sábado, 1 de outubro de 2011

Do Jesus Pré-cristão ao Jesus Cristão - Jaci Régis

DO JESUS PRÉ-CRISTÃO AO JESUS CRISTÃO


Jaci Regis


JESUS DE NAZARÉ
Quando começou sua pregação, Jesus era um homem de 30 anos. Na sua época, um homem de 30 anos era uma pessoa de idade bastante expressiva, diante da expectativa de vida.
Por isso, é natural que fosse casado e que tivesse até filhos. Essa humanização dele foi repelida e continua sendo repelida pois, desde sua morte, seus seguidores dividiram-se sobre a sua natureza.
Jesus baseou-se na Lei Mosaica e não apenas a reformulou, como criou uma revolucionária forma de relacionamento humano, extraordinariamente acima dos preconceitos judaicos.
Na verdade, apenas se apoiou nas bases bíblicas e descortinou um novo cenário para entendimento do ser humano. Esse novo cenário baseou-se no amor e na reciprocidade entre as pessoas, subvertendo o entendimento, fazendo daquele que serve o maior. Usou expressões comuns, parábolas e ensinamentos tirados do dia a dia, criando uma compreensão fácil e concreta da existência humana.
Em apenas três anos ele criou a base para uma revolução moral em meio à mediocridade geral dos fariseus e saduceus.
Os judeus viviam sob o Império Romano e a população desejava a libertação política, e não via qualquer relação histórica entre Jesus de Nazaré e o esperado Messias. Ele não possuía nenhum perfil compatível com a esperança desse Messias libertador e promotor do esplendor de Israel.
Por isso, preferiu-se Barrabás, o revolucionário político, a Jesus de Nazaré, com sua doutrina renovadora e revolucionária.
Podemos dizer, rigorosamente, que Jesus de Nazaré foi uma pessoa pré-cristã.
Não fundou uma religião, nem escreveu seu testamento.
Seus discípulos e primeiros apóstolos eram todos judeus, geralmente de nível social mais elementar.
Criaram a igreja do caminho e teriam levado suas palavras ao esquecimento e se reduzido a uma seita judaica, não fosse a adesão de um intelectual: Saulo de Tarso.
Saulo de Tarso, ao se converter às idéias do Nazareno, iniciou um grande programa de divulgação entre as comunidades judaicas dispersas no Império Romano, até chegar à Roma. Ele foi morto em 64 D.C. e sua pregação indica claramente que acreditava e esperava o retorno do Nazareno, ainda em sua existência, para instalar o Reino de Deus na Terra.

JESUS CRISTO
O cristianismo foi fundado no Concílio de Nicéia, no ano 385 da Era Cristã, sob a firme determinação do Imperador Constantino.
Até ali, várias correntes ou seitas se digladiavam sobre a figura de Jesus, criando divisões, as quais o Imperador determinou o fim.
O Concilio, por ele convocado, decidiu pelo domínio da Igreja de Roma e estabeleceu o credo da Igreja Católica, a divindade de Jesus, englobando todas as correntes existentes de modo esparso e conflitante.
Esse emaranhado de seitas produziu 315 evangelhos que o mesmo Concílio baniu, fixando-se nos quatro evangelhos canônicos.
Segundo J. Herculano Pires, “há um abismo entre o Cristo e o Cristianismo tão grande quanto o abismo existente entre Jesus de Nazaré, filho de José e Maria, nascido em Nazaré, na Galileia, e Jesus Cristo, nascido da Constelação da Virgem, na Cidade do Rei Davi, em Belém da Judéia, segundo mito hebraico do Messias” (Revisão do Cristianismo).
Como o cristianismo, Jesus Cristo nasceu em Nicéia. Nele, Jesus de Nazaré foi transformado em Jesus Cristo, dissolvido na Santíssima Trindade e tornou-se prisioneiro da retórica e da escolástica.
Legitimamente, o Jesus pré-cristão perdeu-se no Jesus cristão, Jesus Cristo, Messias, um judeu rejeitado pelos judeus, mas adorado pelos cristãos.
Com o cristianismo foi iniciado um longo período de negação da verdade, pela imposição de uma verdade final, desmentida ao longo dos séculos.
O cristianismo começou a se desfazer com a renascença.
Quando e Espiritismo surgiu, o cristianismo já estava em decadência. Nos novos tempos, uma consciência pós-cristã recupera da proposta de Jesus de Nazaré sua essência, sob uma linguagem positiva. Esta é a proposta do Espiritismo como a Ciência da Alma, não de um povo, não de uma região, mas de todos os espíritos.


