terça-feira, 22 de abril de 2014

40 anos da Revolução dos Cravos 



                  Dentre as Leis Morais , inscritas na terceira parte do Livro dos Espíritos , sem dúvida a Lei de Liberdade é uma das mais atemporais . Nela o valor liberdade é apresentado como condição primeira para a evolução espiritual . Agora que se fala tanto nos 50 anos do golpe militar de 1964 , me vem à memória que no dia 25 de Abril de 1974 , Portugal saía definitivamente das sombras da ditadura salazarista . Uma florista anônima , do Rossio , distribuiu cravos vermelhos aos soldados , que junto com grande parte da sociedade portuguesa davam fim a uma longa ditadura . Era a chamada Revolução dos Cravos .

Seu lema : " Democratizar , Descolonizar, Desenvolver " . Toda a teoria espírita se coloca ao lado de movimentos como esse .


Roberto Rufo .

Santos/SP .

sexta-feira, 18 de abril de 2014

                       




                                                    Foi no dia 18 de abril de 1857, na cidade de Paris, capital da França, que veio a lume "O Livro dos Espíritos", a obra basilar do Espiritismo, ditada pelo mundo invisível e compilada, separada, classificada e codificada pelo professor Hippolyte Léon Denizard Rivail, que, propositadamente, adotou o pseudônimo de Allan Kardec, a fim de que a obra pudesse ser reconhecida  pelo seu conteúdo e não por quem a assinava, já que era ele muitíssimo conhecido e reconhecido, como professor e como autor de diversos livros, vários dos quais adotados pela Universidade de Paris, notadamente os que versavam sobre educação.   
                                         Teve considerável peso também, na adoçãodo pseudônimo, o fato de que o livro foi ditado pelos Espíritos Superiores, daí o título "O Livro dos Espíritos", não sendo obra dele, professor Rivail, portanto, não obstante tenha nela lançado inúmeros comentários e observações pessoais.      
                                                     Nota-se, assim, por esses detalhes, a conduta reta e ilibada do professor Rivail, o codificador do Espiritismo, que foi discípulo de Johann Heinrich Pestalozzi, famoso educador e fundador do Internato de Yverdon, na Suíça, e, posteriormente, seu substituto predileto, tendo sido considerado pelo célebre astrônomo francês Camille Flammarion "o bom senso encarnado", que, acrescente-se, sempre procurou agir com seriedade e sem rejeições apriorísticas, características do verdadeiro cientista. Constituía traço característico de sua personalidade, por igual, a preservação da ética, sempre, em suas múltiplas e variadas expressões. 
                                        De 1855 a 1869, quando desencarnou em 31 de março, o eminente e ilustrado professor Rivail consagrou sua existência ao Espiritismo. Em seu túmulo, no Cemitério Père Lachaise, em Paris, uma inscrição sintetiza a concepção evolucionista da Doutrina Espírita: nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar, tal é a lei! Por outro lado, decorridos 154 anos, não se pode deixar de reconhecer que os ensinos contidos em "O Livro dos Espíritos", em sua essência, permanecem absolutamente aplicáveis aos dias atuais, o que, por si, recomenda a leitura, a releitura e, sobretudo, a reflexão, em torno de tão preciosa obra, que contém os princípios da Doutrina Espírita sobre a imortalidade da alma, a natureza dos Espíritos e suas relações com os homens, as leis morais, a vida presente, a vida futura e o porvir da Humanidade.
                                            Por outra parte, enfatiza lições seculares, procurando demonstrar com exemplos e com fatos que "a semeadura é livre, mas a colheita obrigatória" e que "a cada um será concedido de acordo com as suas obras". 
                                        Consola, ao salientar que ninguém será condenado irremediavelmente pelos erros, males e equívocos cometidos, por quanto até mesmo em outra reencarnação, que detalha e aprofunda, poderá repará-los, parcial ou totalmente, até quitá-los integralmente, contando com todas as oportunidades de que necessite para tal, uma vez que Deus a nenhum de seus filhos abandona ou desampara.

