DESCRIÇÃO DE UMA COMUNIDADE ESPIRITUAL
MARCELO COIMBRA REGIS
GPCEB – Grupo de Pesquisas Científicas Ernesto Bozzano
Apresentado no III - SBPE – Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita
1993 – Santos -SP
I. OBJETIVOS
II. METODOS
III. INTRODUÇÃO
IV. DESCRICAO
V. CONCLUSÃO
I. OBJETIVOS
O presente trabalho teve como objetivo descrever uma comunidade de espíritos desencarnados. Utilizamos como objeto de pesquisa a comunidade da qual participam os espíritos frequentadores do Centro Espirita “Allan Kardec” - Santos- SP (CEAK).
O trabalho procura delinear as características administrativas, estruturais, arquitetônicas e organizacionais da mesma.
Restrito unicamente a essa comunidade e sem pretensões de esgotar o tema proposto ou generalizar as informações a outras comunidades.
Este trabalho é uma extensão natural das investigações realizadas pelo GPCEB acerca das atividades dos espíritos frequentadores do CEAK, conforme apresentado pelo autor no II SBPE em 1991.
II. MÉTODOS
O método utilizado para obtenção das informações aqui compiladas foi o questionamento dos próprios habitantes dessa comunidade através das reuniões mediúnicas de pesquisa conduzidas em conjunto pelo GPCEB e pelo CEAK.
Tais reuniões foram gravadas e posteriormente transcritas, sendo que copias das transcrições encontram-se em poder do autor.
Ao todo, onze espíritos prestaram depoimentos sobre o tema, por intermédio de três médiuns colaboradores.
Os algarismos romanos em parênteses ao lado de parágrafos ou frases , especificam o número de espíritos diferentes que prestaram a informação citada.
Cabe notar que a coincidência de informações prestadas por espíritos diferentes através de médiuns diferentes comparada, também o método utilizado por Kardec quando da codificação do Espiritismo.
III. INTRODUÇÃO
Antes de passarmos à descrição da comunidade objeto, cabem alguns comentários introdutórios que nortearam a descrição posterior.
A comunidade objeto encontra-se na faixa evolutiva comumente conhecida como “ Umbral” (I). Essa faixa caracteriza-se pelo estrito inter-relacionamento com o plano terreno. Assim seus indivíduos e sua estrutura possuem uma ligação muito forte com as cidades terrenas.
Três espíritos contaram, literalmente, em seus depoimentos, que devido à proximidade, a comunidade objeto era como uma extensão da vida terrena, guardadas as diferenças geradas pela matéria ali presente, e o estado dos seus habitantes como desencarnados.
Outro quesito relevante é que se está descrevendo uma comunidade de espíritos equilibrados com a consciência de sua situação, uma quantidade de aspirações e caracteres, e que por essas condições, convivem em harmonia em ambiente organizado.
Não existem departamentos, secretarias ou ministérios e sua estrutura e´ bem modesta. As várias equipes de trabalho e grupos afins possuem, em seu âmbito restrito, seus coordenadores e facilitadores.
IV. DESCRICAO
A - Renovação da Direção -
Não há eleições (III). A renovação não tem prazo definido para ocorrer (III) . Segundo relato dos espíritos as pessoas aptas à direção e que demonstrem interesse são indicadas a ocupar esses cargos (II). Quando dois ou mais espíritos desejam o mesmo cargo resolve-se a questão através do diálogo, sendo que só um assume. (I).
Nem sempre o dirigente é bem aceito por toda comunidade (I). Quando o dirigente não cumpre os seus planos ou não atende as expectativas do grupo, a equipe à direção pede seu afastamento (II).
B - Atividades
Nesses item são listados e descritos os trabalhos e atividades identificadas na comunidade.
C - Equipes de Construção de Moradias / Edifícios
Para essa construção, a matéria existente é manipulada no Plano Espiritual, através de técnicas de concentração mental, construindo as casas e edifícios da comunidade.
D - Manutenção Urbana (I)
Cuidam das ruas, praças e jardins, como faxineiros e jardineiros.
E - Segurança (III)
Grupos especializados protegem a comunidade contra a incursão de espíritos em desequilíbrio que tentem penetrar para assediar antigos parceiros, para desestabilizar a comunidade com ameaças, badernas , etc.
Tal serviço é realizado através da imposição de vibrações e pensamentos contratais agressores. Não foi citado o uso de armas ou outros instrumentos.
