quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O SER HUMANO E A EVOLUÇÃO, UMA ANÁLISE PRÉ-HISTÓRICA - por Alexandre Cardia Machado

O SER HUMANO E A EVOLUÇÃO, UMA ANÁLISE PRÉ-HISTÓRICA - por Alexandre Cardia Machado

1. INTRODUÇÃO


Alexandre Cardia Machado

A primeira pessoa a tratar do evolucionismo foi Aristóteles (14,93), na sua Physicae Auscultationes (16,1987) que proclamava a evolução de todos os seres, desde a matéria ao pensamento. O tema teve posteriormente a contribuição de personalidades como Buffon, Lamarck, Saint-Hilaire, Wallace, Darwin e Haeckel, todos de alguma forma tentaram se contrapor à idéia bíblica de que todas as espécies foram “especialmente criadas”.

O fato é que o homem e o macaco têm um ancestral em comum. A determinação da espécie exata que deu origem ao homem moderno tem ocupado a atenção mundial, no campo da Paleontologia. Allan Kardec, em A Gênese, tratou do assunto nos capítulos X (Gênese Orgânica), XI (Gênese Espiritual – Princípio espiritual), este artigo procura estabelecer um paralelo entre a posição de Kardec – baseado nos ensinamentos dos espíritos e na ciência de 1868 – com os conhecimentos científicos do final do século XX.

Os humanos têm uma estrutura semelhante à dos chimpanzés e gorilas (a mesma estrutura anatômica básica e constituição genética similar), provavelmente herdadas de um ancestral que deve ter vivido há cerca de 10 milhões de anos. Sabe-se que (4,91) o primata mais antigo descoberto ate o momento foi um lêmur, pequeno animalzinho que vive até hoje, na ilha de Madagascar, no entanto, seus ancestrais já estavam por aqui a cerca de 50 milhões de anos.

Um interessante artigo foi publicado na revista Superinteressante (8,88), destacamos que: “Charles Darwin afirmou que os homens e os macacos têm a mesma origem, o que a ciência pode reforçar hoje, com o Aegyptopithecus de 35 milhões de anos. Até recentemente, porém, não se acreditava que a família dos humanos se confundia com a de chimpanzés e gorilas”, esta posição sempre foi um tabu, mormente no século passado. ”Hoje os cientistas tendem a aceitar que todos fazem parte de um único grupo, no qual homem e chimpanzé são parentes próximos, ao passo que gorilas q orangotangos são primos evolutivos mais afastados do gênero Homo.” (8,88).

Segundo Lima, “a semelhança física entre os humanos e os macacos inquestionável, porém o parentesco que há entre nós adquire destaque quando se comparam as proteínas humanas com as desses nossos parentes” (13,90).
A seguir apresento um quadro comparativo de homologia bioquímica, estabelecendo a relação entre proteínas presentes nos mamíferos, entre eles o homem.

Homem - 100%; Chimpanzé - 97%; Gorila - 92%; Gibão - 79%; Babuíno - 75%; Macaco aranha - 58%; Lêmur - 37%; Porco - 8%

A POSIÇÃO DE KARDEC

Com o objetivo de orientar o raciocínio do leitor, vamos expor, de forma simplificada, os principais pontos da Doutrina Espírita sobre a evolução do homem, extraídos das obras básicas.

1. Aceitação da existência de diversos ramos de primatas, que deram origem a diversas árvores (homem, chimpanzés, gorilas, etc.).
2. Aceitação do princípio, ainda que à nível de hipótese “de que o homem tenha se utilizado da vestimenta do macaco” na fase de elaboração do envoltório definitivo.
3. O Espírito modela o seu envoltório, talha-o de acordo com a sua inteligência.
4. Os mundos progridem, fisicamente, pela elaboração da matéria e, moralmente, pela purificação dos Espíritos que o habitam.
5. Existência da raça Adâmica.
6. Os selvagens também fazem parte da humanidade, evoluirão, mas sem dúvida, não será em corpos da mesma raça física.
7. Existência de dois tipos de seres, os que não são procriados (geração espontânea) e os que se propagam por reprodução, dando origem a novas espécies (teoria da evolução de Darwin).
A seguir apresentaremos como a ciência atual interpreta a evolução humana e sempre que couber, estaremos fazendo uma comparação com a posição de Kardec.


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2. OS PRIMEIROS PASSOS – OS HOMINÍDEOS DESCEM DAS ÁRVORES

Estudos demonstram que os ancestrais humanos passaram a ser bípedes há cerca de, 7 milhões de anos, segundo Richard Leakey, (14,95) estes seres são chamados de “Australopicíneos, ou símios meridionais” (Australoptécos), o representante mais conhecido desta fase chama-se “Lucy” e foi encontrado ao meio de rochas calcáreas na África Oriental, na região do Afar, na Etiópia. Lucy viveu à cerca de 3,2 milhões de anos.