                                    Consola, igualmente, ao demonstrar cabalmente que as Leis Naturais são perfeitas e por isso mesmo imutáveis, advindo daí a certeza de que a Justiça Divina, que nelas se baseia, é absolutamente imparcial, não havendo seres privilegiados na Criação ou privilégio de qualquer espécie a quem quer que seja, prevalecendo a convicção de que Deus não pune, não castiga e não premia a ninguém, sendo, assim, soberanamente bom e justo, Ele que é a inteligência suprema do Universo, causa primária de todas as coisas!
                                               Aliás, esta sentença de Jesus também ensina que para que amemos ao próximo é absolutamente indispensável que nos amemos. Agindo com amor e praticando o Bem, ensina-nos a Doutrina Espírita, ingressaremos na estrada que nos conduzirá à perfeição relativa e à felicidade suprema, destino final dos seres humanos, sendo certo que, assim, sem dúvida, seremos muito mais felizes, desde agora, aqui mesmo na Terra!
                                                Por fim, nestas rapidíssimas observações, o Espiritismo ensina que o amor é a lei maior da vida, consubstanciada por Jesus na sentença que constitui o seu ensino máximo:   "amar ao próximo como a si mesmo", vale dizer, aconselhando que façamos ao próximo aquilo que gostaríamos que ele nos fizesse, porque quem assim procede estará, por esse mesmo motivo, "amando a Deus sobre todas as coisas".    

                                  Verdadeira síntese do conhecimento humano, é um tesouro colocado em nossas mãos, que merece ser lido e refletido de capa a capa, palavra por palavra.Com efeito, para dizer o mínimo, convém salientar que o Espiritismo nada impõe a seus profitentes, e muito menos a terceiros."           
                              Ao contrário, procura orientar sempre, pela palavra escrita ou falada, que somos dotados de livre-arbítrio, da faculdade de decidir livremente sobre quaisquer assuntos, esclarecendo ao mesmo tempo que, exatamente por isso, somos responsáveis pelas decisões que tomemos, sejam quais forem e nos mais variados campos, e naturalmente responsáveis pelas suas conseqüências.         


Antônio Moris Cury

quarta-feira, 2 de abril de 2014

BATALHA RELIGIOSA NOS EUA 


                   

                 Deu no Globo de 30.04.2014 ( Domingo ) : " Enquanto os noivos oficializavam o casamento diante de um rabino e algumas dezenas de convidados, numa casa de eventos em Las Vegas, semana passada, cerca de 30 manifestantes gritavam, cartazes à mão, do lado de fora :  - Bígamo ! Tenha vergonha ! Dê a ela o  get !
                 Meir Kin é separado há mais de sete anos, mas se recusa a conceder à ex-mulher, Lonna Kin, o documento que a lei judaica ortodoxa exige para que um casamento seja encerrado . Lonna, portanto é uma agunah (algo como mulher acorrentada, em hebraico ) , e, sem o get , não pode casar novamente ou ter filhos da sua religião .
                Os homens judeus também são proibidos de ter mais de uma mulher - a não ser com a permissão de cem rabinos , o que os muitos líderes de congregações judaicas que protestavam na porta da festa garantem que não ocorreu com Kin " .
              Percebam meus amigos do blog do ICKS a que ponto pode chegar a ignorância da religião , seja ela qual for . Em pleno século XXI pela lei judaica ortodoxa , só o marido pode conceder o divórcio . Centenas de mulheres encontram-se nessa situação nos EUA . Para dar o get  à mulher ele está pedindo U$$ 500 mil , além da custódia do filho Moshe . 

Comentário : sempre encontraremos em qualquer religião, pessoas maravilhosas e que praticam o bem abnegadamente. Todavia na cúpula do poder dessas religiões, e isso é inerente a qualquer uma, sempre encontraremos pessoas autoritárias exercendo com muito prazer o seu enorme desrespeito ao próximo. Que felicidade o Espiritismo não ser uma religião, com seus gurus desfilando o seu repertório de preconceitos , notadamente contra a mulher .


                                                                                                                                                                                          Roberto Rufo .

segunda-feira, 31 de março de 2014



                                                                           

