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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

O que é ser progressista? Por Alexandre Cardia Machado

Esta questão se faz importante num momento em que a humanidade alcança avanços impressionantes em todos os campos de conhecimento, a ciência a cada dia nos tráz novidades, a medicina, a internet, os meios de comunicação. No campo das questões sociais nos parece que o avanço é mais lento, pois esbarra em alguns pontos que gostaríamos de discutir aqui.

O progresso social depende da cultura, das características do país, da política, mas principalmente da economia. Muitos dirão e com razão que tudo depende da política, pois é neste campo que se discute as relações entre os poderes e suas consequências no campo social e finalmente na vida de cada cidadão. Então para ser progressista no campo social há que se permear a política. Nosso jornal desde o seu nascimento teve uma proposta de abertura, ao pensamento espírita, a atuação e participação social, à questão cultural em nosso campo de ação na ruptura com a religião espírita.

Recentemente fomos chamados por um companheiro espírita de não progressistas por termos uma linha de editoriação que não se relaciona diretamente com a esquerda política. Ficamos pensando, ah! então o termo progressista estaria ligado necessariamente a uma ideologia? Mas como assim? Talvez a uma ideologia progressista? Acontece que isto não existe, ideologias, sejam elas de esquerda ou de direita, elas, assim como as religiões não são progressistas. Existem movimentos sociais progressistas, que lutam por direitos humanos, como por exemplo no passado pela maior participação feminina, pelo  direito ao divórcio, pela redução das jornadas de trabalho, nem todas ideias de esquerda, mas certamente nenhuma delas de direita, daí talvez a ideia ou vontade da apropriação do conceito progressista.

O ABERTURA sempre se posicionou contra os atos de desrespeito aos direitos humanos e aos atos de fé sem raciocínio, sejam eles atos de fé religiosa ou ideológica. Este jornal foi contra a invasão do Afeganistão pelos EUA inclusive colocando uma faixa negra escrita paz em branco, em frente ao ICKS, pois foi um ato sem apoio internacional. Mas também não fomos e não seremos  favoráveis a nenhum ataque terrorista, pois somos fundamentalmente a favor da paz.

Nos sentimos à vontade de comentar qualquer ato de corrupção ativa ou passiva, sem nos preocuparmos por qual partido está por tráz, a corrupção talvez seja o maior mal que devemos nos livrar na sociedade atual. Ele carrega consigo toda uma marginalidade, um desrespeito a todos os cidadões por aqueles que recebem o mandato em seu nome. O ABERTURA defende o voto consciente, sem fazer campanha partidária, que cada um analise e pense em qual candidato melhor representa o seu conjunto de valores.

O ABERTURA possui colunistas que assinam as suas matérias, não fazemos censura, desde que o tema seja espírita ou relevante à sociedade e abordado sob a ótica espírita, ele será publicado, os editoriais em sua grande maioria são publicados sem assinatura por representarem a opinião do Jornal ABERTURA, normalmente escritos pelo seu Editor-chefe, como fazem todos os veículos jornalísticos.

O nome Abertura existe justamente por escrevermos sobre temas que outros jornais espíritas não abordam, revisamos textos de Allan Kardec que precisam ser atualizados, comparamos textos mediúnicos com textos de Allan Kardec para análise, algo que todo espírita deveria fazer, lançamos temas novos, questões sociais, promovemos debates, todo um conjunto de ações em nosso entender progressistas. Temos consciência de manter um canal aberto contra a mesmice e por isto lutamos constantemente para nos atualizarmos.

Mantemos o convite permanente aos nossos leitores que nos escrevam, que nos ofereçam a sua posição, através de nosso email ou de nosso blog, onde postamos algumas de nossas matérias e outras questões mais polêmicas, em um meio mais livre como deve ser o ambiente de internet. Temos um grande prazer em publicar as mensagens ou matérias enviadas.

Se isto não é ser progressista então talvez tenhamos que usar o termo aberto para nos definir, pois em essência é o que somos.

O que é ser progressista segundo algumas referências ? Na wikipédia uma definição livre é “O progressismo é uma doutrina política ou corrente filosófica muitas vezes relacionada ao evolucionismo e ao positivismo. O progressismo expressa a crença ou o desejo de evolução, desenvolvimento, aperfeiçoamento, superação. Opõe-se ao conservacionismo.   Políticas progressistas são aquelas que propõem mudanças sócio-econômicas radicais, para o desenvolvimento e o progresso da sociedade.” – nestes dois sentidos somos progressistas.


O diário online de português assim define a palavra, casualmente da mesma forma que Aurélio Buarque de Holanda –“que, ou pessoa que tem idéias políticas e sociais avançadas. Favorável ao progresso; que não é conservador ou reacionário.” Neste sentido o Abertura é progressista.