Nota da Redação: Este texto foi encontrado entre os arquivos deixados por Jaci Regis. Talvez tenha sido o último esforço intelectual desse grande pensador, escrito cinco dias antes de sua internação.

Abrindo a Mente - Uma entrevista com Hernani Guimarães de Andrade

Entrevista com Hernani Guimarães de Andrade

Alexandre Cardia Machado

Em 1971 O Clarin publicou um livro de 80 páginas chamada A Matéria Psi, o livro na verdade é uma entrevista com Hernani G. Andrade (HGA), seguido de uma palaestra do autor.

Selecionei algumas perguntas e respostas muito interessantes e atuais referentes ao principal foco de pesquisas deste eminente cientista Brasileiro.

Sobre a “teoria corpuscular do espírito” – HGA - “ Penso que tudo o que existe deve ter um fundamento físico natural . Considero a matérial como um caso particularíssimo de algo substancial e energético muito mais amplo” referindo-se aos limites do conhecimento ele diz “ as barreiras conceituais discriminatórias vem caindo uma a uma. Assim, a barreira entre energia e massa caiu com a Teoria da Relatividade de Einstein.as fronteiras entre vivos e o inanimado praticamente caíram com as experiências de Fraenkel – Conrat e Robbley Willians quando estes sintetizaram o virus mosaico do tabaco”.

Estas expriências foram realizadas em 1955 na Universidade de Berkley na Califórnia – os citados cientistas à partir de proteínas básicas, conseguiram construir um virus sintético – ou seja criaram o tipo de vida mais simples existente à partir do RNA. Em 1960 conseguiram descreve a sequencia completa de 158 aminoácidos que compõe a capa deste virus

Quando perguntado sobre adescoberta da “anti-matéria” – grande xodó dos espiritas atuais vejam a resposta de Hernani. “ A anti-matéria interessa, praticamente, só à Física. Crei que pouca ou nenhuma implicação poderia ter com o Espiritismo.”

Sobre a materialização de espíritos o professor emite a opinião de que materializações de fato não ocorrem, não é um processo energético ou seja que envolva – desmaterializar e rematerializar, pois as energias envolvidas seriam astronômicas, mas sim de ideoplastia, ou seja o corpo energético dos espíritos - comunicante e médium - plasmariam o ectoplasma produzindo o fenômeno com muito menos energia.

Hernani é certamente a maior refência brasileira no campo do estudo do espírito, desenvolvendo um vasto material disponível no IBBP. Sobre a sua importância recorro a Nas palavras de Hermínio de Miranda “Engenheiro Hernani Andrade, especialmente a sua proposta "matéria psi", apoiada basicamente na sua "Teoria Corpuscular do Espírito", lançada em 1958. Este livro propunha "uma extensão dos conceitos quânticos a atômicos à idéia do espírito", imaginando um átomo tetradimensional capaz de aceitar os "encaixes" da matéria física de forma a possibilitar a interação espírito/matéria.
As dificuldades de convencer os céticos e os acomodados de uma realidade espiritual, que salta aos olhos e grita, não é minimizada pelo autor. Até mesmo os mais bem intencionados pesquisadores freqüentemente se perdem pelos caminhos, dado que, por excesso de cautelas, parecem "paralisados de medo ante a idéia de descobrir realmente algo novo"
Pensar sobre o novo – abrir a mente este é o nosso objetivo, assim fica o convite à pesquisa.