              Neste mês de abril é comemorado os 150 anos da obra “ O Evangelho segundo o Espiritismo” do Codificador da doutrina Espirita, Allan Kardec. 
             O título do original francês é “L’EVANGILE SELON LE SPIRITlSME” (Paris, abril 1864). A tradução para o português foi feita por GUILLON RIBEIRO da 3ªedição francesa, revista, corrigida e modificada pelo Autor em 1866. Sobre a qual Kardec escreveu, em Revue Spirite de novembro de 1865, o seguinte: "Esta edição foi completamente refundida. Além de algumas adições, as principais modificações consistem numa classificação mais metódica, mais clara e mais cômoda das matérias, tornando a obra de mais fácil leitura e facilitando igualmente as consultas".
        O livro explica o pensamento de Jesus Cristo, nos ensinos interpretados à luz do Espiritismo e desvendando, além da letra, a essência das palavras de Jesus Cristo. O Espiritismo aí refulge, com toda a pujança, como o Consolador Prometido nos Evangelhos, que "viria reviver as imorredouras lições do Cristo e ampliá-las com novas revelações". Esta é a obra que vincula, indissoluvelmente, o Cristianismo ao Espiritismo. 
         Na obra,  as matérias contidas nos Evangelhos,  foi dividida em 5 partes : aos atos comum da vida do Cristo; os milagres; as predições; as palavras que foram tornadas pela Igreja para fundamento de seus dogmas; e o ensino moral. As quatro primeiras tem sido objetos de controvérsias, a última, conservou-se inatacável. Para os homens constitui  aquele código uma regra de proceder que abrange todas as circunstancias da vida privada e pública, o principio básico de todas as relações sociais que se fundam na mais rigorosa justiça. É, finalmente o levantamento de uma ponta do véu que nos oculta a vida futura. 
         O inusitado é o arranjo em moderno estilo literário,  da moral evangélica, que lhe tira a primitiva simplicidade que, ao mesmo tempo, lhe constitui o encanto e a autenticidade. As máximas destacadas e reduzidas a sua mais simples expressão proverbial. Essa razão que ao mesmo tempo que rasga horizontes novos para o futuro, projeta luz nao menos viva sobre os mistérios do passado.
                                                                                             redação

sábado, 8 de março de 2014

Onde estará A FELICIDADE!

                                                                                       Gisela Régis



          “O lugar da mulher é onde ela quiser estar”, disse minha irmã.
          Novamente comemoramos hoje o dia da Mulher. Pensando sobre isso, sempre vêm a questão: Qual é o papel da mulher? Realmente a mulher é a parte fraca ou já dominamos o mundo? Reinamos emocional e psicologicamente? Carreira e vida profissional ainda o velho dilema: buscamos a  conquista profissional em detrimento da vida familiar? Será que a busca do sucesso profissional e mais importante que tudo? Realmente temos que ser bem sucedidas, ter um modo estressante de vida para sermos felizes?          
          Claro que lutamos e derrubamos barreiras para o avanço social para as conquistas de opotunidades, salários e promoções. Mas devemos supor que essas conquistas suprirão as demandas de vida pessoal? Ser profissionalmente bem sucedida é o ponto máximo da aspiração feminina? 
          Todas essas questões pipocam em minha mente, então leio as perguntas:
775- Qual seria para a sociedade, o resultado do relaxamento dos laços de família? “Uma recrudescência do egoismo.” e 
882- Homem  é igual a mulher? …dos direitos, sim; das funções não, - do Livro dos Espíritos e não consigo responder a todas essas questões que me veem a mente…voce leitor  poderia me ajudar?


segunda-feira, 3 de março de 2014

XIII SBPE e os grupos de estudos - Abrindo a Mente - Alexandre Cardia Machado


XIII SBPE e os grupos de estudos

Nesta edição de 2013 do XIII SBPE tivemos a presença de dois grupos de estudos: o GELP – Grupo Espírita Livre Pensador, e o Grupo de Estudos do ICKS – Instituto Cultural Kardecista de Santos. Como linha de junção entre eles, está a vontade de estudar e a maturidade.
O GELP apresentou o trabalho ‘Pesquisa mediúnica sobre reencarnação’, em que o grupo, uma vez por mês, dedica-se à aplicação do método de Kardec de pesquisa, com a preparação de um questionário seguido da gravação e transcrição das comunicações para análise e elaboração de trabalhos, como o apresentado. Já o ICKS focou em um projeto para transformar as contribuições diversas do pensador Jaci Régis sobre a Ciência da Alma em um conjunto organizado e, para isto, usou de um estudo epistemológico denominado ‘Pode o Espiritismo ser considerado Ciência da Alma? Uma análise epistemológica da proposta do pensador espírita Jaci Régis’.  

Cada grupo conta com um número grande de participantes, no GELP são 15 pessoas e no ICKS 12 participantes, ou seja, 27 pessoas durante um período prolongado se dedicaram a elaborar um projeto, desenvolvê-lo e apresentá-lo no XIII SBPE.

