Dando continuidade à Série Microfilme decidimos disponibilizar o Caderno Cultural Depoimentos Mediunidade - 2002, atualmente esgotado.
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Problemas humanos - Liu Xiaobo
O parlamento norueguês decidiu
atribuir ao chinês Liu Xiaobo o Premio
Nobel da Paz. A decisão causou revolta do governo chinês que mantém o ativista e
dissidente preso por “crime de consciência”, quando o condenado é punido por
ter idéias contrárias ao poder.
Liu Xiaobo ativista, autor de
manifesto pedindo reformas democráticas na China, cumpre pena de prisão por “incitar subversão”.
Governos
totalitários odeiam dissensões e opiniões contrárias. Totalitarismo baseado em
ideologia, como o chinês, comunista e ou teológico, como o Irã, detestam a
liberdade de modo geral, da imprensa em particular.
Todos esses
governos, como os de todas as ditaduras, são signatários da Declaração dos Direitos
Humanos, da ONU.
Mas com medo
de perder o controle rígido do poder, avançam, contra a liberdade de
consciência
O regime
chinês é repressor e ditatorial. Conseguiu, depois da Revolução Vermelha de Mão
Tse Tung, tornar-se uma das mais importantes potencias econômicas da atualidade,
com crescimento surpreendente da econômica. Isso foi conseguido pela abertura,
ainda que parcial, às empresas particulares locais e internacionais.
O
Espiritismo, temos repetido, é contra toda e qualquer idéia totalitária, as
ditaduras e regimes teológicos, que cerceiam a liberdade.
Na América
Latina houve um avanço de governos que se afirmam “socialista”, mas que atacam
a liberdade de imprensa e criam situações conflitivas. No Brasil, o atual
governo, em cujos quadros existe um grande contingente marxista ou
pró-marxista, tenta criar empecilhos à liberdade de imprensa e não tem o menos
pudor em abraçar ditadores e ditaduras.
Na Lei de Liberdade, inserta
“No pensamento
goza o homem de ilimitada liberdade, pois que não há como por lhe peias.
Pode-se-lhe deter o vôo, porém, não aniquilá-lo.”
““. A
liberdade de consciência é um dos caracteres da verdadeira civilização e do
progresso.”
O parlamento dinamarquês
ao consagrar o esforço e até a bravura do dissidente chinês, mostrou
independência diante das ameaças do governo chinês, que tenta apresentar uma
imagem positiva. O homenageado está em prisão e não poderá recebe o prêmio, nem
provavelmente, terá sua pena revista. Isso feriria o orgulho do governo
comunista chinês. Como todo regime totalitário quer que a China, apareça como
um paraíso, mesmo sob o sangue de torturas, prisões e cerceamento da liberdade.
Texto originalmente publicado no Jornal Abertura de outubro de 2010, página 4.
Este foi o último artigo escrito e publicado no Abertura por Jaci Régis, não tem a sua assinatura, mas a Coluna Problemas sociais e Políticos eram sempre escritas por ele. Jaci desencarnou em novembro de 2010.
O PAPEL DO
ESPIRITISMO NO PROGRESSO
Na primeira parte de A Gênese, após dedicar grande espaço para explicar os vários
significados para a palavra revelação,
ele caracteriza o Espiritismo como uma
revelação cientifica, talvez porque insista que a doutrina baseia-se na
observação dos fatos como fazem “as ciências positivas”.
Apesar disso, o Espiritismo é uma verdade revelada, tem
inspiração divina “pois provem dos Espíritos”
como porta vozes de :Deus.
Em conseqüência, estabelece o Espiritismo como a 3ª revelação, sucessora
e reformadora do cristianismo, do evangelho, o Consolador Prometido, no sentido
profético dado à missão de Jesus de Nazaré, dentro dos padrões criados pelo
catolicismo.
Entretanto, na última parte do livro, tratando das
mutações sociais que seriam promovidas no futuro, ele coloca o Espiritismo como coadjuvante do processo
evolutivo, no que, aliás, estava muito certo.
“O Espiritismo não cria a renovação social”, afirma. Porque nenhuma instituição, movimento, ou
pessoa, por si só, cria a renovação social. Ela se realiza em velocidades
diferenciadas, acelerada, e forma desigual nas várias partes e civilizações, a
partir da ruptura de algumas idéias cristalizadas, resultado complexo de
ansiedades, decepções, sofrimentos e desilusões. Pois são esses
fatores que mobilizam as mudanças, a busca de um novo sentido, um novo
paradigma para a vida, nem sempre encontrado imediata ou mediatamente,
demandando tempo de correção, reajuste e sofrendo o império de forças obscuras,
desequilibradas, que se apresentam como escoadouro de frustrações apelando para
a liberação sensual e egoísta das pessoas.
“Quando,
por conseguinte, a Humanidade está madura para subir um degrau, pode dizer-se
que são chegados os temos marcados por Deus, como se pode dizer também que, em
tal estação, eles chegam para a maturação dos frutos e sua colheita.” afirma
Kardec..
