segunda-feira, 11 de maio de 2026

Abrindo a Mente – A volta de humanos a Lua por Alexandre Cardia Machado

 

Abrindo a Mente – A volta de humanos a Lua

Alexandre Cardia Machado

 

Em nosso livro – A busca por Planetas habitados em coautoria com Reinaldo Di Lucia, dedicamos um espaço à exploração espacial, porque é uma forma de buscarmos por vida fora da Terra.

Entre 1969 e 1973 várias missões Apollo pousaram na Lua, 12 astronautas caminharam em sua superfície e coletaram amostras, o museu de geologia da UFRS, onde estudei possui um exemplar de rocha lunar, assim como quase todos os grandes centros de pesquisa.

No livro acima citado, no Capítulo 11- Pesquisas Científicas Atuais, subcapítulo – A Lua Nosso Satélite – desenvolvemos a cronologia das pesquisas espaciais desde a Apollo 11, até as atuais em desenvolvimento, por vários países.

Sobre a Missão Artemis destaco, chamo a atenção que este texto foi escrito em janeiro de 2025 e algumas datas previstas não ocorreram conforme o planejado:

Missão Artemis – NASA

        Está em desenvolvimento em todos os seus aspectos, desenvolvimento do foguete, dos módulos de viagem e pouso, trajes espaciais. Muitas etapas já foram superadas como podemos ver abaixo:

        A viagem da Artemis II à Lua está planejada para ocorrer em setembro de 2025, (acabamos de acompanhar que ocorreu em março e abril de 2026). Sendo que o primeiro pouso tripulado a partir de 2026 [1].

        Desenvolvimento do foguete e sistemas – Sistema de Lançamento Espacial

        Módulo Lunar – Órion – já foram feitos 4 testes do Módulo no espaço.(e foi utilizado por humanos nesta missão Artemis II)

        Artemis I (2022) – teste com Órion, dando uma volta na Lua, durou 25 dia em 11 de dezembro de 2022. Desta vez sem tripulantes.

        Artemis II (2025) – repetirá o Artemis I, só que com a tripulação a bordo, uma missão de 10 dias. Serão 4 astronautas, sendo uma mulher. (acabamos de acompanhar)

Fonte Nasa

        Artemis III (2026) – levará o gateway e está planejado a descida de 2 astronautas próximo ao polo sul da Lua. (hoje já se fala em 2027).

        Artemis IV a IX – estão planejados culminando com o início da construção de instalações no polo Sul da LUA”

São grandes passos, China e Índia também estão enviando sondas de exploração, no caso da China com objetivo de encontrar um melhor local para o pouso humano.

Termos uma base Lunar é estratégica, com o tempo conseguiremos produzir combustível de foguetes na Lua e com isto lançar foguetes com muito mais facilidade de lá em direção aos planetas do Sistema Solar.

Para Abrir mais a sua mente: Leia A busca por Planetas Habitados – de  Alexandre Cardia Machado e Reinaldo Di Lucia no link: https://cepainternacional.org/libro/a-busca-por-planetas-habitados/

Artigo originalmente publicado no jornal Abertura de maio de 2026.

Você pode acessar o Jornal completo clicando no link abaixo:

https://icksantos.blogspot.com/2026/05/jornal-abertura-de-maio-de-2026-ja.html

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Jornal Abertura de maio de 2026 - já disponível para download grátis

 Jornal Abertura de maio de 2026 - já disponível para download grátis






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Nesta Edição:

  • 20° Fórum Espírita do Livre Pensar BS páginas, 1 a 4;
  • Editorial 39 anos de Abertura, página 5;
  • Diferentes concepções do divino a da realidade - Milton Medran, página 6 e 7;
  • E chegou a época do progresso apresentar a sua conta - Roberto Rufo, página 8;
  • A volta de humanos à Lua - Abrindo a Mente - Alexandre Machado, página 9;
  • Pedido de ajuda - Cláudia Régis Machado, página 10;
  • Caminhando com Kardec - Jaci Régis, página 11;
  • Nossas livrarias, páginas 12 e 13;

