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quarta-feira, 15 de julho de 2026

David Grossvater - personalidade relevante do Espiritismo Latino-Americano - por Jon Aizpúrua

 

David Grassvater - por Jon Aizpúrua



Este artigo foi publicado no Jornal Abertura de julho de 2026. Se quiser ver o mesmo no jornal, clique no link abaixo, neste blog:

https://icksantos.blogspot.com/2026/07/jornal-abertura-de-julho-de-2026-pdf.html

Apresentamos o texto em português e logo a seguir, em espanhol.


Devo necessariamente escrever esta crônica em um estilo muito pessoal, em um tom íntimo, motivado pelos laços estreitos que me uniram à pessoa que faço esta biografia, a quem devo não apenas ter adquirido o conhecido da filosofia espirita e entendê-la como um sistema de pensamento laico e livre-pensador, mas também ter me acolhido, quando eu ainda era adolescente, com um afeto fraternal que, pouco depois do nosso primeiro encontro, se transformou em amor filial, fazendo-me sentir sua casa e sua família como minhas.

Hoje, como a única pessoa que pode dar testemunho direto da vida e trajetória de David Grossvater no movimento espirita venezuelano e internacional, sinto enorme satisfação em oferecer alguns fatos e comentários que ajudarão os leitores a obter conhecimento essencial sobre este líder espirita, cuja presença e ações deixaram uma marca profunda em seu tempo e projetaram-se para o futuro.    

Algumas referências sobre a vida dele.

Não sabemos muito sobre sua origem familiar, sua infância e juventude. Ele nunca escreveu sobre si mesmo e, quando questionado sobre sua história pessoal, respondia com parcimônia. Havia uma certa relutância de sua parte em relembrar episódios trágicos para ele, sua família e seu país de origem.

Ele veio nascer em uma família judaica asquenazitas (judeus de ascendência europeia oriental) em Cracóvia, Polônia, em 16 de outubro de 1911. O país estava então sob domínio russo e, anos depois, sofreria a invasão e ocupação impiedosa do exército nazista. Foi por meio dele que soube que seus pais e outros parentes morreram em um campo de concentração.

Em Cracóvia, ele concluiu o ensino fundamental e, após a formatura, sua família o enviou para Porto Alegre, no Brasil, para morar com parentes. Ele viveu nessa cidade dos 12 aos 23 anos. Aprendeu português, embora o iídiche, idioma dos judeus da Europa Central e Oriental, fosse falado em seu novo lar.

Buscando uma vida própria, viajou pelo vasto território brasileiro e chegou à Venezuela em 1934. Naquela época, a Venezuela era um país pouco povoado, com pouco mais de 3 milhões de habitantes, a maioria vivendo em áreas rurais ou pequenas cidades. No entanto, a nascente indústria petrolífera já gerava um aumento significativo na renda nacional e uma melhoria nas condições socioeconômicas da população, que foi ainda mais impulsionada por milhares de imigrantes de países vizinhos e da Europa. A partir de então, haveria migrações significativas de pessoas das áreas rurais para as cidades, que experimentariam um crescimento sustentado.

David me contou que a primeira cidade em que se estabeleceu foi Cumaná, capital do estado de Sucre, onde foi bem recebido e logo conseguiu se sustentar com modestos trabalhos comerciais e agrícolas. Depois de um tempo, mudou-se para Caracas e de lá para Barquisimeto, capital do estado de Lara, um importante centro urbano no oeste da Venezuela. Nessa cidade, casou-se com Blanca Gallardo, uma enfermeira. A partir de 1941, ele e sua esposa viveram em Maracay, capital do estado de Aragua, onde ele residiu até sua morte, em 1974. Sua única filha, Ima, nasceu na família Grossvater-Gallardo. Ele ajudava então, no sustento da família, com pequenas atividades comerciais.

Seu encontro com o espiritismo

David teve seu primeiro contato com o Espiritismo em Porto Alegre, capital e maior cidade do estado do Rio Grande do Sul. Ele tinha cerca de 20 anos quando assistiu a uma palestra no Instituto Espírita Dias da Cruz e, a partir daí, começou a frequentar suas atividades e a ler as obras de Allan Kardec, que gradualmente o conquistaram. Naturalmente, ele, que desde jovem se definia como um judeu liberal, irreligioso e de espírito livre, não simpatizava com a orientação decididamente cristã daquela instituição, embora guardasse boas lembranças dela, como expressaria mais tarde em alguns de seus escritos.

Em Cumaná, ele conheceu um grupo espirita guiado pelos livros de Joaquín Trincado, um escritor espanhol que havia se estabelecido em Buenos Aires, Argentina. Em 1911, Trincado fundou um movimento chamado Escuela Magnético-Espiritual de la Comuna Universal (EMECU), que se espalhou por diversos países da América Latina. Seus princípios gerais são semelhantes aos definidos por Kardec, embora existam algumas diferenças conceituais e linguísticas. Os centros espiritas da EMECU são chamados de Cátedras, e David logo se juntou à Cátedra de Cumaná com notável entusiasmo. Mais tarde, ele faria o mesmo em Caracas, Barquisimeto e Maracay. Ele apreciava particularmente o fato de esses centros apresentarem uma forma não religiosa de espiritismo e darem maior ênfase a questões sociais.

David tornou-se um líder proeminente do movimento Trincadadista, especialmente após se estabelecer em Maracay. Lá, fundou a Cátedra Simón Bolívar e a revista "El Espiritista", que circulou entre 1944 e 1948. Seus escritos desse período revelam que sua formação cultural, inteiramente autodidata, havia se expandido consideravelmente. Além dos livros de Trincado, ele lia com grande interesse as obras de Kardec, Denis, Delanne, Geley, Amália Domingo Soler, Quintín López Gómez, Manuel Porteiro, bem como filósofos clássicos e contemporâneos.

Fundação do CIMA

De fato, sua disposição em abrir a doutrina espírita ao estudo de diferentes autores e em se afastar de posições dogmáticas levou a debates acalorados, nos quais as divergências se tornaram intransponíveis. Apoiado por um grande grupo de espíritas de Maracay, Caracas e outras cidades venezuelanas, David Grossvater fundou um movimento em 20 de maio de 1958, inicialmente chamado Centro de Investigaciones Metapsíquicas y Afines (C.I.M.A.), que mais tarde, em 1980, adotou o nome Movimiento de Cultura Espírita CIMA, nome que mantém até hoje.

A nova instituição rompeu com a velha guarda, não apenas em questões administrativas e institucionais, mas também em suas definições, princípios e propósitos. Baseava-se em um modelo conceitual próprio, reconhecendo o pensamento de Kardec como fundamento do Espiritismo, mas sem considerá-lo infalível ou sagrado. Surgiu o CIMA com a proposta de um Kardecismo que incentivasse a constante atualização, definindo-se como laico, evolucionista, racionalista e livre-pensador. Inspirados por esses princípios, e em um ambiente fraterno onde não havia espaço para censura ou desprezo, numerosos espíritas decidiram fundar grupos de estudo e de atividades mediúnicas em diversas cidades venezuelanas. Os nomes que os identificavam transmitiam a ideia da variedade e pluralidade que caracterizavam seus membros: CIMA “Armonía, Luz y Amor”, CIMA “Allan Kardec”, CIMA “León Denis”, CIMA “Amalia Domingo Soler”, CIMA “Cosmos”, CIMA “Arriba Corazones”, CIMA “Charles Darwin”, CIMA “Albert Einstein”, etc. Nos anos seguintes, novos centros afiliados à CIMA foram fundados na Colômbia, Peru, México, Guatemala e Estados Unidos.

Em 1960, a Primeira Assembleia Nacional Espírita foi realizada em Maracaibo, uma grande cidade no oeste da Venezuela, onde foi aprovada a fundação a Federación Espírita Venezuelana (FEV). A FEV foi colocada sob a presidência de Pedro Barboza de la Torre, advogado, pensador espírita e escritor de singular prestígio acadêmico. Grossvater assinou a carta de fundação da nascente Federação em nome do CIMA e causou um impacto notável com sua oratória eloquente, sua firme defesa da orientação espírita laico e seu jeito cordial, amigável, modesto e bem-humorado. Primeiro por meio de sua participação como entidade fundadora da FEV e, posteriormente, de forma independente, o CIMA filiou-se à CEPA,  então Confederação Espírita Pan-Americana (atual Associação Espírita Internacional CEPA), e ao longo dos anos contribuiu significativamente para seu crescimento e consolidação. À frente de uma grande delegação do CIMA, David participou ativamente do Sétimo Congresso Espírita Pan-Americano realizado em Maracaibo em 1966.

Produção intelectual

Seus escritos foram dedicados ao estudo e à divulgação do Espiritismo e estão compilados em três livros de sua autoria, centenas de artigos e traduções de outros autores. Além disso, ele manteve correspondência com os líderes espíritas mais proeminentes da América e da Europa. Preservei algumas dessas cartas, cujo conteúdo constitui uma importante fonte de informação sobre o movimento espírita de sua época.

Seus livros são:  Por los fueros del espíritu, Psicología del espíritu y Espiritismo laico. Cada um deles teve diversas reedições, principalmente por editoras Kier de Buenos Aires e Voz Informativa da Cidade do México. Seguindo o exemplo de Kardec, a cada nova edição ele introduzia correções, alterava conceitos e incorporava novos capítulos. Sua obra fundamental é o Espiritismo Laico e o próprio título fez dele a maior figura desta orientação espírita em sua época. Acrescente-se que sob o título Raciocínios Espíritas reuniu uma seleção de textos de autores espíritas e livres-pensadores com os quais se identificou. Esta obra, publicada pela Kier, foi muito popular e circulou amplamente nos centros espíritas e nas livrarias da América Latina.

 Seus artigos eram numerosos e abrangiam uma ampla gama de tópicos. Eles foram publicados nos periódicos do CIMA e de outras associações espíritas. Em sua residência em Maracay, eu frequentemente o via datilografando em sua velha máquina de escrever até altas horas da noite, dando forma ao que brotava de sua mente inquieta. Também testemunhei momentos em que ele parecia estar debatendo em voz alta consigo mesmo até que as ideias que buscava emergissem, as quais ele então transcrevia para sua amada máquina de escrever Olivetti. Depois, ele se deliciava em ler para mim o que havia escrito, e eu me sentia profundamente honrado quando ele pedia minha opinião ou uma análise crítica.

Aproveitando seu conhecimento de português, David traduziu três obras psicografadas do médium brasileiro Francisco Cândido Xavier, que ele considerou dignas de estudo e uso por leitores de língua espanhola: Mecanismos da Mediunidade, No Domínio da Mediunidade  e Evolução em Dois Mundos. Ele também traduziu o livro de Pietro Ubaldi, A Grande Síntese e de Hernani Guimarães Andrade – A Teoria Corpuscular do Espírito.

Conferências e viagens

Os grupos espiritas das décadas de 1950 e 60 buscavam sua presença para ouvir suas palestras, nas quais ele explicava os fundamentos filosóficos, científicos e morais da doutrina espírita. Radicalmente contrário à ideia de considerar o espiritismo uma religião, ele rejeitava todo tipo de dogma ou cerimônia e condenava enfaticamente os charlatães que usavam indevidamente o nome do espiritismo para lucrar explorando supostas ou reais habilidades psíquicas.

Sua orientação era frequentemente solicitada na área da mediunidade prática, que David dominava com admirável habilidade. Ele acreditava que um verdadeiro centro espírita deveria combinar o estudo com a prática mediúnica, sempre que as condições o permitissem. Participei de muitas sessões conduzidas por David e, em cada uma delas, aprendi as estratégias para realizá-las adequadamente por meio do desenvolvimento das habilidades dos médiuns, do diálogo com os espíritos, da educação mental e comportamental dos participantes, bem como da avaliação crítica das mensagens para determinar sua origem mediúnica ou espiritual, da análise e utilização de seu conteúdo e da erradicação de qualquer forma de credulidade ou sugestão. Nesse campo, ele recomendava fortemente a leitura e consulta de “O Livro dos Médiuns”  e  “O Invisível”,  textos de Allan Kardec e Léon Denis, respectivamente.

