segunda-feira, 15 de junho de 2026

Abrindo a Mente - Um caso que sugere comunicação - fotografia espiritual por Alexandre Cardia Machado

 

Um caso que sugere comunicação - fotografia espiritual

 

    Existe um mistério sobre onde teria sido enterrado o corpo de Garcia Lorca, por coincidência, em 2023, Cláudia, minha esposa e eu estávamos fazendo um tour por Andaluzia e na cidade de Almeria, na Espanha, visitamos a Escola de Arte da cidade. Lá nos deparamos com uma exposição em desenho sobre Lorca.

Texto

Descrição gerada automaticamente


    Em alguns dos quadros, falavam da procura pelo local onde ele estaria enterrado.

Uma imagem contendo Interface gráfica do usuário

Descrição gerada automaticamente

Figura - À esquerda a assinatura de Lorca e à direita a projeção de luz sobre o desenho

Transcrevendo os quadrinhos à direita:

- Descubro fascinado o que a luz desenha sobre as fotografias;

 - Partindo das oliveiras embaixo, onde ele foi enterrado até acabar nos olhos seus;  - dois minutos depois o raio desaparece.

No quadrinho em branco abaixo, também  à direita:

- “Não é uma casualidade ele me despertou no momento justo para que eu visse a sua assinatura desenhada nas fotos que eu dispus caprichosamente na parede”.

Esta história é contada por um amigo de Lorca, Agustin Penón, que buscou incessantemente pelo local onde ele foi enterrado.

Tentei comprovar a história, mas há muita discordâncias a respeito, do local e mesmo se o corpo foi identificado. Mas o fato é que naquela localidade, 3 corpos foram encontrados.

Foto preta e branca de uma loja com porta de vidro

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Reprodução da foto original –“O misterioso raio fotografado por Agustín Penón no seu estúdio em Nova Iorque - 1956” Ed. Comares. Livros foram escritos, sobre este assunto, como o abaixo.

Uma imagem contendo Texto

Descrição gerada automaticamente

    Allan Kardec, já no século XIX admitia a possibilidade da fotografia espiritual, podemos ler sobre isto no livro – Obras Póstumas – no capítulo  “ Fotografia e telegrafia do pensamento”. O caso aqui relatado é um caso um pouco distinto, trata-se de uma projeção de luz, sobre fotografias e fotografada pelo autor das fotos.  O que vocês acham? Nos escrevam.

Para abrir mais a sua mente: leiam entre outros tantos escritos - MIEDO, OLVIDO Y FANTASIA. CRONICA DE LA INVESTIGACION DE AGUSTIN PENON SOBRE FEDERICO GARCIA LORCA (1955-1956) - MARTA OSORIO - 9788498365009 (agapea.com); Agustin escreve um livro – Miedo, olvido y fantasia – Cronica de la investigación de Agustin Penón sobre Federico Garcia Lorca.

 Artigo publicado no Jornal Abertura de agosto de 2024.

Quer conferir o que mais há de interessante neste jornal?

https://cepainternacional.org/jornal-abertura-agosto-de-2024/

 

sábado, 6 de junho de 2026

Alegria e Tristeza no equilíbrio mental - por Cláudia Régis Machado

                          Alegria e Tristeza no equilíbrio mental - Cláudia Régis Machado


Escrever sobre Tristeza e Alegria é dizer sobre emoções, sentimentos humanos, que constituem a dinâmica da vida. Vivemos e criamos situações que nos trazem alegria e tristeza.

Buscar o equilíbrio emocional é fator de grande importância porque o bem-estar emocional é necessário para viver com mais saúde e qualidade de vida.



Reconhecer a influência das emoções e, em resposta, exercer o autocontrole sobre elas, a fim de obter reações mais centradas, sem perder a racionalidades ou se desesperar diante das adversidades, mesmo diante de situações extremas, como as crises.

É complexo traduzir em palavras esses sentimentos, pois a manifestação tanto de alegria como de tristeza, são subjetivas, e podem ou não se manifestar com expressão corporal e comportamento mental.

Por isso definir tristeza como alegria geralmente é comparando a sensações agradáveis e desagradáveis.