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Livros – ebooks do ICKS

O Laço e o Culto – Krishnamurti de Carvalho Dias:

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Emissões Energéticas na Prática Espírita: Vários autores

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Uma Breve História do Espírito: Alexandre Cardia Machado

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Novo Pensar, Deus, Homem e o Mundo : Jaci Régis

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A busca por Planetas Habitados : Alexandre Cardia Machado e Reinaldo Di Lucia

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O Poder e o Movimento Espírita: Jaci Régis e José Rodrigues

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Modelo Conceitual – Doutrina Kardecista: Jaci Régis

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Caderno Cultural 5 - Análise da evolução do conceito de Reencarnação nas obras de Allan Kardec – Grupo de Estudos do ICKS

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Amor, Casamento e Família: Jaci Régis

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Anais do VII Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita

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Anais do XV Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita

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Alexandre Cardia Machado

Presidente do ICKS / Editor Chefe do Jornal de Cultura Abertura

 


domingo, 3 de maio de 2026

O poder da fé e da política - por Roberto Rufo e Silva

 

                                                      O poder da fé e da política

 

"A política é um bordel. Sempre foi e sempre será. Na verdade, é pior. O bordel é mais honesto. O sujeito paga e tem um serviço".(Luiz Felipe Pondé).

 

"O mal do mundo é que Deus envelheceu e o Diabo evoluiu". (Millôr Fernandes).

 

 

Bancada Crstã no Congresso Nacional

Quem deseja ascender e se manter no poder se utiliza de várias estratégias espirituais ou filosóficas para arregimentar o maior número de seguidores e com isso pôr em prática a ideologia que lhe convém.

A cultura e a política são dois caminhos muito utilizados para se introduzir artigos de fé ou ideologias totalitárias nas mentes e corações dos cidadãos. 

Com seu aspecto mais racional e de equilíbrio emocional o Espiritismo procura, com pouco sucesso, introduzir conceitos que visem a evolução intelecto-moral da humanidade. O Espiritismo não fala às paixões, tão ao gosto dos líderes populistas e demagogos. Daí sua parca percepção junto ao conjunto da sociedade.

A literatura espírita em geral aborda temas como a vida após a morte, a reencarnação e a comunicação com os espíritos. A cultura espírita promove atividades assistenciais e educativas, valoriza a fraternidade, a solidariedade o que deveria influenciar o comportamento e as relações sociais dos seus seguidores. Sem arroubos de fé ou discursos revolucionários de tomada do poder pela força.

De larga influência nos meios de esquerda mundiais o filósofo marxista Antônio Gramsci viu com clareza em sua teoria da hegemonia cultural que o Estado usa , nas sociedades  ocidentais, as instituições culturais para conservar o poder. Logo para se alterar esse quadro urge que os grupos de esquerda assumam o controle dos meios culturais e de comunicação. Sua teoria obteve grande êxito nos países do ocidente, já que no países do leste europeu o estado totalitário sempre teve enorme poder sobre os  meios culturais. O cancelamento é hoje  uma ação muito utilizada em redes sociais por quem detém o poder dos meios de comunicação culturais e artísticos. Atualmente é um alto risco o livre pensar pois a patrulha ideológica, como descreveu o cineasta Cacá Diegues a respeito da crítica cinematográfica de sua época, hoje está instalada nas universidades  federais, nas redações de jornais e no sites. Ouso dizer que o Jaci Regis que conhecemos não teria o mesmo espaço hoje e sofreria na pele o processo de cancelamento. Depois de desencarnado o processo de apagamento já se instalou.

