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domingo, 29 de março de 2026

As Coordenadas da Alma: Uma Crônica sobre a Clarividência - por Herivelto Carvalho

 

As Coordenadas da Alma: Uma Crônica sobre a Clarividência

 Por Herivelto Carvalho

 

O Jornal Abertura, publicou em maio de 2022, um artigo denominado Crônica de uma desaparição (Uma homenagem à clarividência) por David Santamaria

 dsantamaria.cbce@gmail.com – Jornal Flama Espírita - edição de abril-junho de 2022. Barcelona – Espanha. Que traduzimos e trouxemos ao nosso público. O artigo pode ser acessado no link ao final do artigo.

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 Herivelto Carvalho é mencionado neste artigo de David Santamaria como senhor Carvalho. Conversando com Herivelto sugerimos que ele contasse o caso sob o ponto de vista dele e incluísse a participação de Antônio, pseudônimo que foi adotado em 2022. Certamente um caso que demonstra a participação de uma médium clarividente. E uma colaboração entre pessoas ligadas à CEPA no Brasil, Espanha e França.

 Fiquemos com o artigo de Herivelto de Carvalho

 O uso de clarividentes na busca por pessoas desaparecidas é um tema que sempre transitou nas sombras da informalidade. Sei que, sob o olhar rigoroso da ciência e das forças de segurança, falta a esses métodos a precisão e a comprovação necessárias para serem reconhecidos oficialmente. As falhas dos sensitivos são reais e a subjetividade do fenômeno impõe uma barreira compreensível. No entanto, é impossível ignorar que a história também guarda relatos bem documentados, casos em que a intervenção de um clarividente foi o fio condutor decisivo para o desfecho de um mistério.

Como espírita, convivo com uma literatura vasta que não apenas descreve a fenomenologia, mas apresenta inúmeros casos reais. Contudo, a teoria sempre me pareceu algo distante, um conhecimento que eu respeitava, mas não esperava presenciar de forma tão tangível. Essa percepção mudou drasticamente em janeiro de 2022. Naquele momento, fui colocado no centro de um evento onde não apenas ouvi falar, mas testemunhei cada etapa dessa faculdade mediúnica em ação, transformando minha compreensão teórica em uma experiência viva.

Hoje, esse acontecimento não vive apenas na minha memória; ele está imortalizado na edição nº 184 do periódico espanhol Flama Espírita, um boletim informativo do Centre Barcelonès de Cultura Espírita (CBCE) sob o título "Crónica de una desaparición (Un homenaje a la clarividencia)", escrito por David Santamaria.

 A história narra o angustiante desaparecimento de um jovem brasileiro em Paris que, na crônica, foi chamado pelo pseudônimo de Antônio. Nesse relato surgiu também a figura da médium clarividente Issa Valentina, residente em Barcelona. Suas visões, detalhadas e precisas guiaram as buscas em meio ao inverno europeu, contribuindo para que Antônio fosse finalmente localizado. Nesse registro, eu apareço sob o pseudônimo de “Sr. Carvalho”. Minha função foi atuar como o ponto de convergência, o intermediário entre as percepções transcendentais da médium e a família de Antônio no Brasil.

Este texto não nasce do desejo de substituir o registro histórico já existente, mas sim da necessidade de expandi-lo. Meu objetivo é oferecer uma crônica complementar ao trabalho de David Santamaria, trazendo agora o meu ponto de vista como participante direto e testemunha ocular dos bastidores desses eventos. Se nas páginas da Flama Espírita fui identificado sob o véu do pseudônimo “Sr. Carvalho”, aqui assumo a voz de quem viveu a ponte entre a angústia da família no Brasil e as percepções transcendentais em Barcelona.

O início dessa história aconteceu no dia 21 de janeiro de 2022. O jovem Antônio, meu conterrâneo, que então vivia na Irlanda, foi subitamente dominado por uma crise severa de pânico e paranoia. Sentindo-se perseguido e sem condições de permanecer na Europa, ele decidiu que a única saída era retornar ao seio da família, no Brasil. O plano era simples: um voo de Dublin com escala em Paris, e de lá para o Rio de Janeiro.

 Mas a mente prega peças cruéis. Ao pisar no Aeroporto Charles de Gaulle, em 22 de janeiro, o medo paralisante o impediu de embarcar. Retirado pela polícia francesa em meio a um surto, ele foi levado a uma clínica. No dia seguinte, ao ser liberado, Antônio ainda não era ele mesmo. Desorientado e em pleno surto psicótico, ele caminhou para fora da clínica e desapareceu nas ruas de Paris, deixando para trás mochila e documentos.

A notícia atravessou o oceano, repercutiu na mídia brasileira e, logo, estampava os jornais franceses. A família, mergulhada no desespero, mobilizou uma rede de buscas que unia uma advogada francesa, a polícia local e voluntários brasileiros residentes em Paris.

