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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

PEDRO BARBOZA DE LA TORRE - por Jon Aizpúrua

 

Jon Aizpúrua

 

 Personalidades Relevantes do Espiritismo Latino Americano

 

PEDRO BARBOZA DE LA TORRE

    Homem de interesses intelectuais multidisciplinares e amplo conhecimento cultural, com uma trajetória de serviço excepcional, Pedro Alciro Barboza de la Torre foi, e continua sendo, uma figura essencial no mundo cultural, não apenas de Maracaibo, sua cidade natal, mas de toda a nação venezuelana.

 


            Para compreender plenamente sua personalidade multifacetada, desenvolvida ao longo de sua vida privada e carreira pública, é necessário considerar Pedro Barboza nestes papéis fundamentais: homem de família, advogado, educador, historiador, maçom, espiritualista e escritor — todos intimamente interligados em um todo coerente, oferecendo um perfil harmonioso de sua jornada de vida.

Familia e educação

           Filho de Pedro René Barboza e Ángela María de la Torre Pacheco, nasceu em 8 de novembro de 1917, em Maracaibo, capital do estado de Zulia. Faleceu na mesma cidade em 29 de junho de 2002. Em casa, assim como com seus irmãos Estanislao e Ángela, recebeu lições de amor e responsabilidade que deixaram uma marca indelével em seus sentimentos, princípios, valores e conduta cívica e social. Em 1942, casou-se com Mary Pereira Arria, uma união feliz que durou toda a sua vida e deu frutos em suas filhas, Iris Marina e Alina Marina, a quem ele e sua esposa transmitiram os mesmos ensinamentos morais e espirituais que ele havia recebido.

    Movido por uma sede de conhecimento, demonstrou amor pela leitura desde a infância, para grande alegria de seu pai, que era professor em escolas e liceus. Após concluir o ensino fundamental, prosseguiu seus estudos no Colégio Nacional de Maracaibo, cujo diretor era o ilustre humanista e poeta Jesús Enrique Lossada, que exerceu uma poderosa e benéfica influência no desenvolvimento progressivo de suas ideias filosóficas, sociais e políticas. A Venezuela encontrava-se então nos estágios finais do regime ditatorial liderado por Juan Vicente Gómez, e os estudantes sofriam com a repressão policial por sua luta acirrada para destituir o tirano, colocando em risco seus estudos e suas próprias vidas. O jovem Pedro Barboza uniu-se a esse movimento com fervor idealista, escrevendo seus primeiros textos em defesa dos estudantes e pela chegada da democracia, que finalmente se concretizaria em 1936, após a morte do autocrata. Cabe ressaltar que, embora não fosse filiado a nenhum partido político, suas simpatias e convicções, claramente identificadas com os princípios democráticos, o levariam ao longo de sua vida a apoiar, por meio de seus escritos, discursos e do exercício do direito ao voto, as opções ligadas ao pensamento social-democrata.

          Ele cursou seus estudos universitários na Faculdade de Ciências Políticas de Maracaibo, então parte da Universidade dos Andes, com sede na cidade andina de Mérida. A Universidade de Zulia havia sido fechada em 1904 pelo regime autocrático do General Cipriano Castro e só reabriria em 1946, com o Dr. Lossada como seu novo Reitor. Dois anos antes, Pedro Barboza havia se formado em Direito, seguido por um doutorado em Ciências Políticas. Por vinte anos, dedicou-se à advocacia privada, conquistando merecido prestígio na região de Zulia por sua sólida formação profissional, aliada à sua imparcialidade e comprovada integridade.

Exercício profissional da advocacia e ensino

          Após a reabertura da Universidade de Zulia, Pedro Barboza começou a lecionar diversas disciplinas relacionadas ao direito, história e outras áreas das humanidades. Em 1964, aposentou-se da advocacia privada e ingressou no corpo docente da universidade como professor titular, alcançando, eventualmente, o título de Professor Catedrático, o mais alto na hierarquia acadêmica. Por mais de 50 anos, milhares de alunos frequentaram suas aulas em sua alma mater, apreciando suas habilidades pedagógicas e a profundidade de seu ensino. Sempre expressaram gratidão, respeito e carinho por ele. Além de lecionar, ocupou diversos cargos de liderança administrativa na universidade, incluindo Diretor da Faculdade de Direito, Diretor da Faculdade de Jornalismo e Coordenador do Conselho de Desenvolvimento Científico e Humanístico. Também atuou como Presidente da Ordem dos Advogados do Estado de Zulia.

 

            Ao longo de sua vida, Barboza demonstrou uma impressionante paixão pela história, que perdurou ininterruptamente pelas últimas seis décadas de sua vida, complementando perfeitamente suas atividades acadêmicas, jurídicas e filosóficas. Sua pesquisa se concentrou principalmente em capturar a essência e o caráter de Maracaibo por meio de esboços biográficos de suas figuras mais proeminentes, desde os heróis da independência até seus principais cientistas, educadores, escritores e artistas. Não é surpresa que ele tenha sido nomeado membro titular da Academia Estadual de História de Zulia, da qual mais tarde se tornaria presidente.

Vida Maçônica

           Barboza teve uma carreira notável na Maçonaria venezuelana e latino-americana, onde se destacou por seus dons intelectuais e sua oratória fluida e envolvente. Seguindo os passos de seu pai, maçom de longa data, foi iniciado em 1947 na Loja Regeneradores nº 6, em Maracaibo. Lá, completou todas as etapas de formação exigidas pela Ordem do Esquadro e Compasso, alcançando o 33º Grau, o mais alto do Rito Escocês Antigo e Aceito. Em sua Loja, ocupou todos os cargos, chegando a servir como Venerável Mestre por vários mandatos, mas sua maior distinção veio em sua função como Procurador, graças à sua admirável eloquência e habilidade pedagógica em explicar qualquer assunto em discussão. Em reconhecimento às suas virtudes maçônicas, foi nomeado Grão-Mestre Adjunto da Grande Loja da República da Venezuela e, em homenagem a este ilustre mestre maçom, seu nome foi adotado como epônimo de uma das lojas em sua cidade natal.