A tristeza com algo amargo, escuro ou como uma dor, ou com sentimento de incapacidade. A  tristeza pode ser também comparado a consequência de emoções  como egoismo, a insegurança, a baixa estima,

Já a associamos ao com em emoções como a, empolgação, paz interna.

Nestes dois sentimentos opostos – alegria e tristeza a gente pode colocar uma diferença em ser triste e alegre e estar triste e alegre.

O equilíbrio emocional precisa ser trabalhado ao longo da vida, pois a falta de cuidado com a saúde mental é um dos principais fatores que contribuem para o surgimento do estresse e das doenças psicológicas.

Sabendo sobre os dois conceitos acreditamos neste atual momento da nossa evolução que sabendo lidar, não supervalorizando nenhum dos dois e sim aprender a manejar nossas emoções, nossos pensamentos e os sentimentos que emergem das situações da vida, é que conseguimos um equilibrio mental.

 ” Como" encarar uma dificuldade faz muita diferença no nosso dia a dia, trazendo como resultado essa palavrinha que todos almejamos: felicidade.


Segundo Jaci Régis o Perfil médio da humanidade em termos de equilíbrio mental, seria dividido em três níveis:

  1. Nível primário.
  2. Nível razoavelmente saudável-precariamente equilibrado oscilando entre os limites do equilíbrio razoável ao destempero emocional.
  3. Nível satisfatoriamente saudável.

Dizem que só crescemos e mudamos na dor e no sofrimento. (até algumas interpretações espíritas). Por que não o oposto? Infelizmente, as pessoas tendem a se acomodar quando tudo está bem.

Mas é possível mudar através da alegria e da exaltação, pois a essência para qualquer mudança é entrarmos em contato com nossos verdadeiros sentimentos e isso pode ser através do sofrimento ou da alegria.

A alegria é a nossa meta, pois, a emoção da alegria nos aquece,

Quanto estamos alegres mostramos autoconfiança, nos sentimos bem. Parece que ficamos muito mais iluminados. Geralmente ficamos mais abertos e flexíveis.

Mas a tristeza está aí e não podemos negá-la, existem no mundo, situações que nos causam e trazem tristeza e muitas provocadas por nós mesmos.

Mas frente a elas, não se deixar sucumbir, vivê-las sem desespero, procurar buscar esperança.

Aqui uma pessoa que tem alegria de viver pode encontrar outros caminhos quando surgir uma dificuldade, pois a alegria saudável nos faz criativos e exaltados.

Como o Espiritismo pode contribuir

Quando o entendimento da vida leva o indivíduo a acreditar na transcendência, na vida além da morte, na imortalidade da alma, e todas as manifestações decorrentes, ampliam-se para ele o horizonte de eventos.

É possível afirmar que o indivíduo que deposita na crença no futuro pode suportar com menos dificuldades as eventuais contrariedades do presente. O presente pode não o agradar, mas pode também não ser motivo de visível infelicidade pela expectativa e possibilidades de aprender e melhorar.

A crença no futuro, a certeza de que não estamos sozinhos e que estamos em fase de evolução de aprendizado ajudando-nos a compreender as facilidades e dificuldades da vida, facilitando a manutenção de estados de equilíbrio e de felicidade relativa.

Nota da Redação: Este artigo foi publicado no Jornal Abertura de junho de 2022, estamos repetindo por acharmos importante esta reflexão para quem sabe, ajudar a  reverter esta tendência observada pela sociedade atual de extremos de tristeza.

 

 Artigo originalmente publicado no Jornal Abertura de janeiro-fevereiro de 2025.

https://icksantos.blogspot.com/2025/02/jornal-abertura-de-janeirofevereiro.html

 Quer ler outros artigos de Cláudia Régis Machado aqui no blog?



 

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Jornal Abertura de Junho de 2026 - Baixe Gratuitamente

Jornal Abertura junho de 2026 - Edição Especial sobre a Vida no Universo

                

                                                                Baixe aqui:
 

https://icks.ong.br/wp-content/uploads/2026/06/Jornal-Abertura-Junho-2026-1.pdf


                                                                        Nesta Edição:

Dedicamos grande parte desta edição de junho a um tema que volta e meia retorna nos jornais e televisão, todos nós terrestres temos uma curiosidade, uma angústia de ser somente nós no Universo, talvez sejamos, no entanto, a probabilidade de que existem outras civilizações neste espaço enorme ao nosso redor é muito grande. 

