quarta-feira, 29 de abril de 2026

O Real e o Virtual por Eugenio Lara

 

O Real e o Virtual

Eugenio Lara

Interessante observar as similaridades entre o conceito espírita de mundo extrafísico e a realidade virtual. Quando se adentra e se imerge num mundo onde não há o espaço nem o tempo que, portanto, não influem em nossa percepção simplesmente porque não existem, a realidade muda completamente, assim como nossa percepção dessa mesma realidade. Não há lugar, não há sucessão temporal.

Na realidade virtual, o sujeito/objeto e o objeto/sujeito estão imersos em um mundo atópico, acrônico, características essenciais do ciberespaço. Num certo sentido, o mundo virtual gerado pela cibernética, pela internet, as redes sociais, o ciberespaço, é um mundo com características semelhantes ao mundo extrafísico, é seu reflexo, mas não há lugar, não há espaço, não há corpo e o tempo deixa de ser contado, deixa de existir. É o eterno presente, a realidade on-line.

Atopia é a ausência de espaço, de lugar, como aquela estranha e engraçada casa do poema de Vinícius de Morais: “não tinha teto não tinha nada”, não tinha chão, não tinha parede... E Acronia é a inexistência do tempo, de sua não decorrência, da insucessão das coisas. O mundo virtual se define por ser atópico e acrônico, particularidades basilares do mundo extrafísico, do mundo dos espíritos, sem tempo e sem espaço.

A percepção do tempo e do espaço se dá através da experiência corporal, das sensações físicas, no enfrentamento das vicissitudes. Na visão espírita, vicissitude é um conjunto de necessidades, de limitações físicas, psíquicas e psicológicas. Trata-se do enfrentamento da materialidade no processo evolutivo, no embate, na superação de toda e qualquer limitação, segundo a causalidade e a casualidade.

Pela causalidade, em função da materialidade como causa eficiente, fatal, da palingenesia e, da casualidade, devido à inexistência de fatalidade nas ações humanas, volitivas e delineadas pelo livre-arbítrio. É o acaso, descartado pelos espíritos, na época, em função do padrão newtoniano vigente, mas que sob outra ótica, quântica, exerce importante papel na realidade, seja ela física ou extrafísica, real ou virtual.

E a simulação do real pelo virtual é tão intensa e impregnante que há quem tenha predileção pela vida virtual em detrimento da real, como naquele famoso game Second Life. É a segunda vida, paralela, adjacente, vida contígua e que transcende a vida atual, real. Há quem se realize no Facebook e nas redes sociais, preferindo o ser virtual ao ser real.

A realidade virtual se renderiza; o espírito se materializa, se corporifica, reencarna. O corpo ensina a consciência. A consciência se expande através do corpo, que recebe os impulsos mentais durante a encarnação, mas possui sua própria determinação, suas próprias leis. O mecanismo da vida não depende do espírito para existir, ele simplesmente existe, resultante da seleção natural, da evolução universal.

O virtual colocava-se no plano da possibilidade, do vir a ser, de algo quase que totalmente possível, daí as expressões “o virtual candidato”, “o virtual campeão”. Expressões que hoje fornecem outro entendimento, ganharam outro significado, porque o virtual conquistou autonomia, é “existente”, a realidade simulada, a hiper-realidade, o simulacro de que falava o filósofo pós-moderno Baudrillard: “É a geração pelos modelos de um real sem origem nem realidade: hiper-real”. (Jean Baudrillard - Simulacros e Simulação).

O advento da realidade virtual recoloca a histórica questão entre a matéria e o espírito, entre a alma e o corpo, entre o físico e o extrafísico. Do mesmo modo que podemos simular a realidade extrafísica através do mundo virtual, suponho que a recíproca também seja verdadeira. No extrafísico, a simulação do físico, reproduzindo de forma artificial o físico na realidade extrafísica, o que permitiria, teoricamente, ao espírito na erraticidade, permanecer de modo indefinido nesse estado transitório, sem precisar reencarnar, ato que dependerá, tão-somente, de seu livre-arbítrio e merecimento moral.

Se na astronáutica simulamos a ausência da gravidade, de modo análogo, no extrafísico, pode-se simular o físico, em processo inverso ao da realidade virtual, como se o virtual se apoderasse do real, na metáfora da Matrix, da simulação da realidade. Mera aparência que daria razão à tese orientalista de que vivemos em um mundo de aparências, no mundo de Maya ou num mundo de simulacros, segundo Baudrillard.