O Espiritismo, enquanto ciência, possui um método de pesquisa, que Kardec chamou de Método Experimental, ou seja, tal qual às ciências positivas, textualmente: Como meio de elaboração, o Espiritismo procede exatamente da mesma forma que as ciências positivas, aplicando o método experimental. Fatos novos se apresentam, que não podem ser explicados pelas leis conhecidas, ele os observa, compara, analisa e, remontando dos efeitos às causas, chega a lei que os rege; depois lhes deduz as consequências e busca as aplicações uteis” (Gênese, pág.20)”.
Kardec explica nesse parágrafo que o Espiritismo não partiu de hipóteses e sobre elas construiu uma teoria e, sim, através da observação de fatos é que se estabeleceu uma teoria. Esta forma de ação é muito utilizada na ciência e Kardec afirma que: “acreditou-se que esse método só era aplicável à matéria, ao passo que o é também às coisas metafísicas”. (opus cit., pag.20).
O método de pesquisa Espírita libera-se da necessidade da prova experimental, utilizando-se do chamado “crivo da razão” e da confrontação das comunicações, o que certamente foi muito útil para a elaboração da Doutrina. Porém, para a ciência a comprovação se faz necessária. Isto é tão importante que Albert Einstein esperou de 1905 a 1919, para que, durante um eclipse solar, se comprovasse a hipótese, contida na Teoria da Relatividade Especial, de que ‘um raio de luz deveria sofrer um desvio quando se aproximasse de um campo gravitacional intenso’.
O Espiritismo nestes pontos perde o apoio cientifico por não poder prová-los. Certamente hoje, os grupos de estudo tem que considerar também como efetivamente provar os resultados obtidos, este sim um grande desafio – fica aqui o convite a todos para que busquem a leitura destes dois trabalhos.

Para abrir mais a sua mente - Pesquisa mediúnica sobre reencarnação –GELP –anais do XIII SBPE e Pode o Espiritismo ser considerado Ciência da Alma? Uma análise epistemológica da proposta do pensador espírita Jaci Régis. – ICKS – anais do XIII SBPE - você pode conseguir uma cópia deste artigo, enviando um email para ickardecista1@terra.com.br.
 

Ciência da Alma: O Espiritismo e a Psicanálise – Jaci Régis


Nota da Redação : extraído do trabalho apresentado em 1996 por Jaci Régis ao Comité Científico da CEPA no XVI Congresso Espírita Pan-americano em Buenos Aires – 12 de outubro de 1996.

Seria absurdo tentar encontrar similitudes formais, lineares entre Psicanálise e o Espiritsmo.

O Espiritismo é uma doutrina com objetivos moralizantes, éticos e possui uma estrutura definida filosoficamente, tentando dar sentido científico às suas propostas sobre a natureza espiritual do homem e da sua visão de mundo.

A Psicanálise se define como uma ciência psicológica, com estrutura própria e tenta equacionar o ser humano dentro de uma teoria e prática terapêutica e, extrapolando-a, uma visão de home e de mundo decorrente.

O homem é o objetivo tanto do Espiritismo, quanto da Psicanálise.
 
 
Foto de Jaci Régis

Seria incorreto dizer que a Psicanálise é materialista. Diríamos que, como as demais ciências do homem ela o vê dentro do prisma orgânico em que se manifesta no mundo. Entretanto, admite a existência de um estágio psíquico no homem e embora concebendo-o objetivamente, trabalha sobretudo em níveis de subjetividade ao tentar analisar seu comportamento a partir de instâncias psíquicas sem bases biológicas.

O Espiritismo pretende encontrar a razão do viver, a essência do homem em dimensões espirituais. Divide-o entre sua natureza de Espírito, como ser inteligente e seu corpo somático, que o define apenas enquanto encarnado, e sobre o qual não apenas tem a precedência como a sobrevivência.  Além disso, o Espiritismo olha o homem no presente como produto de uma série de experiências reencarnatórias.

A Psicanálise trata mais precisamente dos problemas neuróticos, dos desvios do comportamento, tentando fazer o homem internalizar-se para melhor desenvolver suas potencias, sem objetivos moralizantes ou espirituais, no sentido de permanência do ser após a morte.

Tanto o Espiritismo, quanto a Psicanálise tentam descobrir a razão do comportamento humano.

A Psicanálise localiza-se no universo da vida presente, buscando a razão dos desvios nas relações afetivas desenvolvidas na infância, embora reconheça que existem estruturas inatas no homem que determinariam sua escolha neurótica.