Em diversas ocasiões, David viajou internacionalmente para contribuir com a disseminação do Espiritismo, explicar sua visão laica e evolutiva e estabelecer relações fraternas. Tive a honra de acompanhá-lo em intensas e extensas viagens que nos levaram a várias cidades da Colômbia, Equador, Peru, Chile, Argentina, Uruguai, Brasil e México. Essas atividades, apoiadas por inúmeros centros espíritas, resultaram em estreitas relações pessoais e fortes laços institucionais.

 Até os últimos dias de sua vida frutífera, David permaneceu inabalável em suas convicções espiritas, laicas e evolucionistas, que deram sentido à sua vida e aos seus esforços para difundi-las. Ele partiu deste mundo prematuramente, aos 63 anos, com muito ainda por fazer. Sua morte ocorreu no sábado, 18 de maio de 1974, em um hospital em Maracay, onde estava internado devido a graves problemas respiratórios causados ​​por enfisema pulmonar. Ele nunca conseguiu se livrar do vício do cigarro, apesar dos avisos e até mesmo dos apelos daqueles que o amavam.

Eu estava em Caracas quando recebi a triste notícia. Viajei rapidamente para Maracay e, ao chegar, abracei Blanca, Ima e muitos colegas do CIMA que permaneceram em respeitoso silêncio diante de seu corpo sem vida. Representantes da comunidade judaica se ofereceram para cuidar de todos os preparativos e despesas do sepultamento em seu mausoléu particular, desde que a cerimônia religiosa tradicional fosse observada. Explicamos a eles que David não praticava o judaísmo nem seguia seus preceitos, que sua filosofia de vida era o espiritismo e que ele sempre expressara o desejo de que, quando chegasse a hora, seu funeral fosse inteiramente civil e sem quaisquer cerimônias religiosas. E assim aconteceu, e com profunda tristeza no coração e um imenso vazio na alma, abalado por inúmeras lembranças, tive a honra de dizer algumas palavras para me despedir do eminente pensador, fundador e primeiro presidente do CIMA, o amigo que com afeto fraternal me tomou pela mão quando adolescente, abriu-me as portas de sua casa e me conduziu a percorrer com paixão os caminhos cativantes da cultura espírita.            


Texto em espanhol:

Jon Aizpúrua

 

PERSONALIDADES RELEVANTES DEL ESPIRITISMO LATINOAMERICANO

 

 

DAVID  GROSSVATER

 

     Necesariamente esta crónica debo redactarla en un estilo muy personal, en tono intimista, motivado por los estrechos lazos que me unieron al personaje biografiado, a quien no solo debo el haber conocido la filosofía espiritista y entenderla como un sistema de pensamiento laico y librepensador, sino también el haberme acogido cuando era todavía un adolescente, con un afecto tan fraterno que al poco tiempo de nuestro primer encuentro devino en amor filial, haciéndome sentir su hogar y su familia como propios.

     Al día de hoy, siendo yo la única persona que puede dar testimonio directo de la vida y de la trayectoria de David Grossvater en el movimiento espiritista venezolano e internacional, experimento una enorme satisfacción al ofrecer algunos datos y uno que otro comentario que sirvan a los lectores para disponer de un conocimiento esencial acerca de este líder espírita, cuya presencia y actuación dejarían honda huella en su tiempo y se proyectarían hacia el porvenir.

     Algunas referencias sobre su vida

     No es mucho lo que sabemos de sus antecedentes familiares ni de su niñez y juventud. Jamás escribió sobre sí mismo y cuando le interrogaba sobre su historia personal respondía con parquedad. Había en él un cierto rechazo a recordar episodios que fueron trágicos para él, para su familia y para su país de origen.

     Vino al mundo en el seno de una familia judía asquenazi en Cracovia, Polonia, el 16 de octubre de 1911. El país se hallaba entonces bajo la dominación rusa y años después sufriría la despiadada invasión y ocupación del ejército nazi.  Por él me enteré que sus padres y demás familiares fallecieron en un campo de concentración.

     En Cracovia había seguido estudios primarios y una vez culminados, por decisión familiar fue enviado a Porto Alegre, Brasil, a la residencia de unos tíos. En esta ciudad vivió entre los 12 y los 23 años de edad. Aprendió el idioma portugués, aunque en su nuevo hogar se hablaba en yiddish, la lengua usada por los judíos de Europa central y del este.

     En busca de una vida propia, recorrió el extenso territorio brasileño y llegó a Venezuela en 1934. Este era entonces un país escasamente poblado, que apenas superaba los 3 millones de habitantes, los cuales en su mayor parte vivían en el medio rural o en pequeños pueblos. Sin embargo, la incipiente explotación del petróleo ya reflejaba un aumento significativo de los ingresos nacionales y una mejora en las condiciones socioeconómicas de la población, que se vio incrementada por millares de inmigrantes que provenían de países vecinos o de Europa.  En adelante se producirían importantes traslados de población rural hacia las ciudades, las cuales crecerían de manera sostenida.

     Me contaba David que la primera ciudad en la que se estableció fue Cumaná, capital del estado Sucre, y que allí fue bien recibido y pronto pudo ganar su sustento realizando modestas faenas comerciales y agrícolas. Al cabo de un tiempo se marchó a Caracas y de aquí pasó a Barquisimeto, capital del estado Lara, importante centro urbano del occidente de Venezuela. En esta ciudad contrajo matrimonio con la señora Blanca Gallardo, enfermera de profesión. A partir de 1941 se estableció junto con su esposa en Maracay, capital del estado Aragua donde residiría definitivamente hasta su fallecimiento en 1974. En el hogar de los Grossvater-Gallardo nacería Ima, única hija. Atendió a las necesidades del hogar desempeñándose en modestas actividades comerciales.

     Su encuentro con el espiritismo

     David conoció la doctrina espiritista en Porto Alegre, capital y mayor ciudad del estado de Rio Grande do Sul. Contaba alrededor de 20 años cuando escuchó una conferencia en el Instituto Espírita Días da Cruz y en adelante comenzó a frecuentar sus actividades y a leer las obras de Allan Kardec, las cuales fueron ganando su entusiasmo y adhesión.  Naturalmente, a él que ya desde su juventud se definía como un judío liberal, arreligioso y librepensador, no le simpatizaba la orientación decididamente cristiana de aquella institución, aunque de ella guardaba gratos recuerdos y así lo manifestaría en algunos textos.

     Encontrándose en Cumaná conoció un grupo espiritista que se guiaba por los libros del escritor Joaquín Trincado, español de origen que estableció su residencia en Buenos Aires, Argentina. Aquí Trincado fundó en 1911 un movimiento que denominó Escuela Magnético-Espiritual de la Comuna Universal (EMECU), que alcanzó a expandirse por varios países hispanoamericanos, y cuyos principios generales son semejantes a los que definió Kardec, aunque no dejan de haber algunas diferencias conceptuales y de lenguaje. Los centros espíritas de la EMECU se denominan Cátedras, y pronto David se adhirió con notable entusiasmo la Cátedra de Cumaná. Lo mismo haría en adelante en Caracas, Barquisimeto y Maracay.  Le agradaba especialmente que en esos centros se planteara un espiritismo no religioso y que se pusiera un mayor énfasis en las cuestiones sociales.

     David llegó a convertirse en un destacado líder del trincadismo, especialmente desde que estableció su residencia en Maracay. Aquí fundó la Cátedra “Simón Bolívar” y la revista “El Espiritista” que circuló entre 1944 y 1948. Por sus escritos de esa época se puede constatar que su formación cultural, enteramente autodidacta, se había ampliado considerablemente. Además de los libros de Trincado leía con enorme interés a Kardec, Denis, Delanne, Geley, Amalia Domingo Soler, Quintín López Gómez, Manuel Porteiro, y también a filósofos clásicos y contemporáneos.

     Fundación del CIMA

     Precisamente, su disposición a que la doctrina espírita se abriera al estudio de diferentes autores y se alejara de posiciones dogmáticas, desembocó en fuertes debates en los que las desavenencias se hicieron insuperables. Secundado por un numeroso grupo de espíritas de Maracay, Caracas y otras ciudades venezolanas   David Grossvater fundó el 20 de mayo de 1958 un movimiento que inicialmente se denominó Centro de Investigaciones Metapsíquicas y Afines (C.I.M.A), que posteriormente, en 1980, adoptaría el nombre de Movimiento de Cultura Espírita CIMA, que actualmente le distingue.

     La nueva institución rompía con el trincadismo, no solo en lo relativo a cuestiones administrativas o institucionales sino en sus definiciones, principios y propósitos. Partía de un modelo conceptual propio en el cual se reconocía el pensamiento de Kardec como la base del espiritismo, pero sin considerarlo infalible o sagrado. El CIMA surgió con la propuesta de un kardecismo que debía estimular una permanente actualización, que se definía como laico, evolucionista, racionalista y librepensador. Animados por estos principios, vibrando en un clima fraterno dentro del cual no había lugar para censuras, ni descalificaciones, numerosos espíritas decidieron fundar grupos de estudio y de actividades mediúmnicas en diversas ciudades venezolanas. Los nombres que les identificaban daban la idea de la variedad y pluralidad que caracterizaba a sus integrantes: CIMA “Armonía, Luz y Amor”, CIMA “Allan Kardec”, CIMA “León Denis”, CIMA “Amalia Domingo Soler”, CIMA “Cosmos”, CIMA “Arriba Corazones”, CIMA “Charles Darwin”, CIMA “Albert Einstein”, etc. En los años siguientes se fundaron nuevos centros adheridos al CIMA en Colombia, Perú, México, Guatemala y Estados Unidos.

     En 1960 se celebró en Maracaibo, gran ciudad del occidente de Venezuela, la Primera Asamblea Espírita Nacional en la que se aprobó la fundación de la Federación Espírita Venezolana (FEV), la cual quedó bajo la presidencia de Pedro Barboza de la Torre, abogado, pensador espírita y escritor de singular prestigio académico. Grossvater suscribió el acta fundacional de la naciente Federación en nombre del CIMA y causó un notable impacto por su verbo elocuente, por la defensa vertical de la orientación espírita laica, y por su trato cordial, amistoso, sencillo y bienhumorado. Primero por su participación como entidad fundadora de la FEV, y posteriormente en forma autónoma, el CIMA se afilió a la C.E.P.A, entonces Confederación Espírita Panamericana (hoy Asociación Espírita Internacional CEPA), y a lo largo de los años ha ofrecido una importante contribución a su crecimiento y consolidación. Al frente de una amplia delegación del CIMA, David participó activamente en el Séptimo Congreso Espírita Panamericano que se celebró en Maracaibo, en 1966.       

     Producción intelectual

     Su obra escrita estuvo consagrada al estudio y divulgación del espiritismo y se encuentra reunida en tres libros propios, centenares de artículos y traducciones de otros autores. A ello hay que agregar el intercambio epistolar con los líderes espíritas de mayor relevancia de América y Europa. Conservo algunas cartas cuyo contenido constituye una importante fuente de información sobre el movimiento espírita de su época.

     Sus libros se titulan: Por los fueros del espíritu, Psicología del espíritu y Espiritismo laico. Cada uno de ellos tuvo varias reediciones, principalmente por las editoriales Kier de Buenos Aires y Voz Informativa de Ciudad de México. Siguiendo el ejemplo de Kardec, en cada nueva edición introducía correcciones, cambiaba conceptos e incorporaba nuevos capítulos. Su obra fundamental es Espiritismo Laico y el propio título le convirtió en su tiempo en la figura máxima de esta orientación espírita. Hay que adicionar que bajo el título Razonamientos espiritistas, reunió una selección de textos de autores espiritistas y librepensadores con los cuales se identificaba. Esta obra, publicada por Kier, gustó mucho y circuló profusamente dentro de los centros espíritas y en las librerías de Hispanoamérica.

