Lavar a alma
Escrever temas que me inspiram é uma viagem interior, um
olhar sobre minhas necessidades minhas possibilidades, dificuldades e muitas
coisas mais.
Para mim escrever não é um exercício fácil, mas insisto na
oportunidade e aproveito para refletir sobre situações, leituras e o cotidiano
como eles me causam impacto e para reunir argumentos e questionamentos pessoais.
Só que refletir num processo interno e consciente não é a mesma coisa do que
colocar no papel de forma clara e concisa e que leve as pessoas à vontade de
ler e pensar sobre o assunto escrito.
Não faço dos artigos um confessionário, mas procuro
mergulhar em mim mesmo e levar o que reflito para os leitores do jornal como
inspiração e busca de seus próprios questionamentos ou simplesmente para
entreter em uma simples leitura.
Procuro sempre ter o fundamento da Doutrina Espírita que
constitui a base do meu olhar para o mundo e para mim mesmo.
Com esta preliminar, este mês me veio à baila a questão do
perdão, isto após conhecer a história de uma família que depois do assassinato
de seu filho, conseguiu perdoar o criminoso visitando-o no presídio e esta
atitude foi conseguida com o esforço deles, desenvolvido em atos e campanhas de
benemerências e de promoção social.
Este fato assim como outros me traz muita admiração por
estas pessoas, pois perdoar não é uma atitude fácil a sua execução requer
muitos sentimentos para que este se concretiza.
Quando o Evangelho coloca a resposta de Jesus a pergunta
“Quantas vezes temos que perdoar? E a resposta é setenta vezes 7, vira quase um
mantra de conscientização para conduzir a realização do movimento do perdão.
Muitas vezes não passamos por situações tão graves e já
encontramos dificuldade em nos desculpar; imagino as pessoas que tem dores
profundas, que machucam a alma e perdoam como no caso da história que coloquei
acima, o que demonstra que é possível.
Adentrei mais sobre o assunto, fiz pequenas leituras para
aprofundar um pouco mais. A definição para o vocábulo perdoar que é uma
expressão latina e é assim construída per + donare, sendo Per=
além e Donare = doar. Doar além, dar um pouco mais.
Perdoar é um procedimento racional, uma decisão racional, isto
é, não vem do coração ao contrário é um processo íntimo e mental que advém de ponderação
e considerações como o quanto podemos fazer, qual o benefício e os ganhos pessoais
e muitas questões mais. Geralmente a pessoa ou o acontecimento a ser perdoar
causou mágoa o que traz dor emocional e física levando a ressentimentos, raiva,
sentimento de vingança e de justiça.
Tudo isto precisa ser entendido além do mais incluir as
dificuldades do agressor e muitas vezes se colocar no lugar do outro e ver a si
mesmo como agiria em situação semelhante. Porque também não somos infalíveis
principalmente no estágio de evolução que nos encontramos. Não precisamos estar
sozinhos neste aprendizado a ajuda de terapeutas e pessoas dedicadas e especializadas
são de grande valia.
Do ponto de vista espírita todos esses passos são positivos
pois ajudam em nosso progresso pessoal, compreendendo que estamos aqui para
aprender e evoluir, e o mais importante procurar uma vida produtiva que não
tenham entraves para a felicidade e realizações. O sentimento de vingança e
ressentimento trazem um impacto negativo na nossa realidade espiritual, aqui
não colocamos como algo para ganhar pontos frente a espiritualidade mais como
ganho para o próprio espírito.
Como toda evolução e aprendizado há um caminho muitas vezes
árduos pois são situações que causaram mágoas e muita tristeza. Ato de perdoar
é um ato de superação, dar um pouco mais que sem dúvida exige muito esforço.
Perdoar é o ato de se desprender dos ressentimentos e pode
ser visto de forma didática em alguns tipos como:1- Perdão de si mesmo, 2-
Perdão de pessoa para pessoa e 3- Perdão social.
Talvez seja bom lembrar que para perdoar não é necessário
ter uma relação próxima ou de convívio, muitas vezes estabelecer limites é
saudável para nós. Conseguir perdoar traz uma libertação emocional, acarreta leveza
para alma, paz interna e equilíbrio. Faz-nos sentir bem e acima de tudo nos dá a
possibilidade de avançar com o coração limpo, sem guardar mágoas dentro dele.
Tem um poder curativo
Perdoar as nossas dívidas assim como perdoamos os nossos
devedores, é algo desejado. Fazer aos outros aquilo que desejamos para nós
mesmos.
Perdoar ainda não é uma atitude espontânea pequenos passos
como desculpar, tolerar e gradativamente esta virtude pode nos tornar melhor, podendo
dar além, dar um pouco mais. Começo de uma longa caminhada.
Como tudo na vida o mais difícil é dar o primeiro passo.
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Este artigo foi publicado originalmente no Jornal Abertura de abril de 2024.
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