Contamos também com artigos sobre a vida a felicidade, sobre religião e livre-arbítrio, de Jaci Régis, Cláudia Régis Machado, Milton Medran e Roberto Rufo. 

Uma variedade grande sobre nossas visões espíritas.

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Novos links das publicações gratuitas do ICKS, veja abaixo:

Ano de 2026

Abertura 2026 – site do ICKS:

Abertura janeiro e fevereiro 2026

https://icksantos.blogspot.com/2026/02/jornal-abertura-janeiro-fevereiro-2026.html

Abertura março 2026

icksantos.blogspot.com/2026/03/baixem-o-jornal-abertura-de-marco-de.html

Abertura abril 2026

https://icks.ong.br/wp-content/uploads/2026/04/Jornal-Abertura-abril-2026.pdf

Abertura maio 2026

https://icksantos.blogspot.com/2026/05/jornal-abertura-de-maio-de-2026-ja.html

Ano de 2025

Abertura dezembro de 2025

https://icksantos.blogspot.com/2025/12/saiu-o-jornal-abertura-de-dezembro-de.html

Abertura novembro de 2025

https://icksantos.blogspot.com/2025/11/jornal-abertura-novembro-de-2025.html

Abertura outubro de 2025

https://icksantos.blogspot.com/2025/10/jornal-abertura-outubro-de-2025.html

Abertura setembro de 2025

https://icksantos.blogspot.com/2025/09/jornal-abertura-setembro-de-2025-baixe.html

Abertura agosto de 2025

https://icksantos.blogspot.com/2025/08/jornal-abertura-agosto-de-2025-online.html

Abertura julho de 2025

https://icksantos.blogspot.com/2025/07/jornal-abertura-de-julho-de-2025-baixe.html

Abertura junho de 2025

https://icksantos.blogspot.com/2025/06/saiu-o-jornal-abertura-junho-de-2025.html

Abertura maio de 2025

https://icksantos.blogspot.com/2025/05/jornal-abertura-online-em-pdf-maio-de.html

Abertura abril de 2025

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Abertura março de 2025

https://icksantos.blogspot.com/2025/03/jornal-abertura-marco-de-2025-ja-podem.html

Abertura janeiro e fevereiro de 2025

https://icksantos.blogspot.com/2025/02/jornal-abertura-de-janeirofevereiro.html

Aberturas Anteriores veja no site da CEPA:

https://cepainternacional.org/journal-y-revistas/ 

Livros – ebooks do ICKS

                                            Série Abrindo a Mente:

                                                                                                            

Uma Breve História do Espírito: Alexandre Cardia Machado

Português

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Novo Pensar, Deus, Homem e o Mundo : Jaci Régis

Português:

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Espanhol:

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A busca por Planetas Habitados : Alexandre Cardia Machado e Reinaldo Di Lucia

Português:

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OUTROS LIVROS DO ICKS

O Laço e o Culto – Krishnamurti de Carvalho Dias:

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Emissões Energéticas na Prática Espírita: Vários autores

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O Laço e o Culto – Krishnamurti de Carvalho Dias:

https://cepainternacional.org/libro/o-laco-e-o-culto-krishnamurti-de-carvalho-dias-2/

O Poder e o Movimento Espírita: Jaci Régis e José Rodrigues

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Modelo Conceitual – Doutrina Kardecista: Jaci Régis

Português:

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Caderno Cultural 5 - Análise da evolução do conceito de Reencarnação nas obras de Allan Kardec – Grupo de Estudos do ICKS

https://cepainternacional.org/libro/analise-da-evolucao-do-conceito-de-reencarnacao-ao-longo-das-obras-de-allan-kardec/

Amor, Casamento e Família: Jaci Régis

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Anais do VII Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita

https://cepainternacional.org/libro/anais-do-vii-sbpe-simposio-brasileiro-do-pensamento-espirita/

Anais do XV Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita

https://cepainternacional.org/libro/anais-do-15-simposio-brasileiro-do-pensamento-espirita/

Conheça as publicações de livros físicos do ICKS em nosso site:

http://www.icks.ong.br/


Tendo interesse em comprar algum livro é só enviar um email ao: ickardecista1@terra.com.br - pagamento por PIX que é o nosso CNPJ.