     Sus artículos fueron numerosos y dedicados al examen de temas muy variados. Aparecieron en las revistas del CIMA o de otras asociaciones espíritas. En su residencia en Maracay lo vi muchas veces tecleando en su vieja máquina hasta altas horas de la noche, dando forma a lo que brotaba de su mente inquieta y también pude presenciar momentos en que parecía debatir en voz alta consigo mismo hasta que aparecían las ideas que buscaba y las transcribía a su entrañable Olivetti. Luego se complacía en leerme lo que había escrito y yo me sentía muy honrado cuando pedía mi opinión o que hiciese un análisis crítico.

     Aprovechando su conocimiento del idioma portugués, David tradujo tres obras psicografiadas por el médium brasileño Francisco Cándido Xavier, que él consideraba dignas de ser estudiadas y aprovechadas por los lectores de habla española: Mecanismos de la mediumnidad, En torno de la mediumnidad y Evolución en dos mundos. Tradujo también el libro La Grande Síntesis de Pietro Ubaldi.

     Conferencias y viajes

     Los grupos espíritas de los años cincuenta y sesenta del pasado siglo requerían su presencia para escuchar sus conferencias en las que explicaba las bases filosóficas, científicas y morales de la doctrina espírita. Opuesto radicalmente a que se considerase al espiritismo como una religión, rechazaba toda clase de dogmas o ceremonias, y con mucho énfasis rechazaba a los charlatanes que emplean indebidamente el nombre del espiritismo para lucrar mediante la explotación de supuestas o reales facultades psíquicas.

     Con frecuencia se pedía su orientación en el área de la mediumnidad práctica, que David dominaba con admirable destreza. Él consideraba que un auténtico centro espírita debe combinar el estudio con el ejercicio mediúmnico, cuando hubiese condiciones para ello. Participé en muchas sesiones dirigidas por David y en cada una de ellas fui aprendiendo las estrategias para conducirlas apropiadamente mediante el desarrollo de las facultades de los médiums, el diálogo con los espíritus, la educación mental y conductual de los participantes, así como la evaluación crítica de los mensajes en cuanto a la determinación de su origen mediúmnico o anímico, el análisis y aprovechamiento de su contenido, erradicando cualquier forma de credulidad o sugestión. En este campo, recomendaba con insistencia la lectura y consulta de El libro de los médiums y En lo invisible, textos de Allan Kardec y Léon Denis respectivamente.

     En varias ocasiones David realizó viajes internacionales con la intención de contribuir a la divulgación del espiritismo, explicar su visión laica y evolucionista, y entablar relaciones fraternales. Tuve el honor de acompañarle en intensas y extensas giras que nos llevaron hasta diversas ciudades de Colombia, Ecuador, Perú, Chile, Argentina, Uruguay, Brasil y México, quedando de esas actividades, que contaron con el respaldo de numerosos centros espíritas, entrañables relaciones personales y sólidos vínculos institucionales.

     Hasta los días finales de su fecunda existencia, David se mantuvo inquebrantable en las convicciones espíritas, laicas y evolucionistas, que dieron sentido a su vida y a su esfuerzo por divulgarlas. Se marchó prematuramente de la dimensión encarnada cuando apenas sumaba 63 años y tenía pendiente mucho por hacer. Su deceso ocurrió el sábado 18 de mayo de 1974 en un hospital de Maracay en el que había sido recluido por presentar severos problemas respiratorios provocados por un enfisema pulmonar. Nunca pudo superar su afición al consumo habitual de cigarrillos, no obstante las advertencias y hasta las súplicas de quienes le queríamos.

     Me hallaba en Caracas cuando fui informado de la triste noticia. Rápidamente, me trasladé a Maracay y al llegar abracé a Blanca, a Ima, y a muchos compañeros del CIMA que guardaban respetuoso silencio ante su cuerpo inerte. Los representantes de la comunidad judía ofrecieron encargarse de todos los trámites y gastos del entierro en su panteón privado siempre que se cumpliera la tradicional ceremonia religiosa. Les aclaramos que David no practicaba la religión judía ni seguía sus prescripciones, que su filosofía de vida era el espiritismo y que siempre había manifestado su deseo de que llegado el momento su funeral debía ser enteramente civil y sin ceremonias de ninguna religión. Así se cumplió, y con hondo pesar en mi corazón y un inmenso vacío en mi alma, estremecido por un sinfín de recuerdos, me cupo el honor de pronunciar unas palabras para despedir al eminente pensador, al fundador y primer Presidente del CIMA, al amigo que con fraterno cariño tomó mi mano de adolescente, me abrió las puertas de su hogar, y me condujo a transitar con pasión por los cautivantes senderos de la cultura espírita.      

    

       

 

       

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Jornal Abertura - janeiro -fevereiro 2026 - disponível para dowload - pdf grátis

 Jornal Abertura - janeiro - fevereiro 2026 - disponível para dowload



Nesta edição:

Entrevista: Jon Aizpúrua é entrevistado por Marcelo Henrique do ECK sobre a situação na Venezuela;
COP 30 - por Roberto Rufo;
O espiritismo frente aos novos tempos - por Milton Medran;
Série Microfilme - Jornais Abertura;
Somos Felizes/ Por Cláudia Régis Machado;
Nossas livrarias, física e virtual;
Memórias Inesquecíveis - Congresso da CEPA em Santos - Reencarnação e o Desenvolvimento do Homem
O Homem Sorriso - Abrindo a Mente;Publicações em Espanhol

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Confira nossos Aberturas Históricos que chamamos de Série Microfilme - História do Abertura

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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

PEDRO BARBOZA DE LA TORRE - por Jon Aizpúrua

 

Jon Aizpúrua

 

 Personalidades Relevantes do Espiritismo Latino Americano

 

PEDRO BARBOZA DE LA TORRE

    Homem de interesses intelectuais multidisciplinares e amplo conhecimento cultural, com uma trajetória de serviço excepcional, Pedro Alciro Barboza de la Torre foi, e continua sendo, uma figura essencial no mundo cultural, não apenas de Maracaibo, sua cidade natal, mas de toda a nação venezuelana.

 


            Para compreender plenamente sua personalidade multifacetada, desenvolvida ao longo de sua vida privada e carreira pública, é necessário considerar Pedro Barboza nestes papéis fundamentais: homem de família, advogado, educador, historiador, maçom, espiritualista e escritor — todos intimamente interligados em um todo coerente, oferecendo um perfil harmonioso de sua jornada de vida.

Familia e educação

           Filho de Pedro René Barboza e Ángela María de la Torre Pacheco, nasceu em 8 de novembro de 1917, em Maracaibo, capital do estado de Zulia. Faleceu na mesma cidade em 29 de junho de 2002. Em casa, assim como com seus irmãos Estanislao e Ángela, recebeu lições de amor e responsabilidade que deixaram uma marca indelével em seus sentimentos, princípios, valores e conduta cívica e social. Em 1942, casou-se com Mary Pereira Arria, uma união feliz que durou toda a sua vida e deu frutos em suas filhas, Iris Marina e Alina Marina, a quem ele e sua esposa transmitiram os mesmos ensinamentos morais e espirituais que ele havia recebido.

    Movido por uma sede de conhecimento, demonstrou amor pela leitura desde a infância, para grande alegria de seu pai, que era professor em escolas e liceus. Após concluir o ensino fundamental, prosseguiu seus estudos no Colégio Nacional de Maracaibo, cujo diretor era o ilustre humanista e poeta Jesús Enrique Lossada, que exerceu uma poderosa e benéfica influência no desenvolvimento progressivo de suas ideias filosóficas, sociais e políticas. A Venezuela encontrava-se então nos estágios finais do regime ditatorial liderado por Juan Vicente Gómez, e os estudantes sofriam com a repressão policial por sua luta acirrada para destituir o tirano, colocando em risco seus estudos e suas próprias vidas. O jovem Pedro Barboza uniu-se a esse movimento com fervor idealista, escrevendo seus primeiros textos em defesa dos estudantes e pela chegada da democracia, que finalmente se concretizaria em 1936, após a morte do autocrata. Cabe ressaltar que, embora não fosse filiado a nenhum partido político, suas simpatias e convicções, claramente identificadas com os princípios democráticos, o levariam ao longo de sua vida a apoiar, por meio de seus escritos, discursos e do exercício do direito ao voto, as opções ligadas ao pensamento social-democrata.

          Ele cursou seus estudos universitários na Faculdade de Ciências Políticas de Maracaibo, então parte da Universidade dos Andes, com sede na cidade andina de Mérida. A Universidade de Zulia havia sido fechada em 1904 pelo regime autocrático do General Cipriano Castro e só reabriria em 1946, com o Dr. Lossada como seu novo Reitor. Dois anos antes, Pedro Barboza havia se formado em Direito, seguido por um doutorado em Ciências Políticas. Por vinte anos, dedicou-se à advocacia privada, conquistando merecido prestígio na região de Zulia por sua sólida formação profissional, aliada à sua imparcialidade e comprovada integridade.

Exercício profissional da advocacia e ensino

          Após a reabertura da Universidade de Zulia, Pedro Barboza começou a lecionar diversas disciplinas relacionadas ao direito, história e outras áreas das humanidades. Em 1964, aposentou-se da advocacia privada e ingressou no corpo docente da universidade como professor titular, alcançando, eventualmente, o título de Professor Catedrático, o mais alto na hierarquia acadêmica. Por mais de 50 anos, milhares de alunos frequentaram suas aulas em sua alma mater, apreciando suas habilidades pedagógicas e a profundidade de seu ensino. Sempre expressaram gratidão, respeito e carinho por ele. Além de lecionar, ocupou diversos cargos de liderança administrativa na universidade, incluindo Diretor da Faculdade de Direito, Diretor da Faculdade de Jornalismo e Coordenador do Conselho de Desenvolvimento Científico e Humanístico. Também atuou como Presidente da Ordem dos Advogados do Estado de Zulia.

 

            Ao longo de sua vida, Barboza demonstrou uma impressionante paixão pela história, que perdurou ininterruptamente pelas últimas seis décadas de sua vida, complementando perfeitamente suas atividades acadêmicas, jurídicas e filosóficas. Sua pesquisa se concentrou principalmente em capturar a essência e o caráter de Maracaibo por meio de esboços biográficos de suas figuras mais proeminentes, desde os heróis da independência até seus principais cientistas, educadores, escritores e artistas. Não é surpresa que ele tenha sido nomeado membro titular da Academia Estadual de História de Zulia, da qual mais tarde se tornaria presidente.

Vida Maçônica

           Barboza teve uma carreira notável na Maçonaria venezuelana e latino-americana, onde se destacou por seus dons intelectuais e sua oratória fluida e envolvente. Seguindo os passos de seu pai, maçom de longa data, foi iniciado em 1947 na Loja Regeneradores nº 6, em Maracaibo. Lá, completou todas as etapas de formação exigidas pela Ordem do Esquadro e Compasso, alcançando o 33º Grau, o mais alto do Rito Escocês Antigo e Aceito. Em sua Loja, ocupou todos os cargos, chegando a servir como Venerável Mestre por vários mandatos, mas sua maior distinção veio em sua função como Procurador, graças à sua admirável eloquência e habilidade pedagógica em explicar qualquer assunto em discussão. Em reconhecimento às suas virtudes maçônicas, foi nomeado Grão-Mestre Adjunto da Grande Loja da República da Venezuela e, em homenagem a este ilustre mestre maçom, seu nome foi adotado como epônimo de uma das lojas em sua cidade natal.

