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Um pouco sobre a história de
Israel e do povo Palestino e suas relações com os árabes
“ A história judaica é marcada
por sucessivas dispersões e diásporas dentro de diásporas” Professor Luis
Krausz – USP
Queremos trazer ao nosso público
um pouco desta história milenar que envolve, árabes, hebreus e palestinos, não
nos cabe concluir quem está com a razão, onde a razão desaparece ante agressões
e revides milenares. No entanto entender um pouco da história nos ajuda a ter
uma visão mais ampla.
Acreditamos, obviamente que a ONU
terá que ter um papel mais forte e decisivo, buscando um entendimento que
termine na coexistência de dois estados, um o já existente Israel e outro
palestino.
Vamos então ver um breve
histórico de 2800 anos: em preto os assuntos ligados aos judeus e em vermelho os assuntos ligados de alguma forma aos
palestinos e aos árabes.
1700 a.C – O povo Hebreu
foi escravizado e levado ao Egito (Segundo o Velho Testamento - Exodus - Mito).
1200 a.C – Segundo o Velho
Testamento – Moisés trouxe os Hebreus de volta à região onde hoje se encontram
Israel, Palestina ( Cisjordânia e Gaza) e Sul do Líbano. (igualmente um Mito)
586 a.C – Exército Persa
de Nabucodonosor espalhou os Hebreus pela Babilônia – Diáspora.
538 a.C – Ciro II novo
Imperador Persa autoriza o retorno dos Hebreus.
450 a.C - o historiador grego Heródoto chama a região de
Palestina pela primeira vez. Era uma referência aos filisteus, um grupo
possivelmente indo-europeu que conviveu por séculos com os povos semitas- Veja
mais em https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2023/10/29/israel-palestina-judeus-arabes-ocupacao.htm .
70 a 63 a.C – os Romanos
lutaram e conquistaram os reinos de Judá e Galileia.
70 D.C – os Romanos
espalham os judeus por todo o império Romano – Diáspora.
A Palestina troca de mãos:
644
D.C. - Após a morte de Maomé, seus
sucessores, os califas, iniciam uma expansão que tomou territórios dos impérios
Bizantino e Persa. Os califas omiadas conquistam o norte da África, península
ibérica, Afeganistão, Paquistão e Ásia Central, enquanto os califas ortodoxos
avançaram sobre o Líbano, Síria, Egito e Palestina… - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2023/10/29/israel-palestina-judeus-arabes-ocupacao.htm?cmpid=copiaecola .
1099 D.C. – Os Cristãos
europeus conquistam Jerusalém - Os cruzados justificavam a necessidade de
"resgatar a Cidade Santa dos infiéis muçulmanos”.
1187
D.C. -
Após o fim do domínio cristão em 1187, a "Terra Santa" volta ao
Império Islâmico, passa para os mongóis (egípcios da dinastia aiubida de
Saladino).
1252 D.C. - O Império
Árabe Islâmico se mantém unificado até 1252, quando os mongóis invadem e
destroem Bagdá, fragmentando o império… a região da Palestina passa ao controle
Mongol.
1517 – É dominada pelo Império Otomano (Turcos), até a I Guerra Mundial.
1834
-1919 - Nascimento
do sentimento nacionalista, a população árabe da Palestina se via
principalmente como súditos otomanos. A revolta dos árabes na Palestina em 1834
é considerada como o primeiro evento formativo do povo palestino. Na
década de 1830, a Palestina foi ocupada pelos egípcios que respondiam ao
Império Otomano. A revolta foi
precipitada pela resistência popular contra uma forte demandas por recrutas. Os
camponeses estavam bem cientes de que o recrutamento era nada menos do que uma
sentença de morte.
1834 - A partir de maio, os
rebeldes tomaram muitas cidades, entre elas Jerusalém, Hebron e Nablus.
Em resposta, o exército egípcio se deslocou à palestina, derrotando finalmente
os últimos rebeldes em 4 de agosto em Hebron. No entanto, os árabes na
Palestina permaneceram parte de um movimento nacional panislâmico ou panárabe.