Do lado do "pensamento" espiritual de direita o perigo para a obstrução da evolução racional das pessoas é mais devastador ainda. O novo filme da diretora Petra Costa de nome Apocalipse nos Trópicos, se propõe a examinar a interseção entre a política e as lideranças evangélicas no Brasil. Ela filmou um ato convocado pelo pastor Silas Malafaia e ouviu uma declaração inflamada que lhe chamou a atenção: "Deus deve tomar o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, e expulsar a escória desse país". E um dos pastores falava que "deus decretou o fim do governo do ímpio e falava da necessidade de uma guerra espiritual". As músicas eram sobre o apocalipse, os cultos falavam e associavam a pandemia ao apocalipse. Os pastores pediam ao governo Bolsonaro que ele criasse uma situação que aceleraria o fim do mundo e, portanto, a volta de Jesus.

Isso é uma teologia muito presente entre os evangélicos fundamentalistas no Brasil e nos EUA. Os aliados  dominionistas de Donald Trump acreditam nisso, e que acelerar o fim do mundo vai acelerar a volta de Jesus.

Dominionismo, também conhecido como teologia do domínio, é uma corrente teológica e política que interpreta Gênesis 1:28 como um mandado para os cristãos exercerem controle sobre a sociedade e suas diversas esferas, como governo, cultura (olha ela aqui de novo) e economia.

Nos resta o Espiritismo com sua visão otimista da vida, enfatizando a imortalidade da alma, a reencarnação como motor da evolução pela sucessão de aprendizados. A vida passa a ser uma oportunidade de crescimento, mesmo diante de adversidades. Se vai triunfar só saberemos num futuro muito distante.

 Artigo publicado originalmente no Jornal Abertura de setembro de 2025

Baixe o jornal Aqui:

Abertura setembro de 2025

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quarta-feira, 29 de abril de 2026

O Real e o Virtual por Eugenio Lara

 

O Real e o Virtual

Eugenio Lara

Interessante observar as similaridades entre o conceito espírita de mundo extrafísico e a realidade virtual. Quando se adentra e se imerge num mundo onde não há o espaço nem o tempo que, portanto, não influem em nossa percepção simplesmente porque não existem, a realidade muda completamente, assim como nossa percepção dessa mesma realidade. Não há lugar, não há sucessão temporal.

Na realidade virtual, o sujeito/objeto e o objeto/sujeito estão imersos em um mundo atópico, acrônico, características essenciais do ciberespaço. Num certo sentido, o mundo virtual gerado pela cibernética, pela internet, as redes sociais, o ciberespaço, é um mundo com características semelhantes ao mundo extrafísico, é seu reflexo, mas não há lugar, não há espaço, não há corpo e o tempo deixa de ser contado, deixa de existir. É o eterno presente, a realidade on-line.

Atopia é a ausência de espaço, de lugar, como aquela estranha e engraçada casa do poema de Vinícius de Morais: “não tinha teto não tinha nada”, não tinha chão, não tinha parede... E Acronia é a inexistência do tempo, de sua não decorrência, da insucessão das coisas. O mundo virtual se define por ser atópico e acrônico, particularidades basilares do mundo extrafísico, do mundo dos espíritos, sem tempo e sem espaço.

A percepção do tempo e do espaço se dá através da experiência corporal, das sensações físicas, no enfrentamento das vicissitudes. Na visão espírita, vicissitude é um conjunto de necessidades, de limitações físicas, psíquicas e psicológicas. Trata-se do enfrentamento da materialidade no processo evolutivo, no embate, na superação de toda e qualquer limitação, segundo a causalidade e a casualidade.

Pela causalidade, em função da materialidade como causa eficiente, fatal, da palingenesia e, da casualidade, devido à inexistência de fatalidade nas ações humanas, volitivas e delineadas pelo livre-arbítrio. É o acaso, descartado pelos espíritos, na época, em função do padrão newtoniano vigente, mas que sob outra ótica, quântica, exerce importante papel na realidade, seja ela física ou extrafísica, real ou virtual.