Dedicação ao espiritismo

 

          Pedro Barboza de la Torre nasceu e cresceu em um lar espírita. Seu pai, Pedro René, foi um dos fundadores e líderes ativos da Sociedade Espírita Kardeciana de Maracaibo, juntamente com notáveis ​​estudiosos do Espiritismo como Isidro Valles, Valmore Rodríguez, Manuel Matos Romero e Alberto Hernández, que também se destacaram como líderes sociais e culturais na capital do estado de Zulia.

        Desde jovem, leu os principais autores espíritas, a começar por Allan Kardec, com cujas obras sentia uma afinidade especial e às quais se referiria frequentemente em seus trabalhos espíritas posteriores, tanto em obras escritas quanto nas numerosas palestras que proferiu. Com base no conhecimento adquirido nos círculos acadêmicos, logo aprendeu a aplicá-lo à compreensão dos fundamentos doutrinários do Espiritismo, um sistema de pensamento que ele claramente identificava como uma filosofia científica com consequências morais e sociais. Decididamente secular e livre-pensador, Barboza expressou sua discordância com a noção de que o Espiritismo deveria ser considerado uma religião, embora respeitasse com espírito tolerante aqueles que tinham opiniões diferentes.

        Compreendendo a necessidade de o movimento espírita na Venezuela ser melhor organizado e de desenvolver programas de estudo seguindo sólidos princípios pedagógicos, Barboza liderou a fundação, em 1958, da Sociedade Venezuelana de Pesquisa Psíquica, dentro da qual também seriam realizadas sessões mediúnicas devidamente guiadas e supervisionadas. Seguindo essa linha de pensamento, em 1960, ele fundou a Federação Espírita Venezuelana (FEV) com o objetivo de unir os centros espíritas que operavam em todo o país, com sede em Maracaibo. Nesse admirável empreendimento, ele foi acompanhado por líderes espíritas de renomadas qualidades intelectuais, sólido conhecimento espírita e evidente integridade moral, entre os quais devemos mencionar José Naranjo Carrillo, Celmira de Pugh, Rosa Virginia Martínez, Gastón Chocrón, José Bromberg e Ramón Ocando Pérez. A presença dessas figuras públicas e sua adesão ao Espiritismo conferiram a esta religião um nível de respeitabilidade social nunca antes alcançado na Venezuela.

            A Federação Espírita Venezuelana (FEV) cumpriu seus objetivos da melhor maneira possível e, para tanto, promoveu uma série de iniciativas concretas. Foi fundada a Livraria Espírita Venezuelana para vender e distribuir obras espíritas produzidas por editoras da Argentina e do México a preços acessíveis; a revista "Ciência e Consciência" foi criada para dar espaço às reflexões de escritores espíritas da época e para divulgar notícias sobre o progresso do movimento kardecista na América e na Europa; foi estabelecida a Associação Venezuelana de Jovens Espíritas para atrair e reunir jovens interessados ​​em aprender sobre a doutrina espírita; e foram promovidas visitas de líderes da Federação a grupos espíritas ativos e sérios no país para apoiá-los em seu trabalho, reorientando critérios e procedimentos doutrinários na área da mediunidade que precisavam ser adaptados às normas inerentes ao corpo de ideias teóricas e práticas do kardecismo.

         Como era perfeitamente natural, a Federação Espírita Venezuelana (FEV), sob o ímpeto dinâmico de seu presidente, estabeleceu laços com os líderes da Confederação Espírita Argentina (CEPA) (então Confederação Espírita Pan-Americana e posteriormente Associação Espírita Internacional CEPA) com o objetivo de forjar relações de trabalho colaborativas em apoio ao ideal espírita. Aproveitando uma visita de Barboza a Buenos Aires em 1962, como representante oficial do Ministério da Educação da Venezuela em um seminário patrocinado pela UNESCO, o presidente da FEV proferiu uma palestra no auditório da Confederação Espírita Argentina, concedeu uma extensa entrevista à sua revista oficial "La Idea" e, a partir de então, as relações entre a federação venezuelana e a mais alta entidade espírita pan-americana foram formalizadas.

             Uma distinta delegação venezuelana, chefiada por Barboza, participou do VI Congresso Espírita Pan-Americano, realizado na capital argentina em outubro de 1963. Três anos depois, ele foi responsável pela organização do VII Congresso em Maracaibo, tarefa que repetiu ao liderar o XI Congresso, também realizado na capital do estado de Zulia. De fato, a partir de então, não houve evento espírita de âmbito regional ou pan-americano em que sua presença não fosse sentida, encantando os participantes com suas magníficas e instrutivas apresentações. Representando o C.E.P.A. (Centro para a Promoção do Espiritismo), como seu Delegado Oficial, dedicou-se por quatro décadas como incansável promotor do ideal espírita em toda a Venezuela e em diversas partes das Américas, principalmente na Colômbia, Equador, Argentina, Porto Rico, Honduras, Guatemala, México e Miami. Por todas essas razões, sua eleição em 1990, por decisão unânime do XV Congresso Espírita Pan-Americano, realizado em Caracas, como Presidente do C.E.P.A., foi um feito notável. para o mandato seguinte de três anos, não poderia ter sido mais justo e merecido.

Escritor de multipla e variada obra

            Escritor de grande produção, de estilo refinado e elegante, dedicou a maior parte da sua vida a uma rotina exaustiva de trabalho intelectual, centrada no vasto mundo da literatura, tendo como recurso indispensável a sua extensa biblioteca. Eleito pelos seus colegas de Zulia, tornou-se presidente da Associação de Escritores. Desta vocação incessante e apaixonada pela escrita surgiram inúmeros livros, monografias, panfletos, manuais, prólogos, artigos e crônicas jornalísticas, que o colocam numa posição de destaque na literatura venezuelana do século XX. Mencionaremos apenas alguns títulos-chave da sua vasta obra, distribuída pelas diversas áreas temáticas que ocuparam a sua atenção:

            A sua especialização jurídica manifestou-se em dezenas de trabalhos doutrinários sobre a natureza do direito e sobre a relação entre o direito e as ciências sociais, publicados em revistas científicas, e nas obras *Sociologia Jurídica* e *Influência do Direito Antropológico no Direito Especial*, recomendadas como livros didáticos universitários.

            No campo da pedagogia, devem ser mencionados seus livros *Recursos para Acadêmicos*, *O Bibliotecário Universitário como Professor*, *Manual de Pesquisa Bibliográfica* e *Planejamento Metodológico de Pesquisa*.

             De sua vasta produção maçônica, temos: *Curso de Aprendiz de Maçom*, *Curso de Companheiro Maçom*, *Curso de Mestre Maçom*, *Manual dos 33 Graus da Maçonaria* e *Maçonaria em Ação*.

             É claro que a literatura espírita deve muito ao seu talento inesgotável, ao seu amor pelo estudo e pela pesquisa, à sua dedicação ao ensino dos princípios do Espiritismo e ao seu compromisso em moldar uma cultura espírita, divulgando e promovendo a compreensão da doutrina espírita em seu verdadeiro caráter filosófico, científico, moral, sociológico, plenamente humanista e de livre-pensamento. Barboza escreveu extensivamente para ajudar a alcançar esses objetivos e documentou isso em vários livros e artigos publicados nas Américas. Dada a sua quantidade, é muito difícil listá-los todos aqui, embora estejam disponíveis para auxiliar os estudiosos: Comentários sobre a Doutrina Espírita, Cronologia Espírita, Espiritismo para Católicos, Espiritismo para Espíritas, O Monsenhor Espírita Enrique María Dubuc, Desenvolvimento de Médiuns, Repertório Experimental para Mediunidade, Da Sombra do Dogma à Luz da Razão.         

A marca de seu legado espirita

            Um exemplo de homem culto que soube conectar o conhecimento adquirido na universidade e nos círculos acadêmicos com os ideais espíritas. Um pensador elevado, que jamais deixou de agir com humildade e generosidade. Secular, racionalista e de espírito livre, era também aberto e tolerante a todas as crenças. Compreendendo que o Espiritismo precisava ser organizado em grupos dinâmicos e em sintonia com os tempos, nunca poupou esforços ou recursos para promover a criação de sociedades e federações espíritas, viajando por todo o mundo para ministrar seminários e palestras. Eficiente diretor de sessões mediúnicas, sempre agiu com sabedoria, firmeza, respeito e serenidade para obter os melhores resultados do diálogo e da troca com o mundo espiritual. Generoso no apoio aos líderes emergentes das novas gerações, estava sempre pronto a compartilhar seu vasto conhecimento e extensa experiência. Por todas essas razões, e muitas outras, não é possível desconsiderar a figura de Pedro Alciro Barboza de la Torre ao relembrar e avaliar o Espiritismo na América durante o século XX.  

Artigo publicado no Jornal Abertura de dezembro de 2025, quer ver o original?

https://icksantos.blogspot.com/2025/12/saiu-o-jornal-abertura-de-dezembro-de.html



Em Espanhol:


Jon Aizpúrua

 

PERSONALIDADES RELEVANTES DEL ESPIRITISMO LATINOAMERICANO

 

 

PEDRO BARBOZA DE LA TORRE

 

          Hombre de un ejercicio intelectual multidisciplinario y de amplio alcance cultural, con una hoja de servicios excepcional, Pedro Alciro Barboza de la Torre fue, y sigue siendo, referencia obligada del mundo cultural no solo del Maracaibo que le vio nacer sino de la nación venezolana toda.

         Para tener una visión aproximada acerca de su polifacética personalidad, desarrollada en el conjunto de su vida privada y de su actuación pública, se hace necesario ubicar a Pedro Barboza en estas facetas fundamentales: el hombre de familia, el abogado, el educador, el historiador, el masón, el espiritista y el escritor, todas las cuales se vinculan estrechamente en un todo coherente y ofrecen un perfil armónico de su andadura vital.

 

Familia y educación

           Hijo de Pedro René Barboza y Ángela María de la Torre Pacheco, vino al mundo el 8 de noviembre de 1917 en Maracaibo, capital del estado Zulia. En esta misma ciudad falleció el 29 de junio de 2002. Recibió en su hogar, lo mismo que sus hermanos Estanislao y Ángela, lecciones de amor y responsabilidad que dejaron una huella imborrable en sus sentimientos, en sus principios y valores, y en su comportamiento cívico y social. En 1942 contrajo matrimonio con Mary Pereira Arria, enlace feliz que perduró incólume toda su existencia, y que fructificaría en sus hijas Iris Marina y Alina Marina, a quienes trasmitió, junto con su esposa, las mismas enseñanzas morales y espirituales que había recibido.

          Tomado por la sed de conocimiento, desde niño mostró su afición a la lectura, muy del gusto de su padre que era maestro de colegios y liceos. Luego de culminar su formación primaria, siguió estudios de bachillerato en el Colegio Nacional de Maracaibo, cuyo Director era el insigne humanista y poeta Jesús Enrique Lossada, quien ejerció una poderosa y benéfica influencia en la configuración progresiva de sus ideas filosóficas, sociales y políticas. Venezuela se hallaba entonces en las postrimerías del régimen dictatorial encabezado por Juan Vicente Gómez y los estudiantes llevaban el peso de la represión policial por la dura lucha que libraban para conseguir la sustitución del tirano, poniendo en peligro sus estudios y sus propias vidas. El joven Pedro Barboza se sumaba con ímpetus idealistas a ese empeño con sus primeros escritos a favor de los estudiantes y por el advenimiento de la democracia, lo cual ocurriría a partir del año 1936 tras la muerte del autócrata. Conviene aquí apuntar que si bien no sería propiamente un militante de algún partido político, sus simpatías y convicciones, nítidamente identificadas con los principios democráticos, le llevarían toda su vida a respaldar con sus escritos, sus discursos y el ejercicio del sufragio, a las opciones identificadas con el pensamiento socialdemócrata. 