1911 -
O jornal de língua árabe Filastin foi fundado em 1911 por cristãos palestinos.
É considerado um marco para o surgimento dos palestinos não judeus. as
primeiras organizações nacionalistas palestinas apareceram no final da Primeira Guerra Mundial. Surgiram algumas facções políticas.
1917 - I Guerra Mundial –
O Reino Unido junto com seus aliados derrotam em 1917 o Exército Turco e
recebem pela Liga das Nações junto com a França um mandato sobre uma grande
área do Oriente Médio em 1922.
1917 - Declaração de
Balfour, O Reino Unido se declara favorável a criação de um estado Judeu na
Palestina, a partir daí começa a haver migrações de Judeus para esta região,
melhorando a economia local.
1919 - O primeiro Congresso foi realizado em
Jerusalém para coincidir com a Conferência de Paz de Paris após a I Grande
Guerra. Com a presença na
Conferência de Chaim Weizman, que apresentou reivindicações sionistas, foi um
gatilho para a convocação do Primeiro Congresso Palestino, a fim de apresentar contra
alegações árabes e palestinas na Conferência. Quando o Primeiro Congresso
Palestino emitiu seu manifesto antissionista rejeitando a imigração judia.
1920 - De acordo com Benny Morris, o nacionalismo árabe palestino como um movimento distinto apareceu entre abril e julho de
1920, após os distúrbios de Nebi Musa, a conferência de San Remo e o fracasso de Faiçal em
estabelecer o Reino da Grande Síria.
1939 -1945 - II Guerra Mundial
– A Alemanha Nazista que já vinha
perseguindo os judeus no seu território e nos até então conquistados e iniciou
o assassinato planejado dos judeus e outras minorias étnicas. Holocausto.
ONU – Organização das
Nações Unidas, criada após a II Grande Guerra, substituindo a liga das Nações,
em sua Assembleia inicial – dirigida pelo brasileiro Oswaldo Aranha aprovou a
criação do estado de Israel em 1947.
1948 – 14 de maio de 1948
– Criação do Estado de Israel.
Guerras árabes – israelenses:
(Fonte – Site Brasil Escola - Brasil
Escola - O maior portal de educação do Brasil (uol.com.br)) – escolhemos
esta fonte por ser amplamente usada no Brasil para pesquisas escolares, assim
não buscamos tendenciar os fatos. O leitor que quiser se aprofundar poderá
encontrar outras fontes.
1948 a
1949 – 1ª Guerra - Os países árabes que cercam Israel não aceitam a
formação do Estado de Israel e iniciam uma guerra que ao final é vencida por
Israel que aumenta em 33% o seu território.
1956 – 2ª guerra - O Egito nacionaliza o Canal de Suez (
Presidente Nasser) contrariando os interesses Franceses, Ingleses e Israelenses
– que se unem e tomam o Canal de Suez – ao final a URSS e os Estados Unidos
propõe a paz, votando o canal à iniciativa privada. Esta foi a única guerra
iniciada por Israel.
1967 - 3ª guerra –
Guerra dos 6 dias - ataques dos países árabes em conjunto contra Israel. Acaba
com a vitória de Israel.
1973 - 4ª guerra –
Guerra do Yom Kippur – ataques dos países árabes em conjunto contra Israel. Acaba
com a vitória de Israel.
Intifadas – são ataques organizados por Grupos Palestinos
contra Israel – acontecem diverso, sendo os principais os de 1987, 1993, 2000 e
2005. (todas exigindo a saída de Israel dos territórios conquistados nas
guerras anteriores).
2023 – 5ª guerra - Ataque Terrorista do Hamas em 2023 – Israel
declara guerra ao Hamas que se localiza na Faixa de Gaza.
