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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

PEDRO BARBOZA DE LA TORRE - por Jon Aizpúrua

 

Jon Aizpúrua

 

 Personalidades Relevantes do Espiritismo Latino Americano

 

PEDRO BARBOZA DE LA TORRE

    Homem de interesses intelectuais multidisciplinares e amplo conhecimento cultural, com uma trajetória de serviço excepcional, Pedro Alciro Barboza de la Torre foi, e continua sendo, uma figura essencial no mundo cultural, não apenas de Maracaibo, sua cidade natal, mas de toda a nação venezuelana.

 


            Para compreender plenamente sua personalidade multifacetada, desenvolvida ao longo de sua vida privada e carreira pública, é necessário considerar Pedro Barboza nestes papéis fundamentais: homem de família, advogado, educador, historiador, maçom, espiritualista e escritor — todos intimamente interligados em um todo coerente, oferecendo um perfil harmonioso de sua jornada de vida.

Familia e educação

           Filho de Pedro René Barboza e Ángela María de la Torre Pacheco, nasceu em 8 de novembro de 1917, em Maracaibo, capital do estado de Zulia. Faleceu na mesma cidade em 29 de junho de 2002. Em casa, assim como com seus irmãos Estanislao e Ángela, recebeu lições de amor e responsabilidade que deixaram uma marca indelével em seus sentimentos, princípios, valores e conduta cívica e social. Em 1942, casou-se com Mary Pereira Arria, uma união feliz que durou toda a sua vida e deu frutos em suas filhas, Iris Marina e Alina Marina, a quem ele e sua esposa transmitiram os mesmos ensinamentos morais e espirituais que ele havia recebido.

    Movido por uma sede de conhecimento, demonstrou amor pela leitura desde a infância, para grande alegria de seu pai, que era professor em escolas e liceus. Após concluir o ensino fundamental, prosseguiu seus estudos no Colégio Nacional de Maracaibo, cujo diretor era o ilustre humanista e poeta Jesús Enrique Lossada, que exerceu uma poderosa e benéfica influência no desenvolvimento progressivo de suas ideias filosóficas, sociais e políticas. A Venezuela encontrava-se então nos estágios finais do regime ditatorial liderado por Juan Vicente Gómez, e os estudantes sofriam com a repressão policial por sua luta acirrada para destituir o tirano, colocando em risco seus estudos e suas próprias vidas. O jovem Pedro Barboza uniu-se a esse movimento com fervor idealista, escrevendo seus primeiros textos em defesa dos estudantes e pela chegada da democracia, que finalmente se concretizaria em 1936, após a morte do autocrata. Cabe ressaltar que, embora não fosse filiado a nenhum partido político, suas simpatias e convicções, claramente identificadas com os princípios democráticos, o levariam ao longo de sua vida a apoiar, por meio de seus escritos, discursos e do exercício do direito ao voto, as opções ligadas ao pensamento social-democrata.

          Ele cursou seus estudos universitários na Faculdade de Ciências Políticas de Maracaibo, então parte da Universidade dos Andes, com sede na cidade andina de Mérida. A Universidade de Zulia havia sido fechada em 1904 pelo regime autocrático do General Cipriano Castro e só reabriria em 1946, com o Dr. Lossada como seu novo Reitor. Dois anos antes, Pedro Barboza havia se formado em Direito, seguido por um doutorado em Ciências Políticas. Por vinte anos, dedicou-se à advocacia privada, conquistando merecido prestígio na região de Zulia por sua sólida formação profissional, aliada à sua imparcialidade e comprovada integridade.

Exercício profissional da advocacia e ensino

          Após a reabertura da Universidade de Zulia, Pedro Barboza começou a lecionar diversas disciplinas relacionadas ao direito, história e outras áreas das humanidades. Em 1964, aposentou-se da advocacia privada e ingressou no corpo docente da universidade como professor titular, alcançando, eventualmente, o título de Professor Catedrático, o mais alto na hierarquia acadêmica. Por mais de 50 anos, milhares de alunos frequentaram suas aulas em sua alma mater, apreciando suas habilidades pedagógicas e a profundidade de seu ensino. Sempre expressaram gratidão, respeito e carinho por ele. Além de lecionar, ocupou diversos cargos de liderança administrativa na universidade, incluindo Diretor da Faculdade de Direito, Diretor da Faculdade de Jornalismo e Coordenador do Conselho de Desenvolvimento Científico e Humanístico. Também atuou como Presidente da Ordem dos Advogados do Estado de Zulia.

 

            Ao longo de sua vida, Barboza demonstrou uma impressionante paixão pela história, que perdurou ininterruptamente pelas últimas seis décadas de sua vida, complementando perfeitamente suas atividades acadêmicas, jurídicas e filosóficas. Sua pesquisa se concentrou principalmente em capturar a essência e o caráter de Maracaibo por meio de esboços biográficos de suas figuras mais proeminentes, desde os heróis da independência até seus principais cientistas, educadores, escritores e artistas. Não é surpresa que ele tenha sido nomeado membro titular da Academia Estadual de História de Zulia, da qual mais tarde se tornaria presidente.

Vida Maçônica

           Barboza teve uma carreira notável na Maçonaria venezuelana e latino-americana, onde se destacou por seus dons intelectuais e sua oratória fluida e envolvente. Seguindo os passos de seu pai, maçom de longa data, foi iniciado em 1947 na Loja Regeneradores nº 6, em Maracaibo. Lá, completou todas as etapas de formação exigidas pela Ordem do Esquadro e Compasso, alcançando o 33º Grau, o mais alto do Rito Escocês Antigo e Aceito. Em sua Loja, ocupou todos os cargos, chegando a servir como Venerável Mestre por vários mandatos, mas sua maior distinção veio em sua função como Procurador, graças à sua admirável eloquência e habilidade pedagógica em explicar qualquer assunto em discussão. Em reconhecimento às suas virtudes maçônicas, foi nomeado Grão-Mestre Adjunto da Grande Loja da República da Venezuela e, em homenagem a este ilustre mestre maçom, seu nome foi adotado como epônimo de uma das lojas em sua cidade natal.

Dedicação ao espiritismo

 

          Pedro Barboza de la Torre nasceu e cresceu em um lar espírita. Seu pai, Pedro René, foi um dos fundadores e líderes ativos da Sociedade Espírita Kardeciana de Maracaibo, juntamente com notáveis ​​estudiosos do Espiritismo como Isidro Valles, Valmore Rodríguez, Manuel Matos Romero e Alberto Hernández, que também se destacaram como líderes sociais e culturais na capital do estado de Zulia.

        Desde jovem, leu os principais autores espíritas, a começar por Allan Kardec, com cujas obras sentia uma afinidade especial e às quais se referiria frequentemente em seus trabalhos espíritas posteriores, tanto em obras escritas quanto nas numerosas palestras que proferiu. Com base no conhecimento adquirido nos círculos acadêmicos, logo aprendeu a aplicá-lo à compreensão dos fundamentos doutrinários do Espiritismo, um sistema de pensamento que ele claramente identificava como uma filosofia científica com consequências morais e sociais. Decididamente secular e livre-pensador, Barboza expressou sua discordância com a noção de que o Espiritismo deveria ser considerado uma religião, embora respeitasse com espírito tolerante aqueles que tinham opiniões diferentes.