E a simulação do real pelo virtual é tão intensa e impregnante que há quem tenha predileção pela vida virtual em detrimento da real, como naquele famoso game Second Life. É a segunda vida, paralela, adjacente, vida contígua e que transcende a vida atual, real. Há quem se realize no Facebook e nas redes sociais, preferindo o ser virtual ao ser real.

A realidade virtual se renderiza; o espírito se materializa, se corporifica, reencarna. O corpo ensina a consciência. A consciência se expande através do corpo, que recebe os impulsos mentais durante a encarnação, mas possui sua própria determinação, suas próprias leis. O mecanismo da vida não depende do espírito para existir, ele simplesmente existe, resultante da seleção natural, da evolução universal.

O virtual colocava-se no plano da possibilidade, do vir a ser, de algo quase que totalmente possível, daí as expressões “o virtual candidato”, “o virtual campeão”. Expressões que hoje fornecem outro entendimento, ganharam outro significado, porque o virtual conquistou autonomia, é “existente”, a realidade simulada, a hiper-realidade, o simulacro de que falava o filósofo pós-moderno Baudrillard: “É a geração pelos modelos de um real sem origem nem realidade: hiper-real”. (Jean Baudrillard - Simulacros e Simulação).

O advento da realidade virtual recoloca a histórica questão entre a matéria e o espírito, entre a alma e o corpo, entre o físico e o extrafísico. Do mesmo modo que podemos simular a realidade extrafísica através do mundo virtual, suponho que a recíproca também seja verdadeira. No extrafísico, a simulação do físico, reproduzindo de forma artificial o físico na realidade extrafísica, o que permitiria, teoricamente, ao espírito na erraticidade, permanecer de modo indefinido nesse estado transitório, sem precisar reencarnar, ato que dependerá, tão-somente, de seu livre-arbítrio e merecimento moral.

Se na astronáutica simulamos a ausência da gravidade, de modo análogo, no extrafísico, pode-se simular o físico, em processo inverso ao da realidade virtual, como se o virtual se apoderasse do real, na metáfora da Matrix, da simulação da realidade. Mera aparência que daria razão à tese orientalista de que vivemos em um mundo de aparências, no mundo de Maya ou num mundo de simulacros, segundo Baudrillard.

Ou, de modo verossímil, na ideia de Avatar, da consciência em outro corpo, virtual, simulado, mas que promove reações no corpo originário da consciência encarnada. Interessante lembrar que a palavra Avatar vem do sânscrito e significa a encarnação de uma consciência imortal, de uma suprema criatura como Krishna, na filosofia hindu. Na linguagem cristã, Jesus seria um Avatar: “o verbo que se fez carne”.

Por outro lado, lembremos de Kardec ao afirmar que o mundo extrafísico é o mundo primitivo, originário:O mundo espírita é o mundo normal, primitivo, eterno, preexistente e sobrevivente a tudo. O mundo corporal é secundário; poderia deixar de existir ou nunca ter existido, sem alterar a essência do mundo espírita”. (Allan Kardec - O Livro dos Espíritos, Introdução).

Não é um juízo de valor. São apenas mundos de naturezas diferentes, essencialmente diferenciados. Algo próximo à tese do universo holográfico, desenvolvida pelo físico quântico David Bohm, que consiste na ideia de que todo o universo não passaria de um gigantesco holograma (reprodução tridimensional por meio do laser), da imagem formulada e criada pela mente como um campo único, material e consciencial. De que o universo é uma grande projeção, de um nível de realidade além do tempo e do espaço e, quem sabe, a projeção de uma Grande Consciência.