Dedicação ao espiritismo

 

          Pedro Barboza de la Torre nasceu e cresceu em um lar espírita. Seu pai, Pedro René, foi um dos fundadores e líderes ativos da Sociedade Espírita Kardeciana de Maracaibo, juntamente com notáveis ​​estudiosos do Espiritismo como Isidro Valles, Valmore Rodríguez, Manuel Matos Romero e Alberto Hernández, que também se destacaram como líderes sociais e culturais na capital do estado de Zulia.

        Desde jovem, leu os principais autores espíritas, a começar por Allan Kardec, com cujas obras sentia uma afinidade especial e às quais se referiria frequentemente em seus trabalhos espíritas posteriores, tanto em obras escritas quanto nas numerosas palestras que proferiu. Com base no conhecimento adquirido nos círculos acadêmicos, logo aprendeu a aplicá-lo à compreensão dos fundamentos doutrinários do Espiritismo, um sistema de pensamento que ele claramente identificava como uma filosofia científica com consequências morais e sociais. Decididamente secular e livre-pensador, Barboza expressou sua discordância com a noção de que o Espiritismo deveria ser considerado uma religião, embora respeitasse com espírito tolerante aqueles que tinham opiniões diferentes.

        Compreendendo a necessidade de o movimento espírita na Venezuela ser melhor organizado e de desenvolver programas de estudo seguindo sólidos princípios pedagógicos, Barboza liderou a fundação, em 1958, da Sociedade Venezuelana de Pesquisa Psíquica, dentro da qual também seriam realizadas sessões mediúnicas devidamente guiadas e supervisionadas. Seguindo essa linha de pensamento, em 1960, ele fundou a Federação Espírita Venezuelana (FEV) com o objetivo de unir os centros espíritas que operavam em todo o país, com sede em Maracaibo. Nesse admirável empreendimento, ele foi acompanhado por líderes espíritas de renomadas qualidades intelectuais, sólido conhecimento espírita e evidente integridade moral, entre os quais devemos mencionar José Naranjo Carrillo, Celmira de Pugh, Rosa Virginia Martínez, Gastón Chocrón, José Bromberg e Ramón Ocando Pérez. A presença dessas figuras públicas e sua adesão ao Espiritismo conferiram a esta religião um nível de respeitabilidade social nunca antes alcançado na Venezuela.

            A Federação Espírita Venezuelana (FEV) cumpriu seus objetivos da melhor maneira possível e, para tanto, promoveu uma série de iniciativas concretas. Foi fundada a Livraria Espírita Venezuelana para vender e distribuir obras espíritas produzidas por editoras da Argentina e do México a preços acessíveis; a revista "Ciência e Consciência" foi criada para dar espaço às reflexões de escritores espíritas da época e para divulgar notícias sobre o progresso do movimento kardecista na América e na Europa; foi estabelecida a Associação Venezuelana de Jovens Espíritas para atrair e reunir jovens interessados ​​em aprender sobre a doutrina espírita; e foram promovidas visitas de líderes da Federação a grupos espíritas ativos e sérios no país para apoiá-los em seu trabalho, reorientando critérios e procedimentos doutrinários na área da mediunidade que precisavam ser adaptados às normas inerentes ao corpo de ideias teóricas e práticas do kardecismo.

         Como era perfeitamente natural, a Federação Espírita Venezuelana (FEV), sob o ímpeto dinâmico de seu presidente, estabeleceu laços com os líderes da Confederação Espírita Argentina (CEPA) (então Confederação Espírita Pan-Americana e posteriormente Associação Espírita Internacional CEPA) com o objetivo de forjar relações de trabalho colaborativas em apoio ao ideal espírita. Aproveitando uma visita de Barboza a Buenos Aires em 1962, como representante oficial do Ministério da Educação da Venezuela em um seminário patrocinado pela UNESCO, o presidente da FEV proferiu uma palestra no auditório da Confederação Espírita Argentina, concedeu uma extensa entrevista à sua revista oficial "La Idea" e, a partir de então, as relações entre a federação venezuelana e a mais alta entidade espírita pan-americana foram formalizadas.

             Uma distinta delegação venezuelana, chefiada por Barboza, participou do VI Congresso Espírita Pan-Americano, realizado na capital argentina em outubro de 1963. Três anos depois, ele foi responsável pela organização do VII Congresso em Maracaibo, tarefa que repetiu ao liderar o XI Congresso, também realizado na capital do estado de Zulia. De fato, a partir de então, não houve evento espírita de âmbito regional ou pan-americano em que sua presença não fosse sentida, encantando os participantes com suas magníficas e instrutivas apresentações. Representando o C.E.P.A. (Centro para a Promoção do Espiritismo), como seu Delegado Oficial, dedicou-se por quatro décadas como incansável promotor do ideal espírita em toda a Venezuela e em diversas partes das Américas, principalmente na Colômbia, Equador, Argentina, Porto Rico, Honduras, Guatemala, México e Miami. Por todas essas razões, sua eleição em 1990, por decisão unânime do XV Congresso Espírita Pan-Americano, realizado em Caracas, como Presidente do C.E.P.A., foi um feito notável. para o mandato seguinte de três anos, não poderia ter sido mais justo e merecido.