Para ajudar no engajamento digital, foram criados cartazes virtuais com a foto de Antônio e informações sobre o ocorrido em inglês e francês. O objetivo era alcançar a comunidade de brasileiros na Europa e os próprios europeus. Foi então que decidi usar a rede de contatos que construí durante o tempo em que atuei como delegado da CEPA - Associação Espírita Internacional. Enviei os cartazes para diversos colegas europeus que integravam a instituição, na esperança de que a informação circulasse em nichos específicos.

 Alguns dias depois, recebi um retorno inesperado. David Santamaria, um amigo espírita residente em Barcelona e integrante do Centre Barcelonès de Cultura Espírita, entrou em contato comigo. Ele relatou que havia apresentado a foto de Antônio a uma médium, Issa Valentina, participante do círculo de médiuns daquela instituição e que havia intuído informações sobre Antônio por meio da Clarividência.

Issa Valentina foi uma sensitiva extraordinária e autodidata que dedicou sua vida ao auxílio desinteressado de pessoas e espíritos, destacando-se por suas amplas faculdades como clarividente, magnetizadora e médium vidente, auditiva e de incorporação. Reconhecida por localizar pessoas desaparecidas e transmitir mensagens de consolo, ela demonstrava uma profunda nobreza de caráter ao manter sua tarefa caritativa mesmo diante de graves problemas de saúde, manifestando uma gratidão singular pela oportunidade de servir.

No dia 30 de janeiro, sem qualquer informação prévia além de uma foto, por meio de um fenômeno de clarividência e sem nunca ter estado em Paris, Issa passou a ter visões detalhadas sobre o paradeiro de Antônio, descrevendo não apenas sua possível localização, mas também seu estado físico e psicológico fragilizado. Ela descreveu Antônio nervoso, arrumando malas, discutindo com alguém uniformizado (provavelmente policiais ou funcionários), afirmando sentir sua presença na estação ferroviária Gare du Nord, um local a quilômetros de distância de onde a polícia o procurava. Na mesma visão, segundo Issa, Antônio estava usando um lenço no pescoço – detalhe confirmado, pois ele saiu da clínica com um – e o perdeu na estação.

Com as descrições de Issa Valentina em mãos, vi-me diante de uma situação difícil: como entregar uma pista oriunda de uma fonte paranormal a uma família mergulhada na angústia? Até aquele momento, ninguém sabia do meu contato com a médium barcelonesa. Lembro-me da hesitação antes de entrar em contato com a irmã de Antônio. Eu não sabia se ela me daria credibilidade ou se o meu relato soaria como um devaneio; temia que ela visse aquela informação como algo ridículo ou, pior, como uma falsa esperança em um momento de desespero. Entre o receio e o dever, escolhi falar.

Para meu alívio, a reação dela foi o oposto do que eu temia. Houve uma gratidão imediata e uma aceitação; ela sentiu que aqueles detalhes faziam sentido. Mas a verdade espiritual precisava de uma "roupagem terrena" para atravessar as portas da delegacia em Paris. Entendíamos que a polícia francesa jamais moveria uma viatura baseada em uma visão mediúnica. Uma pista rotulada como "paranormal" seria sumariamente descartada.

A saída foi uma manobra estratégica e necessária e, dessa forma, a irmã de Antônio orientou a advogada francesa a relatar às autoridades que voluntários brasileiros haviam colhido depoimentos de testemunhas oculares em Gare du Nord. Segundo esse relato "oficial", alguém com as características de Antônio teria sido avistado naquela estação. A estratégia funcionou. Ao transformar a visão da clarividente em um "testemunho de campo", foi dada às autoridades a segurança de que precisavam para agir. A polícia acreditou na narrativa e, finalmente, o epicentro das investigações mudou para o lugar que Issa já havia apontado.

No dia 2 de fevereiro, o que era uma intuição espiritual transbordou para a realidade física. A notícia chegou a mim através da irmã de Antônio e, confesso, o impacto foi como um choque de realidade. A intuição de Issa era verdadeira. A polícia de Paris encontrou o rastro concreto: as câmeras de segurança da Gare du Nord confirmavam que, no dia 30 de janeiro, Antônio estivera ali e seu celular fora localizado no setor de achados e perdidos.

Profundamente impactado pela precisão do que vínhamos acompanhando, apressei-me em avisar David Santamaria e a médium Issa Valentina. A confirmação oficial não foi o caminho para uma fase ainda mais intensa. A partir dali, com base nas novas visões que Issa recebia, passamos a trocar mensagens com uma frequência maior refinando as coordenadas espirituais para alcançar Antônio antes que ele se perdesse novamente.