Eugenio Lara é membro-fundador do Centro de Pesquisa e Documentação Espírita e autor de Breve Ensaio Sobre o Humanismo Espírita. E-mail: eugenlara@hotmail.com

Artigo publicado no jornal Abertura de outubro de 2013

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Jornal Abertura de abril de 2026 - baixe grátis

 





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A busca por Planetas Habitados : Alexandre Cardia Machado e Reinaldo Di Lucia

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Modelo Conceitual – Doutrina Kardecista: Jaci Régis

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Alexandre Cardia Machado

Presidente do ICKS / Editor Chefe do Jornal de Cultura Abertura

 

 

domingo, 29 de março de 2026

As Coordenadas da Alma: Uma Crônica sobre a Clarividência - por Herivelto Carvalho

 

As Coordenadas da Alma: Uma Crônica sobre a Clarividência

 Por Herivelto Carvalho

 

O Jornal Abertura, publicou em maio de 2022, um artigo denominado Crônica de uma desaparição (Uma homenagem à clarividência) por David Santamaria

 dsantamaria.cbce@gmail.com – Jornal Flama Espírita - edição de abril-junho de 2022. Barcelona – Espanha. Que traduzimos e trouxemos ao nosso público. O artigo pode ser acessado no link ao final do artigo.

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 Herivelto Carvalho é mencionado neste artigo de David Santamaria como senhor Carvalho. Conversando com Herivelto sugerimos que ele contasse o caso sob o ponto de vista dele e incluísse a participação de Antônio, pseudônimo que foi adotado em 2022. Certamente um caso que demonstra a participação de uma médium clarividente. E uma colaboração entre pessoas ligadas à CEPA no Brasil, Espanha e França.

 Fiquemos com o artigo de Herivelto de Carvalho

 O uso de clarividentes na busca por pessoas desaparecidas é um tema que sempre transitou nas sombras da informalidade. Sei que, sob o olhar rigoroso da ciência e das forças de segurança, falta a esses métodos a precisão e a comprovação necessárias para serem reconhecidos oficialmente. As falhas dos sensitivos são reais e a subjetividade do fenômeno impõe uma barreira compreensível. No entanto, é impossível ignorar que a história também guarda relatos bem documentados, casos em que a intervenção de um clarividente foi o fio condutor decisivo para o desfecho de um mistério.

Como espírita, convivo com uma literatura vasta que não apenas descreve a fenomenologia, mas apresenta inúmeros casos reais. Contudo, a teoria sempre me pareceu algo distante, um conhecimento que eu respeitava, mas não esperava presenciar de forma tão tangível. Essa percepção mudou drasticamente em janeiro de 2022. Naquele momento, fui colocado no centro de um evento onde não apenas ouvi falar, mas testemunhei cada etapa dessa faculdade mediúnica em ação, transformando minha compreensão teórica em uma experiência viva.

Hoje, esse acontecimento não vive apenas na minha memória; ele está imortalizado na edição nº 184 do periódico espanhol Flama Espírita, um boletim informativo do Centre Barcelonès de Cultura Espírita (CBCE) sob o título "Crónica de una desaparición (Un homenaje a la clarividencia)", escrito por David Santamaria.

 A história narra o angustiante desaparecimento de um jovem brasileiro em Paris que, na crônica, foi chamado pelo pseudônimo de Antônio. Nesse relato surgiu também a figura da médium clarividente Issa Valentina, residente em Barcelona. Suas visões, detalhadas e precisas guiaram as buscas em meio ao inverno europeu, contribuindo para que Antônio fosse finalmente localizado. Nesse registro, eu apareço sob o pseudônimo de “Sr. Carvalho”. Minha função foi atuar como o ponto de convergência, o intermediário entre as percepções transcendentais da médium e a família de Antônio no Brasil.

Este texto não nasce do desejo de substituir o registro histórico já existente, mas sim da necessidade de expandi-lo. Meu objetivo é oferecer uma crônica complementar ao trabalho de David Santamaria, trazendo agora o meu ponto de vista como participante direto e testemunha ocular dos bastidores desses eventos. Se nas páginas da Flama Espírita fui identificado sob o véu do pseudônimo “Sr. Carvalho”, aqui assumo a voz de quem viveu a ponte entre a angústia da família no Brasil e as percepções transcendentais em Barcelona.