Pegadas conservadas por cinzas vulcânicas mostram que os Australoptécos viviam em grupos familiares à cerca de 3,8 milhões de anos.

A revista Superinteressante de fevereiro de 1996 publicou a notícia da descoberta de um fóssil de Australopteco na região de Chade na África, local onde até então não se imaginava que os mesmos pudessem ter habitado. Este fóssil foi encontrado por um time de primeira linha de Arqueoantropólogos a cerca de 2000 km dos sítios anteriores, o que nos leva a crer que o processo evolutivo desta família pode ter ocorrido em pontos diferentes da África.

Não sabemos com certeza se o Australoptécos foi um ancestral humano ou se seguiu uma evolução paralela, o certo é que esta família desapareceu por volta de 1,7 milhões de anos atrás. No entanto a descoberta de um fóssil de australopthecus robustus de 1,8 milhões de anos, mais precisamente de sua mão, segundo Randall Susman (8,88), reacende a polêmica sobre o desaparecimento desta espécie pois as mãos encontradas eram muito semelhantes às humanas, portanto capazes de fabricar utensílios. Segundo Randall, a sua dieta vegetariana pode ter sido a causa de sua extinção.

Espiritamente poderíamos imaginar a luta dos princípios espirituais, visando identificar, qual das espécies de hominídeos seria mais favorável ao desenvolvimento da inteligência, uma luta no melhor estilo Darwinista.

O paleontólogo francês Yves Coppens (7,96), co-descobridor de Lucy e defensor da idéia do desenvolvimento do homem à partir do lado leste da África, na chamada “East Side Story”, por sua teoria a cerca de 4 milhões de anos, as diversas formas de hominídeos evoluíram, através do isolamento causado pela formação de um imenso vale no meio da África. No oeste, manteve-se a floresta úmida, cheia de árvores onde se desenvolveram os gorilas e os macacos. No leste uma savana com poucas árvores e menos abrigo, neste ambiente o homo teria se desenvolvido.

Lima afirma que a evolução dos ancestrais humanos se deu entre 8 e 4 milhões de anos, primeiramente pela adoção da postura ereta e posteriormente pelo desenvolvimento do cérebro. Tanto que, atualmente, os antropólogos centralizam a sua observação mais nas pernas e na bacia, do que nos crânios e mandíbulas como antigamente (13,90).

Leakey também defende esta idéia e afirma que os Australoptecos seriam os primeiros “humanos” erectus, apesar do aspecto e hábitos simiescos, segundo ele, há concordância entre os antropólogos em quatro pontos: “primeira, a origem da família humana a 7.000.000 anos, segunda, a proliferação das espécies bípedes, terceiro a 3.000.000 anos surge o gênero homo, e quarta, muito mais tarde, surgem os homens modernos” (14,95).

Podemos resumir as dúvidas atuais dos antropólogos em 3 questões:

1. “Qual a forma precisa da árvore da família humana?
2. Quando a linguagem falada sofisticada começou a evoluir?
3. O que provocou o aumento dramático no tamanho do cérebro na pré-história humana?” (15,1995)

PONTO 1 – A POSIÇÃO DE KARDEC

Aceitação da existência de diversos ramos, que deram origem a diversas árvores. Para Kardec, o homem e o macaco afastaram-se através de procriações sucessivas, formando ramos de uma mesma árvore, até que finalmente as duas árvores se separam formando troncos distintos. “O tronco se bifurcou: produziu um ramo, que por sua vez se tornou tronco”, complementando: “ Como em a Natureza não há transições bruscas, é provável que os primeiros homens aparecidos na Terra pouco diferissem do macaco pela forma exterior e não muito também pela inteligência. Em nossos dias ainda há selvagens que, pelo comprimento dos braços e dos pés e pela conformação da cabeça, tem tanta parecença com o macaco, que só lhe faltam ser peludos, para se tornar completa a semelhança” (10,1868).

Fica claro que Kardec possuía uma idéia evolucionista. Idéia distinta da Teoria de Darwin, apesar de Charles Darwin já ter apresentado a sua Origem das Espécies (16,1987), mas que, até aquele momento não havia conseguido o apoio integral da comunidade cientifica da sua época.

3 O SURGIMENTO DO GÊNERO HOMO

A família ou gênero Homo surge a cerca de 2 milhões de anos² diferencia-se dos Australoptecos por possuir um cérebro maior, crânio arredondado e face tipicamente humana. O representante mais antigo foi encontrado em Olduvai (Tanzânia), sendo classificados como Homo habilis, pois possuíam a habilidade de confeccionar utensílios.

O Homo erectus surge por volta de 1,7 milhões de anos e resiste até cerca de 200.000 anos a.C. possuíam cérebros maiores e mais desenvolvidos. Viveram no Sudeste da Ásia e China. O grupo africano que até alguns anos atrás era classificado como Homo erectus, hoje é chamado de Homo sapiens primitivo. O australopteco por não possuir a capacidade de construir utensílios nem construir abrigos ficou restrito à África tropical. Já o homo habilis, dominou o fogo e o vestuário e iniciou a expansão pela Europa e Ásia.

