Mostrando postagens com marcador Declaração Universal dos Direitos Humanos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Declaração Universal dos Direitos Humanos. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

Pauta identitária, um radicalismo que pode ser inútil e perigoso. Um convite a reflexão - por Roberto Rufo

 

Pauta identitária, um radicalismo que pode ser inútil e perigoso.    Um convite a reflexão  Por Roberto Rufo                                                                             

"Um radical é um homem com os pés firmemente plantados no ar". (Franklin Delano Roosevelt)

 "A vida é construída nos sonhos e concretizada no amor". (Chico Xavier)


O ex-ministro de vários governos petistas Aldo Rebelo, em recente entrevista classificou a linguagem neutra como algo inaceitável, um atentado à sociedade nacional. Segundo ele, trata-se de uma tentativa de criar outra língua e inventar palavras para impor à sociedade outra forma de cultura. Para o ex-deputado, outra invenção, o chamado  “identitarismo” é “uma criação das grandes corporações”. Querem transformar o Brasil em um país de brancos e pretos.

“ É uma permuta. As corporações, o capitalismo, o sistema financeiro transformou a luta identitária em uma ilusão de igualdade para negar a igualdade, como se fosse possível igualdade de gênero, de raça, linguística, de orientação sexual sem que esse sistema fosse alterado” disse o ex-ministro.  A Doutrina Espírita corrobora essa afirmação de que o atual sistema precisa ser alterado na pergunta 806 - A desigualdade das condições sociais é uma lei natural? Os espíritos dizem que não, que a desigualdade é obra do homem e não de Deus. A busca da igualdade tem que ser feita sem criar divisões entre cidadãos.

A pauta identitária, a meu ver, mais exclui do que aproxima as pessoas, tanto é verdade que os grupos supremacistas nos EUA apoiam que deve se assim mesmo, o negro e o branco devem ficar cada um no seu lugar, sem se misturar. Em tempos que nos pedem reflexão o Espiritismo tem palavras esclarecedoras para o nosso trabalho de autoaperfeiçoamento sem abrir mão da convivência pacífica. Pode parecer piegas, mas não nos esqueçamos que somos todos irmãos. Vamos aplaudir e apoiar a diversidade humana com respeito e fraternidade. Allan Kardec sempre procurou princípios na Doutrina Espírita que revelem leis sábias e eternas. Lei do amor, da caridade, da imortalidade da alma, da reencarnação, da evolução são os nossos parâmetros para compreensão do ser humano.

Vejam o estrago causado pelas políticas identitárias na Universidade de Harvard nos EUA. A reitora negra Sra. Claudine Gay teve que renunciar ao cargo de prestígio, primeiro por compactuar com o antissemitismo ( aversão atávica aos judeus) sendo conivente com atitudes antissemitas na universidade. O seu esquema mental era de equiparar judeus a brancos opressores. Foi também acusada de plágio, o que não conseguiu explicar a contento. Nunca escreveu um livro e os seus artigos publicados eram considerados insignificantes. Aí vem a pergunta, como essa senhora chegou ao cargo de reitora de tão prestigiada universidade? A resposta é óbvia: foi escolhida pela cor da pele com apoio sistemático do departamento de estudos africanos e afro-americanos. Seu argumento foi aquele lugar comum: "sou vítima do racismo", o que não se sustenta, pois, a reitora da Pensilvânia, Elizabeth Magill foi obrigada a renunciar por razões semelhantes sendo branca e loira. O citado Aldo Rebelo alerta justamente contra esse perigo, a divisão da sociedade pelas pautas identitárias. 

Vejam que belo texto da Gênese e da Revista Espírita:

"Com a reencarnação, desaparecem os preconceitos de raças e de castas. A reencarnação se funda numa lei da natureza, o princípio da fraternidade universal, da igualdade dos direitos sociais e principalmente o direito à liberdade". (A Gênese, cap. I e Revista Espírita 1867). Pode-se notar então que na Doutrina Espírita vigora o mais absoluto respeito à diversidade humana, sem preconceitos de nenhuma espécie. O Espiritismo não adota, portanto, discursos de ódio e ou separatistas.

Artigo publicado no Jornal Abertura de janeiro-fevereiro de 2024.

Quer ler o jornal completo:

https://cepainternacional.org/jornal-abertura-janeiro-de-2024/

                                                                                                                                              

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Declaração Universal dos Direitos Humanos - uma visão espírita por Delma Crotti


Declaração Universal dos Direitos Humanos

Há 70 anos, no dia 10 de dezembro de 1948 foi proclamada a Declaração Universal dos Direitos Humanos pela ONU (Organização das Nações Unidas). Já nasceu com o objetivo primordial de ser respeitada e acatada por todas as nações do mundo.