Para abrir mais a sua mente leia: A Matéria Psi – Hernani Guimarães Andrade – O Clarim; Uma avaliação do Espiritismo no Brasil -

Jaci Régis biografia e vida - por Ademar Arthur Chioro dos Reis

Jaci Regis Um Radical Discípulo de Kardec 




 O espaço destinado a Jaci Regis na história do Espiritismo depende de quem conta a história. O que não se pode negar, entretanto, é que ele é uma das personalidades mais marcantes da história contemporânea do Espiritismo. Um homem que conseguiu questionar e abalar as estruturas do movimento espírita oficial, introduzindo a crítica fundamentada, numa obra profunda, contundente, consistente, contra-hegemônica e..., portanto, profundamente polêmica. Polêmico por natureza, personificou a contradição em toda sua essência. Era, ao mesmo tempo, um homem sensível, culto, repleto de ternura, explosivo, ríspido e autoritário. Acessível às novas idéias, progressista, estimulou e defendeu a adoção de comportamentos responsáveis e livres de preconceitos no que diz respeito à sexualidade e à liberdade, fundamentais para a construção da felicidade humana, que compreendia como diretamente ligada à busca do prazer. 

Por outro lado, era politicamente conservador, um liberal clássico na acepção da palavra, que nutria exagerada antipatia ao socialismo e a esquerda em geral. Filho de Octávio Regis e Izolina Adriano Regis, espíritas praticantes, nasceu em Florianópolis, em 30 de outubro de 1932, sendo o sexto filho de uma prole composta por oito irmãos: Otávio, Arnaldo, Francisco, Albertina, Mariazinha (já falecidos), além de Ivon, Luci e Egydio. Fez o curso primário nesta cidade catarinense, onde começou a frequentar o Catecismo Espírita e, mais tarde, a Mocidade Espírita. No início de 1947 veio para Santos com a família e em novembro deste ano entrou para a Juventude Espírita de Santos, recém-fundada pelo Centro Espírita Manoel Gonçalves.

 A partir daí começa a sua exitosa trajetória de líder, divulgador e pensador espírita, destacando-se pela sua inteligência, impulsividade e criatividade. Em 1949, quando a Juventude, já então denominada Mocidade Espírita Estudantes da Verdade (MEEV), mudou-se para o Centro Beneficente Evangélico, assumiu a liderança da mesma (tinha então 17 anos) com a transferência de Alexandre Soares Barbosa, fundador e grande polarizador dos jovens, para a cidade de Araraquara. Em 1952 liderou o movimento que assumiu a direção do Centro Beneficente Evangélico. A partir daí esse centro tomaria um rumo diferenciado dos demais. 

Por sua sugestão, a casa mudou o nome para Centro Espírita Allan Kardec (CEAK). Em 1962 liderou outro movimento composto por um grupo de jovens que assumiu a direção da Comunidade Assistencial Espírita Lar Veneranda, fundada em 1954, da qual foi presidente por 32 anos. Sua gestão foi marcada por grandes realizações, culminando com a construção de um belo prédio, sede da creche que atende hoje 130 crianças e 80 mães, e outro para a escola (posteriormente vendido) que continua atendendo 60 crianças. Participou destacadamente do movimento juvenil no Estado de São Paulo, sempre combativo e inovador. Foi um dos fundadores da União Municipal Espírita de Santos (UMES), em 1951, sendo seu primeiro vice-presidente. Foi idealizador e presidente da Divulgação Cultural Espírita (Dicesp), órgão da UMES, desenvolvendo um grande trabalho de divulgação. Jovens da MEEV, editavam o jornal Espiritismo, que posteriormente fundiu-se com o jornal Mensageiro da União, órgão da UMES, surgindo o "Espiritismo e Unificação", do qual foi diretor e editor por mais de 23 anos, em companhia de José Rodrigues, que faleceu também em 2010. 