Escritor de multipla e variada obra

            Escritor de grande produção, de estilo refinado e elegante, dedicou a maior parte da sua vida a uma rotina exaustiva de trabalho intelectual, centrada no vasto mundo da literatura, tendo como recurso indispensável a sua extensa biblioteca. Eleito pelos seus colegas de Zulia, tornou-se presidente da Associação de Escritores. Desta vocação incessante e apaixonada pela escrita surgiram inúmeros livros, monografias, panfletos, manuais, prólogos, artigos e crônicas jornalísticas, que o colocam numa posição de destaque na literatura venezuelana do século XX. Mencionaremos apenas alguns títulos-chave da sua vasta obra, distribuída pelas diversas áreas temáticas que ocuparam a sua atenção:

            A sua especialização jurídica manifestou-se em dezenas de trabalhos doutrinários sobre a natureza do direito e sobre a relação entre o direito e as ciências sociais, publicados em revistas científicas, e nas obras *Sociologia Jurídica* e *Influência do Direito Antropológico no Direito Especial*, recomendadas como livros didáticos universitários.

            No campo da pedagogia, devem ser mencionados seus livros *Recursos para Acadêmicos*, *O Bibliotecário Universitário como Professor*, *Manual de Pesquisa Bibliográfica* e *Planejamento Metodológico de Pesquisa*.

             De sua vasta produção maçônica, temos: *Curso de Aprendiz de Maçom*, *Curso de Companheiro Maçom*, *Curso de Mestre Maçom*, *Manual dos 33 Graus da Maçonaria* e *Maçonaria em Ação*.

             É claro que a literatura espírita deve muito ao seu talento inesgotável, ao seu amor pelo estudo e pela pesquisa, à sua dedicação ao ensino dos princípios do Espiritismo e ao seu compromisso em moldar uma cultura espírita, divulgando e promovendo a compreensão da doutrina espírita em seu verdadeiro caráter filosófico, científico, moral, sociológico, plenamente humanista e de livre-pensamento. Barboza escreveu extensivamente para ajudar a alcançar esses objetivos e documentou isso em vários livros e artigos publicados nas Américas. Dada a sua quantidade, é muito difícil listá-los todos aqui, embora estejam disponíveis para auxiliar os estudiosos: Comentários sobre a Doutrina Espírita, Cronologia Espírita, Espiritismo para Católicos, Espiritismo para Espíritas, O Monsenhor Espírita Enrique María Dubuc, Desenvolvimento de Médiuns, Repertório Experimental para Mediunidade, Da Sombra do Dogma à Luz da Razão.         

A marca de seu legado espirita

            Um exemplo de homem culto que soube conectar o conhecimento adquirido na universidade e nos círculos acadêmicos com os ideais espíritas. Um pensador elevado, que jamais deixou de agir com humildade e generosidade. Secular, racionalista e de espírito livre, era também aberto e tolerante a todas as crenças. Compreendendo que o Espiritismo precisava ser organizado em grupos dinâmicos e em sintonia com os tempos, nunca poupou esforços ou recursos para promover a criação de sociedades e federações espíritas, viajando por todo o mundo para ministrar seminários e palestras. Eficiente diretor de sessões mediúnicas, sempre agiu com sabedoria, firmeza, respeito e serenidade para obter os melhores resultados do diálogo e da troca com o mundo espiritual. Generoso no apoio aos líderes emergentes das novas gerações, estava sempre pronto a compartilhar seu vasto conhecimento e extensa experiência. Por todas essas razões, e muitas outras, não é possível desconsiderar a figura de Pedro Alciro Barboza de la Torre ao relembrar e avaliar o Espiritismo na América durante o século XX.  

Artigo publicado no Jornal Abertura de dezembro de 2025, quer ver o original?

https://icksantos.blogspot.com/2025/12/saiu-o-jornal-abertura-de-dezembro-de.html



Em Espanhol:


Jon Aizpúrua

 

PERSONALIDADES RELEVANTES DEL ESPIRITISMO LATINOAMERICANO

 

 

PEDRO BARBOZA DE LA TORRE

 

          Hombre de un ejercicio intelectual multidisciplinario y de amplio alcance cultural, con una hoja de servicios excepcional, Pedro Alciro Barboza de la Torre fue, y sigue siendo, referencia obligada del mundo cultural no solo del Maracaibo que le vio nacer sino de la nación venezolana toda.

         Para tener una visión aproximada acerca de su polifacética personalidad, desarrollada en el conjunto de su vida privada y de su actuación pública, se hace necesario ubicar a Pedro Barboza en estas facetas fundamentales: el hombre de familia, el abogado, el educador, el historiador, el masón, el espiritista y el escritor, todas las cuales se vinculan estrechamente en un todo coherente y ofrecen un perfil armónico de su andadura vital.

 

Familia y educación

           Hijo de Pedro René Barboza y Ángela María de la Torre Pacheco, vino al mundo el 8 de noviembre de 1917 en Maracaibo, capital del estado Zulia. En esta misma ciudad falleció el 29 de junio de 2002. Recibió en su hogar, lo mismo que sus hermanos Estanislao y Ángela, lecciones de amor y responsabilidad que dejaron una huella imborrable en sus sentimientos, en sus principios y valores, y en su comportamiento cívico y social. En 1942 contrajo matrimonio con Mary Pereira Arria, enlace feliz que perduró incólume toda su existencia, y que fructificaría en sus hijas Iris Marina y Alina Marina, a quienes trasmitió, junto con su esposa, las mismas enseñanzas morales y espirituales que había recibido.