          Sus estudios universitarios los realizó en la Escuela de Ciencias Políticas de Maracaibo, adscrita entonces a la Universidad de los Andes, con sede en la ciudad andina de Mérida, debido a que la Universidad del Zulia había sido clausurada en 1904 por el régimen autocrático del general Cipriano Castro, y solo sería reabierta en 1946, siendo su nuevo Rector el Dr. Lossada. Dos años antes, Pedro Barboza obtendría el título de abogado, al que seguiría el doctorado en Ciencias Políticas. Durante veinte años se dedicó a la práctica privada del derecho, conquistando un merecido prestigio en la región zuliana por su sólida formación profesional, aunada a la recta aplicación de la justicia y a su demostrada probidad.

 Ejercicio profesional del derecho y la docencia

           Tras la reapertura de la Universidad del Zulia, Pedro Barboza comenzó a prestar servicios docentes en diversas asignaturas relacionadas con la ciencia jurídica, la historia y otras disciplinas de carácter humanístico, hasta que en 1964 se retiró de la práctica privada del derecho y se incorporó a la nómina universitaria como Profesor a dedicación exclusiva, alcanzando el grado de Titular, el más alto del escalafón académico. Durante más de 50 años dedicados a la docencia en su Alma Mater, miles de estudiantes pasaron por sus clases y apreciaron las cualidades pedagógicas y la profundidad de las enseñanzas impartidas por su distinguido profesor,  hacia el cual siempre manifestaron sentimientos de gratitud, respeto y afecto. Adicional a la docencia, ocupó diversos cargos de dirección administrativa en su universidad, entre los cuales cabe mencionar que fue Director de la Escuela de Derecho, Director de la Escuela de Periodismo, Coordinador del Consejo de Desarrollo Científico y Humanístico. Fue, además, Presidente del Colegio de Abogados del Estado Zulia.

          A lo largo de su vida, Barboza mostró un impresionante fervor historiográfico que cubre sin interrupción las últimas seis décadas de su vida, y se combina perfectamente con sus afanes académicos, jurídicos y filosóficos. Su labor de investigador se centró principalmente en captar la esencia y el talante de Maracaibo por medio de semblanzas biográficas de sus personajes más relevantes, desde los próceres de la independencia, hasta sus más relevantes científicos, educadores, escritores o artistas. No es de extrañar que se le nombrara Miembro de Número de la Academia de Historia del estado Zulia, de la que llegaría a ocupar la presidencia.

 

Vida masónica

            Barboza tuvo una destacadísima actuación en el seno de la masonería venezolana y latinoamericana, en cuyo seno brilló por sus dotes intelectuales y su oratoria fluida y amena. Siguiendo los pasos de su padre, masón de antigua data, se inició en 1947 en la Logia Regeneradores No. 6 de Maracaibo. En ella cubrió todas las etapas formativas exigidas por la tradicional Orden de la Escuadra y el Compás, hasta alcanzar el Grado 33, último de la escala del Rito Escocés Antiguo y Aceptado. En su Logia cubrió todos los cargos hasta ocupar el de Venerable Maestro en varios períodos, pero donde más brillo ganó su actuación fue en su desempeño como Orador Fiscal por su admirable elocuencia y destreza pedagógica a la hora de explicar cualquier tema en discusión. En reconocimiento a sus virtudes masónicas se le nombró Gran Maestro Adjunto de la Gran Logia de la República de Venezuela, y en honor a este ilustre maestro masón, su nombre fue adoptado como epónimo de una de las logias de su ciudad natal.

 

Dedicación al espiritismo

           Pedro Barboza de la Torre nació y creció en un hogar espírita. Su padre, Pedro René se contó entre los fundadores y activos dirigentes de la Sociedad Espírita Kardeciana de Maracaibo, junto a notables estudiosos del espiritismo como Isidro Valles, Valmore Rodríguez, Manuel Matos Romero, Alberto Hernández, quienes también se destacaron como líderes sociales y culturales de la capital zuliana.

          Desde muy joven leyó a los principales autores espiritistas, comenzando con Allan Kardec, por cuyas obras sintió especial identificación y a las cuales haría referencia de manera insistente en su labor espírita posterior, sea en trabajos escritos o en las numerosas conferencias que dictaría. Sustentado en los conocimientos adquiridos en los medios académicos, pronto supo aplicarlos a la comprensión de los fundamentos doctrinarios del espiritismo, sistema de pensamiento al cual identificó claramente como una filosofía científica de consecuencias morales y sociales. Decididamente laico y librepensador, Barboza mostró su inconformidad con la tesis de que el espiritismo deba considerarse como religión, si bien respetaba con ánimo tolerante a quienes opinaban de manera distinta.

          Habiendo comprendido la necesidad de que el movimiento espírita en Venezuela estuviese mejor organizado y pudiese desarrollar programas de estudio siguiendo adecuados criterios pedagógicos, Barboza impulsó la fundación en 1958 de la Sociedad Venezolana de Investigaciones Psíquicas, en cuyo seno también se realizarían sesiones mediúmnicas debidamente orientadas y controladas. Y, siguiendo esa línea fundó en 1960 la Federación Espírita Venezolana (F.E.V) con el propósito de agrupar a los centros espíritas que funcionaban en todo el país, y tendría su sede central en Maracaibo. En ese admirable esfuerzo le acompañaron líderes espíritas de reconocidas cualidades intelectuales, sólidos conocimientos espíritas y manifiesta solvencia moral, entre los cuales cabe recordar a José Naranjo Carrillo, Celmira de Pugh, Rosa Virginia Martínez, Gastón Chocrón, José Bromberg y Ramón Ocando Pérez. La presencia de estas personalidades de la vida pública y su adhesión al espiritismo, hizo que éste adquiriese un estatus de respetabilidad social nunca antes logrado en Venezuela.

          La F.E.V. cumplió, dentro de sus posibilidades, con los objetivos trazados, y para ello impulsó un conjunto de iniciativas concretas. Se fundó la Librería Espírita Venezolana para vender y distribuir a bajos precios las obras espíritas que producían las editoras de Argentina y México; se creó la revista “Ciencia y Conciencia” para dar cabida en sus páginas a las reflexiones de los escritores espíritas de la época y a las noticias que informaban de la marcha del movimiento kardeciano en América y en Europa; se constituyó la Asociación Venezolana de Jóvenes Espíritas, con la finalidad de atraer y reunir a los jóvenes interesados en conocer la doctrina espírita; se promovió la visita de los dirigentes de la Federación a los grupos espíritas serios que estaban activos en el país para apoyarlos en sus tareas, reorientando aquellos criterios doctrinarios y procedimientos en el área de la mediumnidad que necesitaran adecuarse a las normas que son inherentes al cuerpo de ideas teóricas y prácticas del kardecismo.

           Como era perfectamente natural, la F.E.V. bajo el dinámico impulso de su presidente, estableció vínculos con los dirigentes de la C.E.P.A. (entonces Confederación Espírita Panamericana y posteriormente, Asociación Espírita Internacional CEPA) con miras a entablar relaciones de trabajo conjunto en favor del ideal espírita. Aprovechando una visita de Barboza a la ciudad de Buenos Aires en 1962, en representación oficial del Ministerio de Educación de Venezuela a un Seminario auspiciado por la UNESCO, el presidente de la F.E.V. dictó una conferencia en el salón de actos de la Confederación Espiritista Argentina, concedió una amplia entrevista a su revista oficial “La Idea”, y a partir de allí se formalizaron las relaciones entre la federación venezolana y la máxima entidad espírita panamericana.

          Una calificada delegación venezolana, encabezada por Barboza, concurrió al VI Congreso Espírita Panamericano que se celebró en la capital argentina en octubre de 1963. Tres años después le cupo la responsabilidad de organizar en Maracaibo la celebración del VII Congreso, y repetiría en esa labor, encargándose del XI Congreso, que tuvo también su sede en la capital zuliana. Lo cierto es que ya no habría eventos espíritas de alcance regional o panamericano en los que no se contase con su presencia para deleitar a los asistentes con sus magníficas e instructivas disertaciones. En representación de la C.E.P.A., como Delegado Oficial, se movilizó durante cuatro décadas como un voluntarioso difusor del ideal espírita, por toda Venezuela y por diversos lugares de América, principalmente en Colombia, Ecuador, Argentina, Puerto Rico, Honduras, Guatemala, México y Miami. Por todo ello, no podía ser más justa y merecida su elección en 1990, por decisión unánime del XV Congreso Espírita Panamericano realizado en Caracas, como Presidente de la C.E.P.A. para el siguiente trienio.

 

Escritor de múltiple y variada obra

            Escritor prolífico, dueño de una prosa correcta y refinada, la mayor parte de su vida siguió una exhaustiva rutina de trabajo intelectual orientada hacia el ancho mundo de las letras, teniendo como respaldo indispensable su amplísima biblioteca. Elegido por sus colegas zulianos, llegó a ocupar la presidencia de la Asociación de Escritores. De esa incesante y apasionada vocación por la escritura, vieron la luz numerosos libros, monografías, opúsculos, manuales, prólogos, artículos y crónicas de prensa, que le sitúan en un puesto significativo de las letras venezolanas del siglo XX. Mencionaremos solo algunos títulos claves de su extensa producción, repartidos entre las diversas áreas temáticas que ocuparon su atención:

         Su veta jurídica se expresó en decenas de trabajos de índole doctrinaria sobre la naturaleza del Derecho y sobre las relaciones entre el Derecho y las ciencias sociales,  que fueron publicados por revistas arbitradas, y en las obras Sociología jurídica, Influencia del derecho antropológico en el derecho especial, recomendados como textos de estudios universitarios.

         En el campo de la pedagogía, deben citarse sus libros Recursos para estudiosos, El bibliotecario universitario docente, Manual sobre investigación bibliográfica, Planificación metodológica de la investigación.

         De su ingente producción masónica tenemos: Curso de Aprendiz Masón, Curso de Compañero Masón, Curso de Maestro Masón, Manual de los 33 Grados de la Masonería, Masonería en acción.

          Por supuesto, mucho le debe la bibliografía espiritista a su inagotable talento, a su amor al estudio y a la investigación, a su entrega por la enseñanza de los principios del espiritismo, a su empeño para darle forma a una cultura espírita, dando a conocer y comprender la doctrina espírita en su verdadero carácter filosófico, científico, moral, sociológico, plenamente humanista y librepensador. Barboza escribió mucho para ayudar a  la consecución de tales propósitos, y de ello dejó constancia en variados libros y artículos diseminados por numerosas publicaciones del continente americano, que, dada su cantidad, es muy difícil referir aquí, aunque allí están para auxilio de los estudiosos: Comentarios a la doctrina espírita, Cronología espírita, Espiritismo para católicos, Espiritismo para espiritistas, El espiritista Monseñor Enrique María Dubuc, Desarrollo de médiums, Repertorio experimental para la mediumnidad, De la sombra del dogma a la luz de la razón.

         

La impronta de su legado espírita

 Ejemplo de hombre culto que supo relacionar el conocimiento adquirido en la universidad y los medios académicos con el ideario espírita. Pensador de altos vuelos, sin que por ello dejase de actuar con humildad y generosidad. Laico, racionalista, librepensador, y a la vez, abierto y tolerante hacia todas las creencias. Habiendo comprendido que el espiritismo necesita ser organizado en agrupaciones dinámicas que estén en sintonía con la marcha de los tiempos, nunca regateó sus esfuerzos ni sus recursos para impulsar la creación de sociedades y federaciones espíritas, movilizándose a todas partes para dictar seminarios y conferencias. Eficiente director de sesiones mediúmnicas, actuó siempre con sabiduría, firmeza, respeto y serenidad, para obtener los mejores frutos del diálogo e intercambio con el mundo espiritual. Generoso para respaldar a los líderes  que emergían de las nuevas generaciones, estuvo presto para compartir sus vastos conocimientos y su amplia experiencia. Por todo ello, y por mucho más, no es posible prescindir de la figura de Pedro Alciro Barboza de la Torre a la hora de recordar y evaluar al espiritismo de América durante el siglo XX.