A partir das divergências e disputas encetadas com o segmento religioso da UMES, fundou a Livraria Cultural Espírita (Licespe), vinculada ao Lar Veneranda. E o Jornal ABERTURA, em 1987, do qual foi presidente e redator até o seu desencarne. Por cinco décadas foi membro do Conselho Diretor e participou de atividades doutrinárias no CEAK, do qual foi presidente por 12 anos. Em 1999, afastou-se do CEAK e fundou o Instituto Cultural Kardecista de Santos (ICKS), entidade ligada ao Lar Veneranda, que presidiu até o seu desencarne. Também presidia, desde 1994, o Conselho Deliberativo do Lar Veneranda. 

Sempre empreendedor, criou em 2009 uma OCIP, denominada Lar Ven, para cuidar dos cursos profissionalizantes ministrados no Edifício Jaci Régis, pertencente ao Lar Veneranda e sede do ICKS e do Lar Ven. 

 Escreveu as seguintes obras: A Mulher na Dimensão Espírita, em parceria com Nancy Puhlmann Di Girolamo e Marlene Rossi Severino Nobre (1975), Amor, Casamento & Família (1977), Comportamento Espírita (1981), O Poder no Movimento Espírita (1981), Uma Nova Visão do Homem e do Mundo (1984), Caminhos da Liberdade (1990), o romance As Muralhas do Passado (1993) Introdução À Doutrina Kardecista (1997), A Delicada Questão do Sexo e do Amor (1999), Doutrina Kardecista - Uma releitura da Obra de Allan Kardec (2005), Novas Idéias - Textos Reescritos (2007), Doutrina Kardecista - Modelo conceitual (2008) e Novo Pensar - Deus, Homem e Mundo (2009). 

Dirigente, orador, divulgador do Espiritismo, escritor, jornalista, por décadas dedicou-se à causa espírita, desempenhando inúmeros e relevantes papéis. Poucos, entretanto, sabem que Jaci, muito embora tenha cedo iniciado seu contato com a mediunidade, dirigindo reuniões por muitos anos, tardiamente desenvolveu faculdades mediúnicas, tendo contribuído por muitos anos como médium em reuniões de desobsessão, assistência espiritual e de pesquisa mediúnica no CEAK. Por 17 anos interrompeu suas atividades mediúnicas, mas há pouco mais de um ano as tinha retomando nas reuniões do Gabinete Psico-Mediúnico do ICKS. 

Era casado com Palmyra há 57 anos, companheira dedicada que conheceu na época de mocidade espírita e com a qual teve 6 filhos: Valéria (pedagoga), Rosana (assistente social), Gisela (bióloga), Cláudia (psicóloga), Fernando Augusto (médico) e Marcelo (engenheiro). Seus genros, Junior Oliveira, Roberto Rufo e Alexandre Machado, inspirados em seu exemplo e dedicação, tornaram-se militantes espíritas muito valorosos. A maioria dos seus 11 netos participa ativamente da MEEV. Atualmente o Lar Veneranda é dirigido por sua filha, Valéria Regis Silva, e sua numerosa e devotada família participa ativamente na gestão desta entidade, bem como do Jornal Abertura, do Lar Ven e do ICKS. Trabalhou durante 30 anos, até aposentar-se, na Refinaria Presidente Bernardes - Petrobrás, chegando a cargos de chefia de departamentos. Formou-se em Economia, Jornalismo e Psicologia. Freudiano assumido, era psicólogo clínico e até o seu desencarne exercia intensa atividade profissional, que influiu decisivamente para que se dedicasse a abordagem de temas relacionados ao comportamento humano, a sexualidade, a família, a personalidade humana e suas relações com os problemas afetivos e psíquicos. 

Desenvolveu, ao longo da década de 90 do século passado, uma teoria a que denominou Espiritossomática, procurando estabelecer pontos de confluência e a construção de uma práxis terapêutica a partir das contribuições doutrinárias do Espiritismo e de outras áreas da Psicologia, em particular a psicanálise. 