No mesmo artigo referido, (2,96) revela que foram encontrados os fósseis mais antigos de homo erectus na Ásia, num sitio, na China. Além disto, ferramentas feitas com pedras, de mesma qualidade das encontradas na Europa também foram descobertas recentemente na África, contrariando a tese anteriormente aceita, de que, esta habilidade teria se desenvolvido apenas na Europa.

Portanto, a cerca de 1,8 a 2 milhões de anos conviviam, disputando territórios e recursos os homo habilis, os homo erectus e os australoptecos. Por volta tenha sido encontrado até o momento fósseis de 500.000 anos³.

Uma das mais sensacionais descobertas recentes foi a do menino de Turkana, um exemplar de cerca de 9 anos de homo erectus encontrado quase que de corpo inteiro, uma sensação em arqueologia, uma vez que em geral encontra-se partes de ossos. Esse garoto pode-se dizer assim, viveu a cerca de 1.500.000 anos atrás, ele foi descoberto em 1984, porém só em 1993 é que a antropóloga americana Holly Smith, da Universidade de Michigan conseguiu determinar a sua datação. Este exemplar tinha 1,60m de altura. Um adulto poderia ter de 1,88 a 2m de altura.

Neste mesmo sítio foram encontrados 2000 fragmentos de ossos e 1500 peças de pedras lascadas que, nos próximos anos, podem acrescentar muitos dados à interpretação da pré-história.

Há cerca de 500.000 anos uma nova espécie começa a surgir na terra, é o homo sapiens. Fósseis datados de 250.000 a 150.000 anos demonstram a evolução do homo sapiens até uma espécie que o sucederá os chamados homo sapiens neanderthalensis, mais conhecidos como “homem de Neandertal”, esta espécie viveu na Europa e no Oriente Médio, nos anos de 100.000 a 35.000 anos a.C. Tinham feições toscas, com grandes mandíbulas, testa proeminente, corpos musculosos e robustos.

PONTO 2 - A POSIÇÃO DE KARDEC

Aceitação do principio, ainda que a nível de hipótese “de que o homem tenha se utilizado da vestimenta do macaco” na fase de elaboração do envoltório definitivo. (A Gênese, cap.9, pág. 212/3, questão 15) “admitida essa hipótese, pode-se dizer que, sob a influencia e por efeito da atividade intelectual do seu novo habitante, o envoltório se modificou, embelezou-se nas particularidades, conservando a forma geral do conjunto. Melhorados, os corpos, pela procriação, se reproduziram nas mesmas condições, como sucede com as árvores de enxerto. Deram origem a uma espécie nova, que pouco a pouco se afastou do tipo primitivo, à proporção que o Espírito progrediu (10,1868)”.

Cabe aqui apenas uma ressalva, a idéia de que o intelecto altera o corpo é uma interpretação no “estilo Lamark”, ou seja, a necessidade provoca pequenas mudanças no corpo físico, de geração em geração. Um exemplo clássico é o da girafa, que teria expandido o pescoço afim de alcançar os galhos mais altos, hipótese essa abandonada desde a publicação dos trabalhos de Darwin e Wallace.

A frase “por efeito da atividade intelectual do seu novo habitante” trás uma idéia de ação imediata, infelizmente não foi desta forma que as coisas aconteceram, como poderemos ver a seguir.

4. O APARECIMENTO DO HOMEM MODERNO

A determinação exata no momento em que o homem moderno surge no cenário ainda levanta muitas controvérsias, pois durante um determinado período eles convivem paralelamente a estas últimas espécies. Surgiram os chamados “homem moderno”, ou “homo sapiens sapiensis”, com idade de 90.000 a 110.000 anos, provavelmente em algum lugar entre a península Indiana, o Oriente Médio e o leste da África, um dos primeiros espécimes encontrados foi o homo sapiens sapiensis Cro-Magnon (1868 na França), que durante muito tempo fez os cientistas pensarem que o homem moderno tivesse se desenvolvido na Europa (9,90).

PONTO 3 – A POSIÇÃO DE KARDEC

O Espírito modela o seu envoltório e o apropria às suas novas necessidades; aperfeiçoa-o e lhe desenvolve e completa o organismo, talha-o de acordo com sua inteligência (10,1868).

A MUDANÇA FÍSICA CONSTANTE, O SINAL DA EVOLUÇÃO, O DESENVOLVIMENTO CEREBRAL, O SINAL DA PRESENÇA DO ESPÍRITO

Cabe um comentário a esta posição espírita, por trás desta afirmação está a tese de que o Espírito molda o corpo físico, vejamos como pensa a ciência.

Seria a inteligência (espírito) o dínamo da mudança do homem?