  

quarta-feira, 20 de agosto de 2025

FRANCISCO MADERO - PRESIDENTE ESPIRITA DO MÉXICO - em português e em español - por Jon Aizpúrua

 

FRANCISCO MADERO - PRESIDENTE ESPIRITA DO MÉXICO

 

Jon Aizpúrua

 

Nota da Redação: Este artigo trás a luz aos brasileiros de um personagem importante da história democrática mexicana e que ao conhecer o espiritismo mudou completamente a sua vida. Demonstrando o poder inegável da Doutrina Espírita. Apresentamoos aqui em português e espanhol.

          Francisco Ignacio Madero, erroneamente chamado de Francisco Indalecio Madero (Parras de la Fuente, Coahuila, 1873 – Cidade do México, 1913). Homem simples e idealista, honesto e gentil, político com firmes convicções democráticas e sincera preocupação social, cujo pronunciamento contra a longa ditadura do General Porfirio Díaz desencadeou a Revolução Mexicana. Após seu assassinato enquanto ocupava o cargo de presidente mexicano, ficou conhecido como o "Apóstolo da Democracia".

 

Homem de terno e gravata

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Francisco Ignacio Madero

 

          Além de sua renomada carreira política, ele também tinha o status único e sem precedentes de ser o único governante de um país. Ele expressou publicamente sua adesão à doutrina espírita fundada e sistematizada por Allan Kardec em seus discursos, cartas e livros, bem como sua firme convicção de que o progresso da humanidade deve estar alinhado à evolução moral e espiritual de seus líderes. Portanto, ele via o Espiritismo não apenas como uma forma de compreender o espírito e a vida após a morte, mas também como um guia para as pessoas elevarem sua consciência e se identificarem com os princípios do amor, da liberdade, da justiça e da igualdade.

           Familia e Estudos

            Membro de uma família abastada de proprietários de terras e industriais, primogênito de Francisco Madero e Mercedes González, recebeu sua educação inicial em casa, continuou seus estudos no Colégio Jesuíta San Juan, em Saltillo, e posteriormente consolidou sua formação nos Estados Unidos e na França. Em 1886, seus pais o matricularam nas Academias Culver, em Indiana, e ele então foi para Baltimore, onde estudou agricultura na Escola Saint Mary. Em 1889, foi enviado a Paris, onde moravam vários parentes, para estudar contabilidade, economia política e sistemas comerciais no Liceu Hoche de Versailles, e estudos de avaliação comercial na École des Hautes Études Commerciales (HEC), em Paris. Finalmente, ingressou na Escola Técnica de Agricultura da Universidade Berkeley, em São Francisco.

           Após receber uma educação completa, retornou ao México em 1893 e dedicou-se à administração das propriedades e outros bens do pai; prosseguiu com estudos sobre a produção de vinho em Coahuila; modernizou os sistemas agrícolas; promoveu a educação; e fundou a escola comercial em San Pedro de las Colonias, onde residia. Propôs a construção de represas para abastecer a região durante as secas e, após a publicação da proposta, recebeu uma carta de felicitações do presidente Porfirio Díaz. No entanto, comovido com a miséria da população rural e as condições subumanas dos operários fabris, decidiu ingressar na política, começando em sua região natal e se espalhando gradualmente por todo o país. Madero começou a namorar Sara Pérez Romero por volta de 1897, e eles se casaram seis anos depois. Não tiveram filhos.

          Intensa participação política

          A longa ditadura do General Porfirio Díaz, que durou de 1876 a 1910, consolidou um modelo rígido de ordem política, econômica e social, garantindo a paz imposta ao país como condição indispensável para seu desenvolvimento econômico. Benfeitor da oligarquia agrária, protetor dos privilégios da Igreja Católica e dos investimentos americanos e europeus, o ditador perpetuou seu poder violando o princípio constitucional da não reeleição. A estabilidade política e algumas melhorias econômicas não corrigiram os desequilíbrios sociais e, em vez disso, agravaram a deterioração das condições de vida dos camponeses e da população urbana pobre. Nos anos que seriam os últimos do chamado "Porfiriato", o descontentamento não se limitou aos setores mais desfavorecidos; vozes críticas surgiram entre as próprias elites, novos partidos políticos foram fundados e novas lideranças surgiram, entre elas Francisco Ignacio Madero.

         Sua atividade política começou em 1904, quando concorreu à prefeitura de San Pedro de las Colonias. Com o apoio apenas da família e movido por seus ideais, competiu em desvantagem contra o candidato do partido governista e foi derrotado pela poderosa máquina governamental. Por volta de 1905, os abusos de poder do governador de Coahuila levaram ao início de seu ativismo político: fundou o Partido Democrático Independente e começou a expressar suas ideias no jornal El Demócrata.

         Em 1908, Porfirio Díaz declarou que o povo mexicano estava maduro para a democracia e anunciou a convocação de eleições, sua intenção de não se reeleger e de permitir a participação de outros partidos políticos. Madero aproveitou essa oportunidade para publicar o livro "A Sucessão Presidencial de 1910", uma obra moderada em defesa das liberdades civis e da verdadeira democratização do país, que foi amplamente divulgada e aceita. Mas uma mudança repentina de opinião do presidente, que se declarou candidato novamente, frustrou as expectativas e causou indignação generalizada. Tudo isso apenas intensificou o ativismo de Madero.

          Em 1909, o Partido Nacional Anti-reeleição indicou Madero como candidato presidencial e iniciou sua campanha nacional com o slogan "Sufrágio efetivo e nenhuma reeleição". No entanto, o ditador ordenou sua prisão e encaminhamento para uma prisão em San Luis Potosí. Assim, com seu rival subjugado, o Congresso reelegeu Díaz para um novo mandato de seis anos. Madero concluiu que não era possível chegar ao poder por meio de eleições e que somente uma revolta armada poderia trazer uma mudança real. Em outubro de 1910, conseguiu escapar para os Estados Unidos e, de seu exílio em San Antonio, Texas, publicou o programa político denominado "Plano de San Luis Potosí", no qual denunciava os abusos da ditadura, a necessidade de substituí-la por um governo democrático e a urgência de beneficiar os setores agrários, devolvendo aos camponeses as terras que lhes haviam sido confiscadas. A data de 20 de novembro de 1910 foi marcada para a revolta, à qual os camponeses aderiram com grande entusiasmo. Esta data entrou para a história como um marco que marcou o nascimento da Revolução Mexicana.

          Entre os insurgentes, juntamente com outros líderes locais, estavam alguns dos líderes que desempenhariam um papel fundamental nesse processo: Pascual Orozco, Emiliano Zapata e Pancho Villa. Diante da incapacidade do governo e da impotência do exército, a Revolução logo se espalhou por todo o país e, em 7 de junho de 1911, Madero entrou triunfantemente na capital. Um governo provisório foi formado, convocado para eleições, e em novembro daquele ano, ele assumiu o cargo de presidente constitucional do México.

          Embora o governo Madero tenha durado apenas quinze meses, obteve avanços notáveis em educação, saúde, condições de trabalho e organização do erário público. Também fomentou a atividade econômica, proporcionando maiores benefícios aos produtores de médio e pequeno porte e estabelecendo acordos mais justos e equilibrados com empresas internacionais. Politicamente, estabeleceu um regime de liberdade e democracia parlamentar. No fim das contas, porém, seus esforços se mostraram infrutíferos. Teve que confrontar setores representativos do antigo regime, o militarismo, a oligarquia e o clericalismo, bem como líderes revolucionários agrários como Emiliano Zapata, que exigiam medidas tão radicais que, se adotadas, mergulhariam a nação no caos.

          Em meio a essas lutas, o general Victoriano Huerta, que parecia leal a Madero e gozava de sua confiança, ganhou destaque. Comandante das forças que deveriam defender o governo, ele foi instrumental em uma famosa e ignominiosa traição durante os chamados Dez Dias Trágicos, nome dado aos violentos eventos ocorridos na capital mexicana de 9 a 19 de fevereiro de 1913. Huerta ordenou a prisão de Madero, obrigou-o a assinar sua renúncia e prometeu-lhe permissão para deixar o país com sua família. No entanto, em 22 de fevereiro de 1913, Madero e seu vice-presidente, José María Pino Suárez, foram fuzilados por um grupo de soldados no pátio da penitenciária. 

Seus passos iniciais no espiritismo

           Em suas Memórias, escritas em 1909, Madero relatou seu encontro com as ideias espíritas aos dezoito anos, enquanto estudava administração e comércio em Paris: 

Entre as minhas muitas e variadas impressões daquela época, a descoberta que mais impactou minha vida foi que, em 1891, por acaso, me deparei com alguns números da Revue Spirite, da qual meu pai era assinante e que era publicada em Paris desde sua fundação pelo imortal Allan Kardec. 

          O jovem estudante mexicano comenta que não tinha crenças religiosas ou filosóficas na época e que as ideias católicas de sua infância haviam desaparecido, de modo que se sentia na melhor disposição para julgar os ensinamentos do Espiritismo. Leu o máximo de exemplares daquela revista que conseguiu encontrar e adquiriu as obras de Allan Kardec: 

Não li esses livros, mas os devorei, porque suas doutrinas, tão racionais, tão belas, tão novas, me seduziram, e desde então me considero espírita. 

          Frequentou vários centros espíritas e ficou positivamente impressionado com os fenômenos que presenciou. Foi informado de que ele próprio era médium escrevente e decidiu comprovar isso organizando sessões com seus familiares, seguindo as instruções de Kardec em O Livro dos Médiuns. Após várias tentativas, começou a sentir que uma força além de seu controle movia sua mão com muita rapidez e, nos meses seguintes, as mensagens transmitiram lições importantes para completar sua formação intelectual e enfatizaram questões morais. Parou de beber, tornou-se vegetariano e aprendeu a aplicar técnicas de cura baseadas na homeopatia e no passe magnético. Reconhecia que o Espiritismo o transformara de um jovem depravado e indiferente em um homem justo, bondoso, atencioso e preocupado com o destino do mundo, particularmente de sua pátria. 

 

De volta ao México

 

          Aos vinte anos, Madero retornou ao México, formado profissionalmente como administrador e transformado em suas crenças pelo Espiritismo. Imediatamente entrou em contato com sociedades espíritas, assinava os periódicos então publicados e, com o apoio da família, fundou o Centro de Estudos Psicológicos San Pedro, onde promovia estudos doutrinários enquanto exercia sua faculdade mediúnica. Motivado pelo desejo de difundir os ensinamentos espíritas, Madero adquiriu livros de Kardec, Lèon Denis, Gabriel Delanne, Amalia Domingo Soler, Quintín López Gómez e outros autores de editoras francesas e espanholas, e os distribuiu generosamente a pessoas interessadas que conheceu ao longo do caminho. 

          O movimento espírita mexicano que Madero encontrou ao chegar não estava em seu auge, devido aos obstáculos impostos pelo regime porfiriano devido à sua aliança com a Igreja Católica. No entanto, em anos anteriores, havia demonstrado considerável força e se espalhado por todo o país, graças à atuação de diversas figuras de grande prestígio social, entre as quais o General Refugio González e o intelectual Santiago Sierra. Em 1872, esses homens fundaram uma revista para a divulgação e defesa dos ideais do Espiritismo, intitulada La Ilustración Espírita (A Ilustração Espírita), que circulou até 1893. Essa publicação gozou de grande prestígio no México e no exterior por seu excelente conteúdo e apresentação gráfica. Naquele ano, uma grande assembleia foi convocada a partir de suas páginas, que concordou com a criação da Sociedade Espírita Central da República Mexicana, da qual participaram dezenas de sociedades das principais cidades. Nos anos seguintes, esse órgão central representou o Espiritismo perante as autoridades e o público, conquistando seu reconhecimento e respeito, como ocorreu nos famosos debates realizados no Colégio Hidalgo, na capital, nos quais se discutiu o tema do Espiritismo e sua relação com a ciência, o materialismo e o positivismo. 