Publicado Originalmente no Jornal Abertura - Maio de 2014

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Doutrina Kardecista – modelo conceitual faz 5 anos - Modelo proposto por Jaci Régis

Doutrina Kardecista – modelo conceitual faz 5 anos




Lançada por Jaci Régis em Maio de 2008, em formato brochura e produzido pelo ICKS, o Modelo Conceitual encontra-se à venda pelo investimento de R$ 10,00.

Hoje já é possível, além de adquirir o exemplar no ICKS baixar o mesmo gratuitamente no site da CEPA - https://cepainternacional.org/site/pt/cepa-downloads/category/32-icks-modelo-conceitual-jaci-regis?download=225:icks-modelo-conceitual
  

O material sacudiu os alicerces do movimento livre-pensador por assumir-se Kardecista e pós-cristão, sendo o marco de lançamento de uma corrente nova, renovadora, apartada do movimento espírita tradicional e, se um dia isto realmente acontecer, este documento terá que ser lembrado como o brado de liberdade. Jaci promoveu diversos debates com pensadores espíritas laicos no ICKS, em Santos, no CCEPA, em Porto Alegre, no CPDoc e também em uma edição do SBPE.



Jaci enviou seu material à CEPA propondo a sua discussão no âmbito da mesma, em um dos congressos organizados por esta instituição, tendo sido prontamente recusado, mas o impacto causado pela brochura foi tão grande que as ideias contidas em sua maioria foram incorporadas ao pensamento do nosso grupo, tendo sido este material usado como uma das bases para a Carta de Princípios da CEPA Brasil em Bento Gonçalves, em 2010. Acontecendo a mesma coisa no ICKS, em 2011, quando da elaboração de seus princípios norteadores, isto após a desencarnação de Jaci Régis, em dezembro de 2010.

O Jornal trimestral espírita catalão, Flama Espírita, vem analisando o texto completo desde 2010, já tendo percorrido 76% de seu conteúdo, e acreditamos que até o fim deste ano, David Santamaría terminará sua análise, e assim que estiver concluída, o blog do ICKS disponibilizará o conteúdo completo. Esta talvez fosse a maior aspiração de Jaci: que o texto fosse debatido, por isso dedicou o espaço deste jornal àqueles que assim o fizessem.

Histórico:

Maio de 2008 – Jaci Régis lança a brochura Doutrina Kardecista – Modelo Conceitual (reescrevendo o modelo espírita)

Junho 2008 – Régis apresenta em Porto Rico seu Modelo Conceitual, com muito sucesso, no XX Congresso Espírita Panamericano

Julho de 2008 – ABERTURA publica um artigo – Novo Modelo Conceitual, com depoimentos de espíritas que o leram – como Mario Horta e Gilberto Guimarães da Silva, de São Paulo (SP), José Aparecido Sanchez, de Jacarezinho, Gisela Régis, de Rio Claro e Ademar Arthur Chioro dos Reis, de Santos.

Novembro 2008 – ABERTURA publica Modelo Conceitual em Análise – após reunião onde foram convidados a debater o material no ICKS, Reinaldo Di Lucia, Alcione Moreno, Ricardo Nunes, Cláudia Régis Machado e Alexandre Machado, com a participação de Antonio Ventura, Arlete, Isabel Tavarez, Palmyra Coimbra Régis e José Alberto.

Dezembro de 2008 – ABERTURA publica a segunda reunião no ICKS para debater o Modelo, Doutrina Kardecista em debate, com a participação de Ademar Chioro dos Reis, Ciro Pirondi, Gilberto Guimarães. José Alberto, Jacira Jacinto da Silva, Jaílson Mendonza, Mauricy Antonio da Silva. Mauro Spínola e Roberto Rufo – neste grupo apenas Gilberto declarou-se religioso mas fez questão de participar da discussão. Neste momento, a grande rejeição estava no nome –doutrina Kardecista, posição que Ademar, Mauro e Jacira não nutriram simpatia. Hoje, passados cinco anos, fica claro que o nome pegou e é usado tranquilamente ainda que não tenha substituído a palavra Espiritismo.

Maio de 2009 – ABERTURA publica reportagem sobre a visita de Jaci Régis ao CCEPA – Centro Cultural Espírita Porto Alegre, onde estiveram presentes 20 pessoas de Porto Alegre, Florianópolis e Pelotas. Os comentários no geral foram muito positivos.

Junho de 2009 – a CEPA rejeita a proposta de Jaci Régis de que o novo modelo conceitual – reescrevendo o modelo espírita seja usado como base para um novo posicionamento da CEPA, nem consideraram necessária a constituição de uma comissão para análise do mesmo em que pese a admiração dos membros do conselho da CEPA pelo autor e pelo ICKS – deixa clara a CEPA que a atualização do pensamento espírita se dá pelos congressos e não por iniciativas individuais.