Era expositor e autor que fazia (e continuará fazendo) muito sucesso entre os jovens e espíritas livre-pensadores, desprovidos de preconceitos, tocados pelos argumentos e pela abordagem moderna, aberta, fundamentada e consistente com quem lidava com os mais diversos temas doutrinários e problemas humanos. Um autor que possuía um estilo peculiar, de reconhecida competência. Sua pena produzia há décadas ensaios e crônicas, publicadas em jornais e livros, de rara sensibilidade e ternura, que tocam as mais profundas fímbrias de nossos corações e mentes. Um texto sensível e criativo, sem que recorresse à mesmice que caracteriza a literatura espírita. Ao mesmo tempo, era capaz de produzir artigos, trabalhos, textos e livros de cunho doutrinários que se constituíram em verdadeiros clássicos da literatura espírita contemporânea, indispensáveis aos estudiosos da Doutrina Espírita. Desenvolveu uma linha de raciocínio e argumentação extremamente fundamentada e consistente, a partir dos postulados de Kardec – que conhecia como poucos. 

Era um líder nato e grande realizador. Não há dúvidas de que o Lar Veneranda foi a grande obra de sua vida, pois embora tenha tido inúmeros e valorosos colaboradores, sua obstinação, competência e liderança foram fundamentais para erguer e consolidar esta instituição modelar. Sua contribuição intelectual ao pensamento espírita, por outro lado, foi sendo desenvolvida e aperfeiçoada num processo no qual se destacam três fatos de fundamental importância na definição de sua obra: a "descoberta" de Freud e sua formação psicanalítica, no curso de Psicologia; o acesso às informações contidas na Revista Espírita, o que lhe permitiu um aprofundamento e a contextualização do pensamento de Kardec; e, por fim, a elaboração de uma proposta de re-leitura de Kardec, uma reconceituação das atividades doutrinárias, de modo a adequá-las aos princípios e objetivos do Espiritismo, num movimento criado e difundido a partir de 1978, ao qual denominou "Espiritização", que alcançou grande repercussão no movimento espírita. Constituiu-se, sem dúvida, no mais contundente e consistente crítico do Espiritismo evangélico/cristão e do não assumido roustanguismo da Federação Espírita Brasileira.

Denunciou a concentração de poder nas mãos dos conservadores dirigentes das federativas e suas nefastas consequências. Impulsionou, a partir de meados da década de 80, a discussão em torno do caráter religioso do espiritismo, defendendo vigorosamente que o espiritismo não é uma religião, combatendo a incorporação de práticas e rituais religiosos pelo movimento e as distorções no uso e prática da mediunidade. Foi um dos líderes, em 1986, da chapa de oposição à USE-SP, que terminou amplamente derrotada. A este processo seguiu-se uma verdadeira caça às bruxas, que objetivava isolar todos aqueles que de alguma forma estavam próximos ao "Grupo de Santos", ou seja, os influenciados e/ou liderados por Jaci Regis. Foi deliberadamente satanizado, rotulado de obsedado por seus "fraternos" inimigos. A divulgação do jornal por ele dirigido e de seus livros foram proibidos. 

Deixou de ser convidado para proferir palestras e conferências. As entidades do movimento de unificação do Espiritismo brasileiro procuraram isolá-lo, crentes que desta forma conseguiriam sufocar a crítica à deturpação do Espiritismo por eles transformado em uma religião conservadora e assim sufocar a retomada de um movimento genuinamente kardecista, progressista e laico. Buscando construir uma estratégia que pudesse romper o isolamento dos espíritas kardecistas que haviam sido excluídos e marginalizados (ou que se auto-excluíram por não suportarem mais as condições impostas pelo movimento oficial), idealizou e realizou em 1989 o I Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita (SBPE), bianual, destinado a estimular a produção doutrinária de espíritas encarnados, que este ano atingirá a sua 12a edição ininterrupta. Jaci Regis proporcionou com o SBPE um reencontro de antigos líderes espíritas e o surgimento de uma nova e promissora geração de dirigentes espíritas. Com isto, houve um grande fortalecimento e a definitiva capilarização da CEPA em todo o território nacional, que culminou com a criação da CEPABrasil, que tradicionalmente realiza suas assembléias durante esse evento. Proferiu palestras e conferências em vários eventos internacionais realizados pela CEPA.