          O ano de 1906 pode ser considerado o ponto de partida de uma nova era na vida do Espiritismo mexicano, que, embora breve, foi muito intensa e produtiva em termos de divulgação. Em abril daquele ano, realizou-se o Primeiro Congresso Espírita Nacional, com a presença de delegados de quarenta sociedades espíritas e a participação de representantes de Cuba, Porto Rico, Nicarágua e das cidades de Laredo e San Antonio, no Texas. Foram discutidos temas de grande interesse doutrinário, acatadas as conclusões dos Congressos Espíritas Internacionais de Barcelona (1888) e Paris (1900), e aprovadas importantes resoluções, entre elas a criação de uma comissão científica e experimental para a verificação dos fenômenos psíquicos e mediúnicos, a fundação de uma livraria espírita e de um jornal chamado El Siglo Espírita, que circularia até 1911. Pela primeira vez, acordou-se estabelecer relações com os movimentos espíritas de outras nações para criar uma Confederação Espírita Latino-Americana, projeto que só se tornaria realidade em 1946, quando foi fundada em Buenos Aires a Confederação Espírita Pan-Americana (CEPA). 

          Em 1908, realizou-se o Segundo Congresso Nacional Espírita, reunindo delegados de setenta e cinco centros espíritas. Teve significativo alcance internacional, com a presença de representantes de dez países, e foram discutidos trabalhos submetidos por proeminentes escritores europeus e americanos. Madero participou ativamente de ambos os Congressos, deixando uma marca duradoura com seu conhecimento, seu entusiasmo pelos ideais espíritas e seu status como uma figura pública que já brilhava intensamente no cenário político nacional. Em meio à sua agenda lotada, Madero encontrou tempo para terminar um livro que vinha escrevendo aos trancos e barrancos: Manual Espírita, um resumo dos ensinamentos básicos do Espiritismo, que seria publicado em 1911, após assumir a presidência da nação. Considerou apropriado, para não confundir o ideal espírita com circunstâncias políticas, assiná-lo com um pseudônimo e, neste caso, adotou o nome "Bhima", personagem mítico do texto épico indiano, o Mahabharata. 

           Além de suas leituras constantes, ele também fornecia informações obtidas no mundo espiritual, as quais psicografava. No desenvolvimento de suas atividades mediúnicas, distinguem-se duas etapas, com base em seu conteúdo e propósitos específicos. A primeira abrange os anos iniciais, desde seu retorno ao México até 1905. Uma entidade espiritual que se apresentou como "Raúl", o irmão mais novo que havia falecido tragicamente anos antes, instou Madero a aderir aos padrões morais derivados dos ensinamentos espiritualistas, insistindo que ele evitasse perder tempo com jogos, rejeitasse vícios, dedicasse boa parte de seus bens materiais a ajudar os pobres e lutasse por sua transformação interior. 

          Segundo suas memórias, ele cumpriu a disciplina prescrita e então iniciou uma segunda fase, na qual suas comunicações eram transmitidas por meio de um espírito que se identificava como "José". Agora, tendo superado a luta para controlar seus instintos, essa entidade anunciou que ele deveria se preparar para cumprir uma tarefa desafiadora em defesa da democracia mexicana. Anunciou que escreveria um livro que abalaria o clima político e o ajudaria a cumprir a tarefa que lhe fora confiada. "José" o chamou em suas comunicações de "soldado da liberdade e do progresso" e um "combatente incansável pela causa democrática". 

          Pode-se dizer que as comunicações mediúnicas recebidas por Madero retrataram com admirável precisão o caminho que ele percorreu desde o início do século: sua árdua preparação, a disciplina espiritual que teve que seguir, seus erros e acertos, a publicação de seu livro "A Sucessão Presidencial" em 1910, sua cruzada pelo México erguendo as bandeiras da regeneração moral e política, até que finalmente governou sua amada pátria como presidente. Uma parte significativa dessa obra, tão importante para a história mexicana, veio, em parte, das mensagens que ele recebeu de seu conselheiro espiritual. 

           Vários líderes espíritas ocuparam cargos em ministérios e escritórios durante sua administração de quinze meses. Um deles, que permaneceu ao seu lado como leal amigo e conselheiro, foi o escritor, poeta e jornalista costarriquenho Rogelio Fernández Güell, que serviu como Diretor da Biblioteca Nacional do México, o primeiro e último estrangeiro a dirigir aquela prestigiosa instituição cultural. Fernández Güell desempenhou papel de destaque em ambos os Congressos, fundou e editou a revista Helios e escreveu várias obras relacionadas a temas espíritas, incluindo Psiquis sin velo (Psiquê sem Véu), que dedicou com carinhoso afeto ao presidente. Ele também escreveu um livro histórico e político, El moderno Juárez. Estudio sobre la identidad de Francisco I. Madero (O Juárez Moderno. Um Estudo sobre a Personalidade de Francisco I. Madero), que destacou a imensa tarefa que ele desempenhou como presidente do país. 

           Durante grande parte de sua curta vida, Francisco Ignacio Madero oscilou entre dois polos que dominaram seu pensamento e suas ações: sua prática política e suas convicções espiritualistas. Alguns buscaram separar o Madero político do Madero espiritualista, com base em seus interesses ou pontos de vista particulares. Mas a verdade é que o idealismo de Madero, derivado dos princípios filosóficos e valores éticos do kardecismo, nos quais ele acreditava inequivocamente, norteou suas ações no espinhoso mundo da política partidária. Ele estava convencido de que era possível alcançar uma sociedade melhor, mais humana e inclusiva, livre e equitativa, apelando à educação e à boa-fé dos indivíduos. Talvez houvesse ingenuidade em seu projeto utópico, mas a imensa lição de dignidade que ele nos deixou com seu exemplo e seu sacrifício permanecerá para sempre como um legado indestrutível.


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FRANCISCO MADERO.

EL PRESIDENTE ESPIRITISTA DE MÉXICO

 

 

Jon Aizpúrua

 

 

 

          Francisco Ignacio Madero, llamado erróneamente Francisco Indalecio Madero. (Parras de la Fuente, Coahuila, 1873 – Ciudad de México, 1913). Hombre sencillo e idealista, honrado y bondadoso, político de firmes convicciones democráticas y sincera preocupación social, cuyo pronunciamiento contra la larga dictadura del general Porfirio Díaz desencadenó la Revolución mexicana. Tras su asesinato durante el pleno ejercicio de la presidencia mexicana, pasó a ser conocido con el apelativo de “Apóstol de la democracia”.

 

          A su reconocida trayectoria política se suma la original e inédita condición de ser el único gobernante de un país, que manifestaba públicamente en sus discursos, cartas y libros, su adhesión a la doctrina espiritista fundada y sistematizada por Allan Kardec, y su firme convicción de que el progreso de la humanidad debía estar alineado con la evolución moral y espiritual de sus líderes y por ello veía en el espiritismo no solo una forma de comprender al espíritu y la vida después de la muerte, sino también una guía para que las personas elevasen su conciencia y se identificaran con principios de amor, libertad, justicia e igualdad.

 

 

          Familia y estudios

 

          Miembro de una acaudalada familia de terratenientes e industriales, hijo primogénito del matrimonio formado por Francisco Madero y Mercedes González, recibió en casa sus primeras letras, siguió estudios en el colegio jesuita de San Juan en la ciudad de Saltillo y posteriormente consolidó su formación en Estados Unidos y en Francia. En 1886 sus padres lo inscribieron en las Culver Academies de Indiana y luego fue a Baltimore, donde hizo estudios de agricultura en el colegio Saint Mary’s. En 1889 fue enviado a París, donde vivían varios parientes suyos, para estudiar contabilidad, economía política y sistemas de comercio en el Lycée Hoche de Versalles, y estudios de peritaje mercantil en la École des hautes études commerciales (HEC) de París, y finalmente ingresa a la Escuela Técnica de Agricultura de Berkeley University, en San Francisco.

          Tras haber recibido una esmerada educación, retorna a México en 1893 y se dedica a administrar las haciendas y demás posesiones de su padre; sigue estudios sobre la producción vitivinícola de Coahuila; moderniza sistemas de cultivo; fomenta la educación y funda la escuela comercial de San Pedro de las Colonias en donde se hallaba su residencia. Propone la construcción de represas para dotar de agua a la zona en tiempo de sequías y, al publicarse la propuesta, recibe una carta de felicitación del presidente Porfirio Díaz. Sin embargo, le conmueven la miseria de la gente del campo y las condiciones infrahumanas de los obreros de las fábricas, y se dispone a incursionar en actividades políticas, comenzando en su región natal y progresivamente en toda la nación. Madero inició su noviazgo con Sara Pérez Romero por el año de 1897 y el matrimonio se celebró seis años después. No tuvieron hijos.

 

          Intensa participación política

          La larga dictadura del general Porfirio Díaz que se extendió desde 1876 hasta 1910, había supuesto la consolidación de un rígido modelo de orden político, económico y social, que asegurara una paz impuesta al país como condición indispensable para su desarrollo económico. Benefactor de la oligarquía agraria, protector de los privilegios de la Iglesia católica y de las inversiones estadounidenses y europeas, el dictador se había eternizado en el poder violando el principio constitucional de no reelección. La estabilidad política y algunas mejoras económicas no corregían los desequilibrios sociales y más bien agudizaban el deterioro de las condiciones de vida de los campesinos y los pobres que habitaban en las ciudades. En los que serían los últimos años del llamado ”Porfiriato”, el descontento no se limitaba a los sectores más desfavorecidos, sino que fueron surgiendo voces críticas entre las mismas élites, se fundaron nuevos partidos políticos y aparecieron nuevos líderes, entre ellos Francisco Ignacio Madero. 

          Su actuación política se inició en 1904 al presentarse como candidato a la presidencia municipal de San Pedro de las Colonias. Contando apenas con el apoyo familiar y animado por sus ideales, competía en desventaja con el candidato oficialista y fue derrotado por la poderosa maquinaria oficialista. Hacia 1905, los abusos de poder del gobernador de Coahuila, determinaron el inicio de su activismo político: fundó el Partido Democrático Independiente y empezó a exponer sus ideas en el periódico El Demócrata.

          En 1908, Porfirio Díaz declara que el pueblo mexicano está maduro para la democracia y anuncia la convocatoria a elecciones y su propósito de no presentarse a la reelección y permitir la participación de otras formaciones políticas. Madero aprovecha esta apertura para publicar el libro La sucesión presidencial de 1910, obra de talante moderado en defensa de las libertades civiles y de la democratización real del país que tuvo una gran difusión y aceptación. Pero un repentino cambio de opinión del gobernante, que volvió a postularse candidato, acabó con las expectativas y causó gran indignación. Todo esto no hizo sino intensificar el activismo de Madero.

          En 1909, el Partido Nacional Antirreeleccionista designó a Madero candidato a la presidencia y comenzó su campaña por todo el país con el lema “Sufragio efectivo y no reelección”, pero el dictador ordenó que fuese detenido y llevado a una prisión en San Luis Potosí. Así, con su rival sometido, el Congreso reeligió a Díaz para un nuevo sexenio. Madero llegaba a la conclusión de que no era posible alcanzar el poder por la vía electoral y que solo el levantamiento armado podía llevar a un verdadero cambio. En octubre de 1910 consiguió escapar a Estados Unidos y desde su exilio en San Antonio (Texas) hizo público el programa político llamado “Plan de San Luis Potosí” en el que denunciaba los abusos de la dictadura, la necesidad de sustituirla por un gobierno democrático y la urgencia de favorecer a los sectores agrarios restituyendo a los campesinos los terrenos que se les habían arrebatado. Se fijó el 20 de noviembre de 1910 como fecha del alzamiento, al cual se sumaron los campesinos con gran entusiasmo. Esta fecha ha quedado para la historia como un hito que señala el nacimiento de la Revolución mexicana.