        Compreendendo a necessidade de o movimento espírita na Venezuela ser melhor organizado e de desenvolver programas de estudo seguindo sólidos princípios pedagógicos, Barboza liderou a fundação, em 1958, da Sociedade Venezuelana de Pesquisa Psíquica, dentro da qual também seriam realizadas sessões mediúnicas devidamente guiadas e supervisionadas. Seguindo essa linha de pensamento, em 1960, ele fundou a Federação Espírita Venezuelana (FEV) com o objetivo de unir os centros espíritas que operavam em todo o país, com sede em Maracaibo. Nesse admirável empreendimento, ele foi acompanhado por líderes espíritas de renomadas qualidades intelectuais, sólido conhecimento espírita e evidente integridade moral, entre os quais devemos mencionar José Naranjo Carrillo, Celmira de Pugh, Rosa Virginia Martínez, Gastón Chocrón, José Bromberg e Ramón Ocando Pérez. A presença dessas figuras públicas e sua adesão ao Espiritismo conferiram a esta religião um nível de respeitabilidade social nunca antes alcançado na Venezuela.

            A Federação Espírita Venezuelana (FEV) cumpriu seus objetivos da melhor maneira possível e, para tanto, promoveu uma série de iniciativas concretas. Foi fundada a Livraria Espírita Venezuelana para vender e distribuir obras espíritas produzidas por editoras da Argentina e do México a preços acessíveis; a revista "Ciência e Consciência" foi criada para dar espaço às reflexões de escritores espíritas da época e para divulgar notícias sobre o progresso do movimento kardecista na América e na Europa; foi estabelecida a Associação Venezuelana de Jovens Espíritas para atrair e reunir jovens interessados ​​em aprender sobre a doutrina espírita; e foram promovidas visitas de líderes da Federação a grupos espíritas ativos e sérios no país para apoiá-los em seu trabalho, reorientando critérios e procedimentos doutrinários na área da mediunidade que precisavam ser adaptados às normas inerentes ao corpo de ideias teóricas e práticas do kardecismo.

         Como era perfeitamente natural, a Federação Espírita Venezuelana (FEV), sob o ímpeto dinâmico de seu presidente, estabeleceu laços com os líderes da Confederação Espírita Argentina (CEPA) (então Confederação Espírita Pan-Americana e posteriormente Associação Espírita Internacional CEPA) com o objetivo de forjar relações de trabalho colaborativas em apoio ao ideal espírita. Aproveitando uma visita de Barboza a Buenos Aires em 1962, como representante oficial do Ministério da Educação da Venezuela em um seminário patrocinado pela UNESCO, o presidente da FEV proferiu uma palestra no auditório da Confederação Espírita Argentina, concedeu uma extensa entrevista à sua revista oficial "La Idea" e, a partir de então, as relações entre a federação venezuelana e a mais alta entidade espírita pan-americana foram formalizadas.

             Uma distinta delegação venezuelana, chefiada por Barboza, participou do VI Congresso Espírita Pan-Americano, realizado na capital argentina em outubro de 1963. Três anos depois, ele foi responsável pela organização do VII Congresso em Maracaibo, tarefa que repetiu ao liderar o XI Congresso, também realizado na capital do estado de Zulia. De fato, a partir de então, não houve evento espírita de âmbito regional ou pan-americano em que sua presença não fosse sentida, encantando os participantes com suas magníficas e instrutivas apresentações. Representando o C.E.P.A. (Centro para a Promoção do Espiritismo), como seu Delegado Oficial, dedicou-se por quatro décadas como incansável promotor do ideal espírita em toda a Venezuela e em diversas partes das Américas, principalmente na Colômbia, Equador, Argentina, Porto Rico, Honduras, Guatemala, México e Miami. Por todas essas razões, sua eleição em 1990, por decisão unânime do XV Congresso Espírita Pan-Americano, realizado em Caracas, como Presidente do C.E.P.A., foi um feito notável. para o mandato seguinte de três anos, não poderia ter sido mais justo e merecido.

Escritor de multipla e variada obra

            Escritor de grande produção, de estilo refinado e elegante, dedicou a maior parte da sua vida a uma rotina exaustiva de trabalho intelectual, centrada no vasto mundo da literatura, tendo como recurso indispensável a sua extensa biblioteca. Eleito pelos seus colegas de Zulia, tornou-se presidente da Associação de Escritores. Desta vocação incessante e apaixonada pela escrita surgiram inúmeros livros, monografias, panfletos, manuais, prólogos, artigos e crônicas jornalísticas, que o colocam numa posição de destaque na literatura venezuelana do século XX. Mencionaremos apenas alguns títulos-chave da sua vasta obra, distribuída pelas diversas áreas temáticas que ocuparam a sua atenção:

            A sua especialização jurídica manifestou-se em dezenas de trabalhos doutrinários sobre a natureza do direito e sobre a relação entre o direito e as ciências sociais, publicados em revistas científicas, e nas obras *Sociologia Jurídica* e *Influência do Direito Antropológico no Direito Especial*, recomendadas como livros didáticos universitários.

            No campo da pedagogia, devem ser mencionados seus livros *Recursos para Acadêmicos*, *O Bibliotecário Universitário como Professor*, *Manual de Pesquisa Bibliográfica* e *Planejamento Metodológico de Pesquisa*.

             De sua vasta produção maçônica, temos: *Curso de Aprendiz de Maçom*, *Curso de Companheiro Maçom*, *Curso de Mestre Maçom*, *Manual dos 33 Graus da Maçonaria* e *Maçonaria em Ação*.

             É claro que a literatura espírita deve muito ao seu talento inesgotável, ao seu amor pelo estudo e pela pesquisa, à sua dedicação ao ensino dos princípios do Espiritismo e ao seu compromisso em moldar uma cultura espírita, divulgando e promovendo a compreensão da doutrina espírita em seu verdadeiro caráter filosófico, científico, moral, sociológico, plenamente humanista e de livre-pensamento. Barboza escreveu extensivamente para ajudar a alcançar esses objetivos e documentou isso em vários livros e artigos publicados nas Américas. Dada a sua quantidade, é muito difícil listá-los todos aqui, embora estejam disponíveis para auxiliar os estudiosos: Comentários sobre a Doutrina Espírita, Cronologia Espírita, Espiritismo para Católicos, Espiritismo para Espíritas, O Monsenhor Espírita Enrique María Dubuc, Desenvolvimento de Médiuns, Repertório Experimental para Mediunidade, Da Sombra do Dogma à Luz da Razão.         

A marca de seu legado espirita

            Um exemplo de homem culto que soube conectar o conhecimento adquirido na universidade e nos círculos acadêmicos com os ideais espíritas. Um pensador elevado, que jamais deixou de agir com humildade e generosidade. Secular, racionalista e de espírito livre, era também aberto e tolerante a todas as crenças. Compreendendo que o Espiritismo precisava ser organizado em grupos dinâmicos e em sintonia com os tempos, nunca poupou esforços ou recursos para promover a criação de sociedades e federações espíritas, viajando por todo o mundo para ministrar seminários e palestras. Eficiente diretor de sessões mediúnicas, sempre agiu com sabedoria, firmeza, respeito e serenidade para obter os melhores resultados do diálogo e da troca com o mundo espiritual. Generoso no apoio aos líderes emergentes das novas gerações, estava sempre pronto a compartilhar seu vasto conhecimento e extensa experiência. Por todas essas razões, e muitas outras, não é possível desconsiderar a figura de Pedro Alciro Barboza de la Torre ao relembrar e avaliar o Espiritismo na América durante o século XX.  

Artigo publicado no Jornal Abertura de dezembro de 2025, quer ver o original?

https://icksantos.blogspot.com/2025/12/saiu-o-jornal-abertura-de-dezembro-de.html



Em Espanhol:


Jon Aizpúrua

 

PERSONALIDADES RELEVANTES DEL ESPIRITISMO LATINOAMERICANO

 

 

PEDRO BARBOZA DE LA TORRE

 

          Hombre de un ejercicio intelectual multidisciplinario y de amplio alcance cultural, con una hoja de servicios excepcional, Pedro Alciro Barboza de la Torre fue, y sigue siendo, referencia obligada del mundo cultural no solo del Maracaibo que le vio nacer sino de la nación venezolana toda.