A questão é de suma importância, abalando a todos que tentaram estudar o assunto, Darwin, Robert Broom e Alfred Russel Wallace, debateram a questão da evolução em todos os campos, porém no que diz respeito ao homem, os três concordavam em que uma ação divina interferia diretamente no processo evolutivo. “Wallace e Broom debatiam-se entre forças conflitantes, uma intelectual, outra emocional. Eles aceitavam o fato de que o Homo Sapiens originava-se em ultima instância da natureza pelo processo de evolução, mas sua crença na espiritualidade essencial, ou essência transcendente, da humanidade levou-os a construir para a evolução explicações que mantinham a distinção humana” (15,1995).

Durante muitas décadas, acreditou-se que o crescimento do cérebro humano fosse o dínamo da evolução humana, a partir da década de 70, constatou-se que não foi bem assim, primeiro deu-se o bipedismo, em segundo lugar o desenvolvimento da habilidade dos membros superiores e muito depois o crescimento do cérebro.

Existem duas correntes que divergem sobre o modelo de predominância do bipedismo, são elas:

• A liberação dos membros superiores que possibilita o transporte das coisas;
• A postura bípede é um modo de locomoção mais eficiente do ponto de vista energético.
A cerca de 2,5 milhões de anos, os homens começaram a deixar registros fósseis de utilização de ferramentas feitas a partir de pedras lascadas.
• O período correspondente de 2,5 a 1,4 milhões de anos é chamado de período Ondoviano, onde as ferramentas eram obtidas sem uma forma predominante indicando um estado mental muito primitivo.
• O segundo período, a partir de 1,4 milhões de anos, chamado período achaulense, onde percebe-se um modelo mental determinado a ferramenta que seria produzida.
• Uma descoberta muito importante foi a de que os objetos de pedra foram feitos por indivíduos predominantemente destros, como os humanos atuais. Contrastando com os macacos que são indiferentemente destros ou canhotos.

Por último, o desenvolvimento do cérebro, segundo o Atlas da História do Mundo (1,1995) o “essencial do desenvolvimento humano de 2,5 milhões de anos atrás até 10.000 anos a.C. foi a mudança física permanente, já que os Australoptecos de cérebro pequeno foram substituídos por formas primitivas do Homo e depois por seres humanos com características do homem moderno. A chave para o sucesso humano, porém, reside no desenvolvimento da cultura e tecnologia, possibilitado por um cérebro cada vez maior. Esse desenvolvimento intelectual e sobretudo a invenção da fala e linguagem possibilitaram ao homem assumir um lugar de destaque na história da evolução”.

Durante muito tempo os cientistas formularam teorias à respeito do desenvolvimento do homem baseados, mais na intuição do que em fatos, Leakey nos coloca: “graças a Isaac e ao arqueólogo Lewis Binford, então na Universidade do Novo México. Ambos deram-se conta de que muito da interpretação dominante dos registros pré-históricos tinha base em suposições implícitas. De modo independente, eles começaram a separar o que poderia ser realmente conhecido a partir dos registros daquilo que simplesmente era suposto” (15,1995).

Lima (13,90) explica como os cientistas determinaram se os primatas possuíam ou não a capacidade da fala, existem 2 regiões no cérebro humano responsáveis pela fala, são elas a Área de Broca, no hemisfério esquerdo, responsável pela coordenação da boca, língua e laringe, e a Área de Wernicke, que coordena os padrões neurais. Através da análise do volume cerebral, do volume da região do hemisfério esquerdo, foi possível identificar que os australoptecos não os tinham desenvolvidos, e portanto não devem ter desenvolvido a fala.

Os chimpanzés treinados também conseguem reproduzir um vocabulário representado por símbolos de cerca de 200 palavras, no entanto não são capazes de formar sentenças organizadas gramaticalmente.
O ponto crítico da análise evolucionista é a falta do elo principal, da corrente, o chamado “elo perdido”, evidentemente que, quando esta expressão foi criada, na verdade faltavam muitos elos, hoje, com o aumento da pesquisa, com o incremento de técnicas combinadas de genética, datação de carbono, antropologia e paleontologia, espera-se em curto espaço de tempo, encontrar a peça faltante.
Mas apenas encontrar o corpo de transição não é suficiente para explicar o salto intelectual, neste aspecto, como veremos abaixo, Kardec propõe a hipótese extraterrestre, ou seja, a migração para o nosso planeta de Espíritos menos evoluídos de outros globos, com o objetivo de forçar a evolução humana.

PONTO 4 - A POSIÇÃO DE KARDEC

Os mundos progridem, fisicamente, pela elaboração da matéria e, moralmente, pela purificação dos Espíritos que o habitam.