O Espiritismo localiza-se num universo mais amplo, projetando-se para uma vivência do Espírito como individualidade permanente, em sucessivos segmentos encarnatórios e encontra na culpa do passado a razão dos desvios do presente e projeta o desenvolvimento pessoal conjunturando sobre a perfeição no tempo e no espaço.

Como dissemos, o Espiritismo filosofa sobre a natureza do homem e de suas problemas. A Psicanálise pesquisa e atua sobre os sintomas neuróticos, tentando encontrar no desenvolvimento da existência atual a causa dos desvios.

Sob o ângulo específico da estrutura do ser, a Psicanálise desenvolveu um modelo do aparelho psíquico e estabeleceu parâmetros de análise das causas do comportamento humano, como o complexo de édipo, os princípios do prazer e da realidade, a estrutura do aparelho psíquico, nas tópicas do ego, id e superego e consciente, pré-consciente e inconsciente, e outros mecanismos de defesa psicológicas, que determinam o estar no mundo da pessoa.

Existem pontos de contato entre o Espiritismo e a Psicanálise?

Se consideramos que Allan Kardec disse: “ O Espiritismo e o materialismo são como dois viajantes chegados a certa distância, diz um, “ Não posso ir mais longe”. O outro prossegue e descobre um novo mundo. O Espiritismo marcha ao lado do materialismo, no campo da matéria, admite tudo o que segundo admite; mas avança para além do ponto em que este último para”, podemos aproveitar a estrutura do pensamento Freudiano e adicionar a ela o entendimento do Espiritismo.

Acredito que o discurso psicanalítico tem um valor importante e o discurso espírita pode utilizar-se dele, utilizar seu aparato teórico e introduzir nele conceitos que, a meu ver, lhe dão continuidade. Agora, então teremos um discurso espirito somático, pois postulamos não uma transcendência dos sistemas neuróticos e psicóticos, mas experiência vivencial concreta, humana, no círculo das angústias e necessidades do homem comum.

Só que o homem comum, sob a ótica espírita não se restringe ao organismo. É uma combinação espírito-organismo uma unidade espiritual e somática.

Freud não considerou a existência da alma como ser. Mas descobriu e explorou o psiquismo que codificou, embora sem dizer ou saber onde localizá-la no cosmo cerebral. Ele todavia não pode exonerar-se de muitas facetas do comportamento para as quais não encontrou explicação.

Analisando a raiz dos comportamentos ele, por exemplo, adotou o princípio das ideias inatas, não como reminiscência de um passado vivido, mas como estruturas de caráter que não encontram bases na existência, mas que estabelecem tendências que determinam o encaminhamento do indivíduo na vida.

Antes dele os problemas emocionais e comportamentais eram catalogados dentro de horizontes religiosos ou psiquiátricos, restritos às disfunções cerebrais. Com ele o psiquismo humano passou a ser considerado de uma forma sistemática. Desde então criou-se propriamente a psicoterapia.

Sua maior contribuição foi a descoberta do inconsciente, como lugar de recalque dos sentimentos que não podem ser suportados no consciente, devido as censuras. E por esse caminho considerou que o homem desconhece a si mesmo, isto é, que possui no seu cosmo interior, emocional, sentimentos, idéias, desejos controversos, conflitantes. Ao centralizar sua analise no sexo, escandalizou e criou incompreensões. Mas ao mesmo tempo tem mostrado que a sexualidade domina o indivíduo, pelo menos neste estágio evolutivo, como base que é da expressão das incertezas, emoções e desejos de intercomunicação de cada ser.

Embora o próprio Kardec tenha manifestado que a reencarnação era inerente ao processo de crescimento do ser e não mero instrumento punitivo, o Espiritismo, de modo geral, não conseguiu superar o peso da tradição judaico-cristã sobre o pecado original, a culpa e a dor, o sofrimento como únicos instrumentos de ascensão, purificação e regeneração da alma.

O Espiritismo persegue o ideal moral, às vezes moralista. Encontra na culpa pela prática do mal, a raiz de todos os males da pessoa e da sociedade. E propõe a cura desses males pela resignação na dor e pela prática das virtudes da moral de Jesus. A psicanálise, embora seu fundador tenha sido, a rigor, um moralista, não se propõem a curar, nem a julgar, mas explorar as resistências, tenta tornar o inconsciente consciente, pela reelaboração dos sintomas resultantes do “retorno reprimido”.