F - Grupo de Assistência aos recém-desencarnados (III)
Espíritos que se especializam em receber outros espíritos, ajudando-os a se recuperar do choque provocado pela morte e encaminhando-os para outros lugares e tarefas como: escolas, hospitais, alojamentos, etc. Dentre esses grupos identificamos um especializado em socorrer vítimas de acidentes nas estradas Anchieta - Imigrantes.
Formado majoritariamente por espíritos muito jovens que desencarnaram nessas estradas, essas equipes se revezam 24 horas por dia, socorrendo as vítimas. As equipes são formadas por médicos, enfermeiros e auxiliares que prestam o socorro inicial. Transportam as vítimas em ambulâncias para hospitais e acompanham seus casos de acidentes inclusive sua recuperação.
G - Hospital (IV)
Um edifício baixo, branco, com muitos cômodos e salas amplas e refeitórios também grandes. Hospital possui um amplo jardim que rodeia todo o edifício. Alguns pacientes (II) citaram quartos com camas, medidos, enfermeiros, medicamentos, etc. Utiliza-se também, terapias psicológicas em pacientes com o intuito da melhor recuperação.
H - Escola (II)
Edifício baixo, amplo, com muito arvoredo ao redor. Nessa escola, espíritos mais equilibrados se propõem a levar conhecimento perfeito àqueles que não os tem de sua situação e sem a perfeita identificação com o estado de desencarnado. Conhecimentos sobre a realidade do Plano Espiritual, sobre a vida, a matéria, e sua situação atual, muitas vezes recorrendo a experiencias de outros espíritos. Resumindo, a escola se propõe a reeducar os espíritos desencarnados para que possam viver bem em seu novo estado e no plano espiritual.
I - Postos de Assistência (II)
São centros destinados a auxiliar no processo de reencarnação.
J - Laboratórios (II)
Existem alguns laboratórios onde se acompanham os desenvolvimentos terrenos, principalmente na área de saúde e diagnósticos.
L - Intelectuais
Alguns espíritos se dedicam exclusivamente ao trabalho de pesquisa, estudos e produção intelectual.
M - Ociosidade (I)
Existem na comunidade aqueles espíritos que não se dedicam a nenhum trabalho especial, ficando na ociosidade.
N - Outros
Foram citadas, por pelo menos, dois espíritos, as seguintes atividades : pregação religiosa, palestras, acompanhamento religioso, grupos de estudo e trabalhos em centros espiritas.
O - Lazer
Como atividades de lazer, foram citadas (III), músicas, samba, coral, instrumentação, canto. Teatro, dança, poesia, futebol e vôlei.
V. CONCLUSÃO
Acreditamos ter alcançado com este trabalho os objetivos propostos. Foi possível a descrição da comunidade “ Nossa Casa “ com sua arquitetura, organização diretiva, espíritos participantes, atividades e etc.
Dentre as dificuldades ressaltamos:
1. O processo mediúnico psicofônicos que não permite uma precisão na obtenção dos dados, pois os mesmos são extraídos de diálogos entre pesquisadores e espíritos com o agravamento da interferência do médium
2. A falta de habito de alguns espíritos em submeterem-se a questionamentos
3. A imprecisão das descrições feitas pelos espíritos devido à falta de parâmetros de comparação entre as duas realidades
A descrição apresentada, sem a pretensão de esgotar o assunto das comunidades espirituais, difere enormemente da maioria das descrições disponíveis na literatura espirita, notadamente de “Nosso Lar” de André Luiz. A comunidade “Nossa Casa”, apesar do nome semelhante, não possui ministérios, prece das seis horas e nem todas complexidade apresentada no livro de André Luiz.
Ao mesmo tempo, apresenta vários pontos de contato como o hospital, centro de atendimento, ônibus, segurança, etc. Portanto, um número maior de trabalhos independentes poderiam acrescentar em base numéricas superiores uma precisão maior sobre o tema. Isso diminuiria as incertezas, atenuando os erros de interpretação, influências culturais do médium e do grupo.
Esperamos que o trabalho aqui apresentado, somado a constatação do parágrafo anterior, suscitar a curiosidade investigadora em um número maior de grupos espiritas, para que os mesmos realizem semelhantes abordagens em suas cidades e estados para que possamos formar um quadro mais preciso do mundo espiritual.