É difícil, na atualidade, caracterizar essa
“humanidade”, pois as diferenças entre
os povos, religiões e regiões, descompassadas, desniveladas, não estabelece uma
unidade para o amadurecimento indicado. O que temos são etapas desiguais na
apreensão e necessidade do progresso, embora a globalização dos meios de
comunicação, a tecnologia e as interelações
entre povos tenda a acelerar, ao longo do tempo, uma mistura de aspirações a caminho de uma certa nivelação
do progresso
Tudo isso nos leva a revisar os conceitos revelados
atribuindo a decisão divina para as
etapas do progresso e fazendo-as acontecer através de mecanismos
extraordinários ou formas puramente externas que promoveriam, talvez pelo medo,
a renovação das coisas..
Na realidade geralmente o progresso se faz e as coisas
vão mudando sem o aparato espetacular que se propagava. Processa-se a evolução
natural, etapas por etapas, com mutações progressivas. As mutações são feitas
numa lenta engrenagem que demanda paciência e apresenta surpresas, a despeito
das contradições e resistências..
. No jogo de xadrez da
evolução, a partir da premissa de que há um planejamento em longo prazo para a
evolução da humanidade, os mentores cristãos e, possivelmente o próprio Jesus,
sabiam que ressuscitar a igreja era impossível porque a transição que viria no
século vinte abriria outras portas para o entendimento humano, com o surgimento
da verdade
investigada, libertando do jugo da verdade revelada como única via da
verdade.
Nesse jogo, o Espiritismo tem seu papel. O que se
reservava, sobretudo, ao Espiritismo era o uso da mediunidade, a exploração do
fenômeno mediúnico para a prova da imortalidade. “Iniciando a humanidade no mundo
invisível, (o Espiritismo) mostra-lhe o seu verdadeiro papel espiritual, como
no estado corporal. O homem já não caminha às cegas: sabe de onde vem, para
onde vai e por que está na Terra. O futuro se lhe revela em sua realidade
despojado dos prejuízos da ignorância e da superstição” afirma o
fundador do Espiritismo.
Entretanto, a análise que o Espiritismo faz desses
fenômenos têm critérios diferenciados do cristianismo e
outras denominações religiosas, como o islamismo,, budismo, hinduismo, todas
comprometidas com a visão mística e contraditória, sobre o ser humano, a
divindade e o objetivo da existência.
A visão espírita é específica e contrária,
na essência, aos conceitos dessas religiões que dominam o cenário mundial,
formatando a mente de milhões de pessoas, ao
longo de milênios.. Espiritismo poderia ter desempenhando esse novo
papel, mas o próprio Kardec teve
dificuldades em definir uma linha independente ao pensamento católico na
análise das realidades psicológicas e, evolutivas das pessoas.
Seguiu a regra de que a vontade e a
determinação tudo resolvem e que as verdades estavam a disposição de todos e
que a humanidade não seguiu porque as pessoas eram desobedientes, preguiçosas e
más.
Na sociedade atual, há um espaço cada vez maior para a
fenomenologia mediúnica, dramatizada e estilizada em filmes, séries de tv e
livros, com o surgimento de gurus, seitas e
movimentos pessoais, fora dos limites doutrinário do Espiritismo e se
afirma como uma atividade cada vez mais urgente, isto é, a definição da
dimensão extra corpórea do ser humano.
Infelizmente, esses fatos têm sido analisados dentro da visão da verdade
revelada das igrejas, religiões, de cunho cristão ou não. Então, usa-se
o fenômeno para ressuscitar o velho paradigma do catolicismo do bem e do mal, do demônio e dos anjos, da
culpa e do castigo, da impotência do ser humano, da ascendência irracional do
divino sobre a pessoa e a aplicação de forças ocultas determinando o destino de
cada um.
Essa é uma etapa que ainda deverá ser
vencida para que a compreensão mais clara do porquê da vida, da intervenção
divina, nos permita vislumbrar o prazer e a felicidade a ser construída, sem
apelos à regeneração, á salvação, mas como afirma Kardec que o ser humano
reconheça que “do que ele é hoje, qual se fez a si mesmo, poderá deduzir o que virá a
ser um dia
Influências
Místicas de Kardec por Jaci Régis
“A princípio, eu só
tinha em vista instruir-me. Mais tarde, quando vi que aquelas comunicações
formavam um conjunto e tomavam as proporções de uma doutrina, tive a ideia de
publicá-las para que todos se instruíssem”. Assim Allan Kardec relata como
se decidiu iniciar a estruturação do Espiritismo.
A sequência de mensagens mediúnicas que foram dirigidas a
Kardec é também de grande interesse.