          Tomado por la sed de conocimiento, desde niño mostró su afición a la lectura, muy del gusto de su padre que era maestro de colegios y liceos. Luego de culminar su formación primaria, siguió estudios de bachillerato en el Colegio Nacional de Maracaibo, cuyo Director era el insigne humanista y poeta Jesús Enrique Lossada, quien ejerció una poderosa y benéfica influencia en la configuración progresiva de sus ideas filosóficas, sociales y políticas. Venezuela se hallaba entonces en las postrimerías del régimen dictatorial encabezado por Juan Vicente Gómez y los estudiantes llevaban el peso de la represión policial por la dura lucha que libraban para conseguir la sustitución del tirano, poniendo en peligro sus estudios y sus propias vidas. El joven Pedro Barboza se sumaba con ímpetus idealistas a ese empeño con sus primeros escritos a favor de los estudiantes y por el advenimiento de la democracia, lo cual ocurriría a partir del año 1936 tras la muerte del autócrata. Conviene aquí apuntar que si bien no sería propiamente un militante de algún partido político, sus simpatías y convicciones, nítidamente identificadas con los principios democráticos, le llevarían toda su vida a respaldar con sus escritos, sus discursos y el ejercicio del sufragio, a las opciones identificadas con el pensamiento socialdemócrata. 

          Sus estudios universitarios los realizó en la Escuela de Ciencias Políticas de Maracaibo, adscrita entonces a la Universidad de los Andes, con sede en la ciudad andina de Mérida, debido a que la Universidad del Zulia había sido clausurada en 1904 por el régimen autocrático del general Cipriano Castro, y solo sería reabierta en 1946, siendo su nuevo Rector el Dr. Lossada. Dos años antes, Pedro Barboza obtendría el título de abogado, al que seguiría el doctorado en Ciencias Políticas. Durante veinte años se dedicó a la práctica privada del derecho, conquistando un merecido prestigio en la región zuliana por su sólida formación profesional, aunada a la recta aplicación de la justicia y a su demostrada probidad.

 Ejercicio profesional del derecho y la docencia

           Tras la reapertura de la Universidad del Zulia, Pedro Barboza comenzó a prestar servicios docentes en diversas asignaturas relacionadas con la ciencia jurídica, la historia y otras disciplinas de carácter humanístico, hasta que en 1964 se retiró de la práctica privada del derecho y se incorporó a la nómina universitaria como Profesor a dedicación exclusiva, alcanzando el grado de Titular, el más alto del escalafón académico. Durante más de 50 años dedicados a la docencia en su Alma Mater, miles de estudiantes pasaron por sus clases y apreciaron las cualidades pedagógicas y la profundidad de las enseñanzas impartidas por su distinguido profesor,  hacia el cual siempre manifestaron sentimientos de gratitud, respeto y afecto. Adicional a la docencia, ocupó diversos cargos de dirección administrativa en su universidad, entre los cuales cabe mencionar que fue Director de la Escuela de Derecho, Director de la Escuela de Periodismo, Coordinador del Consejo de Desarrollo Científico y Humanístico. Fue, además, Presidente del Colegio de Abogados del Estado Zulia.

          A lo largo de su vida, Barboza mostró un impresionante fervor historiográfico que cubre sin interrupción las últimas seis décadas de su vida, y se combina perfectamente con sus afanes académicos, jurídicos y filosóficos. Su labor de investigador se centró principalmente en captar la esencia y el talante de Maracaibo por medio de semblanzas biográficas de sus personajes más relevantes, desde los próceres de la independencia, hasta sus más relevantes científicos, educadores, escritores o artistas. No es de extrañar que se le nombrara Miembro de Número de la Academia de Historia del estado Zulia, de la que llegaría a ocupar la presidencia.

 

Vida masónica

            Barboza tuvo una destacadísima actuación en el seno de la masonería venezolana y latinoamericana, en cuyo seno brilló por sus dotes intelectuales y su oratoria fluida y amena. Siguiendo los pasos de su padre, masón de antigua data, se inició en 1947 en la Logia Regeneradores No. 6 de Maracaibo. En ella cubrió todas las etapas formativas exigidas por la tradicional Orden de la Escuadra y el Compás, hasta alcanzar el Grado 33, último de la escala del Rito Escocés Antiguo y Aceptado. En su Logia cubrió todos los cargos hasta ocupar el de Venerable Maestro en varios períodos, pero donde más brillo ganó su actuación fue en su desempeño como Orador Fiscal por su admirable elocuencia y destreza pedagógica a la hora de explicar cualquier tema en discusión. En reconocimiento a sus virtudes masónicas se le nombró Gran Maestro Adjunto de la Gran Logia de la República de Venezuela, y en honor a este ilustre maestro masón, su nombre fue adoptado como epónimo de una de las logias de su ciudad natal.

 

Dedicación al espiritismo

           Pedro Barboza de la Torre nació y creció en un hogar espírita. Su padre, Pedro René se contó entre los fundadores y activos dirigentes de la Sociedad Espírita Kardeciana de Maracaibo, junto a notables estudiosos del espiritismo como Isidro Valles, Valmore Rodríguez, Manuel Matos Romero, Alberto Hernández, quienes también se destacaron como líderes sociales y culturales de la capital zuliana.

          Desde muy joven leyó a los principales autores espiritistas, comenzando con Allan Kardec, por cuyas obras sintió especial identificación y a las cuales haría referencia de manera insistente en su labor espírita posterior, sea en trabajos escritos o en las numerosas conferencias que dictaría. Sustentado en los conocimientos adquiridos en los medios académicos, pronto supo aplicarlos a la comprensión de los fundamentos doctrinarios del espiritismo, sistema de pensamiento al cual identificó claramente como una filosofía científica de consecuencias morales y sociales. Decididamente laico y librepensador, Barboza mostró su inconformidad con la tesis de que el espiritismo deba considerarse como religión, si bien respetaba con ánimo tolerante a quienes opinaban de manera distinta.