         Para tener una visión aproximada acerca de su polifacética personalidad, desarrollada en el conjunto de su vida privada y de su actuación pública, se hace necesario ubicar a Pedro Barboza en estas facetas fundamentales: el hombre de familia, el abogado, el educador, el historiador, el masón, el espiritista y el escritor, todas las cuales se vinculan estrechamente en un todo coherente y ofrecen un perfil armónico de su andadura vital.

 

Familia y educación

           Hijo de Pedro René Barboza y Ángela María de la Torre Pacheco, vino al mundo el 8 de noviembre de 1917 en Maracaibo, capital del estado Zulia. En esta misma ciudad falleció el 29 de junio de 2002. Recibió en su hogar, lo mismo que sus hermanos Estanislao y Ángela, lecciones de amor y responsabilidad que dejaron una huella imborrable en sus sentimientos, en sus principios y valores, y en su comportamiento cívico y social. En 1942 contrajo matrimonio con Mary Pereira Arria, enlace feliz que perduró incólume toda su existencia, y que fructificaría en sus hijas Iris Marina y Alina Marina, a quienes trasmitió, junto con su esposa, las mismas enseñanzas morales y espirituales que había recibido.

          Tomado por la sed de conocimiento, desde niño mostró su afición a la lectura, muy del gusto de su padre que era maestro de colegios y liceos. Luego de culminar su formación primaria, siguió estudios de bachillerato en el Colegio Nacional de Maracaibo, cuyo Director era el insigne humanista y poeta Jesús Enrique Lossada, quien ejerció una poderosa y benéfica influencia en la configuración progresiva de sus ideas filosóficas, sociales y políticas. Venezuela se hallaba entonces en las postrimerías del régimen dictatorial encabezado por Juan Vicente Gómez y los estudiantes llevaban el peso de la represión policial por la dura lucha que libraban para conseguir la sustitución del tirano, poniendo en peligro sus estudios y sus propias vidas. El joven Pedro Barboza se sumaba con ímpetus idealistas a ese empeño con sus primeros escritos a favor de los estudiantes y por el advenimiento de la democracia, lo cual ocurriría a partir del año 1936 tras la muerte del autócrata. Conviene aquí apuntar que si bien no sería propiamente un militante de algún partido político, sus simpatías y convicciones, nítidamente identificadas con los principios democráticos, le llevarían toda su vida a respaldar con sus escritos, sus discursos y el ejercicio del sufragio, a las opciones identificadas con el pensamiento socialdemócrata. 

          Sus estudios universitarios los realizó en la Escuela de Ciencias Políticas de Maracaibo, adscrita entonces a la Universidad de los Andes, con sede en la ciudad andina de Mérida, debido a que la Universidad del Zulia había sido clausurada en 1904 por el régimen autocrático del general Cipriano Castro, y solo sería reabierta en 1946, siendo su nuevo Rector el Dr. Lossada. Dos años antes, Pedro Barboza obtendría el título de abogado, al que seguiría el doctorado en Ciencias Políticas. Durante veinte años se dedicó a la práctica privada del derecho, conquistando un merecido prestigio en la región zuliana por su sólida formación profesional, aunada a la recta aplicación de la justicia y a su demostrada probidad.

 Ejercicio profesional del derecho y la docencia

           Tras la reapertura de la Universidad del Zulia, Pedro Barboza comenzó a prestar servicios docentes en diversas asignaturas relacionadas con la ciencia jurídica, la historia y otras disciplinas de carácter humanístico, hasta que en 1964 se retiró de la práctica privada del derecho y se incorporó a la nómina universitaria como Profesor a dedicación exclusiva, alcanzando el grado de Titular, el más alto del escalafón académico. Durante más de 50 años dedicados a la docencia en su Alma Mater, miles de estudiantes pasaron por sus clases y apreciaron las cualidades pedagógicas y la profundidad de las enseñanzas impartidas por su distinguido profesor,  hacia el cual siempre manifestaron sentimientos de gratitud, respeto y afecto. Adicional a la docencia, ocupó diversos cargos de dirección administrativa en su universidad, entre los cuales cabe mencionar que fue Director de la Escuela de Derecho, Director de la Escuela de Periodismo, Coordinador del Consejo de Desarrollo Científico y Humanístico. Fue, además, Presidente del Colegio de Abogados del Estado Zulia.

          A lo largo de su vida, Barboza mostró un impresionante fervor historiográfico que cubre sin interrupción las últimas seis décadas de su vida, y se combina perfectamente con sus afanes académicos, jurídicos y filosóficos. Su labor de investigador se centró principalmente en captar la esencia y el talante de Maracaibo por medio de semblanzas biográficas de sus personajes más relevantes, desde los próceres de la independencia, hasta sus más relevantes científicos, educadores, escritores o artistas. No es de extrañar que se le nombrara Miembro de Número de la Academia de Historia del estado Zulia, de la que llegaría a ocupar la presidencia.

 

Vida masónica

            Barboza tuvo una destacadísima actuación en el seno de la masonería venezolana y latinoamericana, en cuyo seno brilló por sus dotes intelectuales y su oratoria fluida y amena. Siguiendo los pasos de su padre, masón de antigua data, se inició en 1947 en la Logia Regeneradores No. 6 de Maracaibo. En ella cubrió todas las etapas formativas exigidas por la tradicional Orden de la Escuadra y el Compás, hasta alcanzar el Grado 33, último de la escala del Rito Escocés Antiguo y Aceptado. En su Logia cubrió todos los cargos hasta ocupar el de Venerable Maestro en varios períodos, pero donde más brillo ganó su actuación fue en su desempeño como Orador Fiscal por su admirable elocuencia y destreza pedagógica a la hora de explicar cualquier tema en discusión. En reconocimiento a sus virtudes masónicas se le nombró Gran Maestro Adjunto de la Gran Logia de la República de Venezuela, y en honor a este ilustre maestro masón, su nombre fue adoptado como epónimo de una de las logias de su ciudad natal.

 

Dedicación al espiritismo

           Pedro Barboza de la Torre nació y creció en un hogar espírita. Su padre, Pedro René se contó entre los fundadores y activos dirigentes de la Sociedad Espírita Kardeciana de Maracaibo, junto a notables estudiosos del espiritismo como Isidro Valles, Valmore Rodríguez, Manuel Matos Romero, Alberto Hernández, quienes también se destacaron como líderes sociales y culturales de la capital zuliana.

          Desde muy joven leyó a los principales autores espiritistas, comenzando con Allan Kardec, por cuyas obras sintió especial identificación y a las cuales haría referencia de manera insistente en su labor espírita posterior, sea en trabajos escritos o en las numerosas conferencias que dictaría. Sustentado en los conocimientos adquiridos en los medios académicos, pronto supo aplicarlos a la comprensión de los fundamentos doctrinarios del espiritismo, sistema de pensamiento al cual identificó claramente como una filosofía científica de consecuencias morales y sociales. Decididamente laico y librepensador, Barboza mostró su inconformidad con la tesis de que el espiritismo deba considerarse como religión, si bien respetaba con ánimo tolerante a quienes opinaban de manera distinta.