- em 25 de março de 1856, manifestou-se um Espírito que se
identificou como Verdade;
- em 30 de abril de 1856,
Um Espírito não identificado faria uma declaração bombástica. Não haverá mais religião, mas uma será
necessária, porém verdadeira, grande, bela e digna do Criador (...) Os
primeiros fundamentos já foram lançados. Rivail , é esta a tua missão”;
- em 7 de maio de 1856, o Espírito Hahnemann confirmou que
ele tinha uma grande missão;
- em 12 de junho o Espírito a Verdade além de confirmar sua missão disse “A missão
dos reformadores é cheia de escolhos e perigos.A tua é rude, previno-te pois
terás de revirar e transformar o mundo inteiro;
- em 5 de abril de 1860, uma mensagem recebido em Marselha
assinada por “um Espírito”, dizia “O Espiritismo foi chamado a desempenhar um
papel imenso na Terra. Reformará a legislação, tantas vezes contrária às leis
divinas, retificará os erros da História, restaurará a religião do Cristo”;
- em 9 de agosto de 1863 após o lançamento do Evangelho
Segundo o Espiritismo, uma comunicação
afirma !Aproxima-se a hora em que terás que declarar abertamente o que é o
Espiritismo e mostrar a todos onde está a verdadeira doutrina ensinado pelo
cristo.A hora em que à face do Céu e da Terra, deverás proclamar que o
Espiritismo como a única tradição verdadeiramente cristã, a única instituição
verdadeiramente divina e humana”
Para Herculano Pires, essa mensagem mostra sem réus, numa
hora histórica do Espiritismo, que a natureza da doutrina é essencialmente
religiosa. Em 30 de janeiro de 1866, assinado por “um Espírito”, uma mensagem
anunciava os novos tempos “Regozijai-vos, portanto, vós todo os que aspiram à
felicidade e que quereis que vossos irmãos a compartilhem convosco. O dia é chegado!
A Terra palpita de alegria porque vai ver o inicio do reino da paz prometido
pelo Cristo, o Divino Messias, reino cujos fundamentos ele veio lançar”.
Essa pequena transcrição do livro Obras Póstumas, mostra
como o prof. Rivail foi cercado por Espíritos ligados efetivamente à religião.
Eles criaram um ambiente de exaltação ao trabalho dele e afirmaram que os
tempos eram chegados e dentro da mesma forma deslumbrante das profecias,
profetizaram o sucesso ímpar do Espiritismo. E como em geral as profecias,
estas também falharam.
Não tinham noção das revoluções sociais, humanas e
cientificas que em menos de cem anos abalariam definitivamente o mundo. Estavam
a alguns anos do século vinte e nele vislumbraram a implantação mística do
reino de Deus, dentro do modelo cristão, católico.
A trajetória de Kardec é sinuosa.
Queria que o Espiritismo fosse uma ciência. Mas criou uma
religião, sem querer que fosse religião.
Chamou o papel dos Espíritos de divino, mas ao mesmo tempo
alertou: “Um dos primeiros resultados de minhas observações foi descobrir o
fato de que os Espíritos nada mais sendo que as almas dos homens não possuíam
nem a suprema sabedoria nem a suprema ciência. Agi com os Espíritos como teria
feito com os homens. Foram para mim, desde o menorzinho até o maior deles,
veículos de informações e não reveladores predestinados”.
Devemos reconhecer que com essa assessoria mística,
católica, provinda do plano extrafísico, ele ainda assim saiu-se muito bem. Na
verdade, resistiu a esse assédio como equilibrista da razão e da fé.
O século vinte um desponta como uma incógnita sob a
liderança inconteste da ciência dura e coadjuvada pelas ciências humanas.
Nota da Redação –
este texto foi recuperado do Disco Rígido do computador pessoal de Jaci Régis e
apresentado agora no ABERTURA. Publicado no mês de maio de 2013.
Este texto compõe o livro – Caminhos da Liberdade – caso você tenha gostado e queira ler o livro todo – entre em contato com o ICKS pelo e-mail – ickardcista1@terra.com.br. ou então, vá um nossa loja virtual:
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Uma pergunta que cada um se faz, senão sempre, mas vez por
outra, quando está engajado numa doutrina, ideal, movimento que vise o
aperfeiçoamento social, a ecologia, um mundo melhor, é se vale a pena fazer o
que está fazendo.
Se a pessoa está ligada a esse movimento ou ideia, com um
mínimo de pureza de sentimentos, ver-se-á constantemente envolvida por questões
menores e maiores que, por fim, colocam em dúvida a validade de seu esforço, de
seu idealismo.
Principalmente quando, a seu ver, existe incompreensão,
encontra desilusão pelo comportamento contrário do que esperava por parte dos
demais.
A questão não é irrelevante.
Todo e qualquer dispêndio de energias espirituais deve ser
constantemente avaliado. Por isso, a primeira coisa a fazer é perguntar a si
mesmo da validade do conteúdo da proposta que defende, de modo crítico e realístico
e o quanto de satisfação lhe traz o envolvimento no trabalho.
Se o resultado desse questionamento concluir que houve
engano e aquilo não é bem o que se quer, então nada mais se tem a fazer senão deixá-lo
de lado.
Mas se a conclusão mostrar que estamos fazendo o que
queremos, que continuamos com a convicção que é melhor para nós, para a
comunidade, para o mundo, então nada nos deterá ou não deveria nos deter, na
continuidade de nossos esforços.
Se estivermos ligados a uma causa aceita apenas por uma
minoria e, portanto, compelidos a lutar para que não morra, mas avance, então é
também necessário compreender que a adesão a esse tipo de ideal requer mais do
que simples participação, simpatia ou aplauso.
Requer a integração da própria vida, porque não se trata de
ganhar mais uma batalha, mas romper bloqueios, revolucionar posições, e começar
por nós mesmos.
E uma mudança radical no interior da pessoa, principalmente
em relação a conceitos fundamentais em que repousava a própria consciência dos
valores, não é fácil, nem isenta de ansiedade.