          Habiendo comprendido la necesidad de que el movimiento espírita en Venezuela estuviese mejor organizado y pudiese desarrollar programas de estudio siguiendo adecuados criterios pedagógicos, Barboza impulsó la fundación en 1958 de la Sociedad Venezolana de Investigaciones Psíquicas, en cuyo seno también se realizarían sesiones mediúmnicas debidamente orientadas y controladas. Y, siguiendo esa línea fundó en 1960 la Federación Espírita Venezolana (F.E.V) con el propósito de agrupar a los centros espíritas que funcionaban en todo el país, y tendría su sede central en Maracaibo. En ese admirable esfuerzo le acompañaron líderes espíritas de reconocidas cualidades intelectuales, sólidos conocimientos espíritas y manifiesta solvencia moral, entre los cuales cabe recordar a José Naranjo Carrillo, Celmira de Pugh, Rosa Virginia Martínez, Gastón Chocrón, José Bromberg y Ramón Ocando Pérez. La presencia de estas personalidades de la vida pública y su adhesión al espiritismo, hizo que éste adquiriese un estatus de respetabilidad social nunca antes logrado en Venezuela.

          La F.E.V. cumplió, dentro de sus posibilidades, con los objetivos trazados, y para ello impulsó un conjunto de iniciativas concretas. Se fundó la Librería Espírita Venezolana para vender y distribuir a bajos precios las obras espíritas que producían las editoras de Argentina y México; se creó la revista “Ciencia y Conciencia” para dar cabida en sus páginas a las reflexiones de los escritores espíritas de la época y a las noticias que informaban de la marcha del movimiento kardeciano en América y en Europa; se constituyó la Asociación Venezolana de Jóvenes Espíritas, con la finalidad de atraer y reunir a los jóvenes interesados en conocer la doctrina espírita; se promovió la visita de los dirigentes de la Federación a los grupos espíritas serios que estaban activos en el país para apoyarlos en sus tareas, reorientando aquellos criterios doctrinarios y procedimientos en el área de la mediumnidad que necesitaran adecuarse a las normas que son inherentes al cuerpo de ideas teóricas y prácticas del kardecismo.

           Como era perfectamente natural, la F.E.V. bajo el dinámico impulso de su presidente, estableció vínculos con los dirigentes de la C.E.P.A. (entonces Confederación Espírita Panamericana y posteriormente, Asociación Espírita Internacional CEPA) con miras a entablar relaciones de trabajo conjunto en favor del ideal espírita. Aprovechando una visita de Barboza a la ciudad de Buenos Aires en 1962, en representación oficial del Ministerio de Educación de Venezuela a un Seminario auspiciado por la UNESCO, el presidente de la F.E.V. dictó una conferencia en el salón de actos de la Confederación Espiritista Argentina, concedió una amplia entrevista a su revista oficial “La Idea”, y a partir de allí se formalizaron las relaciones entre la federación venezolana y la máxima entidad espírita panamericana.

          Una calificada delegación venezolana, encabezada por Barboza, concurrió al VI Congreso Espírita Panamericano que se celebró en la capital argentina en octubre de 1963. Tres años después le cupo la responsabilidad de organizar en Maracaibo la celebración del VII Congreso, y repetiría en esa labor, encargándose del XI Congreso, que tuvo también su sede en la capital zuliana. Lo cierto es que ya no habría eventos espíritas de alcance regional o panamericano en los que no se contase con su presencia para deleitar a los asistentes con sus magníficas e instructivas disertaciones. En representación de la C.E.P.A., como Delegado Oficial, se movilizó durante cuatro décadas como un voluntarioso difusor del ideal espírita, por toda Venezuela y por diversos lugares de América, principalmente en Colombia, Ecuador, Argentina, Puerto Rico, Honduras, Guatemala, México y Miami. Por todo ello, no podía ser más justa y merecida su elección en 1990, por decisión unánime del XV Congreso Espírita Panamericano realizado en Caracas, como Presidente de la C.E.P.A. para el siguiente trienio.

 

Escritor de múltiple y variada obra

            Escritor prolífico, dueño de una prosa correcta y refinada, la mayor parte de su vida siguió una exhaustiva rutina de trabajo intelectual orientada hacia el ancho mundo de las letras, teniendo como respaldo indispensable su amplísima biblioteca. Elegido por sus colegas zulianos, llegó a ocupar la presidencia de la Asociación de Escritores. De esa incesante y apasionada vocación por la escritura, vieron la luz numerosos libros, monografías, opúsculos, manuales, prólogos, artículos y crónicas de prensa, que le sitúan en un puesto significativo de las letras venezolanas del siglo XX. Mencionaremos solo algunos títulos claves de su extensa producción, repartidos entre las diversas áreas temáticas que ocuparon su atención:

         Su veta jurídica se expresó en decenas de trabajos de índole doctrinaria sobre la naturaleza del Derecho y sobre las relaciones entre el Derecho y las ciencias sociales,  que fueron publicados por revistas arbitradas, y en las obras Sociología jurídica, Influencia del derecho antropológico en el derecho especial, recomendados como textos de estudios universitarios.

         En el campo de la pedagogía, deben citarse sus libros Recursos para estudiosos, El bibliotecario universitario docente, Manual sobre investigación bibliográfica, Planificación metodológica de la investigación.

         De su ingente producción masónica tenemos: Curso de Aprendiz Masón, Curso de Compañero Masón, Curso de Maestro Masón, Manual de los 33 Grados de la Masonería, Masonería en acción.

          Por supuesto, mucho le debe la bibliografía espiritista a su inagotable talento, a su amor al estudio y a la investigación, a su entrega por la enseñanza de los principios del espiritismo, a su empeño para darle forma a una cultura espírita, dando a conocer y comprender la doctrina espírita en su verdadero carácter filosófico, científico, moral, sociológico, plenamente humanista y librepensador. Barboza escribió mucho para ayudar a  la consecución de tales propósitos, y de ello dejó constancia en variados libros y artículos diseminados por numerosas publicaciones del continente americano, que, dada su cantidad, es muy difícil referir aquí, aunque allí están para auxilio de los estudiosos: Comentarios a la doctrina espírita, Cronología espírita, Espiritismo para católicos, Espiritismo para espiritistas, El espiritista Monseñor Enrique María Dubuc, Desarrollo de médiums, Repertorio experimental para la mediumnidad, De la sombra del dogma a la luz de la razón.