Como Issa Valentina não conhecia a geografia de Paris, contei com a ajuda fundamental de Jacques Peccatte, um francês residente na capital e delegado da CEPA. Jacques atuava como nosso "intérprete" geográfico: por meio do WhatsApp, eu repassava as descrições visuais que a Issa me enviava e ele, com seu conhecimento da cidade, identificava os locais. Em outra visão, no dia 2 de fevereiro, Issa mencionou uma descrição de Antônio próximo a um local com pontes e água, que Peccatte julgou ser o canal Saint Martin, a apenas 10 minutos da Gare du Nord. Enviei isso à irmã de Antônio que repassou aos grupos, e buscas intensas ocorreram ali nos dias 3 e 4, porém sem sucesso imediato.

Outras visões descreviam Antônio em uma espécie de estacionamento junto a um carrinho de supermercado, acompanhado de um homem mais velho, e certas paisagens que Peccatte não conseguia reconhecer de forma alguma pois não batiam com nada naquela zona de Paris.

A explicação só veio mais tarde, quando Antônio já estava em segurança e veio me visitar em minha casa. Ele me contou que, naquele período de silêncio geográfico, ele havia saído de Paris. Ele aprendeu com moradores de rua a "pular a catraca" e andar de trem gratuitamente. Tomou um trem na Gare du Nord e passou alguns dias em Bordeaux. Quando mencionei a visão da Issa sobre o estacionamento, ele ficou impressionado: confirmou que, naquela cidade, ele fez amizade com um morador de rua e, juntos, roubaram comida de um carrinho de compras justamente em um estacionamento de supermercado.

Em 5 de fevereiro, Issa o viu desnutrido, escondido próximo a uma área aberta com muitos pombos, andando cabisbaixo e cruzando os braços. Sugeri que ela tentasse influenciá-lo mentalmente para buscar ajuda. Ela repetiu essa influência nos dias 6 e 7, focando em fazê-lo procurar policiais ou sair do esconderijo. Enquanto isso, equipes cobriram dois parques próximos à Gare du Nord, distribuindo cartazes e conversando com moradores de rua.

Praça da Bastilha - Paris

Finalmente, na madrugada de 8 de fevereiro, por volta das 2h da manhã (horário de Paris), Antônio foi encontrado na Place de la Bastille – uma praça que se encaixava perfeitamente na visão de Issa de um local aberto com pombos e movimento. Ele vagava há dias em estado de amnésia, sem se lembrar de quem era. Um voluntário brasileiro do grupo de buscas o reconheceu quando Antônio se aproximou para pedir ajuda dizendo estar confuso ao se ver em um cartaz de desaparecido. Ele estava exausto e desidratado, e assim foi levado para a casa de parentes em Paris, onde recebeu medicação, alimentação e descanso, aguardando a chegada de seus irmãos que foram buscá-lo.

Em abril de 2022, alguns meses após o ocorrido em Paris, recebi Antônio em minha casa, já em solo brasileiro. Sentar-nos para conversar foi como abrir o mapa de um território que ambos havíamos atravessado, mas por dimensões diferentes. Eu ainda tinha em mente os detalhes das visões de Issa — fragmentos que, na época, pareciam enigmas indecifráveis para nós. No entanto, à medida que eu os relatava, via a surpresa desenhar-se no rosto de Antônio. Detalhes que para mim eram abstratos eram, para ele, recordações nítidas de seus momentos de errância. A precisão cirúrgica da médium não apenas validou o fenômeno, mas deixou o próprio protagonista da história impressionado diante do que aquele estranho dom fora capaz de captar.

Contudo, entre a alegria do reencontro e os planos para o futuro, o destino impôs uma nota de profunda tristeza. Em maio de 2023, fomos surpreendidos pela notícia de que Issa Valentina havia partido. Aos 51 anos, vítima de complicações de saúde, a mulher que foi farol para um desconhecido em Paris encerrava sua missão terrena. Sua partida precoce deixou um vazio imenso no Centre Barcelonès de Cultura Espírita.

A vida, com sua poética própria, reservava um desfecho que Issa certamente acompanhou de outra esfera. Em maio de 2025, vi o círculo se fechar por completo. Antônio, plenamente recuperado e fortalecido, atravessou novamente o Atlântico. Desta vez, porém, o destino não era o abismo da confusão, mas o solo sagrado da gratidão. Em Barcelona, ele visitou a sede do Centre Barcelonès de Cultura Espírita e conheceu pessoalmente David Santamaria. Embora não pudesse mais apertar a mão de Issa, ele esteve no espaço onde ela atuava e pôde sentir os ecos do bem realizado por ela e que ajudaram tantas pessoas. Ver Antônio caminhar por aqueles corredores, não mais como um nome em um boletim informativo, mas como um homem livre e grato, foi a prova definitiva de que aquela jornada não foi apenas sobre um desaparecimento. Foi sobre o reencontro de seres humanos unidos por um fio invisível, mas inquebrável, tecido pela caridade e pela luz da clarividência.

 Crônica de uma desaparição (Uma homenagem à clarividência) por David Santamaria

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