O início dessa história aconteceu no dia 21 de janeiro de 2022. O jovem Antônio, meu conterrâneo, que então vivia na Irlanda, foi subitamente dominado por uma crise severa de pânico e paranoia. Sentindo-se perseguido e sem condições de permanecer na Europa, ele decidiu que a única saída era retornar ao seio da família, no Brasil. O plano era simples: um voo de Dublin com escala em Paris, e de lá para o Rio de Janeiro.

 Mas a mente prega peças cruéis. Ao pisar no Aeroporto Charles de Gaulle, em 22 de janeiro, o medo paralisante o impediu de embarcar. Retirado pela polícia francesa em meio a um surto, ele foi levado a uma clínica. No dia seguinte, ao ser liberado, Antônio ainda não era ele mesmo. Desorientado e em pleno surto psicótico, ele caminhou para fora da clínica e desapareceu nas ruas de Paris, deixando para trás mochila e documentos.

A notícia atravessou o oceano, repercutiu na mídia brasileira e, logo, estampava os jornais franceses. A família, mergulhada no desespero, mobilizou uma rede de buscas que unia uma advogada francesa, a polícia local e voluntários brasileiros residentes em Paris.

Para ajudar no engajamento digital, foram criados cartazes virtuais com a foto de Antônio e informações sobre o ocorrido em inglês e francês. O objetivo era alcançar a comunidade de brasileiros na Europa e os próprios europeus. Foi então que decidi usar a rede de contatos que construí durante o tempo em que atuei como delegado da CEPA - Associação Espírita Internacional. Enviei os cartazes para diversos colegas europeus que integravam a instituição, na esperança de que a informação circulasse em nichos específicos.

 Alguns dias depois, recebi um retorno inesperado. David Santamaria, um amigo espírita residente em Barcelona e integrante do Centre Barcelonès de Cultura Espírita, entrou em contato comigo. Ele relatou que havia apresentado a foto de Antônio a uma médium, Issa Valentina, participante do círculo de médiuns daquela instituição e que havia intuído informações sobre Antônio por meio da Clarividência.

Issa Valentina foi uma sensitiva extraordinária e autodidata que dedicou sua vida ao auxílio desinteressado de pessoas e espíritos, destacando-se por suas amplas faculdades como clarividente, magnetizadora e médium vidente, auditiva e de incorporação. Reconhecida por localizar pessoas desaparecidas e transmitir mensagens de consolo, ela demonstrava uma profunda nobreza de caráter ao manter sua tarefa caritativa mesmo diante de graves problemas de saúde, manifestando uma gratidão singular pela oportunidade de servir.

No dia 30 de janeiro, sem qualquer informação prévia além de uma foto, por meio de um fenômeno de clarividência e sem nunca ter estado em Paris, Issa passou a ter visões detalhadas sobre o paradeiro de Antônio, descrevendo não apenas sua possível localização, mas também seu estado físico e psicológico fragilizado. Ela descreveu Antônio nervoso, arrumando malas, discutindo com alguém uniformizado (provavelmente policiais ou funcionários), afirmando sentir sua presença na estação ferroviária Gare du Nord, um local a quilômetros de distância de onde a polícia o procurava. Na mesma visão, segundo Issa, Antônio estava usando um lenço no pescoço – detalhe confirmado, pois ele saiu da clínica com um – e o perdeu na estação.

Com as descrições de Issa Valentina em mãos, vi-me diante de uma situação difícil: como entregar uma pista oriunda de uma fonte paranormal a uma família mergulhada na angústia? Até aquele momento, ninguém sabia do meu contato com a médium barcelonesa. Lembro-me da hesitação antes de entrar em contato com a irmã de Antônio. Eu não sabia se ela me daria credibilidade ou se o meu relato soaria como um devaneio; temia que ela visse aquela informação como algo ridículo ou, pior, como uma falsa esperança em um momento de desespero. Entre o receio e o dever, escolhi falar.