Julho de 2009 – O ABERTURA publica a resposta de Jaci Régis ao presidente da CEPA onde Jaci defende que “é natural que a atualização seja uma consequência de uma construção coletiva. Mas por que não pode partir de uma sugestão individual? A conclusão da atualização é coletiva, mas a iniciativa pode ser individual. Parece que assim tem sido a história do conhecimento humano ...”. Jaci assim não desiste, apenas muda o foco e prepara o lançamento de seu último livro – O Novo Pensar espírita, que mais tarde seria batizado de “Novo Pensar – Deus, Homem e Mundo”, à venda no ICKS por R$ 25,00.

Novembro de 2009 – O ICKS realiza o XI SBPE – uma mesa redonda é organizada para debater o Novo Modelo e Jaci Régis lança com muito sucesso o livro Novo Pensar – Deus, Homem e Mundo. Com a participação de Roberto Rufo, Cláudia Régis Machado e Eugenio Lara, Rufo afirma ser o Novo Modelo uma nova teoria do conhecimento ou epistemologia.

Respondendo a este desafio, o ICKS apresentará no XIII SBPE em outubro de 2013, uma análise epistemológica do que mais tarde Jaci chamaria de Ciência da Alma, que incorporaria ideias do Novo Modelo e Novo Pensar.

Destacaremos alguns pontos do modelo conceitual que se tornaram de domínio público e aceito pela maioria de nossa comunidade:

1 - Segundo o Espiritismo, não existem o céu, o inferno e o purgatório. Remendar pano velho com pano novo é incompatível, já disse Jesus de Nazaré. Anjo não pode ser sinônimo de Espírito Puro.

Diabo não pode ser justificado como condição de Espírito imperfeito ou obsessor. Purgatório não tem sentido na justiça divina, segundo o Espiritismo.



2 - O novo modelo começará por estabelecer que o universo não é estruturado, mas delineado. Seria, metaforicamente talvez, uma projeção da intenção divina, inteligência suprema e causa primária, centro ordenador e controlador, manifestado através da Lei Natural. Porque onde há Lei existe necessariamente controle.



3 - Neste modelo não existe espaço para a personalização do Ser Supremo, nem cabe o estabelecimento de atributos que o humanizariam, porque o paradigma disponível para pensar as virtudes é o humano.



A palavra delinear é bem clara, significa esboço, linhas gerais, marcos principais, e não um planejamento estrito, um mapa detalhado. É a mistura de determinação do reencarnante e do grupo em que se filia e o livre-arbítrio.

Não creiais, entretanto, que tudo o que sucede esteja escrito, como costumam dizer. (...) Só as grandes dores, os fatos importantes e capazes de influir no moral, Deus o prevê porque são úteis à tua depuração e à tua instrução. (859 a)



4 - Pelo novo entendimento a vida corpórea é um componente natural, desejado e necessário à evolução do Espírito. Numa visão dinâmica, contudo, concebemos a vida humana como um continuum existencial, através da vivência no plano extrafísico e no plano corpóreo, intermitentemente. Isso explica a realidade evolutiva das pessoas, em segmentos reencarnatórios. A pessoa humana possui uma biografia atemporal, em que experimenta uma extraordinária aventura de erro e acerto. Permanentemente inquietante e inquieta, sem correlação estrita com o tempo, mas desenvolvendo-se em seu próprio tempo.



5 - Encarnar e desencarnar é o motor básico da evolução do ser inteligente. A reencarnação é, pois, o instrumento básico da evolução do Espírito, desde as primeiras manifestações como Princípio Inteligente.



6 -No estágio evolutivo médio da humanidade terrena, o ponto de referência é a vida corpórea, onde ele elabora progressivamente sua identidade. Mas, como em todo o Universo, nesse aparente caos, a diretriz da Lei divina se estabelece seja pela hierarquização dos Espíritos, seja pelas pressões da realidade moral e intelectual que cada um desenvolve e vive. Todos seguem os rumos do produto de si mesmos. Embora numa visão genérica, o Plano Extrafísico de modo algum seja um lugar disciplinado, há, certamente, um centro coordenador, uma fonte dirigente que se manifesta sempre que solicitada ou quando necessário. Esse centro diretivo, constituído de Espíritos gabaritados atua, suplementa, buscando promover o equilíbrio pessoal e grupal.

Este modelo descarta totalmente a premissa da vida humana girando em torno da culpa e castigo.