          Habiendo comprendido la necesidad de que el movimiento espírita en Venezuela estuviese mejor organizado y pudiese desarrollar programas de estudio siguiendo adecuados criterios pedagógicos, Barboza impulsó la fundación en 1958 de la Sociedad Venezolana de Investigaciones Psíquicas, en cuyo seno también se realizarían sesiones mediúmnicas debidamente orientadas y controladas. Y, siguiendo esa línea fundó en 1960 la Federación Espírita Venezolana (F.E.V) con el propósito de agrupar a los centros espíritas que funcionaban en todo el país, y tendría su sede central en Maracaibo. En ese admirable esfuerzo le acompañaron líderes espíritas de reconocidas cualidades intelectuales, sólidos conocimientos espíritas y manifiesta solvencia moral, entre los cuales cabe recordar a José Naranjo Carrillo, Celmira de Pugh, Rosa Virginia Martínez, Gastón Chocrón, José Bromberg y Ramón Ocando Pérez. La presencia de estas personalidades de la vida pública y su adhesión al espiritismo, hizo que éste adquiriese un estatus de respetabilidad social nunca antes logrado en Venezuela.

          La F.E.V. cumplió, dentro de sus posibilidades, con los objetivos trazados, y para ello impulsó un conjunto de iniciativas concretas. Se fundó la Librería Espírita Venezolana para vender y distribuir a bajos precios las obras espíritas que producían las editoras de Argentina y México; se creó la revista “Ciencia y Conciencia” para dar cabida en sus páginas a las reflexiones de los escritores espíritas de la época y a las noticias que informaban de la marcha del movimiento kardeciano en América y en Europa; se constituyó la Asociación Venezolana de Jóvenes Espíritas, con la finalidad de atraer y reunir a los jóvenes interesados en conocer la doctrina espírita; se promovió la visita de los dirigentes de la Federación a los grupos espíritas serios que estaban activos en el país para apoyarlos en sus tareas, reorientando aquellos criterios doctrinarios y procedimientos en el área de la mediumnidad que necesitaran adecuarse a las normas que son inherentes al cuerpo de ideas teóricas y prácticas del kardecismo.

           Como era perfectamente natural, la F.E.V. bajo el dinámico impulso de su presidente, estableció vínculos con los dirigentes de la C.E.P.A. (entonces Confederación Espírita Panamericana y posteriormente, Asociación Espírita Internacional CEPA) con miras a entablar relaciones de trabajo conjunto en favor del ideal espírita. Aprovechando una visita de Barboza a la ciudad de Buenos Aires en 1962, en representación oficial del Ministerio de Educación de Venezuela a un Seminario auspiciado por la UNESCO, el presidente de la F.E.V. dictó una conferencia en el salón de actos de la Confederación Espiritista Argentina, concedió una amplia entrevista a su revista oficial “La Idea”, y a partir de allí se formalizaron las relaciones entre la federación venezolana y la máxima entidad espírita panamericana.

          Una calificada delegación venezolana, encabezada por Barboza, concurrió al VI Congreso Espírita Panamericano que se celebró en la capital argentina en octubre de 1963. Tres años después le cupo la responsabilidad de organizar en Maracaibo la celebración del VII Congreso, y repetiría en esa labor, encargándose del XI Congreso, que tuvo también su sede en la capital zuliana. Lo cierto es que ya no habría eventos espíritas de alcance regional o panamericano en los que no se contase con su presencia para deleitar a los asistentes con sus magníficas e instructivas disertaciones. En representación de la C.E.P.A., como Delegado Oficial, se movilizó durante cuatro décadas como un voluntarioso difusor del ideal espírita, por toda Venezuela y por diversos lugares de América, principalmente en Colombia, Ecuador, Argentina, Puerto Rico, Honduras, Guatemala, México y Miami. Por todo ello, no podía ser más justa y merecida su elección en 1990, por decisión unánime del XV Congreso Espírita Panamericano realizado en Caracas, como Presidente de la C.E.P.A. para el siguiente trienio.

 

Escritor de múltiple y variada obra

            Escritor prolífico, dueño de una prosa correcta y refinada, la mayor parte de su vida siguió una exhaustiva rutina de trabajo intelectual orientada hacia el ancho mundo de las letras, teniendo como respaldo indispensable su amplísima biblioteca. Elegido por sus colegas zulianos, llegó a ocupar la presidencia de la Asociación de Escritores. De esa incesante y apasionada vocación por la escritura, vieron la luz numerosos libros, monografías, opúsculos, manuales, prólogos, artículos y crónicas de prensa, que le sitúan en un puesto significativo de las letras venezolanas del siglo XX. Mencionaremos solo algunos títulos claves de su extensa producción, repartidos entre las diversas áreas temáticas que ocuparon su atención:

         Su veta jurídica se expresó en decenas de trabajos de índole doctrinaria sobre la naturaleza del Derecho y sobre las relaciones entre el Derecho y las ciencias sociales,  que fueron publicados por revistas arbitradas, y en las obras Sociología jurídica, Influencia del derecho antropológico en el derecho especial, recomendados como textos de estudios universitarios.

         En el campo de la pedagogía, deben citarse sus libros Recursos para estudiosos, El bibliotecario universitario docente, Manual sobre investigación bibliográfica, Planificación metodológica de la investigación.

         De su ingente producción masónica tenemos: Curso de Aprendiz Masón, Curso de Compañero Masón, Curso de Maestro Masón, Manual de los 33 Grados de la Masonería, Masonería en acción.

          Por supuesto, mucho le debe la bibliografía espiritista a su inagotable talento, a su amor al estudio y a la investigación, a su entrega por la enseñanza de los principios del espiritismo, a su empeño para darle forma a una cultura espírita, dando a conocer y comprender la doctrina espírita en su verdadero carácter filosófico, científico, moral, sociológico, plenamente humanista y librepensador. Barboza escribió mucho para ayudar a  la consecución de tales propósitos, y de ello dejó constancia en variados libros y artículos diseminados por numerosas publicaciones del continente americano, que, dada su cantidad, es muy difícil referir aquí, aunque allí están para auxilio de los estudiosos: Comentarios a la doctrina espírita, Cronología espírita, Espiritismo para católicos, Espiritismo para espiritistas, El espiritista Monseñor Enrique María Dubuc, Desarrollo de médiums, Repertorio experimental para la mediumnidad, De la sombra del dogma a la luz de la razón.

         

La impronta de su legado espírita

 Ejemplo de hombre culto que supo relacionar el conocimiento adquirido en la universidad y los medios académicos con el ideario espírita. Pensador de altos vuelos, sin que por ello dejase de actuar con humildad y generosidad. Laico, racionalista, librepensador, y a la vez, abierto y tolerante hacia todas las creencias. Habiendo comprendido que el espiritismo necesita ser organizado en agrupaciones dinámicas que estén en sintonía con la marcha de los tiempos, nunca regateó sus esfuerzos ni sus recursos para impulsar la creación de sociedades y federaciones espíritas, movilizándose a todas partes para dictar seminarios y conferencias. Eficiente director de sesiones mediúmnicas, actuó siempre con sabiduría, firmeza, respeto y serenidad, para obtener los mejores frutos del diálogo e intercambio con el mundo espiritual. Generoso para respaldar a los líderes  que emergían de las nuevas generaciones, estuvo presto para compartir sus vastos conocimientos y su amplia experiencia. Por todo ello, y por mucho más, no es posible prescindir de la figura de Pedro Alciro Barboza de la Torre a la hora de recordar y evaluar al espiritismo de América durante el siglo XX.

  

segunda-feira, 2 de junho de 2025

Memorial de Chico Xavier em Uberaba por Nicia Cunha

 

Memorial de Chico Xavier em Uberaba: Nicia Cunha – Cuiabá

Nossa leitora se deparou com um vídeo de duas pessoas visitando o Memorial. E ficou chocada com o contraste entre a obra destinada à memória de Chico Xavier e a vida que levou o médium mineiro.