 

 


 


quarta-feira, 20 de maio de 2026

Série Microfilme - Jornal Abertura comemorativo de 25 anos de existência

 No ano que nos encaminhamos para o nosso 40° Aniversário, trazemos esta edição especial de 25 anos.




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domingo, 17 de maio de 2026

Somos Felizes? por Cláudia Régis Machado

 Somos Felizes? por Cláudia Régis Machado


Todo final de ano muitas pessoas têm o hábito de refletir sobre o ano que finda. Quais as realizações, o que deixou de fazer? E, em seguida passa a pensar no planejamento do ano que está por vir.

No entanto raramente se fazem uma pergunta: “Fomos felizes”?

Muitos associam a felicidade com os resultados obtidos, no entanto vamos abordar o assunto enfatizando o sentimento “felicidade”, na concretude que fica diluída no abstrato, na subjetividade porque muitas vezes especificar, dimensionar felicidade se mostra bastante complicado já que não é um conceito único e está sujeito a visão de mundo de cada um, ao lugar, a época vivida, entre outras coisas. Mas ainda fica a questão O que é felicidade? Se não soubermos de que felicidade estamos falando não saberemos se fomos felizes.

Fazendo uma pesquisa na internet no site a mente maravilhosa, que mostra o conceito de felicidade de alguns filósofos dentre eles Aristóteles e Epicuro, os mais conhecidos e, dois mais modernos Nietzsche e Ortega y Gasset, podemos ter uma noção que este tema sempre foi importante e já foi estudado por muitos.

Para Aristóteles, o mais proeminente dos filósofos metafísicos, a felicidade é o maior desejo dos seres humanos. Do seu ponto de vista, a melhor forma de conseguir ser feliz é através das virtudes. Cultive as boas virtudes e alcançará a felicidade.”

Para Epicuro um filósofo grego que teve muitas contradições com os filósofos metafísicos. A diferença entre eles é que ele não acreditava que a felicidade provinha somente do mundo espiritual, mas também tinha muito a ver com as dimensões terrenas. acreditava na possibilidade de uma vida feliz e harmônica neste mundo. Ele postulou o princípio de que o equilíbrio e a temperança davam origem a felicidade”. 

“Para Nietzsche - acreditava que viver pacificamente e sem qualquer preocupação era um desejo das pessoas medíocres e que não valorizam a vida. Para ele, estar bem” graças a circunstâncias favoráveis ou a boa sorte não é felicidade. Isto é uma condição efêmera que pode mudar a qualquer momento.

Estar bem seria uma espécie de “estado ideal de preguiça“, onde não existem preocupações e sobressaltos. Em vez disso, a felicidade é força vital, espírito de luta contra todos os obstáculos que restrinjam a liberdade e a autoafirmação.”

Para Ortega y Gasset, a felicidade é definida quando “a vida projetada” e a “vida real” coincidem. Ou seja, quando a vida que desejamos coincide com o que realmente somos. Ideia de confluência. Todos os seres humanos têm potencial e desejo de ser feliz. Isto quer dizer que cada um define o que irá fazê-lo feliz; se conseguir construir a sua vida de acordo com os seus desejos, será feliz”.

O Espiritismo como filosofia espiritualista traz sua contribuição, colocando a ideia de que a felicidade é um estado que se manifesta através do servir e do bem que se oferece ao próximo, chegando à plenitude do ser não no mundo material e sim no espiritual já que somos espíritos imortais.

A questão 920. Do Livro dos Espíritos é assim colocada: O homem pode gozar na Terra uma felicidade completa? - Não, pois a vida lhe foi dada como prova ou expiação, mas dele depende abrandar os seus males e ser tão feliz quanto se pode ser na Terra.

Já na questão 922, por sua vez pergunta, há, entretanto, uma medida comum de felicidade para todos os homens? - Para a vida material, a posse do necessário; para a vida moral, a consciência pura e a fé no futuro

O espiritismo auxilia através de suas orientações morais a compreensão da felicidade propondo um futuro racional que advém das escolhas e ações por nós realizadas.