Publicamos este artigo no jornal Abertura de abril de 2024
baixe aqui
Cada um organiza, estrutura sua mente de acordo com
princípios, valores e crenças que se acumulam em estreita correlação com a
cultura, com o grupo, com a família, com a comunidade a que se filia.
Quando uma renovação conceitual implica em romper com toda
essa estruturação, sobram dúvidas internas e pressões externas.
Essa transição é sempre dolorosa por importar num hiato
solitário em que a pessoa necessita tomar decisões isoladamente. Esse caminho
pode afastá-lo de pessoas, grupos a quem está ligado emocionalmente. Certas
amizades poderão esfriar, certos relacionamentos se desfazem.
É preciso ter em mente que quando se pretende inovar, mudar,
transformar um sistema, este tudo fará, armar-se-á poderosamente para evitar
qualquer mudança.
Um sistema de ideias ou social é como um organismo.
Sentindo-se atacado, reage, reúne suas defesas e, se necessário, mata.
Veja-se o exemplo da ação dos grupos religiosos na defesa de
suas crenças. Ainda que adorem o mesmo deus e sigam o mesmo livro santo e o
mesmo messias, basta que uma linha concorrente, um outro grupo de crentes
surja, para que o antagonismo cresça e, por vezes, se converta em conflito e
mesmo estabeleça uma irreparável divisão.
Por isso, é preciso atingir o nível de incerteza que exige
continuada reflexão e constante repensar. Isso é absolutamente indispensável se
quiser que tome corpo uma consistente estrutura interna, capaz de flexionar-se
sem perder sua base, de aceitar rupturas e manter sua integridade. Resistir ao
cansaço e prosseguir.
Quando se alcança esse nível – e não confundir com
fanatismo, pois a reflexão só é válida dentro de um equilibrado senso crítico –
não importa o que se diga, o que se sofra.
A força interior desencadeada é um fluxo que não pode mais
ser represado. Continuar já é, então, parte do próprio ser.
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Eu e a Bruna no século XXI – Jaci Régis
Texto publicado no jornal Abertura em fevereiro de 1989.
Após a publicação do e-mail de Jaci Régis a Bruna quando de
seus 15 anos de idade, isto no ano de 2003, no jornal Abertura de junho de
2022, muita gente perguntou sobre o referido artigo - Eu e a Bruna no século
XXI – desta forma Cláudia e eu fizemos um mergulho no tempo, não tínhamos
certeza de quando havia sido publicado, revisamos os jornais Abertura que temos
encadernados e finalmente o encontramos. Bruna estava com apenas 7 meses de
vida, nesta encarnação. Hoje tem 33 anos e no próximo mês dará à luz a Helena,
sua primeira filha.
Interessante é que Jaci diz que: quem sabe ele não
reencarnaria como seu neto no fim do século XXI, claro que é uma previsão
poética, mas quem saberá a verdade?
Fiquem com Jaci Régis:
“Este fim de século e de milênio apresenta-se com todos os
sinais característicos de fim de ciclo e transição para nova era. Usos e
costumes sociais apresentam-se contundentes, no seu existencialismo sufocante,
onde objeto e o fim da existência são resumidos no gozo, no prazer e no
bem-estar dos sentidos. Uma constância materialista invade os domínios das
religiões neutralizando seus esforços no sentido de impor os seus ensinos
morais. (...) Até onde chegará esta imensa chaga que alcança todas as
coletividades, essa imoralidade crescente envolvendo as próprias crianças e
adolescentes como protagonistas e vítimas?”
Lia essas linhas tão
pessimistas e preparatórias para dizer, afinal, que “somente uma doutrina
abrangente e generosa como a Doutrina dos Espíritos revivendo o Cristianismo
(...) será capaz de dar ao homem sofredor, renovado pela esperança, a visão de
um mundo novo de justiça e equidade, de amor e compreensão ...” com minha
neta Bruna, de apenas 6 meses, brincando no meu colo, rasgando papeis. Ela
viverá plenamente no século vinte e um. Ela é o futuro.
Recordei a peça “Cerimônia do Adeus” que havia assistido na
véspera. Trata-se do jogo entre o radicalismo teórico do existencialismo
sartreano, bebidos nos livros de Jean Paul Sartre e sua companheira Simone de
Beauvoir, vividos na fantasia de um jovem leitor e as colocações de um
espírita, radicalmente centrada no além, na fé nos Espíritos.
A personagem não é caricata, mas a lídima impressão da
maioria dos espíritas, as voltas com operações espirituais, pensando que fora
Cleópatra ou tentando enquadrar-se num passado qualquer. Era a imagem do
espírita comum, que acredita que Victor Hugo tivesse se comunicado em seu
centro e que estivesse arrependido. Mesmo quando o personagem Simone de
Beauvoir cita tudo o que ele fez e realizou no campo político, literário etc.,
a espírita afirma que para “Deus isso não vale nada”. O que parece ser aceito
por quase a totalidade dos adeptos que não se admiram quando um grande
escritor, poeta, inventor, se apresenta como um pobre diabo, sem talento,
ditando coisas medíocres, como a dizer que “no lado de lá” se perde o
entusiasmo, a criatividade. As intervenções do personagem espírita, faziam a
plateia rir muito.