                                                            Ilustração do Memorial

Fiquemos com Nícia:

“Acho imprópria, desnecessária, uma obra deste tipo, uma deificação humana, similar às beatificações vaticanas. 

Ele, que era mais que humilde, com certeza não aprovaria este movimento de santificação de sua pessoa. 

Chico foi um médium incrível, importante. 

Mas foi o responsável pela “catolização” do espiritismo no Brasil. 

Sempre promoveu a adoração à Maria, mãe de Jesus e a este, atribuía o conceito  de deus, como na Santíssima Trindade do cristianismo. 

Melhor que, neste vídeo, pelo menos não aparece este seu lado católico. 

Mas no seu túmulo, tinha, e não sei se ainda tem, uma imagem do “Coração de Jesus” símbolo católico, ultraconhecido.

Nada disso tem a ver com a Doutrina Espírita. 

Os mentores de Chico, especialmente Emanuel e André Luiz, apresentam várias e importantes discordâncias em relação à doutrina dos espíritos. 

E Chico Xavier. elegendo-os como seus principais espíritos assessores, nem sempre foi fiel à Doutrina dos Espíritos, preferindo basear-se mais nestes seus assessores espirituais. 

Nem Kardec pode ser endeusado, considerado infalível. 

Era apenas um europeu comum, cristão, intelectualmente bem-preparado, porém vinculado à ciência e cultura de seu tempo. 

Pessoalmente não considero Kardec um mero codificador da doutrina. Mas sim, o mais importante dos chamados espíritos superiores com os quais obteve as respostas das perguntas que ele, inteligentemente, elaborou. 

Afinal, desde a antiguidade, os espíritos de variadas categorias batiam nas paredes, no piso, provocaram fenômenos. 

E ninguém os atendeu. 

Somente Kardec deu-lhe ouvidos, o que não o santifica”.

O ICKS disponibiliza o link para o site do memorial: https://www.memorialchicoxavier.com/

Abaixo extraímos do site uma descrição

O Memorial Chico Xavier (MCX) é um equipamento público e sem fins lucrativos inaugurado em 2016 na cidade de Uberaba (MG). Tem a missão de promover a reflexão e o reconhecimento das relações humanas e dos valores universais de amor, paz, diálogo, transformação e solidariedade vivenciados na trajetória e no legado de Chico Xavier, por meio da salvaguarda de acervos ligados ao médium, oferta de exposições, ações culturais e atividades educativas.  

​A criação do MCX em Uberaba é representativa. Esta foi a cidade que Francisco Cândido Xavier (1910-2002), nascido na também mineira Pedro Leopoldo, escolheu para viver e desenvolver seu reconhecido trabalho religioso e social, de 1959 até o seu falecimento. 

Fica aqui o convite à reflexão:

Todo a homenagem ao Chico é merecida, porém observem o contraste entre as ações da pessoa que  doava tudo o que podia e o tamanho do gasto feito para a construção e manutenção deste Memorial. 

Estaria este Memorial alinhado com o pensamento de Chico Xavier?

Este artigo foi publicado no Jornal de Cultura Espírita Abertura de março de 2025, se queres ver o jornal online - baixe aqui:



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domingo, 15 de setembro de 2024

Entrevista e a Palavra da CEPA – feita por Alexandre Cardia Machado ao Presidente da CEPA José Arroyo

 

Destacamos a Entrevista e a Palavra da CEPA – feita por Alexandre Cardia Machado ao Presidente da CEPA José Arroyo 

 

A Palavra do CEPA - Entrevista de Alexandre Cardia Machado com José Arroyo - novo presidente do CEPA.

Resolvemos fazer algo diferente nesta Palavra da CEPA, optamos por entrevistar o novo presidente da CEPA, na conversa José Arroyo nos disse que gostaria de passar a chamar esta comunicação de “ Desde CEPA”, “Palavra da CEPA” passa um tom muito autoritário.

 

José Arroyo - Saudações Alexandre,

Primeiramente, obrigado pela oportunidade de responder essas perguntas para construir uma mensagem que possa ser facilmente lida, estudada e que nos permita comunicar com clareza o que temos feito ou o que faremos, da CEPA – Associação Espírita Internacional.

Alexandre – Quais as suas primeiras impressões ao ser presidente da CEPA? Um coletivo internacional.

José Arroyo – A primeira coisa que posso expressar é que ter sido escolhido para chefiar os planos da CEPA constitui uma honra e uma responsabilidade que levamos muito a sério, como tudo o que fazemos por amor e gratidão ao Espiritismo.

Ouso dizer, sem medo de exagero, que estamos sobre ombros de gigantes. Mulheres e homens de estatura construíram algo que hoje assume uma forma diferente, em sintonia com os tempos, com a maturidade das ideias e com os estilos de interação que nos caracterizam.

Foto com os Ex-presidentes da CEPA Dante Lopes, Jacira Jacinto, Jon Aizpúrua, o atual presidente de azul José Arroyo e Alexandre Machado e Cláudia Régis

Um olhar histórico sobre a trajetória, execução e alcance da CEPA durante estes últimos 78 anos evoca um sentimento de compromisso que nos ativa e motiva. Mas além do institucional, a visão panorâmica acompanhada de conversas adequadas com as pessoas que se nutrem do que a CEPA oferece, pode inspirar e reforçar a vontade de fazer mais. Refiro-me, por exemplo, às pessoas que confessam ter alcançado uma sensação de liberdade, de respirar amplamente, de se permitirem pensar e discordar, ao mesmo tempo que conseguem ser ouvidas e respeitadas, participando em atividades ou aproximando-se da CEPA; em contraste com grupos onde reinava uma intenção unificadora que neutralizava suas aspirações, pensamentos ou ideias que poderiam ser interpretadas como erradas ou incorretas.

Na CEPA, às vezes alcançamos pessoas que, de outra forma, estariam desinteressadas pelo Espiritismo ou ficariam frustradas com o que ele oferece, porque o que encontram não atende às suas necessidades de análise, estudos, debate e diálogo aberto e franco. É claro que o perfil laico, livre-pensador e humanista do Espiritismo, tal como representado pelo CEPA, não é necessariamente o que todo espírita procura, mas é isso que nos permite encontrar aquelas pessoas com ideias semelhantes que precisam vivenciar o Espiritismo como Kardec provavelmente pretendia que fosse: uma filosofia espírita de consequências morais, que se alimentava da ciência e que a escutava para interpretar o mundo e o universo a partir da cosmovisão do Espírito.

Apresentar esta perspectiva, de forma organizada, em diferentes países, regiões, culturas e línguas, é um desafio em si. Porém, tenho a sorte de contar com uma equipe de pessoas dignas de admiração e que sabem transformar uma visão e missão em ação. Isso nos encoraja imensamente e também percebemos solidariedade e apoio sincero, honesto e transparente.

Alexandre – Quais inovações você pensa em implementar?

José Arroyo – Para já estamos a rever todo o maravilhoso trabalho herdado e a familiarizar os novos membros das diferentes equipas ou comissões com o que foi feito e precisamos de manter. É verdade que também temos trabalhado para identificar algumas atividades ou iniciativas que poderiam ser realizadas de uma forma diferente e que oportunamente informaremos ao mundo inteiro.

