quarta-feira, 29 de maio de 2024

Influências Místicas de Kardec por Jaci Régis

 

Influências Místicas de Kardec por Jaci Régis

 

“A princípio, eu só tinha em vista instruir-me. Mais tarde, quando vi que aquelas comunicações formavam um conjunto e tomavam as proporções de uma doutrina, tive a ideia de publicá-las para que todos se instruíssem”. Assim Allan Kardec relata como se decidiu iniciar a estruturação do Espiritismo.


 

A sequência de mensagens mediúnicas que foram dirigidas a Kardec é também de grande interesse.

- em 25 de março de 1856, manifestou-se um Espírito que se identificou como Verdade;

- em 30 de abril de 1856,  Um Espírito não identificado faria uma declaração bombástica. Não haverá mais religião, mas uma será necessária, porém verdadeira, grande, bela e digna do Criador (...) Os primeiros fundamentos já foram lançados. Rivail , é esta a tua missão”;

- em 7 de maio de 1856, o Espírito Hahnemann confirmou que ele tinha uma grande missão;

- em 12 de junho o Espírito a Verdade  além de confirmar sua missão disse “A missão dos reformadores é cheia de escolhos e perigos.A tua é rude, previno-te pois terás de revirar e transformar o mundo inteiro;

- em 5 de abril de 1860, uma mensagem recebido em Marselha assinada por “um Espírito”, dizia “O Espiritismo foi chamado a desempenhar um papel imenso na Terra. Reformará a legislação, tantas vezes contrária às leis divinas, retificará os erros da História, restaurará a religião do Cristo”;

- em 9 de agosto de 1863 após o lançamento do Evangelho Segundo o Espiritismo,  uma comunicação afirma !Aproxima-se a hora em que terás que declarar abertamente o que é o Espiritismo e mostrar a todos onde está a verdadeira doutrina ensinado pelo cristo.A hora em que à face do Céu e da Terra, deverás proclamar que o Espiritismo como a única tradição verdadeiramente cristã, a única instituição verdadeiramente divina e humana”

 

Para Herculano Pires, essa mensagem mostra sem réus, numa hora histórica do Espiritismo, que a natureza da doutrina é essencialmente religiosa. Em 30 de janeiro de 1866, assinado por “um Espírito”, uma mensagem anunciava os novos tempos “Regozijai-vos, portanto, vós todo os que aspiram à felicidade e que quereis que vossos irmãos a compartilhem convosco. O dia é chegado! A Terra palpita de alegria porque vai ver o inicio do reino da paz prometido pelo Cristo, o Divino Messias, reino cujos fundamentos ele veio lançar”.

 

Essa pequena transcrição do livro Obras Póstumas, mostra como o prof. Rivail foi cercado por Espíritos ligados efetivamente à religião. Eles criaram um ambiente de exaltação ao trabalho dele e afirmaram que os tempos eram chegados e dentro da mesma forma deslumbrante das profecias, profetizaram o sucesso ímpar do Espiritismo. E como em geral as profecias, estas também falharam.

Não tinham noção das revoluções sociais, humanas e cientificas que em menos de cem anos abalariam definitivamente o mundo. Estavam a alguns anos do século vinte e nele vislumbraram a implantação mística do reino de Deus, dentro do modelo cristão, católico.

 

A trajetória de Kardec é sinuosa.

 

Queria que o Espiritismo fosse uma ciência. Mas criou uma religião, sem querer que fosse religião.

Chamou o papel dos Espíritos de divino, mas ao mesmo tempo alertou: “Um dos primeiros resultados de minhas observações foi descobrir o fato de que os Espíritos nada mais sendo que as almas dos homens não possuíam nem a suprema sabedoria nem a suprema ciência. Agi com os Espíritos como teria feito com os homens. Foram para mim, desde o menorzinho até o maior deles, veículos de informações e não reveladores predestinados”.

 

Devemos reconhecer que com essa assessoria mística, católica, provinda do plano extrafísico, ele ainda assim saiu-se muito bem. Na verdade, resistiu a esse assédio como equilibrista da razão e da fé.

O século vinte um desponta como uma incógnita sob a liderança inconteste da ciência dura e coadjuvada pelas ciências humanas.

 

Nota da Redação – este texto foi recuperado do Disco Rígido do computador pessoal de Jaci Régis e apresentado agora no ABERTURA. Publicado no mês de maio de 2013.

 

segunda-feira, 13 de maio de 2024

Desencarnação do meu tio Ivon Régis por Cláudia Régis Machado

 

Desencarnação do meu tio Ivon Régis

Já a algum tempo acompanhávamos e vibrávamos muito pelo tio Ivon, ele estava hospitalizado por duas semanas e em nossas vibrações pedíamos pelo melhor para ele, como Espírito.

Meu tio

Meu querido e amado tio Ivon. Irmão mais velho de meu pai Jaci, sempre com o semblante alegre apresentando muita disposição para realizar tarefas e ser presente em momentos importantes de nossas atividades espíritas e familiares.