Assim, tornou-se conhecido (e suas idéias reconhecidas) na Argentina, Venezuela, Espanha, etc., bem como seus livros e artigos traduzidos para o espanhol. Inicialmente manteve uma posição de autonomia em relação à entidade, mas aos poucos foi se aproximando, culminando com a adesão do ICKS à CEPA e a sua participação, em parceria com Milton Medran, da Secretaria Editorial do Conselho Executivo da CEPA, eleito em Porto Rico, para a gestão 2008-2012. Embora tenha participado ativamente de seus eventos e seja responsável por vasta contribuição intelectual ao debate de ideias no seio desta instituição, manteve sempre uma relação extremamente tensionada, quase conflituosa. Na última década “sacudiu” o movimento espírita laico dirigido pela CEPA, a quem prioritariamente procurava estabelecer um diálogo, ao propor novos rumos para o espiritismo a partir de algumas ideias que sintetizam parte dos consensos construídos no interior deste movimento nos últimos anos com outros conceitos e propostas instigantes e polêmicas. 

Concebeu um Novo Modelo Conceitual, com o qual se propunha a reescrever o modelo espírita, e a Doutrina Kardecista, que finalmente vinha denominando Ciência da Alma. Em setembro de 2010 esteve presente no II Encontro Nacional da CEPABrasil, em Bento Gonçalves, discutindo em toda a radicalidade o seu Modelo Conceitual e a Ciência da Alma. Tratam-se de contribuições fundamentais que devem ser amplamente debatidas e aprofundadas, dado o alcance e repercussões das proposituras ali contidas. Era sem dúvida um espírito complexo e profundamente polêmico: íntegro, direto, inquieto, impulsivo, autoritário, muitas vezes ríspido. 

Ao mesmo tempo era um homem sensível, sereno, amável, carinhoso e profundamente benemerente. Entre os adeptos do Espiritismo e dirigentes espíritas, é admirado por muitos, odiado por tantos outros, mas respeitado por todos. Um espírita que ousou romper a mediocridade reinante. Alguém que contribuiu como poucos (e ainda contribuirá por muito tempo) com o estudo e a divulgação do Espiritismo, comprometido de fato com o pensamento de Kardec, numa dinâmica libertária, capaz de produzir uma nova visão do homem e do mundo. 

Um dirigente espírita influenciou profundamente a cada um dos que com ele conviveu ou teve acesso a suas ideias e pensamentos. Um líder na essência da palavra, com seus erros e acertos, defeitos e virtudes. Uma vida dedicada com amor e paixão ao Espiritismo. Inquestionavelmente, uma das grandes personalidades espíritas do século 20 e da primeira década do 21. Até a véspera de sua internação na Santa Casa de Santos, em decorrência de insuficiência renal crônica, vinha trabalhando normalmente em seu consultório e em suas atividades doutrinárias. Mas o corpo cansado, embora tenha deixado a UTI por 2 dias, não mais resistiu. Jaci Regis desencarnou no dia 13 de dezembro de 2010, aos 78 anos de vida, em Santos, após 45 dias de hospitalização. Retornou ao mundo dos espíritos, onde queridos companheiros devem (em festa) tê-lo recebido. 

Deixa-nos, entretanto, com a firme convicção de que a partir desta data o clima de contemplação e tranquilidade idealizado por muitos para caracterizar o mundo dos espíritos estará com os dias contados. Em breve, o mais radical discípulo de Kardec estará de volta, com toda a sua genialidade e inquietude, produzindo entre encarnados e desencarnados novas reflexões, desmobilizando o conservadorismo reinante, instigando a todos a dar continuidade à permanente atualização do pensamento espírita, a buscar incansavelmente o conhecimento e o crescimento espiritual. E, ao mesmo tempo, envolvido nas tarefas de acolhimento aos que padecem de sofrimentos psíquicos e morais e que necessitarem de sua ajuda qualificada e amorosa. 