Também utilizaremos as redes sociais, páginas ou canais da CEPA para poder divulgar o que fazemos, o que somos e o que não somos e não fazemos, de forma dinâmica, respeitosa, ampla e divertida. Isto nos permitirá servir nossas organizações afiliadas como um “Hub” ou espaço central a partir do qual, se alguém nos perguntar sobre grupos, reuniões, cursos ou workshops em seu país ou região, poderemos orientá-los a se comunicarem com um de nossos grupos Cepeanos. Por outro lado, é importante divulgar conteúdos Cepeanos atuais sobre o Espiritismo. Portanto, esta será a cola que unirá as nossas atividades de comunicação.

Alexandre – Após 3 meses de mandato é possível identificar as dificuldades e com base nisso traçar planos de trabalho?

José Arroyo - Estes últimos 3 meses, que se reduzem a 2 meses devido à nossa convalescença com COVID no final da celebração do maravilhoso 24º Congresso que tivemos em Porto Rico, foram para traçar estratégias e planos, recrutar pessoas e identificar ou mover recursos.

É inegável que uma organização com alcance internacional tem desafios únicos ou singulares. Alguns desses desafios incluem:

- Comunicar de forma eficaz tudo o que acontece no mundo da CEPA, que conta com contribuições de várias regiões do mundo.

- Divulgar as iniciativas que podemos desenvolver para apoiar as regiões e grupos, coletivos ou indivíduos da CEPA, permitindo-nos levar uma mensagem coerente em vários idiomas e superando limitações culturais.

- Quando se justificar e houver consenso maioritário, exprimirmo-nos com prudência e sensibilidade relativamente à linha ténue que por vezes separa o apoio aos Direitos Humanos do compromisso dos indivíduos com políticas/líderes ou pseudo líderes partidários, que polarizam estratégica e maquiavelicamente, sem cair nas redes da intolerância.

- O CEPA tem um perfil altruísta, como toda organização espírita deveria ter, mas os recursos financeiros estão em situação desigual em relação a tudo o que gostaríamos de fazer. Portanto, faremos o melhor que pudermos administrando as arrecadações ou doações recebidas com sabedoria, respeito e sucesso.

- Temos recursos humanos de altíssima qualidade e um sentido de compromisso com os nossos ideais que é evidente. Constatei que na CEPA não falta boa vontade, trabalho constante em cada região e criatividade para continuar desenvolvendo uma projeção atual, contemporânea e atual do Espiritismo para a sociedade em geral. Mas precisamos de mais mãos voluntárias, digitalmente qualificadas e atualizadas no uso da tecnologia para promover os nossos objetivos.

Como mencionei, estes são alguns desafios que temos pela frente e já existem ações em torno deles, que serão consolidadas e observadas ao longo dos próximos meses. Caminharemos devagar, mas com segurança. Daremos passos ágeis, mas sólidos. Não hesitaremos em aprender com os nossos erros e ouvir a voz amiga.

Além disso, essa gestão administrativa estará sempre aberta à voz e à inspiração dos Bons Espíritos, que sem dúvida sempre estiveram presentes.

Alexandre – Qual a mensagem otimista que o senhor quer passar aos espíritas livres?

José Arroyo – De norte a sul e de leste a oeste, sem falar de países ou grupos específicos e deixando de mencionar alguém, sentimo-nos acompanhados, apoiados e com grandes expectativas de liderar este grande grupo de pessoas e grupos empenhados.

Recebemos muitas lições boas da nossa ex-presidente Jacira Jacinto da Silva, então tínhamos um bom modelo a seguir. Também nos sentimos acompanhados pelos ex-presidentes da CEPA e isso é vital para nós.

Se eu encerrasse esta entrevista com uma mensagem otimista aos livres-pensadores que nos leem, seria essa: Não se escreveu a última palavra sobre o Espiritismo, mas apenas as primeiras. Agora, no alvorecer do século XXI, temos uma responsabilidade para com as próximas gerações de buscadores da verdade, de caminhantes espirituais, de espíritas insatisfeitos com os movimentos religiosos, de espíritas que raciocinam e questionam suposições, e para com todas as pessoas que não sabem que elas existem. um grupo alteritário, inclusivo, humanista e progressista com uma visão secular em relação às ideias espiritualistas.

Temos convicção de que o Espiritismo é de Kardec e nossa referência primeira é Kardec, apresentando suas ideias, preocupações e propostas à luz da contemporaneidade; Sabemos que podemos, sem medo ou timidez, observar Jesus como modelo de mediunidade e psiquismo equilibrado pela compaixão e solidariedade de quem vive o que prega; Reconhecemos que é um dever com honestidade, ética e verticalidade olhar para a sociedade atual, para além dos fatores económicos, políticos ou culturais, para lhes oferecer uma vida alternativa transbordante de espiritualidade, cheia de amor e sólida nos seus princípios. Para muitas pessoas, outros podem ser os caminhos que atendem a essas expectativas, para nós esse caminho se chama Espiritismo, sem sobrenomes, e faremos o possível para comunicá-lo, expressá-lo e exemplificá-lo.

Essa é a nossa proposta como coletivo, da CEPA, e é também a minha proposta como indivíduo, que assim como você, sou Espírito Espírita.

Gostou? Tem muito mais no Jornal Abertura de setembro.

Baixe aqui:

https://cepainternacional.org/jornal-abertura-setembro-de-2024/




quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

Sobre a ciência ter todas as respostas? por Alexandre Cardia Machado

 A ciência tem todas as respostas?

Este é o título do livro da alemã Sabine Hossenfelder, pesquisadora do Instituto de Estudos Avançados de Frankfurt. Sabine tem causado na internet em vídeos no YouTube. Ela critica o exagero dos divulgadores científicos:



“Muitos divulgadores científicos tentam deslumbrar as pessoas, especialmente na Cosmologia. Tudo sobre o início do Universo e teorias quânticas é cheio de ‘uau!’, de grandes mistérios” em reportagem da Folha de São Paulo de 7 de outubro de 2023.

Em outras palavras, tem muito blábláblá!

Vou ler o livro desta pesquisadora, quando escrevi o livro – Uma Breve História do Espírito – que tenta encaminhar os leitores no entendimento da criação do Universo conhecido, busquei deixar claro que o caminho que percorro é o mais provável e que baseado nisto, poderíamos propor uma Cosmologia Espírita possível.

Sabine afirma que muitos campos de estudo não possuem dados suficientes nem para a formulação de hipóteses científicas, um exemplo é a ideia de “multiverso”. Não que existam pesquisas, na verdade há, só que ela alega que os divulgadores deveriam ser mais claros ao dizer que se trata de uma possiblidade, ainda não confirmada.

Gostei da proposta da autora e decidi escrever uma série de artigos aqui nesta coluna, analisando as diversas teorias sobre a criação do Universo e como se daria, nestes casos a criação e evolução do espírito.

Lembrando que proponho o seguinte, baseado na existência do Big Bang:

“A partir de 0,000006 segundos, de acordo com os cálculos da Teoria da Relatividade, após o Big Bang, a temperatura do Universo abaixa o suficiente para que a matéria, ainda muito instável inicie a sua formação. Neste momento o princípio espiritual dá os seus primeiros passos. Chamaremos didaticamente este princípio espiritual de Princípio Espiritual Arcaico. Como toda a criação de matéria ou espírito não é instantânea, depende de uma série de acontecimentos”. Veremos como seria esta trajetória nas outras ideias sobre o Universo, multiverso, cordas e etc.

2024 virá, portanto, com muita ciência, que embora não tenha a resposta final a todas as dúvidas, é certamente a melhor forma de nos aproximarmos delas.