O fluxo organizador e diretivo da Lei está “inscrito na consciência”, isto é, na formação da estrutura do corpo mental. Que significa isso? A Lei não é um discurso. É o conjunto de fatores que atuam sempre procurando a manutenção do equilíbrio. A Lei natural não é moral. O universo não tem propósitos restritos ou punitivos. Embora não haja possibilidade de entender todas as nuances da vida, nada na natureza autoriza o modelo de pecado e punição secular.



7 - Na visão evolucionista deste modelo não há lugar para um salvador. Mas positivamente tem lugar para as lições de Jesus de Nazaré. Nas suas lições Allan Kardec buscou a diretriz segura para o desenvolvimento ético e moral que o Espiritismo propõe.

Caráter, dor, prazer, desvios morais, perversões e santificações que definem o comportamento das pessoas foram desenvolvidos através das vidas sucessivas e por elas serão resolvidos.



8 - A reencarnação é uma aventura existencial.

Deixamos aqui o convite à leitura do Modelo Conceitual - entre em contato com o ICKS para saber como obter a sua cópia - ickardecista1@terra.com.br

segunda-feira, 10 de junho de 2013

O ICKS funcionava na Rua Paraguassú, por Redação

O ICKS começa a reforma da nova sede




A nova sede será no bairro Embaré, na Rua Paraguassú, 18 em Santos é claro, as obras de adaptação da casa, que durante muitos anos foi o consultório psicológico do Dr. Jaci Régis, esta sede nos foi doada pelo casal Jaci e Palmyra Régis ,com o objetivo de dar mais autonomia ao Instituto.

Nosso cronograma prevê o início das atividades na nova sede já em Julho. Aguardem a programação de inauguração.

Atualizando esta postagem, já estamos funcionando em nossa sede!


Hoje em dia, março de 2025, o ICKS não tem mais reuniões públicas, nos focamos em produzir conteúdo na internet:
Conheçam nosso site: www.ickardecista.com.br


sexta-feira, 31 de maio de 2013

POR UM ESPIRITISMO PLANETÁRIO E ATUAL - Ricardo Nunes

“Na visão de Kardec, o Espiritismo não pode, de nenhum modo, estagnar-se; se o fizesse, não seria uma ciência, e nem mesmo uma filosofia, uma vez que tanto uma quanto outra só se efetivam com a contínua inquietação do pensamento. É preciso que haja um constante anseio pela busca de novos conhecimentos, os quais nos ajudarão a entender melhor o Universo que nos cerca, e, nos posicionarmos melhor frente a ele; ou seja, aprimorar a cosmovisão espírita” Reinaldo Di Lucia.


“A adjetivação do Espiritismo como cristão, na opinião da CEPA, é incorreta e desnecessária. A população mundial não é somente a do Ocidente. Na Ásia e na África, há um bilhão de muçulmanos, quase dois bilhões entre budistas, bramanistas, shintoístas, etc. Um Espiritismo chamado cristão é automaticamente destinado ao mundo ocidental, não é um Espiritismo planetário, internacional.” Jon Aizpúrua.

Toda filosofia nasce buscando resolver os problemas de sua época. Brota do contexto cultural a que pertence, visando resolver questões que se apresentam em seu período histórico. Um sistema filosófico não nasce do vazio, do vácuo, pelo contrário, ele sofre influência do “espírito do tempo”. Na verdade, uma boa corrente filosófica é aquela que busca resolver questões do seu momento presente, mas que consegue extrapolar sua época e oferecer ao futuro reflexões ainda válidas.

O Espiritismo nasceu pelas mãos de Allan Kardec dentro do seguinte contexto cultural. Por um lado, os adeptos de uma ciência positivista e agnóstica, que rejeitavam veementemente as chamadas questões metafísicas. Por outro lado, as igrejas cristãs, particularmente o catolicismo, que se via perdendo influência e poder.

Esta influência positivista fica bem evidenciada quando Kardec afirma, além do caráter filosófico, o caráter científico do Espiritismo. Neste sentido, Kardec valoriza, como base da nova ciência que estava propondo, os chamados fenômenos mediúnicos.

Já a influência da igreja fica patente por ocasião da publicação de O Evangelho segundo o Espiritismo, em resposta àqueles que acusavam o Espiritismo de ser antirreligioso. Não podemos esquecer que, para os cristãos da época, as manifestações espíritas eram obra do demônio.

Ao longo do tempo o positivismo comteano sofreu críticas acerbas, principalmente por suas pretensões absolutistas, que faziam da ciência o supremo conhecimento de caráter infalível. No século XX, alguns filósofos da ciência nos ensinaram que as verdades da ciência são provisórias e devem ser falseáveis. Quanto à igreja, sua órbita de influência ficou restringida ao campo da fé, preservando o dogma e a revelação divina que, segundo suas concepções teológicas, extrapolam e superam a razão natural.