Acho que uma conexão teórico-prática entre os postulados psicanalíticos e espíritas, sem que um se reduza ao outro, mas, no meu ver, se completam. Dentro dessa premissa, acredito que o espiritismo tem uma contribuição à psicologia, não fosse ele a doutrina dos Espíritos, não apenas no sentido de que os entes desencarnados são considerados seus autores, como principalmente no fato de que está todo assentado sobre o estudo e a natureza do ser. Nesse sentido, pode-se dizer que além de doutrina dos Espíritos é também a doutrina do Espírito.

Nota da redação: Este trabalho foi seguido da elaboração da Espiritossomática por Jaci Régis, esta que é uma das raízes da Ciência da Alma - Artigo publicado na coluna Ciência da Alma - Jornal Abertura -dezembro de 2013 - Caro leitor deixe aqui a sua opinião

Voto Consciente visão Espírita - Rosana Régis de Oliveira

04 de março de 2014

Voto Consciente  

                                        Rosana Regis e Oliveira

         
                O artigo da escritora Lya Luft, publicado na revista Veja do dia 26 de fevereiro, resume tudo o que penso sobre o poder do voto consciente. Diz a escritora: ..."Podemos ser mais dignos? Podemos melhorar de vida?......Podemos uma porção de coisas melhores em nossa tumultuada vida? Podemos ser mais dignos e altivos? Não sabemos para que lado nos virar, onde procurar, a quem recorrer.Talvez a esperança seja não a destruição de ônibus, a quebradeira de lojas, a insensatez desatada. A esperança pode estar no gesto mais simples, breve, pequeno, porém transformador, desde que a gente saiba o que está fazendo, o que deve fazer: O Voto. Para que o voto seja esta esperança transformadora é preciso se informar, debater e descobrir algum nome a quem confiar esse voto ou acabará significando nada. Precisamos melhorar logo, para que o país não lembre uma nau sem rumo."
               Creio que é nele que todos nós temos o poder de mudar. Portanto leitor, pense muito antes de votar, leia, se informe e não deixe de propagar suas idéias aqueles a sua volta. Deixe seu comentário e debata com a gente sobre o voto!               

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Violencia - Existe Soluçao?

Gisela Regis

   
              O filósofo e escritor Jean-Paul Sartre, em 1947 escreve o seguinte: "Reconheço que a violência, seja qual forma que se manifeste, é um fracasso. Mas é um fracasso inevitável pois estamos em um universo de violência. E ainda que seja verdade que o recurso `a violência contra a violência, corre o risco de perpetuar, também é verdade que é a única maneira de acabar com ela".
      Hessel, um homem de valores humanistas e universais partilha dessa idéia até certo ponto, distanciando-se de Sartre ao rejeitar a idéia da inevitabilidade da violência como solução única. Escreve Hessel: "A frase de Sartre eu acrescentaria que a não violência é um meio mais seguro de acabar com a violência".
      A mídia nos mostra manifestações de violência em todas as partes, causando medo, insegurança. Ninguém está tranquilo e a violência está em toda a sociedade.  A transgressão mais a impunidade causam a violência? Estamos voltando ao olho por olho com o aumento do justiçamento? 

    Como enfrentar a violência?             

        
       A democracia está pronta? Porque valores de consumo são mais importantes hoje do que os valores morais e de família?
     São diversas perguntas que nos fazemos sem respostas. Nós espíritas, fundamentados na evolução, podemos acreditar que somos um povo primitivo?
     Pela resposta, à pergunta 753, do Livro dos Espiritos que diz "Nos povos primitivos a matéria prepondera sobre o Espírito. Eles se entregam aos instintos do bruto e, como não experimentam outras necessidades além das da vida do corpo, só da conservação pessoal cogitam e é o que os torna, em geral, cruéis. Demais, os povos de imperfeito desenvolvimento se conservam sob o império de Espíritos também imperfeitos, que lhe são simpáticos, até que povos mais adiantados venham destruir ou enfraquecer essa influência". Parece que nos encaixamos direitinho.
    E a respeito da violência, você concorda com Sartre ou com Hessel?



terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Até quando?




Este é um trecho da musica "Até Quando" de Gabriel O Pensador. Voce concorda com ele?  A mudança desse mundo conturbado, violento, cheio de contestaçoes esta nas maos de cada um de nos?