Na perspectiva contemporânea trazemos Jaci Regis pensador espírita que coloca a felicidade como o propósito central da vida. Inovador ao trazer o conceito de prazer, destituída da ideia crista e espírita-cristã, quando postulando o prazer como fator catalizador para o crescimento e evolução espiritual.

Segundo Jaci o “O Espiritismo não pode ser a doutrina da dor e do sofrimento. Mas a doutrina do prazer, no seu sentido amplo, libertador e construtivo”.  Conduzindo a conquista de uma vida terrena relativamente feliz e exitosa. Essa visão propõe uma ética do 'bem viver' fundamentada no otimismo e no serviço do bem. Ideias trazidas por Ricardo Nunes no artigo Jardim de Epicuro editado jornal abertura de janeiro/fevereiro a outubro de 2019.

Disponível no blog do ICKS https://icksantos.blogspot.com/2019/11/jaci-regis-e-o-jardim-de-epicuro-por.html

Artigo publicado no Abertura dezembro de 2025, quer ver o jornal? veja aqui:

https://icksantos.blogspot.com/2025/12/saiu-o-jornal-abertura-de-dezembro-de.html

Quer ler outros artigos de Cláudia Régis Machado aqui no blog?



quinta-feira, 14 de maio de 2026

O Deus que as Pessoas Querem - por Eugenio Lara

 

O Deus Que as Pessoas Querem

Eugenio Lara

 

Há alguns anos, em uma palestra num centro espírita sobre o tema Evolução, um dos pilares básicos do Espiritismo, após expor em linhas gerais a teoria da Seleção Natural, o evolucionismo de Charles Darwin/Russel Wallace, uma senhora ex-católica, bastante esclarecida, ficou indignada ao concluir que, pela exposição, não teria havido um momento em que Deus criou o homem e a mulher. Ou seja, Adão e Eva são figuras míticas, como se fossem personagens de contos de fadas, de contos da carochinha. Não existe na trajetória do ser humano sobre a Terra aquele momento mágico, tipo Fiat Lux, em que Deus faz o homem do barro e, depois, de sua costela cria a mulher. Deus não criou o homem nem a mulher. Neste quesito, a ação divina é inútil. Para desespero das religiões, o ser humano é produto da seleção natural e não da vontade divina.



Por sua vez, o Espiritismo ensina, de modo bastante didático e sintético, que Deus cria os espíritos simples e ignorantes. No entanto, não há como precisar em que momento a simplicidade moral e a ignorância intelectual se manifestam, pois a evolução do princípio inteligente, seu surgimento, se perde na noite dos tempos. Quando e como são criados os espíritos, se é que o são, constitui-se num mistério. E chega a ser um problema para aqueles que, ao tomarem contato com o Espiritismo, buscam nele consolo e esclarecimento para suas dúvidas existenciais. O Deus que essas pessoas vão encontrar na filosofia kardecista é radicalmente diferente do Deus das religiões, especialmente as monoteístas. Ainda que a linguagem adotada na análise de Deus seja bastante influenciada pelo cristianismo, fica difícil para uma pessoa comum e religiosa, compreender o Deus que os espíritos e Kardec ensinam.

Na verdade, o Deus que as pessoas querem, conforme o desejo daquela senhora ex-católica, é aquele que julga, castiga, abençoa, perdoa, enfim, um Deus atuante, que interfere no destino do ser humano e do mundo. É um Deus que possui atributos, que cuida de suas criaturas: “o senhor é o meu pastor, nada me faltará”, diz o Salmo. Não existe lugar para o acaso, para fatos aleatórios, pois não há uma folha que caia da árvore sem que Deus saiba. De Deus, as pessoas esperam perdão, milagres, justiça.

É justamente esse mesmo Deus que os criacionistas imaginam como um grande arquiteto, um relojoeiro que projeta e constrói a natureza, no que chamam de design inteligente, tentando inutilmente se contrapor a essa grande conquista da humanidade: a evolução. É o criacionismo bíblico travestido de cientista, como o lobo em pele de cordeiro.

Quanto às religiões monoteístas, cada qual tem o seu Deus exclusivo. Todavia, eles não são tão diferentes entre si. O Deus judeu não é tão diferenciado assim do Deus cristão, que por sua vez nada fica a dever ao Deus muçulmano. Jeová, Deus ou Alá são apenas nomes a designarem um Ser Divino criado à nossa imagem e semelhança, e não o inverso como está na Bíblia.