Esse tipo de espírita vai mudar o quê?
Ainda há quem procure sinais no céu. Tenho pensado que Deus
é muito mais inteligente do que seus pretensos porta-vozes querem fazer nos
crer. O século vinte e um vai acontecer como os demais vinte séculos atrás e
todos os que vieram antes deles. Sem maiores traumas do que os traumas da vida.
O tão malsinado materialismo, foi a única saída honrosa para
o pensamento humano, preso ao catecismo católico, sufocado pelo evangelismo
protestante que estavam a pretexto de salvar o homem, conduzindo-o para o
abismo. O malsinado materialismo foi a libertação.
Agora esse materialismo está apto a se “espiritualizar” sem
submeter-se, todavia, aos modismos de um Espiritismo medíocre, igrejeiro, sem
vibração timbre para ser ouvido. Se quisermos que ele seja ouvido, tenha vez,
antes de ser sepultado por outras correntes mais abrangentes e ousadas, tem que
libertar-se desses enfadonhos discursos sobre catástrofes, vingança divina.
Precisa encarar a evolução como fruto do conflito, do gozo, do prazer, da
sublimação, da reparação e continuidade.
O Espiritismo já poderia sim, se não tivesse sido abortado,
ter exercido uma influência muito grande, porque abre uma compreensão maior da
natureza humana. Talvez ainda reste uma esperança de fazê-lo. Não, porém,
enquanto entre nós houver quem se considere entre os “observadores perplexos”,
do momento que vivemos. Porque jovens e crianças, envolvidos nessa transição
libertadora, são Espíritos que precisam superar lutas tremendas, parte
inclusive por culpa dessa mentalidade medieval, que julga que o homem precisa
ser salvo, que necessita de um Salvador e de Anjos, para guiá-los.
Minha neta, olhos castanhos muito vivos, sorri para mim. E
eu para ela. Eu partirei deste mundo e ela ficará. Vivenciará seus anseios e
temores e terá que optar num mundo cheio de percalços, por uma via de vida.
Como eu enfrentei, quando vim para cá, há 56 anos atrás, nas vésperas da II
Guerra Mundial e submetido ao explodir da parafernália eletrônica, ao
desvendamento do cosmos, aos horrores do nazismo, das ditaduras de direita e da
esquerda, ao surgimento dos hippies, o repúdio ao racismo, a personalidades
como Hitler e Gorbatchev.
Se fosse diferente, eu teria o direito de pedir contas a
Deus, porque com o seu poder de dizer “faça-se a luz” e a luz se fez, porque
não coíbe “tanta insensibilidade, movida pelo egoísmo humano exacerbado” que na
ótica do autor das linhas que lia, move o fim de século, que ele talvez espere
cheio de morte e sangue.
Minha neta é um Espírito que volta ao mundo num momento
privilegiado. Será informada e talvez formada em princípios espíritas. Eu
espero que descubra a si mesma e que caminhe, entre lágrimas e sorrisos,
construindo seu destino, eficiente e satisfatoriamente. E quem sabe, me afague
no seu regaço, como um neto que volta, na continuidade da vida, lá pelo fim do
século vinte e um.
Texto publicado no jornal Abertura de julho de 2022. veja o jornal na sua integra no link abaixo.
https://cepainternacional.org/jornal-abertura-julho-de-2022/
Espiritismo: Segunda opção
Jaci Regis
"É possível que a existência humana, tão complexa e
rica, se dissolva quando o coração para?" é a pergunta que a reportagem
especial da revista Veja faz. E conclui: "Com uma resposta prática para
essa questão crucial e a promessa de comunicação com os mortos, o Espiritismo
tornou-se a religião – ou, pelo menos, a segunda opção religiosa – de 40 milhões
de brasileiros".
Há nisso um sincretismo religioso tipicamente brasileiro. De acordo com o IBGE, 74% dos brasileiros declaram-se católicos e a doutrina da Igreja Católica não concebe a comunicação direta entre mortos e vivos. Na prática, boa parte desse contingente católico também dirige sua fé ou sofre influência de outro credo sem expressão no exterior e que só cresce no Brasil: o Espiritismo.
"Segundo a Federação Espírita Brasileira", diz a reportagem, mais de 40 milhões de pessoas seguem a doutrina de Allan Kardec no Brasil. Apenas 2% dos brasileiros se dizem Espíritas, nos censos oficiais. A imensa maioria simplesmente acrescenta, sem dramas de consciência, os ensinamentos de Kardec, aos das religiões que professam oficialmente".
O QUE BUSCAM OS CATÓLICOS NO ESPIRITISMO?
Certamente é hipotético afirmar que quarenta milhões
"seguem" a doutrina de Allan Kardec, no Brasil. O que acontece é que
milhões de católicos, pois é pouco provável que protestantes o façam,
frequentam algumas vezes ou seguidamente os centros espíritas em busca de
serviços que eles oferecem à população, seja no campo da assistência social,
seja no consolo espiritual, através de consultas e passes.