         

La impronta de su legado espírita

 Ejemplo de hombre culto que supo relacionar el conocimiento adquirido en la universidad y los medios académicos con el ideario espírita. Pensador de altos vuelos, sin que por ello dejase de actuar con humildad y generosidad. Laico, racionalista, librepensador, y a la vez, abierto y tolerante hacia todas las creencias. Habiendo comprendido que el espiritismo necesita ser organizado en agrupaciones dinámicas que estén en sintonía con la marcha de los tiempos, nunca regateó sus esfuerzos ni sus recursos para impulsar la creación de sociedades y federaciones espíritas, movilizándose a todas partes para dictar seminarios y conferencias. Eficiente director de sesiones mediúmnicas, actuó siempre con sabiduría, firmeza, respeto y serenidad, para obtener los mejores frutos del diálogo e intercambio con el mundo espiritual. Generoso para respaldar a los líderes  que emergían de las nuevas generaciones, estuvo presto para compartir sus vastos conocimientos y su amplia experiencia. Por todo ello, y por mucho más, no es posible prescindir de la figura de Pedro Alciro Barboza de la Torre a la hora de recordar y evaluar al espiritismo de América durante el siglo XX.

  

quarta-feira, 14 de maio de 2025

Desencarna Divaldo Pereira Franco - nota da CEPA

 Publicamos aqui a manifestação  da CEPA sobre o desencarne de Divaldo Pereira Franco.



O ICKS se solidariza com toda a comunidade espírita brasileira e mundial que compartilha as preces para uma rápida integração deste Espírito ao Mundo dos Espíritos.




terça-feira, 13 de maio de 2025

Jornal Abertura maio de 2025 -baixe aqui grátis

 

Leiam o jornal de maio de 2025

Nesta Edição:

  • Editorial sobre o Papa e o artigo de Milton Medran sobre o mesmo assunto;
  • Cobertura do 19° Fórum do Livre Pensar Espírita da Baixada Santista;
  • Cobertura em 3 páginas do 6° Encontro da CEPABrasil em Porto Alegre;
  • Existe uma SALVAÇÃO pelo ESPIRITISMO por Roberto Rufo;
  • Cláudia Régis Machado fala sobre o e-book A Busca por Planetas Habitados – a visão dela como leitora;
  • Abrindo A Mente – Alexandre Machado segue respondendo perguntas sobre o Princípio Espiritual;
  • Página 6 – James Webb – sinais interessantes (potencial vida alienígena);
  • Página 10 – Compartilhamento entre ICKS e ECK – Espiritismo Com Kardec
  • Página 11 – Ricardo Nunes escreve sobre “Meu Amigo Odair” espírita importante de Santos desencarnado em abril.

Baixe aqui:

https://cepainternacional.org/jornal-abertura-maio-de-2025/



sábado, 11 de janeiro de 2025

Memórias Inesquecíveis - Mauricy Antônio da Silva por Alexandre Cardia Machado

                                                             Memórias Inesquecíveis

Despedida de um grande trabalhador – Mauricy Antônio da Silva

(17/06/1937 – 8/1/2025)


 Diretoria do ICKS (2019-2024) – 2 mandatos

Mauricy, Alexandre, Antonio (Toninho) e Cláudia

    O que falar do querido Mauricy, um homem discreto, mas sempre presente, honesto, trabalhador espírita desde a Mocidade Espírita Estudantes da Verdade do CEAK de Santos, passando pelo CEAK, pela Comunidade Assistencial Espírita Lar Veneranda, onde foi Tesoureiro, Conselheiro e Presidente do Conselho Administrativo. Fundador e membro da diretoria do ICKS, tendo sido igualmente tesoureiro até 2021 e vice-Presidente até 31 de dezembro de 2024, oito dias antes de desencarnar. Foi ainda tesoureiro do CEPABrasil, desde a criação dos Delegados e Amigos da CEPA, lá esteve presente junto com o Toninho, representando o ICKS – desde o seu início, esteva ligado à direção de 2007 a 2015, tendo sido também tesoureiro adjunto da CEPA – Associação Espírita Internacional no Brasil entre 2016 e 2020, na gestão de Jacira Jacinto da Silva. 

    Na vida profissional foi Diretor Financeiro da Fiação e Tecelagem Tognato, fabrica no ABC de cobertores e produtos desta linha.

    Pai de família exemplar, deixa a esposa Djorah, também sócia do ICKS e grande colaboradora do Lar Veneranda, 3 filhas – Sandra, Elisabeth e Denise e um filho - Marcelo, todos espíritas.

 


                                        Denise, Marcelo, Djorah, Mauricy, Elisabeth e Sandra

    Não há quem tenha tido alguma rusga com ele, era a pessoa mais conciliadora e tranquila que conheci. Me aconselhou muito quando pela primeira vez assumi a Presidência do ICKS. 

    Até meados de dezembro de 2024, já bem fraquinho, quase sem sair de casa, todo dia mandava mensagens positivas pelos grupos de WhatsApp a “todos e todas”, como gostava de dizer.

    A primeira vez que ouvi falar dele, lá pelos anos 90, foi ao oferecerem uma rifa do Lar Veneranda, naquele momento, totalmente impensável que eu faria parte do Conselho do Lar por mais de 20 anos - bem alguém perguntou: “ O Mauricy comprou?” ele era realmente muito sortudo, ganhava seguidas vezes! Na verdade, acredito que  o intuito dele era ajudar, assim ele comprava muitas rifas e portanto, ganhava várias vezes.

    Com a criação do ICKS há 25 anos nos aproximamos mais, em 2003 eu e minha família voltamos a Santos, depois de passarmos 6 anos fora da cidade, e com a existência do ICKS o convívio era semanal.