O contexto cultural em que foi elaborado o Espiritismo se transformou. Estamos no século XXI, não mais em meados do século XIX.

Ante esta transformação devemos responder às seguintes perguntas, se desejamos que o Espiritismo prossiga como uma proposta ainda interessante para a humanidade: O materialismo contemporâneo se apresenta de que forma, com quais armas filosóficas? Que princípios científicos e filosóficos desta cultura pós-moderna em que vivemos, podemos utilizar em uma fundamentação atualizadora do Espiritismo?

No que diz respeito à questão ética, ante a globalização econômica e cultural vigente, cabe indagarmos: não seria o caso de pensarmos o Espiritismo como uma proposta que supere seu perfil originalmente cristão, com vistas a enaltecer e valorizar todas as culturas, religiosas ou não, que tenham chegado à compreensão da necessidade do bem e do respeito à alteridade?

A partir das respostas a estas questões poderemos construir um Espiritismo que esteja atualizado, sintonizado, e que possa, inclusive, abrir perspectivas, aos problemas filosóficos, científicos, sociológicos, antropológicos, estéticos e espirituais de nosso tempo. Já no campo das concepções éticas, com esta práxis atualizadora, certamente auxiliaremos a proposição de um “Espiritismo planetário”, e não apenas cristão, na bela expressão de Jon Aizpúrua.

domingo, 12 de maio de 2013

O Dilema dos Laicos – Jaci Régis

Os espíritas que acreditam que o Espiritismo é uma religião estão definidos. Eles, sejam simples pessoas ou acadêmicos e doutores, aceitam a religião e, ao revés de Kardec, afirmam: “a nossa fé (verdadeira) despreza a razão em qualquer época da humanidade”. Não temos, todavia, nada com isso. É o caminho escolhido e certamente toda generalização é cruel e falsa.




Mas e quanto aos laicos?

O laicismo é, por definição, a separação do Estado e da religião. Isso porque a religião, aqui entendida como instituição física e espiritual, se impôs sobre o Estado, talvez porque, na verdade, representava a nação.

Os espíritas laicos não são religiosos e, às vezes, contra a religião. Todavia, será possível desligá-lo, na prática, dos religiosos?

Não apenas em suas instituições que, de maneira geral, seguem o modelo tradicional dos centros espíritas religiosos, como na mentalidade.

Devido a isso, fizemos a proposta de denominar os “laicos” como espíritas kardecistas. Aí as controvérsias repousam na semântica, do gostar ou não de substituir “espiritismo” genericamente, por “kardecista”, especificamente.

Às vezes, como disse o rei Herodes Agripa para Paulo de Tarso: “as muitas letras”.

Isso pode acontecer a miúde entre os intelectuais laicos, não raro pelejando sobre palavras e ditando doutrina sobre exceções.

O que precisamos é uma mínima identidade de vista para que nosso segmento seja claramente distinguido dos religiosos, porque somos diferentes e nada mais que isso.

Diferentes porque temos um modelo distinto para nortear nosso entendimento.

Somos minoria e aceitar essa condição impõe, também, a não dispersão de forças.

Todavia, o ponto crucial desse problema é evitar o centralismo e manter a relação de entendimento.

Aliás, é o que queria Kardec na sua Constituição do Espiritismo. Unidade de vista, abertura mental. O que também levanta outro problema, porque exige flexibilidade de estar aberto ao novo, sem desprezar as raízes.

Há entre certos espíritas a tendência de acreditar na infalibilidade da ciência e questionar as bases da Doutrina, chegando quase ao materialismo espiritual, se isso fosse possível.

Outros artigos de Jaci Régis:


Livros de Jaci Régis a venda pela Internet:

http://icksantos.blogspot.com/2011/12/livros-de-jaci-regis-venda-pela.html

Um ano sem a presença física de Jaci Régis

http://icksantos.blogspot.com/2011/12/um-ano-sem-presenca-fisica-de-jaci.html

Do Jesus Pré-cristão ao Jesus Cristão - Jaci Régis

http://icksantos.blogspot.com/2011/10/do-jesus-pre-cristao-ao-jesus-cristao.html


Jaci Régis biografia e vida – por Ademar Arthur Chioro dos Reis

http://icksantos.blogspot.com/2011/10/jaci-regis-bibliografia.html

Ligação espírito cérebro

http://icksantos.blogspot.com/2009/08/ligacao-espirito-cerebro-jaci-regis.html


quarta-feira, 28 de março de 2012

Entrevista com Eugenio Lara - “O inimigo não está mais lá fora, está aqui dentro”


Este artigo está sendo publicado no jornal Abertura em duas partes, nas edições de Março e Abril, você blogueiro do ICKS tem a oportunidade de acessar todo o artigo com antecipação.