Bons Momentos!

Gostava de dançar e me iniciou nesta balada em minha adolescência, parceiro de alguns bailes. No seu encontro sempre muita afetividade e carinho, um querido que deixa saudades com lembranças aprazíveis.

Um companheiro constante de WhatsApp de minha mãe, toda manhã enviava mensagem de otimismo para o bem viver.

Nosso Ivon era assinante do Jornal Abertura desde o primeiro dia, leitor apaixonando.

Foi tesoureiro do Lar Veneranda e Conselheiro por muitos anos, foi homenageado pelo Lar e pelo Abertura em setembro de 2017, ainda em vida.



Publicamos aqui também a mensagem carinhosa feita pelo CEAK



Parabéns a este Espírito trabalhador, dedicado a família e ao espiritismo.

Vai tio Ivon, encontre os que te amam, estaremos sempre com o pensamento unido e no futuro voltaremos a estar juntos.

 

sábado, 4 de maio de 2024

OS ESPÍRITAS E O ESTADO LAICO por Ricardo Nunes

 

OS ESPÍRITAS E O ESTADO LAICO por Ricardo de Morais Nunes

Uma das maiores conquistas do mundo ocidental foi o surgimento do Estado laico. Após um histórico de guerras religiosas sangrentas, as instituições políticas ocidentais se formataram segundo o princípio ético-jurídico da neutralidade do Estado em questões religiosas.

No passado ocorreram uma quantidade enorme de guerras religiosas. Para não me estender em demasia destaco aqui as cruzadas que colocaram em conflito cristãos e muçulmanos, e as guerras religiosas no ocidente que colocaram em conflito católicos e protestantes. O tristemente célebre massacre da noite de São Bartolomeu, em 1572, na França, manchou a história religiosa do mundo cristão.

Hoje em dia a ideia de “guerra santa” ainda persiste, misturando política, nacionalismo e religião em um caldo de cultura verdadeiramente explosivo. No mundo contemporâneo existem Estados teocráticos, nos quais o livro religioso e a palavra do chefe religioso se sobrepõem às leis civis do Estado nacional. 

É fácil perceber que um Estado que se declara religioso acaba por tomar partido entre os seus cidadãos e, como consequência, trata com menor interesse, para dizer o mínimo, aqueles que não aderem ao credo oficial. Do ponto de vista das liberdades democráticas traz para a arena política uma visão absolutista e dogmática restringindo o espaço para o debate alteritário.

No Brasil dos últimos anos, houve um crescimento da influência dos religiosos no Estado. Fala-se, hoje, inclusive, em uma “bancada da bíblia” no legislativo federal. Já foi falado por um presidente do passado recente sobre a necessidade de ser  nomeado, à instância máxima do judiciário brasileiro, um ministro “terrivelmente evangélico”.

No Brasil, ante o quadro político dos últimos anos, corremos o grave risco de misturar, irremediavelmente, religião e Estado, o que seria realmente um risco às liberdades democráticas de crença e manifestação da opinião.

Allan Kardec enfrentou problemas com a religião quando por ocasião do auto de fé de Barcelona. Nesse triste episódio, obscurantista, de caráter medieval, teve seus   livros espíritas queimados na Espanha por ordem de um bispo intolerante que se achou no direito de intervir nas questões alfandegárias do Estado Espanhol em sua relação com a França.

Penso que nós, espíritas livre-pensadores, devemos estar alertas para esse problema. Uma coisa são os adeptos de uma visão religiosa se manifestarem perante a sociedade civil sobre os variados temas políticos que existem na sociedade, exercendo, assim, seu legitimo direito à livre expressão, outra coisa é integrar as instituições do Estado, tendo como requisito fundamental para o exercício de um cargo público, não sua capacidade técnica, científica, administrativa ou política, mas a característica de ser religioso, profitente de uma determinada fé.

Isso resultará em uma imposição de valores e crenças aos que não comungam com a mesma visão, o que a longo prazo fará um estrago tremendo ao desenvolvimento científico, ético e cultural da sociedade. O Estado deve ser apenas um garantidor das múltiplas manifestações de crença e não crença, as quais representam os diferentes estados de consciência de uma nação.

Não há nenhuma conquista da humanidade que não pode ser perdida. O obscurantismo medieval está sempre à espreita e, não tenhamos dúvidas, pode voltar em novas roupagens. Dos espíritas, discípulos de Allan Kardec, um homem que acreditava na ciência, na razão e no desenvolvimento para melhor da humanidade, se espera que estejam atentos e que não embarquem nas canoas furadas do retrocesso.

Gostou do Artigo, ele foi publicado no jornal Abertura de abril de 2024, quer ler o jornal completo - baixe aqui:

https://cepainternacional.org/site/pt/cepa-downloads/category/42-jornal-abertura-2024?download=300:jornal-abertura-abril-de-2024