidências que não considerassem todos os princípios espíritas.

O segundo trata de não sairmos, no processo de atualização, do campo das ideias práticas e em terceiro, trata do caráter essencialmente progressista da Doutrina.

Resumindo:
“ Se é certo que a utopia da véspera se torna muitas vezes a verdade do dia seguinte, deixemos que o dia seguinte realize a utopia da véspera” ou seja um pouco de prudencia não faz mal.

“Apoiada tão só nas leis da Natureza, não pode variar mais do que estas leis; mas, se uma nova lei for descoberta, tem ela que se por de acordo com essa lei, não lhe cabe fechar a porta ao progresso, sob pena de suicidar-se. Assimilando todas as ideias reconhecidamente justas, de qualquer ordem que sejam, físicas ou metafísicas, ela jamais será ultrapassada, constituíndo isso uma das principais garantias da sua perpetuidade.”(Obras Póstumas – páginas 348 e 349).

Complementamos com as palavras de Jaci Régis, ressaltando o trabalho que temos seria conveniente que realizássemos:

“Diante desse quadro, a pretensão de Kardec de criar uma mentalidade capaz de mudar, de aceitar o novo, de reconstruir, a cada momento específico, o conjunto de verdades aceitas parece cada vez mais distante”. ( Resistência às novas ideias – Jaci Régis, Abertura Out/ 2007)

Sobre como fazer isto, nos deixou um caminho que buscamos caminhar nesta coluna.
“ Os espíritas que se consideram progressistas, leigos, precisam pensar em pesquisas, releituras, descobertas de novos caminhos, novas linguagens.”

A inserção dos conceitos espíritas na discussão e solução dos problemas humanos atuais é uma necessidade crescente.

Porque, caso contrário, a Doutrina ficará à margem como uma religião estática, tendendo a seguir os passos da Igreja, como tem acontecido.

O trabalho é urgente, porque a cultura adotou uma visão do Espiritismo que o aproxima dos cultos religiosos mais atrasados. O Centro Espírita, tomado como pronto socorro, hospital, etc. Não consegue, de modo geral, adeptos, mas clientes”. ( Produzindo ideias – Jaci Régis, Abertura Abril 2009)

“Estamos carentes de produções com conteúdo, com respaldo em investigações e conexão com os temas da ciência, da política, da filosofia.

Mergulhar na reflexão, na investigação, na busca de respostas e apresentar suas descobertas, suas posições, provocando o debate, o questionamento”. ( Produzindo ideias – Jaci Régis, Abertura Abril 2009)

Portanto, o papel dos laicos em resumo é:

“ O grupo de espíritas que se auto-denomina de laico, compões uma fração pequena do movimento espírita.
Ser laico exige uma renovação mental para que  não se patine no mesmo refrão anti-religioso, mas avance no sentido de penetrar no pensamento de Allan Kardec e torná-lo atual, capaz de revolucionar o entendimento humano.
O dinamismo do pensamento espírita precisa ser acelerado e explorado pelos laicos de maneira muito mais agressiva e produtiva do que tem sido”. ( O papel dos Laicos – Jaci Régis, Abertura Agosto 2009)

Nesta coluna portanto estaremos trazendo uma releitura do vasto material produzido nas diversas edições dos Simpósios Brasileiros do Pensamento Espírita, que tiveram a capacidade de resignificar e avançar no conhecimento espírita.

Alexandre Cardia Machado

NR: Publicado originalmente no Jornal Abertura - novembro de 2016


Alexandre Cardia Machado

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