A presente entrevista foi concedida pelo colaborador do Abertura, Eugenio Lara, em fevereiro deste ano à jornalista Flávia Zanforlim para a revista mensal Ser Espírita, publicada pela Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE), de Curitiba-PR. Com o objetivo de servir como fonte e base para uma ampla reportagem sobre a história do Espiritismo no Brasil, são abordados vários temas como o contexto propício em que ele surgiu em terras brasileiras, os fatos importantes ao longo de sua história e as dificuldades encontradas pelos espíritas para conquistarem o respeito, a aceitação social, hoje um fato evidente com o lançamento de filmes, peças teatrais, reportagens e especiais na televisão sobre a filosofia espírita. Leia a seguir, a íntegra da entrevista. Por entendermos que a entrevista provavelmente não será publicada na integra pela SBEE, estamos propiciando ao leitor do Abertura e ao seguidor do blog do ICKS tê-la em primeira mão.

1. Tem alguma opinião do porquê de o Espiritismo ter dado tão certo no Brasil?

O Espiritismo tinha tudo para dar certo na Argentina, o país mais europeu da América Latina. Até hoje observamos, no comportamento dos argentinos, uma influência muito grande da cultura europeia. No entanto, curiosamente, ele inicialmente se desenvolveu com bastante intensidade em Cuba, antes da Revolução Cubana; se disseminou na Argentina e na Venezuela, onde o caráter filosófico e experimental atraiu muitos adeptos e, posteriormente, no Brasil, sob uma feição cristã, religiosa. O contexto por aqui era bastante propício: a partir de 1860 já existia a benzedura, o curandeirismo indígena, as religiões africanas e o catolicismo, fatores bem marcantes no nosso dia-a-dia. O Brasil, apesar de não ter um único santo canonizado, é um dos maiores países católicos do mundo. O caldo cultural místico, religioso, bem cristão mesmo, mas com o espírito aberto a outras manifestações espiritualistas, serviu de substrato para o desenvolvimento do Espiritismo em nosso País. De início, a Doutrina Espírita, como na França, se disseminou na elite, na Corte, em círculos de estudos formados por pessoas cultas, que dominavam o francês, por filhos da elite que tinham condições econômicas de estudar na Europa. Trouxeram de lá os ideais do positivismo, do iluminismo e, também, do Espiritismo.
O Espiritismo, em sua origem, é uma cultura de postura racional, positivista, cartesiana, iluminista e eurocentrista. Enquanto que nossa cultura é toda analógica, gestual, oral. No dizer do grande poeta modernista Oswald de Andrade, o que ocorreu foi uma espécie de antropofagia, isto como metáfora da assimilação transcultural, de uma antropofagia filosófica, doutrinária. Ao tomar contato com nossa cultura religiosa, mística e supersticiosa, o Espiritismo se mesclou, foi “devorado” e assimilado pelo nosso imaginário. O resultado foi a formação de uma religião peculiar, radicalmente distante da matriz kardequiana. No dizer da antropóloga brasileira Sandra Stoll, criamos um “Espiritismo à Brasileira”, conforme os cânones de nossa cultura.
As condições culturais de nosso País foram propícias para o desenvolvimento do Espiritismo, com uma nova cara, nova feição cultural, um novo formato, determinado e adequado à nossa realidade social.

2. Conseguiria listar nomes de personalidades que foram fundamentais no espiritismo no Brasil?

Começo com Afonso Angeli Torteroli, o grande líder dos científicos no século 19, adversário de Bezerra de Menezes, líder dos místicos e outra grande personalidade da história do Espiritismo Brasileiro. Carlos Imbassahy foi o nosso primeiro grande intelectual espírita, seguido por Herculano Pires, Deolindo Amorim, Hernani Guimarães Andrade e, mais recentemente, Jaci Regis. Todas essas personalidades ajudaram a criar o que hoje podemos denominar de cultura espírita ou pensamento espírita, como alternativa e contraponto à religião espírita dominante, criada pela FEB, Chico Xavier e personalidades místico-católicas.