Desta forma os mundos chegariam a períodos de transformação onde, então, Espíritos em grande quantidade migrariam de um mundo a outro, conforme o seu estado de adiantamento. “É quando se dão as grandes emigrações (nos 34 e 35). Os que apesar da sua inteligência e do seu saber, perseveraram no mal, sempre revoltados contra Deus e suas leis, se tornariam daí em diante um embaraço ao ulterior progresso moral, uma causa permanente de perturbação para a tranqüilidade e a felicidade dos bons, pelo que são excluídos da humanidade a que até então pertenceram e tangidos para mundos menos adiantados, onde aplicarão a inteligência e a intuição dos conhecimentos que adquiriram ao progresso daqueles entre os quais passam a viver, ao mesmo tempo que expiarão, por uma série de existências penosas por meio de árduo trabalho, suas passadas faltas e seu voluntário endurecimento.”

Algumas teses à este respeito foram lançadas ao longo do tempo, Eric Von Daniken, sem duvida é o autor mais conhecido, através do seu livro “ Eram os deuses astronautas?”, que aborda o tema sobre a ótica de uma colonização física da Terra por Ets.

Esta hipótese, levantada pelos Espíritos, na codificação, em verdade transfere o problema da evolução intelectual do homem, da Terra para um outro planeta. No caso de esta hipótese ser analisada mais profundamente, teríamos que tentar descrever os mecanismos de migração perfeitamente. Considerando que a época de Kardec, a hipótese de vida inteligente, nos demais planetas do sistema solar, era uma hipótese com validade científica, a dificuldade de locomoção restringia-se a alguns milhões de quilômetros. Acreditamos que esta hipótese hoje deva ser analisada com muito ceticismo.

5. A PRÉ-HISTÓRIA

Durante o Mesolítico (30.000 a 10.000 a.C.), o homem moderno, já como o único Homo existente, desenvolve a habilidade da caça utilizando o arco e a flecha, passando a viver em grupos menores, uma vez que as espécies grandes, quase todas foram extintas no período anterior. Com a nova técnica de caça o homem passou a abater aves e pescar, aumentando a sua capacidade de adaptação ao meio ambiente. Também é desta fase o início da domesticação de animais. (13,90).

As pinturas rupestres desta época ganham clareza e realismo muito grandes, representam animais perfeitamente, no entanto em nenhum momento figuras humanas são representadas. (13,90) Isto nos leva a considerar que os humanos daquela época tivessem receio em representar as figuras humanas, para não atrair o Espírito dos mesmos.

O Neolítico (10.000 a 4.000 a.C.) caracteriza-se pelo surgimento da agricultura, existem sítios arqueológicos datados de 9.000 a.C. onde sementes de trigo e cevada foram encontradas. Com a agricultura apareceram as primeiras aldeias. No oriente médio por volta de 6.000 anos a.C. já havia aldeias de tamanho considerável. Na Grécia quase ao mesmo tempo e na Grã-Bretanha por volta de 4.000 a.C. é atingida pela expansão da agricultura.

A Idade do Bronze e do Ferro confunde-se com a história, já aparece a civilização, as cidades estado, o comércio e principalmente a guerra, desta forma, chega-se ao estágio que se caracteriza pela evolução tecnológica em escala geométrica, fazendo com que o homem salte em menos de 5.000 anos da criação da escrita à conquista do sistema solar.

6. OS SUMÉRIOS, TALVEZ A RAÇA ADÂMICA?

O berço da civilização sem dúvida fica na Mesopotâmia (6,1991). Na época da ascensão dos Sumérios, 8.500 a.C., a maior parte da população humana era nômade, os homens perambulavam em pequenos grupos, de uma região para outra, alimentando-se dos animais que caçavam, das sementes e talos de plantas silvestres que colhiam, por todo o globo os homens se vestiam de peles de animais e buscavam abrigo em cavernas ou cabanas toscas. Tratavam de sobreviver. No entanto, os Sumérios foram os primeiros a desenvolver a agricultura, domesticar animais e formar cidades, com regras. Estabeleceram a monarquia e as classes sociais. Irrigaram a terra, desviaram rios e estabeleceram laços comerciais com as outras regiões em desenvolvimento. Criaram o arado, o primeiro calendário e foram os primeiros Astrônomos da história.

PONTO 5 – A POSIÇÃO DE KARDEC

Existência da raça Adâmica, de origem espiritual extraterrestre, ou seja, formada por anjos decaídos; (A Gênese, cap.9, pág. 231, questão 45) “Os Espíritos que a integram foram exilados para a Terra, já povoada, mas de homens primitivos, imersos na ignorância, que aqueles tiveram por missão fazer progredir, levando-lhes as luzes de uma inteligência desenvolvida.” Kardec referia-se à raça Adâmica como sendo a branca, considerando-a inclusive superior às demais (negra, amarela, etc.) até no seu próprio tempo. “Não é esse, com efeito, o papel que essa raça há desempenhado até hoje? Sua superioridade intelectual prova que o mundo donde vieram os Espíritos que a compõe era mais adiantado do que a Terra”.