O desencarne de Jaci Regis, por tudo que ele representa para incontáveis espíritas em todo o mundo, não será o fim de uma história. Não extinguirá a trincheira libertária que ele abriu nas mentes de várias gerações de espíritas. O movimento emancipatório que ele liderou terá continuidade. Caberá a cada um de nós, que ao longo de nossas vidas nos iluminamos a partir de suas ideias, dar continuidade, de alguma forma, às diversas frentes que esse homem (insubstituível) plantou, cultivou e viu florescer. Cuidar desse imenso jardim não é tarefa para poucos, mas terá continuidade. 

 Ademar Arthur Chioro dos Reis

Jaci Régis e o  seu legado


Jaci Régis Biografia - por Ademar Arthur Chioro dos Reis



Homenagem a Jaci Régis e José Rodrigues - XXI Congresso Espírita Panamericano em Santos 2012





Nota: Artigo originalmente publicado no Jornal Abertura de Santos.

Gostou? Você pode encontrar muito mais no Jornal Abertura – digital, totalmente gratuito.

Acesse: CEPA Internacional ou https://cepainternacional.org/site/pt/component/phocadownload/category/20-jornal-abertura-2021 


quinta-feira, 15 de setembro de 2011

XII SBPE - Vejam os trabalhos que serão apresentados

Participe

Faça a sua inscrição pelo email - ickardecista@terra.com.br. O Investimento é de apenas R$ 100,00 e você além de participar do evento de 4 dias receberá um CD com os trabalhos.





quinta-feira, 31 de março de 2011

CURSO CONHEÇA O ESPIRITISMO

Deu início no dia 30 de março, quarta-feira às 20:00 hs o Curso Introdução a Doutrina Kardecista que agora recebe um novo nome CONHEÇA O ESPIRITISMO. O curso permanece com a mesma grade de palestras e é direcionado para aqueles que desejam saber o que o Espiritismo ensina sobre a comunicação com os mortos, a reencarnação, o sofrimento e o futuro. Para aqueles que ainda não se matricularam no curso, ainda há tempo, a inscrição é R$ 30,00 e você recebe o livro Introdução à Doutrina Kardecista de Jaci Regis. As inscrições e informações podem ser feitas na sede do Instituto Cultural Kardecista de Santos que realiza o curso a 10 anos na Avenida Francisco Glicério, 261 - Gonzaga - Santos - São Paulo, ou por telefone (13) 3284 2918. Confira as aulas e os palestrantes.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

NOVO PENSAR SOBRE DEUS,HOMEM E MUNDO

NOITE DE AUTÓGRAFOS:

Jaci Regis fará Noite de Autógrafos de seu livro NOVO PENSAR SOBRE DEUS,HOMEM E MUNDO no dia 28 de novembro às 19 horas na Livraria Realejo, loja do Shopping Miramar, no Gonzaga. O livro é uma reflexão sobre esses três temas fundamenais do pensamento filosofico.

 Mais informações no ICKS, Av. Francisco Glicéio, 261 - telefone 3284 2918 

Preço para entrega por correio no Brasil R$ 20,00
solicitar por email para ickardecista1@terra.com.br



sábado, 31 de outubro de 2009

ICKS- ESTUDO E DESENVOLVIMENTO DA OBRA DE KARDEC

O ICKS estrutura-se para não apenas estudar e divulgar a obra de Allan Kardec, mas traalhar pelo desenvolvimento do pensamento doutrinario. Através do SIMPOSIO BRASILEIRO DO PENSAMENTO ESPIRITA, de cursos, livros e jornal ABERURA realiza um esforço permanente e tranquilo para aplicar a base do trabalho kardecista aos avanços, necessidades e realidades da atualdiade.
Segundo Allan Kardec, o Espiritismose se suicidaria se imobilizasse.
Não se trata de infiltrar ideias e concepções exdruxulas que não cabem na estrutura básica da obra kardecista. Mas saber ligar, aplicar, inserir desenvolver conceitos dinâmicos, racionais e compativeis com aquela estrutura inicial básica. O ICKS está abeto ao debate, à critica e ao entendimento.
Fale conosco

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

LIGAÇÃO ESPÍRITO-CEREBRO
Jaci Regis

Como se dá a ligação entre o espírito e o corpo?