Essa multidão seria bem menor se os centros espíritas ensinassem efetivamente a doutrina de Allan Kardec, mas não uma adaptação religiosa e personalista dos princípios espíritas. Com isso a comunicação dos Espíritos e a reencarnação, não teriam o caráter folclórico que assumem, como se vê na reportagem.
Em muitos dos que se chamam de "centro espírita", lamentavelmente extremamente distantes do Espiritismo, esses católicos ficarão muito à vontade, porque neles se faz uma imitação medíocre do catolicismo, inclusive com preces católicas como ave-maria e outras. E, quando ali se discursa, os discursos não diferem do catolicismo, a não ser no que tange à comunicação com os Espíritos e uma tênue referência à reencarnação, moldada, contudo, no viés da punição e da purificação, bem ao gosto da doutrina católica.
Essa é a tal de multidão que acredita na reencarnação e na
comunicação com os mortos. Para eles, não se trata apropriadamente de assumir o
Espiritismo como uma segunda religião, como uma opção mais folclórica, mais
ansiosa e supersticiosa sem qualquer reflexão filosófica ou prova científica.
O que se pode dizer também de muitos que se dizem oficialmente espíritas.
O QUE DEVERIA SER DADO AOS CATÓLICOS QUE BUSCAM O ESPIRITISMO
A transformação do Espiritismo numa religião formal, cada vez mais formal, acaba numa deformação do conteúdo doutrinário e numa traição aos projetos e finalidades dadas por Kardec à sua doutrina.
A reportagem de Veja, traduz que os católicos que procuram o
Espiritismo querem informações concretas e objetivas sobre a reencarnação, a
imortalidade e a comunicação com os mortos, onde eles vivem e como vivem.
Entretanto, não é isso que encontram nos centros espíritas.
Estes, quase sempre, se formam com "principal finalidade será o estudo e a
divulgação do evangelho de Jesus".
O que marca a existência do Espiritismo é o seu conteúdo filosófico, seu esforço por provar cientificamente a existência e a evolução do Espírito, na qual a reencarnação se insere. Para isso utiliza a mediunidade como instrumento de prova da Imortalidade, da sobrevivência e comunicabilidade entre vivos e mortos. A partir dessa compreensão que o Espiritismo trará sua contribuição à humanidade. Ora, o "estudo do evangelho", é feito nas igrejas católicas e protestantes, diariamente. O que o Espiritismo brasileiro acrescenta ao fixar-se nesse estudo evangélico? Explicações sobre fatos ali narrados e acompanha, insensatamente, a sacralização feita pela Igreja da figura de Jesus Nazareno.
A reportagem diz que "O que o Espiritismo tem de próprio, ainda que não seja um monopólio seu, é o fato de acenar com a certeza de que, no futuro, haverá outras vidas, quantas forem necessárias para tirar as manchas da alma".
Aí entra a deformação básica do instituto da reencarnação, pois a transformação religiosa do pensamento espírita fixou-se, como era de esperar, na questão das penas e gozos futuros, de acordo com o viés judaico-católico, que se assenta na concepção do pecado original, na necessidade de purificação.
Mas a reencarnação no Espiritismo não é instrumento de
resgate, de pagamento de dívidas de "outras vidas". Na essência, o
processo evolutivo guarda a relação do Espírito consigo mesmo, na relação com
os outros, sem estar ligado a erros pontuais ou severos de "outras
vidas", como se cada capítulo do processo evolutivo, ficasse estanque e
restrito, desconhecendo que o ser espiritual é uma individualidade permanente e
que seu projeto é evoluir para compreender a si mesmo e sua inserção na vida.
Fora dessa visão, tudo gira em torno de explicar de forma diferente as crenças, os castigos, as dores, os pecados.
Na verdade, o próprio Kardec, devido às premências do seu tempo, utilizou-se de explicações para coonestar tradições judaico-cristãs.
Por exemplo, os anjos da guarda seriam Espíritos protetores.
Os demônios, Espíritos obsessores. Os Anjos, Espíritos puros.
Foi um erro. Porque na verdade para o Espiritismo não
existem anjos da guarda, demônio ou anjos, céu ou inferno. Nada disso tem
qualquer respaldo na teoria espírita. Simplesmente não existem.
Tentar dar versão espírita a essas tradições só prejudica a
separação necessária de nossos conceitos com o judaico-cristianismo, promovendo
confusões e permitindo interligações conflitantes.
Então, o que poderíamos fazer e alguns estão fazendo, é
limpar essa linguagem, caminhar para a pesquisa e para produção de uma
filosofia capaz de suplantar o obscurantismo católico e protestante e afirmar o
Espiritismo não como uma segunda opção, mas como a opção clara, despida de
crendices e confusões.
Para isso é preciso um novo posicionamento.
Kardec admitiu que o Espiritismo poderia ser uma auxiliar das religiões. Para isso, naturalmente, é preciso manter sua identidade, sua diferença e fazê-lo promíscuo com elas.
Auxiliar é uma coisa, é dar subsídios, explicações para as religiões e não tornar-se satélite delas.
Talvez para os dirigentes da Federação Brasileira e outros, ser a segunda opção da Igreja Católica, seja a gloria.
ARTIGO publicado originalmente no Jornal Abertura de junho de 2005
Jaci Régis - Desencarnado em dezembro de 2010.