          Entre los insurrectos figuraban, junto a otros caudillos locales, algunos de los líderes que habrían de jugar un papel trascendental en aquel proceso: Pascual Orozco, Emiliano Zapata y Pancho Villa. Ante la incapacidad del Gobierno y la impotencia del ejército, la Revolución no tardó en extenderse por toda la geografía nacional y el 7 de junio de 1911 Madero entró triunfalmente en la capital. Se formó un gobierno provisional que convocó elecciones y en noviembre de aquel año asumió como presidente constitucional de la nación mexicana.

          Aunque el gobierno de Madero duró apenas quince meses, logró para el país notables avances en educación, sanidad, condiciones laborales, organización de la hacienda, y fomentó las actividades económicas, dando mayores beneficios a los medianos y pequeños productores, y estableciendo convenios más justos y equilibrados con las compañías internacionales. En materia política, estableció un régimen de libertades y de democracia parlamentaria. Pero, finalmente, sus esfuerzos fueron infructuosos. Debió enfrentar, a los sectores representativos del antiguo régimen, del militarismo, de la oligarquía y del clericalismo, e igualmente a los líderes revolucionarios agraristas, como Emiliano Zapata, que exigían medidas tan radicales que de ser adoptadas llevarían la nación al caos.

          En medio de estas luchas fue ganando relevancia el general Victoriano Huerta, quien aparentaba ser leal a Madero y gozaba de su confianza. Comandante de las fuerzas que debían defender al gobierno, protagonizó una célebre e ignominiosa traición durante la llamada Decena Trágica, nombre con que son conocidos los violentos sucesos acaecidos en la capital mexicana del 9 al 19 de febrero de 1913. Huerta ordenó que Madero fuese encarcelado, lo obligó a firmar su renuncia y le prometió la salida del país con su familia. Sin embargo, el día 22 de febrero de 1913, Madero y su vicepresidente, José María Pino Suárez, fueron fusilados por un grupo de soldados en el patio de la penitenciaría.

 

 

          Sus pasos iniciales en el espiritismo

 

          En sus Memorias, escritas en 1909, Madero contó cómo fue su encuentro con las ideas espiritistas, a sus dieciocho años, cuando se hallaba en París siguiendo estudios de administración y comercio:

 

Entre mis múltiples y variadas impresiones de aquella época, el descubrimiento que más ha causado trascendencia en mi vida, fue que en 1891 llegaron a mis manos, por casualidad, algunos números de la ‘Revue Spirite’, de la cual mi papá era suscriptor y que se publicaba en París desde que la fundó el inmortal Allan Kardec.

 

          Comenta el joven estudiante mexicano que entonces no tenía ninguna creencia religiosa ni filosófica, y que las ideas católicas de su infancia se habían desvanecido, por lo que se sintió en las mejores condiciones mentales para juzgar las enseñanzas espiritistas. Leyó cuantos ejemplares pudo encontrar de aquella revista y adquirió las obras de Allan Kardec:

 

No leí esos libros, sino que los devoré, pues sus doctrinas tan racionales, tan bellas, tan nuevas, me sedujeron y desde entonces me considero espírita.

 

          Concurrió a algunos centros espíritas y se impresionó favorablemente con los fenómenos que presenció. Fue informado de que él mismo era médium escribiente y decidió verificarlo organizando sesiones con sus familiares siguiendo las instrucciones dadas por Kardec en El libro de los médiums. Después de varios intentos comenzó a sentir que una fuerza ajena a su voluntad movía su mano con gran rapidez y en los meses que siguieron los mensajes trasmitían importantes lecciones para completar su formación intelectual y ponían énfasis en las cuestiones morales. Dejó de beber, se hizo vegetariano, aprendió a aplicar técnicas curativas basadas en la homeopatía y en los pases magnéticos. Reconocía que el espiritismo lo había transformado, de comportarse como un joven libertino e indiferente, en un hombre de justicia, bondadoso, reflexivo y preocupado por el destino del mundo, en particular de su patria.

 

 

          De vuelta en México

 

          A sus veinte años, Madero volvió a México, formado profesionalmente como administrador y transformado por el espiritismo en sus convicciones. De inmediato entró en contacto con las sociedades espiritistas, se hizo suscriptor de las revistas que entonces se publicaban, y con el apoyo familiar fundó el Centro de Estudios Psicológicos de San Pedro, donde impulsaba los estudios doctrinarios a la vez que ejercitaba su facultad mediúmnica. Animado por el deseo de difundir las enseñanzas espiritistas, Madero compraba a las editoras francesas y españolas, libros de Kardec, de Lèon Denis, Gabriel Delanne, Amalia Domingo Soler, Quintín López Gómez y otros autores, y generosamente los distribuía entre las personas interesadas que encontraba a su paso.

 

          El movimiento espírita mexicano que encontró Madero a su llegada no estaba en su mejor momento, debido a los obstáculos que interponía el régimen porfirista por su alianza con la iglesia católica. Pero en años anteriores había demostrado una considerable fortaleza y se había propagado por todo el país, gracias a la actividad de algunas personalidades de gran prestigio social, entre las cuales destacaron el general Refugio González y el intelectual Santiago Sierra. Estos hombres fundaron en 1872 una revista para la divulgación y defensa de los ideales del espiritismo que llevó el título de La Ilustración Espírita y circuló hasta 1893. Esta publicación gozó de un gran prestigio en el país y en el exterior por su excelente contenido y presentación gráfica. En aquel año, desde sus páginas se convocó a una gran asamblea que acordó la creación de la Sociedad Espírita Central de la República Mexicana, a la cual concurrieron decenas de sociedades de las principales ciudades. Durante los siguientes años, este organismo central representó al espiritismo ante las autoridades y la opinión pública, consiguiendo que fuese apreciado y respetado, tal cual sucedió en los célebres debates que se llevaron a cabo en el Liceo Hidalgo de la capital, en los cuales se trató el tema del espiritismo y su relación con la ciencia, el materialismo y el positivismo.

 

          Se podría señalar el año 1906 como punto de partida de una nueva etapa en la vida del espiritismo mexicano, que, aunque breve, fue muy intensa y productiva a los fines de su divulgación. En abril de ese año se celebró el Primer Congreso Espírita Nacional, al cual acudieron delegados de cuarenta sociedades espiritistas y contó además con representantes de Cuba, Puerto Rico, Nicaragua y de las ciudades de Laredo y San Antonio, de Texas. Se discutieron temas de gran interés doctrinario, se aceptaron las conclusiones a las que se había llegado en los Congresos Espiritistas Internacionales de Barcelona (1888) y París (1900), se aprobaron importantes resoluciones, entre ellas, la creación de una comisión científica y experimental para la verificación de los fenómenos psíquicos y mediúmnicos, la fundación de una librería espiritista y de un periódico denominado El Siglo Espírita, que habría de circular hasta 1911. Por vez primera se acordó establecer relaciones con los movimientos espíritas de otras naciones para crear una Confederación Espiritista Latinoamericana, un proyecto que solo se haría realidad en 1946, cuando en Buenos Aires se fundó la Confederación Espírita Panamericana (CEPA). 

 

          En 1908 se reunió el Segundo Congreso Espírita Nacional, que congregó a los delegados de setenta y cinco centros espíritas, y tuvo un significativo alcance internacional, pues contó con la presencia de representantes de diez países, y se discutieron ponencias enviadas por destacados escritores europeos y americanos. En ambos Congresos, Madero participó activamente, dejando una grata impresión por sus conocimientos, su entusiasmo por los ideales espíritas, y por su condición de hombre público que ya brillaba con luz propia en el escenario político nacional. En medio de sus ocupaciones Madero encontró tiempo para terminar un libro que venía escribiendo a ratos: Manual espírita, un resumen de las enseñanzas básicas del espiritismo, que circularía en 1911 después de asumir la presidencia de la nación. Consideró conveniente, para no mezclar el ideal espírita con las circunstancias políticas, firmarlo con un seudónimo, y en este caso adoptó el de “Bhima”, personaje mítico del texto épico indio Majabharata.

 

          A sus continuas lecturas se añadían las informaciones que obtenía del mundo espiritual y que él psicografiaba. En el desarrollo de sus actividades mediúmnicas se pueden distinguir, por su contenido y propósitos específicos, dos etapas. La primera cubre los años iniciales, desde su regreso a México hasta 1905. Una entidad espiritual que se presentaba como “Raúl”, el pequeño hermano fallecido trágicamente años atrás, reclamaba a Madero que atendiera las normas morales que se derivan de las enseñanzas espiritistas, insistiendo en que evitara perder el tiempo en juegos, que rechazara los vicios, que destinara buena parte de sus riquezas materiales para ayudar a los pobres, y que se empeñase en su transformación interior.

 

           De acuerdo con lo que relata en sus Memorias, cumplió con la disciplina señalada y comenzó entonces una segunda etapa, en la cual las comunicaciones se debían a un espíritu que se identificó como “José”. Ahora, ya superada la lucha para controlar los instintos, esta entidad le anunciaba que debería prepararse para cumplir con una exigente tarea en defensa de la democracia mexicana. Le anunciaba que escribiría un libro que sacudiría el ambiente político y le serviría para cumplir con la tarea que le estaba encomendada. “José” le llamaba en las comunicaciones “soldado de la libertad y el progreso” y “luchador infatigable por la causa democrática”.

 

           Podría decirse que las comunicaciones mediúmnicas recibidas por Madero mostraban con admirable precisión el camino recorrido por Madero desde el inicio del siglo, su dura preparación, la disciplina espiritual que debió seguir, sus errores y aciertos, la publicación del libro La sucesión presidencial en 1910, su cruzada por el territorio nacional enarbolando las banderas de la regeneración moral y política, hasta regir como presidente a su amada patria. Una parte significativa de esta obra tan importante para la historia mexicana, provino en parte de los mensajes que recibió de su orientador espiritual.

 

           Varios líderes espíritas tuvieron responsabilidades en la dirección de ministerios y oficinas durante los quince meses que duró su gobierno. Uno de ellos, que estuvo a su lado como un leal amigo y consejero, fue el escritor, poeta y periodista costarricense Rogelio Fernández Güell, quien se desempeñó como Director de la Biblioteca Nacional de México, primer y último extranjero que estuvo al frente de esa prestigiosa institución cultural. Fernández Güell tuvo una relevante participación en ambos Congresos, fundó y dirigió la revista Helios, escribió varias obras vinculadas a los temas espíritas entre las que se destaca Psiquis sin velo que dedicó con entrañable afecto al presidente, y el libro de corte histórico y político en el que ponía de relieve la inmensa tarea que cumplía al frente del país: El moderno Juárez. Estudio sobre la personalidad de Francisco I. Madero.

 

          Durante buena parte de su corta existencia, Francisco Ignacio Madero se movió entre dos polos que dominaban su pensamiento y sus acciones: el de la práctica política y el de sus convicciones espiritistas. Algunos han querido separar al Madero político del Madero espiritista, según sus particulares intereses o puntos de vista. Pero, lo realmente cierto es que el idealismo de Madero, derivado de los principios filosóficos y valores éticos del kardecismo en los que creía de manera inequívoca, orientó sus acciones en el espinoso mundo de la política partidista, convencido de que era posible conseguir una sociedad mejor, más humana e inclusiva, libre y equitativa, apelando a la educación y a la buena fe de las personas. Posiblemente hubo ingenuidad en su proyecto utópico, pero quedará para siempre como legado indestructible, la inmensa lección de dignidad que nos dejó con su ejemplo y su sacrificio.   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Artigo originalmente publicado no Jornal Abertura - agosto de 2025, se acessar o jornal clique no link abaixo:

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