      Já no Lar Veneranda mensalmente nos encontrávamos nas reuniões do Conselho Administrativo. Sentávamos, os homens, numa fila à esquerda do auditório do Lar, quando comecei era o Ivon Régis, depois Mauricy, Toninho e eu – brincávamos que era a rampa de lançamento, de fato Ivon nos deixou o ano passado e este ano o Mauricy. Ainda bem que não existe mais as reuniões do Conselho, pois minha hora estaria chegando.

    Já fizemos uma matéria homenageando o Mauricy nesta mesma coluna Memórias Inesquecíveis no Jornal Abertura de junho de 2024. 



 

    Mauricy participou do Grupo de Estudos do ICKS que elaborou conosco 4 trabalhos importantes, o primeiro para o XXI Congresso da CEPA em Santos no ano de 2012 e que está disponível o site da CEPA: 




https://cepainternacional.org/site/pt/cepa-downloads/category/36-icks-caderno-cultural-reencarnacao-analise-da-evolucao-do-conceito?download=240:icks-caderno-cultural-reencarnacao-analise-da-evoluco-do-conceito-pdf.

 

Também participou de outros três trabalhos apresentados  no SBPE: “Pode o Espiritismo ser considerado Ciência da Alma? Uma análise epistemologica da proposta do pensador espírita Jaci Régis” em 2013 no 13° SBPE; “Exposição - SBPE 26 anos abrindo espaço para novas ideias” no 14° SBPE em 2015 e “Somos progressistas?” no 15° e derradeiro SBPE de 2017.

    A matéria de junho do ano passado, comenta o fato interessante de ter sido ele o último a fazer uma palestra na Sede própria do ICKS.

    Teve um papel importante no Gabinete Psico-Mediúnico do ICKS onde era o responsável pela palestra sobre Espiritismo, isto pode ser conferido no livro ebook abaixo. Emissões Energéticas na Prática Espírita.

 


https://cepainternacional.org/site/pt/cepa-downloads/category/27-icks-colecao-abrindo-a-mente?download=268:emissoes-energeticas-na-pratica-espirita-organizacao-alexandre-cardia-machado.

    Aqueles que participaram de algum SBPE lembrarão desta foto na Recepção.:

 


                                                            Cláudia e Mauricy


    Expressamos aqui toda a nossa admiração e carinho pelo companheiro que temporariamente nos deixa.

Por Alexandre Cardia Machado - Presidente do ICKS


terça-feira, 16 de julho de 2024

Eugenio Lara nos deixa em junho de 2024 - da redação

 

Eugenio Lara nos deixa em junho de 2024

   Foto - Eugenio Lara

Desencarna Eugenio Lara aos 61 anos.

    Difícil perder um companheiro tão inteligente, um pesquisador de primeira linha, tão cedo, com apenas 61 anos. Eugenio faz parte deste jornal Abertura, desde o primeiro número.

 


Cláudia e eu fomos ao velório, conversei com o seu irmão Vicente Lara, Eugenio teve problemas relacionados com o fígado seguido de anemia muito forte. Aos poucos foi complicando resultando em falência múltipla dos órgãos. Alguns dias antes da desencarnação ele falou ao irmão, já com alguma confusão mental que estava sendo tratado pelos irmãos espirituais. Temos certeza de que sim e ele também tinha.

    Eugenio tem uma relação profunda com o ICKS, este relacionamento é bem anterior à própria criação de nosso instituto. Eugenio era responsável pela diagramação dos jornais Espiritismo e Unificação em seus últimos anos e do sucessor Jornal de Cultura Espírita – Abertura. Onde militou por cerca de 10 anos.



Jornal Abertura-maio de 1998 – Eugenio Lara estava no Conselho de Redação e Diagramação e Composição Gráfica

Transcrevo aqui o que entre tantos outros que o homenagearam no WhatsApp da  CEPABrasil, o que escreveu Ademar Chioro:

” Estou triste e muito mexido com a notícia. Eugenio Lara é um querido amigo, com quem convivi intensamente desde a juventude. Foi um líder desde o movimento de mocidades espíritas. Um intelectual espírita, laico, livre-pensador, humanista (seu livro é uma pérola), progressista Arquiteto de formação, jornalista e designer gráfico por gosto e por competência. Produziu muito, e acho o site PENSE, em coautoria com José  Rodrigues, uma das suas mais importantes contribuições.

FOTO - Eugenio e Ademar participando de um painel no SBPE

Escrevia muito. Polemista. Irônico e provocador. Eu o chamava carinhosamente de o “Massaranduba” do espiritismo.

Parte muito precocemente. Vai fazer uma falta imensa. Na primeira fila será recepcionado por Jaci Regis e José Rodrigues. Parte um apaixonado pelo espiritismo. Um autêntico livre-pensador espírita.

Parte o primeiro dos fundadores e um dos mais ativos membros do CPDoc, ainda que andasse meio sumido nos últimos tempos.

Meu abraço amoroso, Eugenio. Até breve!!”

SBPEs

Eugenio participou de todas as edições do Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita, ele as vezes nem se inscrevia, mas aparecia por lá, adorava uma resenha, ficar próximo ao cafezinho discutindo o espiritismo.

Foto - Eugenio, Ivon Régis, Nazareth e Antonio Ventura em frente à sede do ICKS

Apresentou muitos trabalhos que terminavam em livros publicados ou em formato de ebook.

O ICKS está buscando textos publicados no Abertura e disponibilizando no blog do ICKS - https://icksantos.blogspot.com/; para consultar basta ir a MARCADORES e selecionar Artigos de Eugenio Lara.

Veja abaixo:



Numa das últimas vezes que conversamos pessoalmente, Eugenio disse que sentia falta dos artigos de folego, ou seja, aqueles artigos de duas páginas, as centrais, ainda no tempo do Abertura em papel jornal e formato tradicional.