Allan Kardec
e o Código Da Vinci
“Este artigo de Jaci Régis, originalmente publicado em
abril de 2010 neste jornal (Jornal Abertura republicado em Janeiro 2022), volta a ser publicado pela importância de
refletirmos sobre o Jesus real, desta forma, poderemos tê-lo de forma
digital, permitindo que muito mais pessoas possam tomar conhecimento desta
análise e reflexão.”
Em 2003, Dan
Brown, escritor norte americano, publicou o livro O Código de Da Vinci, que
obteve retumbante sucesso, com milhões de cópias vendidas em vários idiomas ao redor
do mundo.
A repercussão foi
grande porque ele postulava – pois é um romance não histórico – que Jesus de
Nazaré era um homem comum, teria casado com Maria Madalena, recuperada de sua
história de prostituta e ali elevada à discípula mais inteligente e
coordenadora após a morte de Jesus.
No rastro desse
livro polêmico, surgiram controvérsias, denuncias e pesquisas que mostraram que
a história do cristianismo foi forjada pela Igreja.
Hoje se sabe que
dezenas de evangelhos circularam nos primeiros anos do cristianismo, entre eles
o de Felipe que escreveu que Jesus beijava Maria Madalena na boca, mostrando
não apenas intimidade, mas provavelmente uma relação matrimonial.
Tanto a Igreja
Católica, quanto as protestantes e pentecostais negaram a teses e mantém a
mesma história sobre o Nazareno.
Como tudo
começou
Ao contrário do
que se diz e escreve, os primeiros anos do cristianismo foram marcados por
controvérsias e formação de seitas que defendiam pontos de vistas diferentes.
Cada uma se apoiava na interpretação da natureza de Jesus: uns acreditavam que
ele era um homem, outros que era Deus.
Os que acreditavam
que era homem formavam o arianismo, derivado do presbítero Ario. Os
Católicos, da Igreja de Roma, ao contrário, afirmavam que ele era Deus e criaram
a figura da Santíssima Trindade para adequar as várias correntes.
No Concílio de
Nicéia a pendência foi solucionada com a vitória dos católicos e banimento de Ário
e do arianismo, como heresia.
No artigo que
abaixo nos referiremos, escrito em Obras Póstumas, Kardec diz sobre as
conclusões do Concílio de Nicéia: “Se o Símbolo de Nicéia se tornou o
fundamento da fé católico (...) A que se deve a sua adoção? À pressão do
Imperador Constantino que fez dele uma questão mais política do que religiosa.
Sem a sua ordem não se teria realizado o Concílio e sem sua intimidação é mais
que provável que o arianismo tivesse triunfado. Dependeu, pois, da autoridade
soberana de um homem, que não pertencia à Igreja que reconheceu mais tarde o
erro que cometera e que procurou inutilmente voltar atrás conciliando os
partidos, não sermos hoje arianos em vez de católicos e não ser hoje o
arianismo a ortodoxia e o catolicismo a heresia”.
Esse fato
histórico mostra a artificialidade com que se conduziu em relação à natureza de
Jesus de Nazaré. Com a vitória em Nicéia, o catolicismo impôs suas ideias e
durante milênios elas foram consideradas como provindas de Deus.
Para Kardec
Jesus não era divino
Allan Kardec
sempre foi muito cauteloso no confronto com os dogmas católicos. Quando
publicou o Evangelho Segundo o Espiritismo, a primeira pergunta que dirigiu aos
Espíritos foi sobre “Qual a repercussão do clero?”.
Em setembro de
1867, ele publicou na Revista Espírita, um longo artigo intitulado “Caráter da
Revelação Espírita”, depois usado como o Capítulo I do livro A Gênese.
Na revista, ele
adicionou um comentário ao item 44, sobre a natureza do Cristo, que eliminou no
livro. Nesse comentário ele se mantém muito prudente, preferindo calar, mas diz
que “quando o momento for propício levaremos para a balança, não a nossa
opinião, que não tem nenhum peso nem pode fazer lei, mas fatos até este momento
inobservados e então cada um poderá julgar com conhecimento de causa”.
Esse “momento”
surgiu com a publicação em Obras Póstumas de um artigo de 31 páginas, o” Estudo
sobre a natureza do Cristo”.
Como sabemos,
Kardec estabeleceu claramente a estratégia[MA(GP1]
do Espiritismo afirmando que o milagre não existe. Por isso diz ele “convém
riscar os milagres do rol das provas que pretendem basear a divindade do Cristo”.
E afirma “Visto produzirem-se aos nossos olhos, quer espontaneamente, quer
provocados, não há nada de anormal no fato de Jesus ter possuído faculdades
idênticas as de nossos magnetizadores, curadores, sonâmbulos, videntes, médiuns,
etc.”
Pode-se dizer que
todo o esforço de Kardec ao se ocupar das parábolas, milagres do Evangelho foi
justamente pra provar que Jesus era um homem. Teria Kardec diminuído Jesus?
Como se diria hoje “tirar Jesus do Espiritismo”?
De maneira alguma.
Em “Caráter da Revelação Espírita”, ele coloca Jesus como patrono da segunda
revelação e o Espiritismo como caudário de seus ensinos.