Para meu alívio, a reação dela foi o oposto do que eu temia. Houve uma gratidão imediata e uma aceitação; ela sentiu que aqueles detalhes faziam sentido. Mas a verdade espiritual precisava de uma "roupagem terrena" para atravessar as portas da delegacia em Paris. Entendíamos que a polícia francesa jamais moveria uma viatura baseada em uma visão mediúnica. Uma pista rotulada como "paranormal" seria sumariamente descartada.

A saída foi uma manobra estratégica e necessária e, dessa forma, a irmã de Antônio orientou a advogada francesa a relatar às autoridades que voluntários brasileiros haviam colhido depoimentos de testemunhas oculares em Gare du Nord. Segundo esse relato "oficial", alguém com as características de Antônio teria sido avistado naquela estação. A estratégia funcionou. Ao transformar a visão da clarividente em um "testemunho de campo", foi dada às autoridades a segurança de que precisavam para agir. A polícia acreditou na narrativa e, finalmente, o epicentro das investigações mudou para o lugar que Issa já havia apontado.

No dia 2 de fevereiro, o que era uma intuição espiritual transbordou para a realidade física. A notícia chegou a mim através da irmã de Antônio e, confesso, o impacto foi como um choque de realidade. A intuição de Issa era verdadeira. A polícia de Paris encontrou o rastro concreto: as câmeras de segurança da Gare du Nord confirmavam que, no dia 30 de janeiro, Antônio estivera ali e seu celular fora localizado no setor de achados e perdidos.

Profundamente impactado pela precisão do que vínhamos acompanhando, apressei-me em avisar David Santamaria e a médium Issa Valentina. A confirmação oficial não foi o caminho para uma fase ainda mais intensa. A partir dali, com base nas novas visões que Issa recebia, passamos a trocar mensagens com uma frequência maior refinando as coordenadas espirituais para alcançar Antônio antes que ele se perdesse novamente.

Como Issa Valentina não conhecia a geografia de Paris, contei com a ajuda fundamental de Jacques Peccatte, um francês residente na capital e delegado da CEPA. Jacques atuava como nosso "intérprete" geográfico: por meio do WhatsApp, eu repassava as descrições visuais que a Issa me enviava e ele, com seu conhecimento da cidade, identificava os locais. Em outra visão, no dia 2 de fevereiro, Issa mencionou uma descrição de Antônio próximo a um local com pontes e água, que Peccatte julgou ser o canal Saint Martin, a apenas 10 minutos da Gare du Nord. Enviei isso à irmã de Antônio que repassou aos grupos, e buscas intensas ocorreram ali nos dias 3 e 4, porém sem sucesso imediato.

Outras visões descreviam Antônio em uma espécie de estacionamento junto a um carrinho de supermercado, acompanhado de um homem mais velho, e certas paisagens que Peccatte não conseguia reconhecer de forma alguma pois não batiam com nada naquela zona de Paris.

A explicação só veio mais tarde, quando Antônio já estava em segurança e veio me visitar em minha casa. Ele me contou que, naquele período de silêncio geográfico, ele havia saído de Paris. Ele aprendeu com moradores de rua a "pular a catraca" e andar de trem gratuitamente. Tomou um trem na Gare du Nord e passou alguns dias em Bordeaux. Quando mencionei a visão da Issa sobre o estacionamento, ele ficou impressionado: confirmou que, naquela cidade, ele fez amizade com um morador de rua e, juntos, roubaram comida de um carrinho de compras justamente em um estacionamento de supermercado.

Em 5 de fevereiro, Issa o viu desnutrido, escondido próximo a uma área aberta com muitos pombos, andando cabisbaixo e cruzando os braços. Sugeri que ela tentasse influenciá-lo mentalmente para buscar ajuda. Ela repetiu essa influência nos dias 6 e 7, focando em fazê-lo procurar policiais ou sair do esconderijo. Enquanto isso, equipes cobriram dois parques próximos à Gare du Nord, distribuindo cartazes e conversando com moradores de rua.