MANIFESTO PELA PAZ NO CONFLITO
ISRAEL/PALESTINA
Nós, espíritas laicos e livre-pensadores, associados e
amigos da CEPABrasil, instituição filiada à CEPA- Associação Espírita
Internacional, no exercício de nossa liberdade de expressão conferida pela
Constituição da República Federativa do Brasil e inspirados nos princípios
humanistas da filosofia espírita fundada e codificada por Allan Kardec,
manifestamos nosso repúdio ao conflito armado entre israelenses e palestinos,
deflagrado, nos últimos dias, na região do Oriente Médio.
Apelamos às partes em conflito e à comunidade
internacional para que realizem esforços urgentes por um cessar-fogo imediato e
pela volta das negociações diplomáticas. Entendemos que israelenses e
palestinos necessitam de uma solução negociada que contemple, de forma justa, o
interesse de ambos os povos, e temos claro que, sem boa vontade e renúncias
recíprocas na construção dessa solução, a humanidade continuará assistindo o
terrível espetáculo de dor e morte que tem atingido, especialmente, a população
civil de ambos os povos.
Basta de mortes, destruição e sofrimento! Ainda há
tempo de resgatar nossa humanidade perdida em meio à brutalidade desse
conflito. É hora de recordar dos nobres valores de reverência à Vida que nos
foram legados por grandes mestres da espiritualidade que viveram nessa região
do planeta, berço das três maiores religiões monoteístas do mundo: o judaísmo,
o cristianismo e o islamismo.
Os palestinos e os israelenses
são nossos irmãos em humanidade. Ambos, em suas diferenças, têm muito a
contribuir com o desenvolvimento intelectual, moral e cultural de nosso
planeta. Mas, para essa finalidade, é necessário que se predisponham a uma convivência
respeitosa a partir do reconhecimento recíproco e consensual de suas soberanias
político-territoriais.
Que os homens e as mulheres com poder de decisão entre
israelenses e palestinos e, também, na comunidade internacional, tenham a
coragem de largar as armas e de realizar a paz!
Santos/SP,
Brasil, 17 de novembro de 2023
A
utilidade do ser humano.
"O
bem que você faz hoje pode ser esquecido amanhã. Faça o bem assim mesmo. Veja
que, ao final das contas, é tudo entre você e Deus! Nunca foi entre você e os
outros". (Madre Tereza de Calcutá).
Em
setembro de 1939 Adolf Hitler mandou invadir a Polônia, dando início à 2ª
Guerra Mundial. No inverno de 1942 as tropas dele estavam famintas e congelando
nas nevascas da Rússia, onde seu melhor general morreu de enfarto, e os Estados
Unidos tinham entrado na guerra. Pela 1ª vez o sonho de Hitler sobre o império
alemão durar mil anos ficou incerto. Enquanto Hitler contratava e demitia
generais e o inverno ficava mais frio, quinze homens de confiança do III Reich,
liderados pelo general da SS Reinhard Heydrich, se encontraram para uma reunião
secreta em Wannsee, subúrbio de Berlim. Em duas horas eles mudaram o mundo para
sempre, pois ali foi decidido a "Solução Final", que tinha por
objetivo eliminar todos os judeus da Europa.
O Vaticano há muito enfrenta críticas por conta da postura do Papa Pio XII, que não teria se pronunciado contra a perseguição nazista aos judeus.
A Igreja Católica também não teria revelado detalhes do possível envolvimento do papa no Holocausto, que provocou a morte de seis milhões de judeus, bem como de ciganos e homossexuais.
Em março de 2000, o Papa João Paulo II pediu desculpas a qualquer postura incorreta dos católicos em relação aos judeus, às minorias e às mulheres durante o nazismo.
A liberdade é uma escolha.
"O livre-arbítrio é a capacidade de fazer com
alegria aquilo que eu devo fazer". (Carl Gustav Jung).
Sobrevivente de Auschwitz, a escritora húngara e
doutora em psicologia Edith Eva Eger, que em 29 de setembro/2021 fará 94 anos,
lançou o livro "A liberdade é uma escolha" , que trata sobre a
escolha do ser humano em ser livre.