3. Quais momentos considera mais importantes desta história?

Os momentos foram muitos e corremos o risco de deixar de fora muitos fatos importantes para a história do Espiritismo brasileiro. A vitória dos místicos, sob a liderança de Bezerra de Menezes, no século 19, foi o fator de consolidação do Espiritismo religioso e da Federação Espírita Brasileira, que assumiu a hegemonia e a direção política do movimento espírita com o Pacto Áureo, em 1949.
Como reação a esse acordo de cúpula, de lideranças, o chamado Pacto Áureo, Deolindo Amorim fundou o Instituto de Cultura Espírita do Brasil (ICEB) em 1957, iniciativa que inspirou e tem inspirado muitos grupos espíritas por todo o Brasil, preocupados com o desenvolvimento da cultura espírita. Nesse aspecto, deve ser considerada também a fundação da Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE), hoje um dos grandes polos de disseminação do pensamento espírita no Paraná e em todo o País, desde os anos 1960.
Cabe lembrar a fundação da USE - União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, em 1947, sob a orientação de Herculano Pires e Edgar Armond, que tornou-se um modelo para o projeto de unificação do Espiritismo brasileiro. Nos anos 1960, também tivemos o aguerrido Movimento Universitário Espírita (MUE), retomado nos anos 1980 com outro formato e sob o nome de Núcleo Espírita Universitário (NEU); nos anos 1970, o projeto Educação Espírita, graças à liderança de Herculano Pires e a criação do COEM - Centro de Orientação e Educação Mediúnica, estruturado pelo pedagogo Ney Albach e o médico psiquiatra Alexandre Sech. Nos anos 1980, a crise entre religiosos e não-religiosos foi um divisor de águas. Nesse período, destaco o Projeto de Espiritização idealizado por Jaci Regis e José Rodrigues, em Santos-SP, através do periódico Espiritismo & Unificação, sucedido pelo jornal de cultura espírita Abertura. Nesta mesma época é importante também mencionar a Campanha de Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita, projeto idealizado pelos gaúchos Maurice Herbert Jones e Salomão Benchaya, dirigentes do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, que edita o conhecido periódico Opinião. Nos anos 1990 tivemos a penetração mais intensa da Confederação Espírita Pan-Americana (CEPA), sob a liderança do venezuelano Jon Aizpúrua e a consolidação de projetos alternativos no movimento espírita, como o Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita, em Santos-SP, de grupos de estudos espíritas, grupos de pesquisa e, no final e virada do milênio, a penetração maciça do Espiritismo na internet e nas redes sociais.

4. Quais as facilidades para a entrada e permanência do Espiritismo no Brasil?

O processo de desenvolvimento e consolidação do Espiritismo no Brasil não foi fácil. Foi longo e tortuoso. No início, os espíritas tiveram que enfrentar a Igreja, a classe médica e até o Estado, que sob influência católica, proibiu durante um certo período o funcionamento de centros espíritas, como combate ao “curandeirismo” e às práticas contrárias aos interesses da Igreja. O Espiritismo era um caso de polícia. Possivelmente, não somente pelo espírito de caridade, mas também como uma maneira de ser aceito socialmente, os espíritas desenvolveram um trabalho assistencial muito pujante e respeitadíssimo pela sociedade. Além do fato de personalidades mediúnicas como Chico Xavier, Divaldo Pereira Franco, Yvonne Pereira, Zíbia Gasparetto, Luiz Gasparetto, dentre outras, terem contribuído com seu trabalho, exemplo e carisma para que o Espiritismo fosse cada vez mais aceito pela sociedade.
Quanto à permanência do Espiritismo, isso dependerá dos próprios espíritas, segundo uma frase atribuída a Léon Denis: “o Espiritismo será aquilo que os homens fizerem dele”. E penso que se o Espiritismo seguir o caminho do esclarecimento cultural, ético, procurando demonstrar suas teses através da experimentação e pesquisa sérias, o futuro do Espiritismo estará garantido. O caminho deverá ser, necessariamente, experimental, cultural, filosófico e profundamente ético. A transformação moral deve se impor, sem a qual, seríamos um movimento estéril e improdutivo.

5. Quais as dificuldades que o Espiritismo passou? O que perdemos com elas?

Assim como qualquer movimento de ideias, que aspira pela cidadania e aceitação social, o Espiritismo vem prosseguindo como um movimento bastante respeitado pela sociedade. Primeiramente, as maiores dificuldades enfrentadas, como citamos, foram com agentes externos: a Igreja, o Estado, a classe médica, a imprensa. Hoje, por ser um movimento consolidado, esses fatores externos não são mais tão marcantes assim. As dificuldades maiores encontram-se nos interstícios do Espiritismo. Ou seja, os próprios espíritas tornaram-se, de modo até inconsciente, os maiores inimigos do Espiritismo. O inimigo não está mais lá fora, está aqui dentro.