Cláudia Régis Machado e Delma Crotti - no Congresso da CEPA em Rosário - Argentina

Direitos humanos são os direitos e liberdades básicas de todos os seres humanos.

Seu conceito também está ligado com a ideia de liberdade de pensamento, de expressão e de igualdade perante a lei.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas afirma que "Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade."
São normas fundamentadas no valor Liberdade e abrangem os direitos econômicos, sociais e culturais.

A ideia de "direitos humanos" tem origem no conceito filosófico de direitos naturais que seriam atribuídos por Deus.

Em 18/abril/1857, por ocasião do lançamento de O Livro dos Espíritos, portanto aproximadamente   91 anos antes da DUDH, no capítulo IX da parte terceira de OLE, Kardec faz o seguinte comentário sobre a Igualdade Natural, questão 803: “Todos os homens estão submetidos às mesmas leis da Natureza. Todos nascem igualmente fracos, acham-se sujeitos às mesmas dores e o corpo do rico se destrói como o do pobre. Deus a nenhum homem concedeu superioridade natural, nem pelo nascimento, nem pela morte: todos, aos seus olhos, são iguais.”

Então, notamos que, na novel doutrina Espiritismo, já havia a conscientização dos direitos de igualdade do homem, em seus aspectos físicos, morais e sociais, que pudessem garantir a dignidade da existência humana.

Jon Aizpúrua em seu livro Os Fundamentos do Espiritismo diz: “A rigor, através do ponto de vista histórico, o Espiritismo surge com um formidável trabalho teórico e experimental que realizou em meados do século XIX o pedagogo francês HIPPOLYTE LEON DENIZARD RIVAIL, amplamente conhecido como ALLAN KARDEC, que elaborou suas definições, precisou sua constituição doutrinária e determinou suas consequências.”

O acima citado está em plena conformidade com Kardec: “O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática consiste nas relações que podem estabelecer-se com os espíritos, como doutrina filosófica compreende todas as consequências morais que se depreendem de semelhantes relações.” (O que é o Espiritismo).

Todavia, passados 161 anos da fundação do Espiritismo e 70 da proclamação da DUDH, estamos vivendo etapas sombrias na área política e social, não só no Brasil mas em várias outras nações da Terra.

São tempos de ameaça aos direitos essenciais do cidadão, principalmente em sua liberdade de ser e de se expressar, bem como aos direitos trabalhistas, de segurança e de igualdade.
Muitos chegam a dizer que perderam a fé numa sociedade justa e igualitária, de respeito e ética frente à diversidade étnica, cultural, social e religiosa. Há uma exacerbação à intolerância e ao ódio pelo diferente. Em muitos países o recrudescimento das ameaças terroristas nos fazem tremer nas bases.
Jaci Regis afirma em seu livro Do Homem e do Mundo: “O que temos visto no desdobramento social no planeta Terra é a sucessão de indivíduos, sistemas e instituições de fundamentos religiosos que, em determinadas épocas do processo, passam a representar Deus, a falar em seu nome e a decidir relativamente ao aspecto moral da vida... líderes que acreditaram que possuíam não apenas o conhecimento da lei divina, como um canal exclusivo de comunicação com o Criador. Com esses instrumentos, ditaram normas, códigos de conduta. Com o tempo, a semente lançada se multiplica e nem sempre muito nobremente. Institucionalizadas, as crenças cuidam de mitificar seus reveladores, deslocando-os para o olimpo celeste... Quando se tornam maioria, impõem as regras morais, discriminando o certo e o errado, o bem e o mal.”
E fica então a dúvida: chegaremos algum dia à perfeição (relativa) preconizada pelos espíritos? Pelo visto, vai demorar muito...
Enfim, sabemos que o progresso é lento e que não é simultâneo, cada um avança a seu tempo. Sabemos, também, que o progresso moral nem sempre acompanha o progresso intelectual.
Só nos resta, então, ficar alertas para suplantarmos as dificuldades atuais e não nos deixarmos influenciar pelas ondas de ódio, revolta, receio e desânimo que nos rodeiam, atinando com o que nos diz Eugenio Lara, em seu livro Breve Ensaio sobre o Humanismo Espírita: “O Humanismo Espírita ou Kardecista se concretiza na evolução intelecto-moral dos seres e das coisas, no incessante desenvolvimento do ser humano. É por isso que o pensamento espírita não se coaduna com sistemas que visem a desvalorização do elemento humano, sejam eles religiosos, políticos ou econômicos. O ser humano deve sempre emergir e ser o protagonista de qualquer projeto que objetive a transformação social. As ideias e os ideais não estão acima das pessoas. A ideia, seja ela qual for, existe para o ser humano e não o inverso.”
                                                                                          Delma Crotti é aposentada, reside em Santos.