Escutemos com atenção este breve relato da Sra. Edith
Eva Eger:
"Na minha primeira noite no campo de concentração
em Auschwitz, aos 16 anos de idade, fui forçada a dançar para Josef Mengele, o
oficial da SS conhecido como Anjo da Morte. Dance para mim , ele
ordenou. Relembrando o conselho dado por minha mãe - Ninguém pode tirar de
você o que você colocar na sua mente - , fechei os olhos e me transportei
para um mundo interior. Na minha imaginação , eu não era mais a prisioneira
morta de frio e de fome e arrasada pela perda. Meus pais foram assassinados na
câmara de gás no primeiro dia de prisão.
Passei então a me imaginar no palco da Ópera de
Budapeste interpretando a Julieta do balé de Tchaikovsky. Foi escondida nesse
refúgio interior que obriguei meus braços a se erguerem e minhas pernas a
girarem. Reuni forças para dançar pela minha vida.
Todo minuto que vivi no campo de concentração de
Auschwitz foi como um inferno na Terra. Mas foi também a minha melhor escola.
Submetida à perda, à tortura, à fome e sob constante ameaça de morte, descobri
as estratégias de sobrevivência e liberdade que uso até hoje, diariamente, em
meu consultório e em minha vida.
Quando escrevi A bailarina de Auschwitz, eu não
queria que as pessoas lessem minha história e pensassem - Meu
sofrimento não é nada em compensação com o dela - .Queria que as
pessoas conhecessem a minha vida e entendessem - Se ela pode fazer isso, eu
também posso".
Dentre os conceitos fundamentais que compõem
o núcleo do Espiritismo, o livre-arbítrio é o aspecto da lei maior que sustenta
a evolução do universo inteligente. Livre-arbítrio é a ação do espírito no
limite de seu conhecimento, e responsável na medida de seu entendimento. Como
mola propulsora desse livre arbítrio surge algo chamado de vontade. Paulo Cesar
Fernandes em seu trabalho Livre-arbítrio ou Determinismo apresentado no
VI Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita de 1999 assinala que o livre
arbítrio é libertação. Todavia o espírito tem em si uma série de leis, escreve
Paulo Fernandes, que não pode sobrepujar por estar envolvido na matéria, preso
a um organismo,sujeito a leis biológicas e psíquicas, vinculado a um meio
social e modelado pela educação da família. Naqueles espíritos que ainda não
chegaram a um grau de consciência superior a vontade é quase instintiva,
baseando-se nas necessidades de sobrevivência. Continua Paulo Cesar Fernandes,
dizendo que à medida que tomamos consciência de nossa existência e sua
finalidade, nos convertemos em seres mais reflexivos, inteligentes e racionais,
conquistando passo a passo a nossa liberdade , através da vontade de superação,
eu acrescentaria. Esse também é o conselho da Sra. Edith Eva Eger em seu livro "A
liberdade é uma escolha" . Embora o sofrimento seja universal e
inevitável, diz a autora, podemos ajudar as pessoas a valorizar o poder da
escolha. A vontade como força motriz do livre-arbítrio.
Meus queridos e
com certeza poucos leitores, tentem responder a essa sequência de
perguntas propostas pela Sra. Edith Eger : Sou orientado por problemas ou
orientado por soluções? Vivo refém do passado ou estou vivendo no presente? E
por último aquela pergunta que ela acha que devemos nos perguntar diariamente :
estou evoluindo ou revolvendo o passado?
Voltemos ao
pensador Paulo Cesar Fernandes no seu trabalho do VI SBPE de 1999, Livre-arbítrio
ou Determinismo, que nos ensina que quanto maior for nosso grau de evolução
maior será a nossa liberdade com a consequente maior
responsabilidade pelos atos praticados. Eu acredito, e para isso me valho
do Espiritismo, que possuímos em todos nós uma capacidade de transcender até
mesmo o maior dos horrores e usar o sofrimento para o bem estar de todos como
fez a Dra. Edith Eva Eger .
Nota: Artigo
originalmente publicado no Jornal Abertura de Santos.
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