Para abrir mais a sua mente: Leia - A ciência tem todas as respostas? De Sabine Hossenfelder – Editora contexto. Leia também: Uma Breve História do Espírito de minha autoria: https://cepainternacional.org/site/pt/cepa-downloads/category/27-icks-colecao-abrindo-a-mente?download=200:uma-breve-historia-do-espirito-alexandre-cardia-machado

 Este artigo foi publicado no jornal Abertura de dezembro de 2023

Quer ler o jornal todo? Baixe aqui gratuitamente!

https://cepainternacional.org/site/pt/cepa-downloads/category/31-jornal-abertura-2023?download=274:jornal-abertura-dezembro-de-2023


 

 

quinta-feira, 6 de outubro de 2022

ICKS Lança o livro - Uma Breve História do Espírito de Alexandre Cardia Machado

 

O livro em formato e-book – gratuito, basta baixá-lo no site da CEPA – Associação Espírita Internacional. O autor Alexandre Cardia Machado é o Redator Chefe do Jornal Abertura.



Editora – ICKS uma nova série chamada – Abrindo a Mente.


O livro traz o prefácio do pensador espírita Reinaldo di Lucia. O autor Alexandre Cardia Machado conta a história da criação do Universo, da matéria e do espírito desde o Big Bang até os nossos dias. Navega entre cosmologia, paleontologia e espiritismo – propondo uma Cosmologia Espírita Possível.

 É um livro de estilo – Divulgação Científica – no entanto o autor sem fugir de termos técnicos, pensou em como ajudar o leitor a entender bem os conceitos, fica aqui o nosso convite – baixe aqui:

https://cepainternacional.org/libro/uma-breve-historia-do-espirito/

 Disponível em espanhol também;

https://cepainternacional.org/libro/una-breve-historia-del-espiritu/


Cláudia Régis Machado comenta sobre este livro - Uma  Breve História do Espírito.

Uma breve história do espírito – uma resenha

Cláudia Régis Machado

    É o nome do livro de Alexandre Cardia Machado, um ótimo livro que vale a pena de ser lido e estudado. É o que estava faltando na literatura espírita porque ser inovador trazendo a integração do que a ciência estudou sobre origem do universo e a evolução dos seres vivos com a contribuição do Espiritismo. Trazendo uma peça fundamental para nós, “o espírito”. Discorrendo também com muita propriedade sobre a relação do espírito com a matéria, e ainda mais com a pluralidade dos mundos habitados e a não interferência desta no desenvolvimento da geração humana.

    Livro escrito para espíritas e simpatizantes que tem fome de conhecimento nesta área. Pessoas que se interessem pela tese de como os espíritos surgem e se manifestam no universo bem como seu desenvolvimento. Ou seja, de onde viemos!

    Com este trabalho Alexandre expande e atualiza a Doutrina Kardecista criada há 166 anos, para que esta caminhe, atendendo e respondendo às questões humanas. O Espiritismo necessita ser sempre revitalizado e o autor através de seu esforço traz esse frescor para nos levar a querer sempre estudar mais, discutir e refletir.

    O livro é como se diz “um livro de fôlego” visto que não trata de comportamento moral onde as pessoas se identificam com mais facilidade, mas de tópicos da Doutrina Kardecista importantes para o entendimento da gênese humana.

    Alexandre estudioso e entusiasta de Cosmologia tem publicações de artigos em periódicos espíritas bem como apresentações de trabalhos em Simpósios, Congressos e Centros Espírita. Presidente atual do ICKS - Instituto Cultural Kardecista de Santos, sendo redator do jornal Abertura.

    A estrutura da obra foi pensada para que o leitor possa seguir a leitura em capítulos onde são estudados assuntos que oferecem a compreensão e fundamentação da breve história do espírito. Usa uma linguagem simples apesar do tema complexo, sem grandes ornamentações linguísticas. Para facilitar ao leitor no entendimento de termos e matérias especificas,  utilizou um glossário, no fim do livro, para explicação mais detalhada da nomenclatura peculiar do conhecimento científico. Em sua composição usa também de fotos, gráficos explicativos para ajudar a apreensão da ideia defendida.

    Toda a sua tese é embasada em nomes de referência cientifica como Einstein, Hawking Marcelo Gleiser, Michelson e Morley para citar alguns bem como de conceitos científicos, estudos e experimentos explicados de forma clara e acessível.

    Procurou verificar pontos na concepção kardecista que necessitavam ser aprofundados e atualizados para ocupar o seu espaço na estrutura do Espiritismo. Concentrou sua análise nos saberes pesquisados pelos encarnados, pois obras espíritas psicografadas de cunho religioso nada ajudam neste tema para esclarecer a humanidade, como bem cita Hernani Guimarães de Andrade.

    Nesta resenha quis ressaltar alguns itens dos capítulos que revelassem de forma sucinta a profundidade e a consistência do livro, esperando que isto incentive a sua leitura e estudo.

    Por exemplo, no capítulo 2 - Modelo cosmológico espírita possível. O autor fala de Deus, espírito e matéria e desenha uma trajetória cosmológica possível dentro do Espiritismo, com perspectiva da lei de progresso considerando o saber científico atual.

    Caracteriza o desenvolvimento do espírito como princípio espiritual iniciando a sua jornada no mesmo momento da criação da matéria dando os seus primeiros passos e classifica e nomeia-o de acordo com cada fase de seu desenvolvimento.

    No capítulo 3 - A Caminhada terrestre. Primeiramente trata das diversas descrições do que é a vida, seguido de como ela surge na Terra e as condições propícias e especiais existentes em nosso planeta para o seu aparecimento.

    Traz explicações, experiências e estudos que abrangem este tema e a visão do Livro dos Espíritos e de Kardec que era, então, da geração espontânea, acreditando que cada espécie tinha um princípio espiritual pré-definido e realizando uma comparação, revelando o quanto houve de progresso neste assunto.

    O capítulo 4 - O ser humano e a Evolução, uma análise pré-histórica. Dando sequência ao processo de vida chega à espécie humana que surge nos últimos cinco milhões de anos, primeiro com os Australoptecos, iniciando nossa diferenciação dos demais primatas até o aparecimento do ser humano.

    Explica toda a trajetória dos hominídeos e os indícios e elementos que forjaram este desenvolvimento detalhando quais os fatores que a favoreceram: como a utilização e fabricação de utensílios, a capacidade de conviver e trabalhar em tarefas compartilhadas, a esperteza, a melhor adaptação e desenvolvimento da inteligência demonstrando que o princípio espiritual é um dos principais agentes desse desenvolvimento além de outros itens como a postura ereta, a dieta, o desenvolvimento do cérebro assim como a influência das mudanças climáticas.

    O paralelo com as posições de Kardec estão sempre presente onde levanta os pontos principais da Doutrina Espírita sobre a evolução do gênero humano. Examina sempre que possível esta ideias e descreve o percurso científico das mesmas ideias com estudos e descobertas que oferecem fundamento para trabalho.

    E toda a evolução foi um caminho de milhões de anos, pois há 2,5 milhões de anos surge o gênero homo onde há manifestação do espírito propriamente dito não mais do então princípio espiritual. O sucesso destes e a extinção de algumas espécies proto-humanas.

    O autor termina o capítulo com o surgimento do homo sapiens e descrevendo as raças atuai até a  pré-história.

    O capítulo 5 - Exobiologia O autor não é adepto à ideia de seres, advindo da exobiologia, para explicar o crescimento da espécie humana. Demonstra vários argumentos e itens que reforçam a solidificação de sua tese, que a história do desenvolvimento do princípio espiritual em espírito é puramente terrestre.

    O autor embora defenda sua tese não descarta a possibilidade de um potencial de vida em outros planetas, porém levanta várias dificuldades como a distância dos planetas, formação dos planetas habitáveis o tempo para alcançar este planeta, isto abordado de uma maneira científica e não na dimensão do divino.