OS SUMÉRIOS – O BERÇO DA CIVILIZAÇÃO

Os Sumérios acreditavam na existência de divindades. Foram os primeiros a desenvolverem um clero, pois justamente estes sacerdotes descobriram que precisavam de um método de preservação de registros, como colheitas, impostos e carregamentos comerciais. Foram criados os pictogramas que representavam os cereais, animais, etc, seguidos da quantidade, tudo isso em argila, em forma de tabletes. Isso já por volta de 8.000 a.C. A partir destes tabletes os Sumérios passaram a identificar alguns símbolos que representavam idéias, um exemplo: uma boca junto com linhas onduladas (água), representava sede. A seguir foram feitas experiências com fonemas. Criaram um instrumento em forma de cunha que facilitava o trabalho do escriba. A escrita cuneiforme foi então estabelecida na mesopotâmia (3.000 a.C) e a seguir se espalhou pelo velho mundo.

A chamada pré-história, não tem uma data específica para determinar o seu fim, uma vez que sua definição é “o período anterior a invenção da escrita” (5,1995), esta data, portanto não é fixa para toda a humanidade, na Mesopotâmia a história começou em 3.000 a.C., o norte da Europa só conheceu a escrita por volta do ano 500 d.C., enquanto que populações indígenas e aborígenas não a conhecem até os dias de hoje.

7. AS RAÇAS ATUAIS

Em 1987, dois bioquímicos da Universidade da Califórnia, Vicent Sarich e Allan Wilson, fizeram um estudo comparando proteínas humanas e de chimpanzés para ter uma idéia aproximada do tempo que os dois se separaram de um ancestral comum, a resposta foi de 5 milhões de anos.

O paleontólogo Jay Gould comentando a descoberta bioquímica da Geneticista Rebecca Cann, da Universidade do Havaí, junto com colegas da Universidade de Berkeley, de que o ancestral comum de todos os homens modernos teria cerca de 290.000 anos, afirma: “nos faz compreender que todos os seres humanos são mesmbros de uma mesma família, que teve uma origem recente em apenas um lugar”.

PONTO 6 - A POSIÇÃO DE KARDEC

“Os selvagens também fazem parte da humanidade e alcançarão um dia o nível em que se acham seus irmãos mais velhos. Mas, sem dúvida, não será em corpos da mesma raça física, impróprios a um certo desenvolvimento intelectual e moral”. (10,1868)

A UTILIZAÇÃO DE TÉCNICAS GENÉTICAS

Através da utilização da técnica do DNA mitocondrial, muito útil para traçar árvores genealógicas porque contém apenas a herança da mãe, só sendo alterado por mutações que afetam apenas a herança da mãe.

Com relação às raças existentes atualmente, comparando as amostras coletadas dos mais diversos grupos étnicos, os cientistas verificaram serem pequenas e triviais as diferenças entre as raças. “A cor da pele, por exemplo, é resultado de mera adaptação ao clima – negra na África, para se proteger do sol forte; branca na Europa, para facilitar a absorção dos raios ultravioleta, que ajudam a produção da vitamina D.” (8,88). O que nos leva, portanto, a crer que, antes da expansão do homem moderno os nossos ancestrais comuns eram todos negros. (13,90)

Todas as experiências feitas até hoje com seres humanos de diversas origens jamais conseguiram demonstrar a superioridade racial de qualquer tipo sobre os outros, qualquer ser humano, dispondo de condições semelhantes de alimentação e educação, apresentará resultados médios semelhantes em quaisquer testes psicológicos. É evidente que a comparação direta entre um europeu com um índio semi civilizado no interior da Amazônia, dentro de critérios desenvolvidos por europeus demonstrará uma superioridade muito grande à favor do primeiro.

O racismo é uma criação recente, surgida com os grandes descobrimentos, quando por razões econômicas inciaram-se as escravidões em massa de negros e índios, baseados na tese logo desenvolvida que estes formavam uma sub-raça, isto levou a que o Papa, em 1537 declarasse que os indígenas eram seres humanos e possuidores de alma imortal. (13,90) Claro está que os seres humanos brancos, de olhos azuis, são oriundos dos primeiros homo sapiens sapiens, que eram negros e que as diferenças na inteligência e na posição social ocupada pelas diversas raças, se originam de sua história natural e não da sua história biológica.

O aspecto sociológico, cultural, genético e alimentar, devem se somar ao espiritual para que todo esse processo seja entendido.

8. A IDÉIA DE EVOLUÇÃO SEGUNDO KARDEC

PONTO 7 - A POSICAO DE KARDEC

"Existência de dois tipos de seres, os não procriados (geração espontânea) e os que se propagam por reprodução, dando origem a novas espécies (teoria da evolução de Darwin) - (11,1868): "Os seres não procriados formam, pois, o primeiro escalão dos seres orgânicos e, provavelmente, um dia serão contados na classificação cientifica. Quanto às espécies que se propagam por procriação, uma opinião que não, mas que hoje se generaliza sob égide da ciência, é que os primeiros tipos de cada espécie são o produto da espécie imediatamente inferior. Assim estabeleceu-se uma cadeia ininterrupta, desde o musgo e o líquem até o carvalho, depois o zoofita, o verme da terra e o homem, se se considerarem apenas os pontos extremos, há uma diferença que parece um abismo, mas quando se aproximam todos os elos intermediários, encontra-se uma filiação sem solução de continuidade". (11,1868).