No artigo de Obras
Póstumas ele afirma “Jesus era um messias divino pela dupla razão de ter
recebido de Deus a sua missão e de estar, pela sua perfeição em relação direta
com Deus”. Que é uma opinião pessoal, dentro do horizonte em que se colocou
ao filiar o Espiritismo o cristianismo.
Dan Brown mexeu no
vespeiro que continua existindo nas religiões cristãs, quanto à natureza de
Jesus de Nazaré. Os mitos, as histórias que a Igreja criou são milenares.
Pode-se afirmar,
por mera aproximação, que muito antes de Brown, Kardec afirmou a humanidade de
Jesus. Muitas de suas palavras decorreram da prudência que sempre teve em lidar
com a Igreja.
Mas ele escreve “sobre
essa questão, como sobre de todos os dogmas em geral, o acordo entre os Santos
Padres e outros escritores não poderia ser tomado como argumento preponderante,
nem como prova irrefutável a favor de sua opinião, considerando-se que nenhum
deles foi capaz de citar um único fato fora do Evangelho, referente a Jesus,
nenhum deles descobriu documentos novos, desconhecidos de seus predecessores.
(...) O acordo dos Santos Padres, portanto, nada tem de contundente, visto
constitui uma unanimidade selecionada”.
A divindade do
Cristo foi restabelecida no Brasil
O Espiritismo no brasil enfrentou, desde logo
a disputa e a vitória dos místicos. No rio de janeira, oriundos da Igreja
Católica, místicos, cristolatras e mariolatras. Como Bezerra, Sayão,
Bittencourt Sampaio, para citar alguns, moldaram a doutrina às suas
idiossincrasias. A mensagem atribuída a um “anjo” bem diz do nível místico dos
primeiros líderes.
Esse Espírito,
provavelmente um ex-prelado da Igreja, determinou que a tarefa do Espiritismo
seria “pregar o evangelho” e estabeleceu o dístico fundamental “Deus, Cristo e
Caridade”.
Nos primórdios
havia um sentimento anticatólico. Caibar Schutel, na minúscula Matão, no
interior de São Paulo, constitui-se num foco de equilíbrio e serenidade na
divulgação do Espiritismo criando em 1905 a Revista Internacional do
Espiritismo, escrevendo livros e entrando em polêmicas com padres.
Mas a partir de
Francisco Cândido Xavier e de seu “guia” o padre Manuel da Nóbrega, com o
pseudônimo de Emmanuel, definiu-se o Espiritismo como uma religião cristã e
Jesus voltou a ser o divino Mestre, o governador e fundador do mundo Terra,
possuidor de toda a verdade.
A Igreja tinha
vencido. Os docetistas de antanho ressurgiram com Roustaing e o corpo fluido de
Jesus, tese que afirmava que ele sendo Deus não podia se encarnar.
Hoje, qualquer
argumento contra essa divindade é rejeitado. Como nos velhos tempos da Igreja,
se expulsa, se condena quem se insurge contra o dogma.
Entretanto ...
O Valor da missão
de Jesus de Nazaré está em suas lições insubstituíveis. Incorporar ao
Espiritismo a estrutura de fé e de princípios do cristianismo é manter-se preso
ao passado, quando a Igreja e todas as igrejas penam para sobreviver, apoiadas
na tradição e o medo ou impossibilidade de seus crentes de mudar.
O Espiritismo
pós-cristão de modo algum despreza Jesus de Nazaré. Mas certamente não aceita o
cristo divino, porque temos aprendido que a atuação de Deus no mundo se faz sem
a pirotecnia das dramatizações, mas na competente construção de caminhos que o
ser humano vem trabalhando e trilhará.
Jesus de Nazaré,
homem, casado, brilhante, superior é um dos grandes líderes da humanidade. Para
nós o maior.
Jaci Régis –
Desencarnado em dezembro de 2010 – é o fundador do Jornal Abertura.
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O que é Arianismo:
Arianismo,
originalmente, era um pensamento filosófico que não considerava Jesus
Cristo e Deus como uma só pessoa.
Esta ideia surgiu nos
primeiros séculos do cristianismo, afirmando que só poderia existir um único
Deus e Jesus era apenas o seu filho. Mesmo sendo considerado um ser superior ao
homem, Jesus não era um deus para os seguidores do arianismo.
Etimologicamente, a
palavra arianismo teria surgido a partir do nome Ário, um padre cristão de
Alexandria que teria criado esta nova doutrina.
Fonte:
significados.com.br
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Quem foi o Padre Manuel da Nóbrega?
Padre Manuel da Nóbrega (1517-1570) foi um missionário
jesuíta português, chefe da primeira missão jesuíta mandada para a América.
Deixou valiosas notícias históricas sobre o Brasil Colonial, nas cartas que
enviava para a Companhia de Jesus em Portugal.
Fonte: www.ebiografia.com
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O que significa docetismo?
Docetismo (do grego δοκέω [dokeō], "para parecer") é uma doutrina
cristã do século II, considerada herética pela Igreja primitiva. Antecedente do
gnosticismo, acreditavam que o corpo de Jesus Cristo era uma ilusão, e que sua crucificação
teria sido apenas aparente.
Fonte: Https: // pt.wikipedia.org