    Examina a bibliografia espírita sobre as migrações de espíritos de outros planetas como explicações para os “saltos” da humanidade e continua a defender e evidenciar a ideia de que os saltos evolutivos humanos podem ser elucidados perfeitamente através da história terrestre de forma mais simples sem recorrermos a necessidade de migração de espíritos de outros planetas. Buscou sempre evidências históricas para ratificar a tese que o desenvolvimento da espécie humana ocorreu aqui na Terra e não com explicações de suposições exobiológicas.

    Não existe evidência da influência das migrações interplanetárias e esta não encontra eco até o momento com o conhecimento acumulado que temos de nossa origem. A literatura espírita não aponta os fatos claros que justifiquem os saltos ocorridos na população primata da Terra baseada apenas na crença dos espíritos superiores.

    Na codificação não há uma explicação de como daria estas migrações.

    No último capítulo - A trajetória espírita, antes das conclusões finais levanta perguntas deixando para o leitor refletir se há uma ciência Espírita? Qual o seu método? Qual o seu objeto de estudo? Como o espiritismo é visto pelas instituições cientificas? Isto com intuito de reacender a chama da busca do conhecimento nas fileiras espíritas. Enfatiza como isso tem uma grande importância para várias comprovações e para alçar apoio científico.

    Analisa o atual momento que é praticamente de estagnação, que não temos saltos é preciso muitos estudos, pois são raros os trabalhos apresentados neste assunto. Saber das descobertas à custa de revelações mediúnicas, ingenuidade.

    Nas considerações finais ressalta que o Espiritismo é um conhecimento que deve andar passo a passo com todas as ciência.

    Os espíritas devem estar preparados para as mudanças constantes utilizando o critério da razão buscando sempre solução mais simples para os problemas. E outras questões mais.

    Não deixar o Espiritismo ser uma pseudociência por falta de produção científica.

    Termina com uma alusão ao porvir, evoluiremos como espécie?

    Convido a todos a descobrir nesta leitura muita informação, e atualização.

    O autor não tem a pretensão de responder todas as questões que possam advir deste assunto, a ciência em suas descobertas é dinâmica e questões podem ser levantadas a todo momento, assim como os estudos espíritas que virão poderão dar uma luz em vários pontos ainda não respondidos.

Esta resenha foi publicada no Jornal Abertura de janeiro-fevereiro de 2023.

Quer ler o jornal completo: Jornal ABERTURA janeiro-fevereiro de 2023

https://cepainternacional.org/jornal-abertura-janeiro-de-2023/

 

Aqui no blog você poderá encontrar também:


Artigos sobre os livros do ICKS

 

Livros editados ou comercializados no ICKS

https://www.blogger.com/blog/post/edit/8190435979242028935/2376729295651052388

Livro Novo Pensar sobre Deus, Homem e o Mundo - por Jaci Régis

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Imortalidade e atemporalidade – Jaci Régis  - sobre o Livro Novo Pensar sobre Deus, Homem e o Mundo

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A Doutrina Kardecista - uma reflexão -por Roberto Rufo – sobre o Livreto Modelo Conceitual Doutrina Kardecista de Jaci Régis

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Abrindo a Mente - sobre o livro O Laço e o Culto por Alexandre Cardia Machado – como obter o CD com o livro – O Laço e o Culto de Krisnamurti de Carvalho Dias

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Desafios do Kadu - Revista de Entretenimento Espírita - autora Cláudia Régis Machado

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terça-feira, 6 de setembro de 2022

Abrindo a mente Evolução intelectual x evolução moral por Alexandre Cardia Machado

 

Abrindo a mente

Evolução intelectual x evolução moral

Por que avançamos tanto no conhecimento geral e não temos uma evolução social e moral equivalente?



Me animei a escrever novamente sobre este tema, tão complexo após assistir na TV Cultura, o programa Linhas Cruzadas onde a jornalista Thaís Oyama entrevista Luiz Felipe Pondé, tendo como tema “O conhecimento faz uma pessoa melhor?”. Todos conhecem o filósofo e professor Pondé, que tem uma abordagem centrada no conhecimento que cita diversas correntes de pensamento, mas raramente ou até melhor nunca se refere ao Espiritismo.

Fui buscar um artigo que escrevi aqui no jornal ABERTURA em outubro de 1989 e que  está disponível no blog do ICKS intitulado “A Trajetória da Ciência Espírita”, onde discorri a respeito da evolução intelectual da humanidade e uma comparação com o mesmo processo nas religiões e na filosofia. Vou trazer aqui a alguns aspectos do artigo.

A principal característica do conhecimento científico é que ele é autocorretivo, “capaz de colocar em dúvida, antigas “verdades” quando encontra provas mais adequadas, corrigindo-se, progredindo, aperfeiçoando-se”. (*)

Sobre esta característica Kardec concorda e tece o seguinte comentário “Há”, todavia, capital diferença entre a marcha do Espiritismo e a das Ciências; a de que estas não atingiram o ponto que alcançaram, senão após longos intervalos, ao passo que alguns anos bastaram ao Espiritismo, quanto não a galgar o ponto culminante, pelo menos a recolher uma soma de observações bem grande para formar uma Doutrina”. (OLE). Claro Kardec apoiava-se no conhecimento, desde os seus primeiros passos.

Segundo Popper, “a melhor estratégia que um cientista deve seguir não é a de tentar comprovar uma hipótese”. Ao contrário, ele deve pensar sempre em realizar testes, isto é, quando resistir à refutação, será considerada pelos menos provisoriamente, como uma explicação adequada dos fatos, e pode até mesmo ser aceita ou adotada para fins práticos, ganhando inclusive o estatuto de uma lei científica. )
O que é filosofia, Prado, C- Série- Primeiros Passos).

Kardec entendia bem isto e muito antes de Popper declarou em A Gênese “Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque se as novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará”.

Portanto, Kardec tinha noção de que o Espiritismo haveria de evoluir o que, no entanto, não foi entendido por seus seguidores que elegeram a Doutrina escrita em 1857 como uma verdade acabada. Quase nada mais se acrescentou e incorreu-se no erro e no risco de passar-se de Científico para Pseudocientífico ou, nas palavras de Gewandsznajder “Não é por acaso que algumas pseudociências estagnaram e seus seguidores tenham se limitado a repetir as mesmas ideias, técnicas e princípios pretensamente verdadeiros de centenas até milhares de anos atrás. As pseudociências costumam se isolar-se da ciência. Seus seguidores ostentam às vezes completa indiferença para com as descobertas científicas, sustentando princípios e leis que frequentemente contradizem os princípios científicos”. (*)

Precisamos estar atentos quanto a isto, para não permitirmos que uma Doutrina de tamanha abrangência seja transformada em pseudociência por falta de produção cientifica. Este esforço tem sido feito pela corrente livre-pensadora.

Além disto a transposição do conhecimento para as mudanças sociais e morais é muito lento, pois a sociedade é o fruto das interações individuais, e os indivíduos estão em diferentes estágios de compreensão intelectual.  Portanto cada um tem sua própria visão de mundo. No entanto creio fortemente que é pelo conhecimento e educação que o mundo melhorará.

Para abrir mais a sua mente: leia A Trajetória da Ciência Espírita de Alexandre Cardia Machado – pesquise no blog do ICKS.  https://icksantos.blogspot.com/search?q=a+trajet%C3%B3ria+da+ci%C3%AAncia+esp%C3%ADrita

(*) Referência - Livro  -  O que é método científico, Gewandsznajder.

Artigo originalmente publicado no Jornal Abertura de julho de 2022 - quer ler o jornal completo?

Baixe aqui:

https://cepainternacional.org/jornal-abertura-julho-de-2022/