Esta é uma questão importante porque segundo O Livro dos Espíritos “o Espírito está fora do corpo”.
É fora de dúvida que a ligação entre a alma e o corpo se dá pelo cérebro.

Podemos especular que, na transição do parto, mobilizam-se recursos energéticos automáticos, próprios do processo, que estabelecem a ligação instantânea da mente do espírito ao cérebro da criança.

Essa ligação poderá ser uma espécie de sinapse entre os filamentos energéticos do corpo mental e os terminais do cosmo cerebral. As funções dos neurotrasmissores no organismo seriam substituídas, nessa hipotética sinapse, por fluxos de vontade transformados em emissões energéticas e sinalizadores de recepção mental, através dos impulsos nervosos do organismo.

Só assim, podemos visualizar como o espírito pode ser simultaneamente agregado firmemente ao corpo e manter sua independência. Os laços são elásticos e permanecem ligados mesmo na eventual ausência do espírito, por ondas mentais e nervosas recíprocas.

Como o perispírito se desenvolve com o organismo, o chamado “laço” que prende o corpo energético ao organismo representa a síntese dessa ligação extremamente poderosa, de tal maneira que somente quando corpo morre é que se pode desatá-la. Daí, inclusive, porque a morte cerebral é considerada a hora fatal da desencarnação.
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terça-feira, 23 de junho de 2009

O Desastre do Avião da Air France - por ICKS

O DESASTRE DO AVIÃO DA AIR FRANCE

Foi um acontecimento inusitado, trágico.
De repente, o avião que se dirigia a Paris simplesmente sumiu. Provavelmente uma pane total fez com ele se despencasse no oceano, perdendo-se nas profundezas das águas.
Até este momento não se tem noticias precisas, não se sabe as causas.
Simplesmente, até agora o mistério é total.
228 pessoas morreram. Iam para férias, trabalho, retorno às suas casas.
E agora?
A morte é sempre solene. Surpreende nesses casos a crença, a fé em Deus.
Quem não viajou naquela voo por circunstâncias várias atribui essa salvação a Deus.
Foi Deus quem teria evitado a morte de quem não viajou, estando prevista a viagem.
Sob o ponto de vista da naturalidade dos processos vivenciais, o acidente aconteceu porque é possível acontecer, devido a problemas mecânicos, eletrônicos ou atmosféricos. Mesmo sendo muito raro.
Para quem morreu como fica?
Segundo a crença materialista acabou-se a vida.
Para os religiosos em geral, é a vontade de Deus que se manifesta e, portanto, nada a considerar. A não ser o que se sente injustiçado “por que eu?”.
Para os espíritas – laicos e religiosos – tudo tem uma razão, uma explicação.
Para eles a vida é um jogo de xadrez com seu quadrado especifico. As peças se movem dentro de um regido processo de causa e efeito.
Naquele avião estavam brasileiros, franceses, alemães e outras nacionalidades, procedente de origem diversa e objetivando um destino especial.
Mas, nessa visão determinista, fatalista, foram escolhidos a dedo para morrer.
Porque para esses espíritas o desastre estava previsto. A inexorável justiça divina reuniu todos para o ajuste de contas. Para pagar seus débitos com Deus. Para sanar faltas do passado.
O que teriam feito? O pecado cometido foi coletivo, em grupos ou individual? O que importa é que era tempo de pagar.
Ali, naquele mar, naquela noite, equipes de socorristas estavam de plantão para ajudar os recém-mortos. Talvez não aceitem que os Espíritos desencarnados fiquem no fundo do mar.
Para nós a vida é um proceso natural, imprevisto. Na vida terrena só a morte é inevitável. O gênero da morte também é imprevisível.
O desastre não estava previsto.
Não havia equipes socorristas de plantão.
Não se trata de acaso. Trata-se da naturalidade dos processos vivenciais.
De resto, ainda que doloroso, triste, amargo e sofredor, o episódio não representa o fim da vida.
O Espírito é imortal.