Ou, de modo verossímil, na ideia de Avatar, da consciência em outro corpo, virtual, simulado, mas que promove reações no corpo originário da consciência encarnada. Interessante lembrar que a palavra Avatar vem do sânscrito e significa a encarnação de uma consciência imortal, de uma suprema criatura como Krishna, na filosofia hindu. Na linguagem cristã, Jesus seria um Avatar: “o verbo que se fez carne”.

Por outro lado, lembremos de Kardec ao afirmar que o mundo extrafísico é o mundo primitivo, originário:O mundo espírita é o mundo normal, primitivo, eterno, preexistente e sobrevivente a tudo. O mundo corporal é secundário; poderia deixar de existir ou nunca ter existido, sem alterar a essência do mundo espírita”. (Allan Kardec - O Livro dos Espíritos, Introdução).

Não é um juízo de valor. São apenas mundos de naturezas diferentes, essencialmente diferenciados. Algo próximo à tese do universo holográfico, desenvolvida pelo físico quântico David Bohm, que consiste na ideia de que todo o universo não passaria de um gigantesco holograma (reprodução tridimensional por meio do laser), da imagem formulada e criada pela mente como um campo único, material e consciencial. De que o universo é uma grande projeção, de um nível de realidade além do tempo e do espaço e, quem sabe, a projeção de uma Grande Consciência.

Eugenio Lara é membro-fundador do Centro de Pesquisa e Documentação Espírita e autor de Breve Ensaio Sobre o Humanismo Espírita. E-mail: eugenlara@hotmail.com

Artigo publicado no jornal Abertura de outubro de 2013

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Jornal Abertura de abril de 2026 - baixe grátis

As guerras e as flores - Editorial por Alexandre Cardia Machado

Durante a ditadura militar surgiu uma canção de Geraldo de Vandré – Pra não dizer que não falei das flores – falar sobre flores era a saída usada na imprensa cada vez que uma matéria era censurada.

Naquele tempo parecia claro quem estava ao lado da democracia, hoje nos deparamos com extremos onde os que dizem defender a democracia ultrapassam os limites jurídicos, em nome do direito de defender a soberania de uma nação, vemos ditaduras oprimindo multidões mundo afora. Povos oprimidos e comprimidos pela falta de liberdade, sonham com uma ajuda externa. Testemunhamos casos em que essa ajuda destrói tanto ou mais que o opressor.

Roberto Rufo escreve, em seu artigo -   Ei-la de volta : a guerra – o que o espiritismo, através do Livro dos Espíritos nos ajuda a compreender os males associados as guerras. Rufo salienta” A guerra busca impor a vontade de um grupo sobre outro, conquistar recursos, dominar territórios ou impor ideologias. Argumentos "apaixonantes" tentam explicar e justificar atos que não passam de atitudes criminosas”. Bem, mas quem morre, não são somente soldados.

Milton Medran nos conta qual a sua mais querida pergunta do Livro dos Espíritos que completa 169 anos. O livro dos Espíritos através das Leis Morais nos alenta.

Volto a Vandré que cantou “ Há soldados armados, amados ou não. Quase todos perdidos de armas na mão ...” a esta altura do século XXI eu pensava que estaríamos menos sujeitos a estas barbáries, não desanimo, mas vejo como é longa a jornada.

Cláudia Régis Machado escreve sobre - O Amor da Intenção à Virtude Consolidada – que toca nas palavras de Jesus – amai aos vosso inimigos. Como ela bem diz é um amor sedimentado em múltiplas reencarnações. Processo difícil, como de todo é a vida neste planeta, periférico de nossa galáxia.

Temos um artigo sobre a Série História do ICKS – Microfilme, trata do Caderno Cultural de Mediunidade de 2003, bem neste mês disponibilizamos mais um “microfilme” o Jornal Abertura número 1. Em pleno 1987, durante o tempo de abertura política no Brasil, o nome Abertura que adotamos para este jornal de cultura espírita. Isto tudo em plena vigência da Assembleia Nacional Constituinte. Vejam em nosso blog: https://icksantos.blogspot.com/2026/03/serie-microfilme-historia-do-abertura.html





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Emissões Energéticas na Prática Espírita: Vários autores

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Uma Breve História do Espírito: Alexandre Cardia Machado

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Novo Pensar, Deus, Homem e o Mundo : Jaci Régis

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A busca por Planetas Habitados : Alexandre Cardia Machado e Reinaldo Di Lucia

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O Poder e o Movimento Espírita: Jaci Régis e José Rodrigues

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Modelo Conceitual – Doutrina Kardecista: Jaci Régis

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Caderno Cultural 5 - Análise da evolução do conceito de Reencarnação nas obras de Allan Kardec – Grupo de Estudos do ICKS

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Amor, Casamento e Família: Jaci Régis

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