6. Como avalia o atual momento do Espiritismo no Brasil? Carecemos de um novo líder?

Vejo com otimismo o desenvolvimento do Espiritismo no Brasil. A intensa aceitação social, estimulada por filmes, peças teatrais e minisséries inspiradas na temática espírita, contribui para que haja a curiosidade, uma certa simpatia prévia em relação à filosofia espírita. Não acho que o Espiritismo precise de um líder, nos moldes religiosos. Chico Xavier era chamado, por muitos não-espíritas, de Papa do Espiritismo. No entanto, ele nunca desejou e nem consolidou algum tipo de liderança ideológica. Mesmo quando Bezerra de Menezes presidiu por duas vezes a Federação Espírita Brasileira, ele não era propriamente um líder como se exige de alguém vinculado a um movimento de ideias como o espírita, pois nosso movimento não é, por exemplo, como a Igreja, hierarquizado, com rituais de iniciação etc. Neste sentido, temos que considerar o caráter anárquico do Espiritismo, desde que surgiu por aqui no século 19. Mesmo com todo o processo de unificação, de tentativa de padronização e hierarquização, o que prevalece mesmo é a autonomia das entidades espíritas. A FEB, a USE ou qualquer outra entidade federativa não possuem o “controle” desejado do movimento espírita. Apesar dos “caciques”, o nosso movimento espírita parece ter mais “índio” do que “cacique”. A feição democrática que o fundador do Espiritismo, Allan Kardec, delineou no Projeto 1868, deveria ser uma referência doutrinária para as lideranças espíritas.

7. Como a homeopatia, maçonaria, religiões africanas e ideologia política progressista liberal podem ter colaborado com o Espiritismo no Brasil?

A história da homeopatia está imbricada com a história do Espiritismo. Os primeiros homeopatas brasileiros eram quase todos espíritas. O passe, muito comum hoje nos centros espíritas brasileiros, surgiu com os homeopatas, especialmente Bento Mure e Vicente Martins, pioneiros da homeopatia no Brasil. O primeiro Prolegômenos, em O Livro dos Espíritos (1857), tinha como um de seus autores Samuel Hahnemann, o fundador da Homeopatia.
O mesmo pode-se dizer da Maçonaria. Muitos líderes espíritas foram maçons. Há quem sustente que Kardec teria sido maçom, como foi Léon Denis. No Brasil, a Maçonaria e o Espiritismo foram parceiros em muitas oportunidades, como na Coligação Nacional Pró-Estado Leigo, com ampla participação dos espíritas, o que resultou na criação da Liga Espírita do Brasil, no Rio de Janeiro.
Sobre a questão da religião africana, não há como ignorar a Umbanda, surgida no movimento espírita carioca, na década de 20 do século passado, num meio kardecista. Pode-se dizer que a Umbanda é uma das filhas bastardas do Espiritismo. Apesar da confusão doutrinária que existe até hoje entre ambos, a Umbanda contribui bastante com a prática mediúnica e o ensino da reencarnação, da imortalidade da alma, da mediunidade, dentre outros princípios doutrinários, por influência determinante do Kardecismo nessa religião sincrética, genuinamente brasileira. A seu modo, contribui para divulgar as ideias espíritas. A Umbanda não deve ser vista como inimiga, mas como aliada. A Umbanda é a filha rejeitada devido ao preconceito social dos espíritas e a influência ainda muito marcante do eurocentrismo no estudo do Espiritismo.
Quanto à questão da “ideologia política progressista liberal”, não sei bem o que vc quer dizer com isso. O que é uma ideologia progressista liberal? É o PSDB, o PL, o antigo PFL, atual DEM? É uma ideologia de direita, antissocialista? Seria o Partido dos Trabalhadores uma nova ideologia progressista, depois do sucesso do governo Lula? São questões ainda em aberto...
O que importa ressaltar é que o Espiritismo não é de direita nem de esquerda: ele é humanista, a favor do ser humano, encarnado ou desencarnado, é partidário da liberdade, da igualdade e da fraternidade. Tem características libertárias, democráticas e socialistas. Como afirmou Allan Kardec na Revista Espírita (julho/agosto 1868), ele até poderia ser visto como um partido político: “A palavra partido, aliás, não implica sempre a ideia de luta, de sentimentos hostis. Não se diz: o partido da paz? o partido das criaturas honestas? O Espiritismo já provou, e provará, que pertence a esta categoria.”

8. Se quiser comentar mais alguma coisa, fique à vontade.

A História do Espiritismo no Brasil precisa ser reescrita de modo crítico e contextualizado para que não fiquemos reféns de ideologias que consideram somente a ação de supostos “vultos do Espiritismo”, quando sabemos que essa história é uma construção coletiva, não depende somente de alguns “grandes vultos”, normalmente eleitos por segmentos sectários e autoritários. O Espiritismo é uma obra aberta, uma construção coletiva, da alçada de nós, seres humanos, os verdadeiros elaboradores da Doutrina Espírita. Como afirmou Kardec: “Numa palavra, o que caracteriza a revelação espírita é o ser divina a sua origem e da iniciativa dos Espíritos, sendo a sua elaboração fruto do trabalho do homem.” (A Gênese, cap. I – grifo meu).

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