Kardec escreve este artigo, 7 meses após a publicação da Gênese (10,1868), portanto, sem receio de rever os seus pontos de vista. A credito que a Gênese só não foi revisada em tempo devido ao óbito de Kardec em 1869 (no livro em questão, o mestre se declara totalmente a favor da teoria da geração espontânea).

No mesmo artigo (11,1868), Kardec declara-se claramente a favor da evolução da Doutrina, através da discussão e da adesão as descobertas cientificas "Sendo a Revista um terreno de estudo e de elaboração de princípios, nela dando claramente a nossa opinião, não tememos empenhar a responsabilidade da doutrina, porque a doutrina a adotara, se for justa, e a rejeitara, se for falsa". Este é, no meu entender, uma deixa de Kardec para que o seu trabalho seja permanentemente estudado, ampliado e revisto, no caso de a ciência evoluir e lhe demonstrar que um determinado principio deixou de ter validade cientifica.

9. CONCLUSAO

É extraordinário avaliar que Kardec em 1868 pudesse antecipar uma série de desenvolvimentos científicos que só se consolidaram muitos anos apos a sua morte.

No entanto, alguns de seus pontos não encontraram guarida na ciência, poderão argumentar alguns, de que a ciência poderá lá chegar algum dia. Não é bem assim, algumas áreas já possuem suficiente material para que uma base sólida possa ser montada, permanecendo, é claro, espaço para mudanças posteriores em seus detalhes. São exemplos disto a Teoria da Origem das Espécies, publicada por Darwin em 1858 (12,1986), 10 anos antes da publicação da Gênese, permaneceu em discussão ate que a serie de descobertas de fósseis viessem a lhe comprovar a razão.

O que nos faz estranhar é o fato dos Espíritos não se manifestarem a favor da Teoria de Darwin, já que os mesmos opinavam sobre tudo, vide a Revista Espírita. O homem de Neanderthal foi descoberto em 1856 e, no entanto os cientistas recusavam-se a enxergá-lo como um ancestral do homem. Kardec, no entanto em 1868, após a publicação da Gênese, muda de posição, provavelmente dando atenção à corrente que se engrossava pelos científicos, favoráveis à teoria da evolução.

Um dos princípios básicos do Espiritismo é o da evolução infinita, outro o da lei do progresso, penso estar colaborando com este artigo para o progresso e a evolução da Doutrina Espírita.

Finalizando, a ciência ainda tem muitas dúvidas a respeito de detalhes como: Qual a forma precisa da árvore da família humana? Quando a linguagem falada sofisticada começou a evoluir? O que provocou o aumento dramático no tamanho do cérebro na pré-história humana? O Espiritismo trás hipóteses que ajudam a compreender estas questões, porém deve adequar-se àquilo que já está perfeitamente entendido.

Como ultima questão, deixarei com vocês um outro problema, se a evolução humana teve influencia espiritual, como defendemos, de que forma, e onde estes espíritos superiores evoluíram?

10. BIBLIOGRAFIA

1. ATLAS DA HISTÓRIA DO MUNDO, Folha de São Paulo, Geofrey Parker, 4ª ed.;1995, 320p.
2. REVISTA SUPERINTRESSANTE; Fevereiro 1996, Editora Abril, São Paulo 1996.
3. REVISTA SUPERINTERESSANTE; Outubro 1993, Editora Abril, São Paulo, 1993.
4. REVISTA SUPERINTRESSANTE; Abril 1991, Editora Abril, São Paulo, 1991.
5. ENCICLOPÉDIA COMPACTA DE CONHECIMENTOS GERAIS, ISTOÉ GUINNESS, Ed. Três Ltda. Rio de Janeiro, 1995.
6. HISTÓRIA EM REVISTA, a era dos reis divinos, Editora de Time-Life Livros, Abril Livros, Rio de Janeiro,1991.
7. CIÊNCIA- PRÉ HISTÓRIA - Jornal Folha de São Paulo, caderno de ciências, 3 de março de 1996. São Paulo, 1996.
8. REVISTA SUPERINTERESSANTE; Setembro 1988, Editora Abril, São Paulo 1988.
9. REVISTA SUPERINTRESSANTE; Fevereiro 1990, Editora Abril, São Paulo 1990.
10. KARDEC, ALLAN; A Gênese – os milagres e as predições segundo o espiritismo; (Le Gênese, lês miracles et lês prédictions selon lê spiritisme, janeiro de 1868) – Tradução de Guillon Ribeiro; FEB, 1944.
11. REVISTA ESPÍRITA – Jornal de Estudos Psicológicos; 1868; Edicel, São Paulo, s/d.
12. DAMPIER, WILLIAM C.; História da Ciência, São Paulo, Ibrasa, 1986. 249p.
13. LIMA, CELSO P.; Evolução Humana, São Paulo, Ed. Ática, 1990. 95p.
14. DAY, MICHAEL H.; O homem fóssil, 3º ed. São Paulo, Ed. Melhoramentos, 1993, 157p.
15. LEAKEY, RICHARD; A origem da espécie humana, Rio de Janeiro, tradução Alexandre Tort, Rocco, 1995. 159p.
16. DARWIN, CHARLES; A origem das espécies, Tradução: FONSECA, EDUARDO, Editora Tecnoprint, Rio de Janeiro. 387p.
17. REVISTA SUPERINTERESSANTE; Setembro de 1997, Editora Abril, São Paulo, 1997.