Praça da Bastilha - Paris

Finalmente, na madrugada de 8 de fevereiro, por volta das 2h da manhã (horário de Paris), Antônio foi encontrado na Place de la Bastille – uma praça que se encaixava perfeitamente na visão de Issa de um local aberto com pombos e movimento. Ele vagava há dias em estado de amnésia, sem se lembrar de quem era. Um voluntário brasileiro do grupo de buscas o reconheceu quando Antônio se aproximou para pedir ajuda dizendo estar confuso ao se ver em um cartaz de desaparecido. Ele estava exausto e desidratado, e assim foi levado para a casa de parentes em Paris, onde recebeu medicação, alimentação e descanso, aguardando a chegada de seus irmãos que foram buscá-lo.

Em abril de 2022, alguns meses após o ocorrido em Paris, recebi Antônio em minha casa, já em solo brasileiro. Sentar-nos para conversar foi como abrir o mapa de um território que ambos havíamos atravessado, mas por dimensões diferentes. Eu ainda tinha em mente os detalhes das visões de Issa — fragmentos que, na época, pareciam enigmas indecifráveis para nós. No entanto, à medida que eu os relatava, via a surpresa desenhar-se no rosto de Antônio. Detalhes que para mim eram abstratos eram, para ele, recordações nítidas de seus momentos de errância. A precisão cirúrgica da médium não apenas validou o fenômeno, mas deixou o próprio protagonista da história impressionado diante do que aquele estranho dom fora capaz de captar.

Contudo, entre a alegria do reencontro e os planos para o futuro, o destino impôs uma nota de profunda tristeza. Em maio de 2023, fomos surpreendidos pela notícia de que Issa Valentina havia partido. Aos 51 anos, vítima de complicações de saúde, a mulher que foi farol para um desconhecido em Paris encerrava sua missão terrena. Sua partida precoce deixou um vazio imenso no Centre Barcelonès de Cultura Espírita.

A vida, com sua poética própria, reservava um desfecho que Issa certamente acompanhou de outra esfera. Em maio de 2025, vi o círculo se fechar por completo. Antônio, plenamente recuperado e fortalecido, atravessou novamente o Atlântico. Desta vez, porém, o destino não era o abismo da confusão, mas o solo sagrado da gratidão. Em Barcelona, ele visitou a sede do Centre Barcelonès de Cultura Espírita e conheceu pessoalmente David Santamaria. Embora não pudesse mais apertar a mão de Issa, ele esteve no espaço onde ela atuava e pôde sentir os ecos do bem realizado por ela e que ajudaram tantas pessoas. Ver Antônio caminhar por aqueles corredores, não mais como um nome em um boletim informativo, mas como um homem livre e grato, foi a prova definitiva de que aquela jornada não foi apenas sobre um desaparecimento. Foi sobre o reencontro de seres humanos unidos por um fio invisível, mas inquebrável, tecido pela caridade e pela luz da clarividência.

 Crônica de uma desaparição (Uma homenagem à clarividência) por David Santamaria

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sexta-feira, 20 de março de 2026

Série Microfilme ICKS História do Abertura - Abertura Inicial de abril de 1987

Publicamos por fatores históricos este que foi o primeiro exemplar do Jornal Abertura em abril de 1987, após o afastamento do chamado Grupo de Santos da USE. Cessando a produção do Jornal Espiritismo e Unificação.

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sábado, 7 de março de 2026

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Nesta Edição de número 427

  • Coordenadas da Alma - um caso de clarividência -Herivelto Carvalho;
  • O ICKS disponibiliza 3 livros impressos para doação a Centros Espíritas
  • Memórias inesquecíveis - Alerta aos Médiuns -GPCEB
  • Espiritismo e a comparação social - Cláudia Régis Machado
  • Crônicas de Roberto Rufo - O Espiritismo e as mulheres
  • Milton Medran - 50 anos
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Pedimos desculpas pois o primeiro link disponibilizado era do Jornal Abertura de janeiro/fevereiro, mas já acertamos acima!