Esse Deus é uma invenção humana, nunca existiu. Não existe um Deus-Juiz, assim como nunca existiu um Deus-Criador. O Deus que Nietzsche diz estar morto, é justamente esse Deus humano, demasiadamente humano, que nada tem a ver com a ideia de uma Inteligência Suprema, de uma Grande Consciência Universal.

Acreditar num Deus que não julga, não condena, não cria, não abençoa etc. não é nada fácil. E não precisa ser religioso para ser deísta. Aliás, seria melhor não sê-lo, a fim de se entender um Deus não-antropomórfico, isto pela via racional e não pela fé cega. Caso existisse, ele seria, na verdade, um Deus inútil, insensível às nossas preces, inativo, ocioso, que não intervém na natureza, no mundo que não criou. É um Deus descartável diante do anseio de que há uma força poderosa a nos guiar, que nos abençoa e dirige nossas vidas.

Os cristãos dizem que Deus age em nossa existência quando estamos com o coração aberto e impregnado de fé, crentes em sua ação divina, poderosa. Quando há o orgulho e vaidade, Deus afasta-se de nós. O vulgo chega a imaginá-lo como um velhinho de barbas brancas, de olhar bondoso ou severo, quando contrariado. Pois é esse Deus antropomórfico que as religiões, especialmente as cristãs, querem que seja ensinado nas aulas de Religião, o que seria um grande retrocesso em face do avanço social conquistado pelo laicismo, com a imprescindível separação entre a Religião e o Estado.

Em que pese a linguagem maculada pelo cristianismo e as tentativas de dotar a divindade de atributos, a concepção espírita de Deus mostra-se radicalmente contrária às concepções teológicas sobre a divindade, ao dogmatismo cristão e concepções teístas que fazem de Deus um ser antropomórfico. O Deus que Allan Kardec e os espíritos ensinam é semelhante ao Deus de Leibniz, de Newton e, de certo modo, de Espinosa. Sem aderir ao panteísmo, como fez Espinosa, a suposta ação divina manifesta-se mediante leis naturais, da qual a Seleção Natural é uma delas, assim como a Lei da Gravidade e também o que o Espiritismo denomina de Leis Morais.

Na história da Humanidade nunca existiu algum povo que fosse ateu. O ateísmo é um fenômeno recente. Essa busca do divino, do transcendente, natural no ser humano, é um fato instintivo. Assim como o instinto de conservação, o de reprodução, o princípio inteligente tem em sua estrutura, no seu âmago, o que o Espiritismo denomina de instinto de adoração. Ou seja, a religião não é tão-somente um fato cultural, ela se origina dessa necessidade básica, instintiva do ser humano em buscar o sagrado, a transcendência, que muitos denominam de religiosidade ou espiritualidade, termo este mais adequado e menos comprometido. A religião não surge somente do medo, como diz Bertrand Russel, mas fundamentalmente desse sentimento íntimo, instintivo, cravado na consciência de todos nós.

“O novo pensar sobre Deus tenta harmonizar a presença divina e as necessidades do ser humano, oferecendo um conjunto de leis e sistemas vivenciais que abrem oportunidade de resolução dos problemas”, afirmou com muita propriedade o escritor espírita Jaci Regis (Novo Pensar - Deus, Homem e Mundo). O Deus que o Espiritismo pode oferecer às pessoas não é antropomórfico, não julga nem condena, mas oportuniza, não como um ser, mas como uma Inteligência Primordial, Suprema, através das leis naturais.

 

Eugenio Lara, arquiteto e designer gráfico, é fundador e editor do site PENSE - Pensamento Social Espírita [www.viasantos.com/pense], membro-fundador do Centro de Pesquisa e Documentação Espírita (CPDoc) e autor dos livros em edição digital: Racismo e Espiritismo; Milenarismo e Espiritismo; Amélie Boudet, uma Mulher de Verdade - Ensaio Biográfico; Conceito Espírita de Evolução e Os Quatro Espíritos de Kardec. Desencarnado em juho de 2024.

Artigo publicado no jornal Abertura de janeiro-fevereiro de 2012