Bem, esta despedida ocupa duas páginas, uma homenagem a ele, pela sua dedicação ao estudo e pesquisa do espiritismo. Ele era extremamente Kardecista. Vamos sentir muita falta deste nosso amigo.

Alexandre Cardia Machado


Artigo publicado no Jornal ABERTURA de julho de 2024.
Quer ler o jornal completo:
Quer conhecer melhor Eugenio Lara veja abaixo, artigos de Eugenio Lara aqui em nosso blog:



 

 

sexta-feira, 7 de junho de 2024

Encanto, Desencanto e Inquietude - por Eugenio Lara

                             Encanto, Desencanto e Inquietude

 

Eugenio Lara

Nota da redação: Eugenio volta ao mundo dos Espíritos neste 7 de junho de 2024

 



De vez em quando surge em mim, de modo insidioso, um certo sentimento de desinteresse pelo Espiritismo, dentre outras coisas da vida. E sempre fico a me perguntar se é algo passageiro ou permanente, ainda que, no caso, tal sentimento carregue consigo uma razoável dose de desencanto.

Sim, desencanto, talvez seja essa a palavra mais exata, no momento, para definir o que há muito tempo sinto em relação ao Espiritismo. Não chega a ser decepção. Mas, do desencantamento à desilusão, à decepção é um pulo, um mero suspiro.

Todavia, a decepção pode permear os sentidos, o pensamento. Fico então a me perguntar, de modo metafórico: eu falhei com o Espiritismo ou foi o Espiritismo que falhou comigo?

Falsa questão, mas que, em termos poéticos, simbólicos, traduz um certo sentido.

Afinal, que é o Espiritismo senão um movimento social formado por pessoas, por seres humanos encarnados e desencarnados que te inserem numa situação natural de (con)vivência e vicissitude moral, interpessoal?

Por melhor que seja, nenhum ideário jamais será o suficiente para se moldar um laço duradouro, um elo, unir determinado grupo apenas pela comunhão de princípios e objetivos. Há fatores emocionais envolvidos que sempre devem ser considerados. Boas ideias com pessoas sem boa vontade, ambiciosas e de mau caráter não dão certo, não florescem, ainda que estas pessoas sejam aparentemente eficientes no que fazem. É a tal da figueira estéril da parábola evangélica.

Por conta disso, a decepção pode estar sempre presente, como a Espada de Dâmocles sobre nossa cabeça. Porém, há algo que se sobrepõe a tal circunstância: a ternura e a convicção.

Minha inserção no Espiritismo não perdura por fatores interpessoais, mas, sobretudo, por uma forte convicção filosófica, firmada em um tempo de estudo, experiência e leitura, difícil de se mensurar. Não foi da noite pro dia. Isso não significa que não possa sofrer turbulências e abalos sísmicos. Enquanto que a ternura pelo Espiritismo ainda é a mesma, desde o início, como aquele amor à primeira vista, sincero e inocente, que nunca será esquecido, mas que um dia pode acabar, como a paixão fugaz, passageira.

O desencanto é passageiro, fugidio, tanto quanto o próprio encanto, que se não for controlado, trabalhado pode redundar no fanatismo, em posturas fundamentalistas, dogmáticas e sectárias. O encanto desmedido, quando desmorona e se desvanece, quase sempre vira desilusão.

Porque o que sobra mesmo é o senso de dever, o profundo sentir, a paixão permanente, mesmo que adormecida. Pelas ideias. Por um ideal. Por uma forma de ser e estar no mundo que seja ao mesmo tempo livre e sensata, na busca da plenitude inalcançável, ainda que possível, porque o Espiritismo é também uma utopia.

“Lógica, razão e bom senso”, o pálio trinário de Allan Kardec, era sua bússola, a Pedra de Toque. Como os povos celtas, ele gostava do número três: “Trabalho, Solidariedade e Tolerância” também foi seu lema. Sob o ponto de vista intelectual e ético, a referência kardequiana ainda é o melhor antídoto contra qualquer tipo de desencanto, desânimo, de distorção doutrinária ou traição aos princípios nucleares da Filosofia Espírita.

Raramente escrevo em primeira pessoa, no entanto, creio que o momento exige, por isso compartilho com os leitores deste Opinião minha relação aparentemente conflitante e angustiada com a filosofia espírita. A angústia aí é aquele sentimento de algo inacabado, não conhecido. Não se trata daquela ansiedade pueril, incômoda e desagradável, mas, antes de tudo, de uma sinistra inquietude, que o Espiritismo provoca em nós de modo permanente, na medida em que nele adentramos.

Essa inquietude pode e deve ser o motor de propulsão, o estímulo permanente no manejo da ideia espírita, nem sempre tratada pelos próprios espíritas com o devido respeito, seriedade e profundidade que ela exige e merece.

Olho: O que sobra mesmo é o senso de dever, o profundo sentir, a paixão permanente, mesmo que adormecida. Pelas ideias. Por um ideal. Por uma forma de ser e estar no mundo. O Espiritismo é também uma utopia.

 

Eugenio Lara, arquiteto e designer gráfico, é membro-fundador do Centro de Pesquisa e Documentação Espírita (CPDoc) e autor, dentre outros livros, de Breve Ensaio Sobre o Humanismo Espírita - este artigo foi enviado em 2018 aoRedator do jornal Opiniãodo CCEPA e não foi publicado. Milton Medran disonibilizou nesta data 7/06/2024.
Milton Medran, esclarece as razões de não publicar, pois sendo o jornal Opinião um órgão de divulgação da Doutrina Espírita este "desabafo" que poderia ser temporário, não devia ser publicado naquele momento. " Mas acho que a refexão é totalmente apropriada para ser inseriada neste grupo de Whatssap, de pensadores maduros". 
NR: Como nosso blog só é acessado por pessoas que tem maturidade acreditamos que esta"despedida" deveria ser publicada.