Anexo 1 - GÊNESE HUMANA E ESPIRITUAL – ÁRVORE EVOLUTIVA

1- Lemur – primeiro primata detectado – 50 milhões de anos
2- Aegyptopithecos – 35 milhões de anos
3- 20 milhões de anos (linha que separa os hominídeos, gorilas e chimpanzés, dos orangotangos)
4- Mitopithecus- 8 milhões de anos
5- Australopthecus ramidus – 4,4 milhões de anos (fóssil mais antigo)
6- Australopthecus anomensis – (1995) 4 milhões anos
7- Australopthecus afarensis – (1974) 3,3 milhões de anos (Lucy)
8- Australopthecus africanus – 4 milhões de anos a 1,5 milhões
9- Homo rodolfensis – 2,4 milhões de anos (início do aumento do cérebro)
10- Homo eagaster – 2,1 milhões de anos
11- Homo habilis – (1972) – 2,0 milhões de anos
12- Australopthecus robustos – (1938) – 1,7 milhões de anos
13- Homo erectus – 1,5 milhão de anos a 400 mil anos
14- Homo sapiens – 400 mil anos
15- Homo sapiens neanderthalensis – (1856) – 200 mil anos a 30.000 anos
16- Homo sapiens sapiensis – surge entre 100 mil e 50.000 anos a.C

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Este artigo foi originalmente apresentado no V SBPE - Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita em 1997 em Cajamar - SP.

Hoje o autor tem um livro publicado, onde este trabalho foi atualizado:

Uma Breve Histório da Espírita de Alexandre Cardia Machado, disponível online em pdf (pode baixar gratuitamente):

Em Português:


Em Espanhol:



Outros artigos relacionados publicados no blog :

EVOLUÇÃO DO PRICÍPIO EsPIRITUAL:

Reencarnação e o desenvolvimento do homem


Abrindo a mente - A pluralidade dos mundos habitados e o critério de falseabilidade por Alexandre Cardia Machado


Abrindo a mente:60 bilhões de humanos – nossa história. Por Alexandre Cardia Machado


O Terceiro Chimpanzé - Marcelo Régis


Abrindo a Mente - 7 bilhões de humanos – estaríamos ‘raspando’ o umbral? Por Alexandre Machado

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Qual o alcance das nossas ideias? Ideia Kardecista por Alexandre Cardia Machado



Qual o alcance das nossas ideias?  Ideia Kardecista por Alexandre Cardia Machado


Qual o alcance das nossas ideias?
Em 2007 e em maio de 2009 apresentamos estudos comparando a tendência de penetração da palavra Espiritismo na internet, usando sempre o mesmo buscador Google e, em 2009, incluímos também a palavra Kardecista. Para termos um parâmetro de comparação, utilizamos duas palavras que representam áreas de conhecimento muito ativo, que são: astronomia e genoma, além de outra área de interesse restrito, que foi a Parapsicologia.

Vimos que o interesse pela parapsicologia cresceu pouco nos dois períodos de comparação: 6% em 2009 e 23% em 2011. O interesse pelo Genoma creceu 41% em 2009 e 78% em 2011, um crescimento comparável ao interesse dispensado ao Espiritismo (71% e 98%) e à palavra Kardecista (80%). Já a Astronomia ganhou de goleada em 2009 e novamente em 2011 (538% e 244%).

Fica aqui uma questão para os leitores: Por que as pessoas estão com a cabeça mais no espaço do que no espírito?

Mais uma vez percebemos que o Espiritismo e mesmo nossa versão Kardecista continuam penetrando na sociedade em taxas comparáveis a um assunto como o do interesse pelo Genoma. Como Kardecista também é Espírita, vamos na mesma balada. Deixamos para trás a Parapsicologia, com um crescimento três vezes menor.

Para abrir mais a sua mente, leia, pesquise! Navegue na Internet: www.google.com.br
Artigo publicado originalmente no Jornal Abertura em Junho de 2011.
Para saber mais do ICKS entre em contato pelo email: ickardecista1@terra.com.br

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A ESTÉTICA E A CRÍTICA KARDECISTA - Por Roberto Rufo

A ESTÉTICA E A CRÍTICA KARDECISTA .


" Dizem que a filosofia começa no assombro e termina na compreensão . A arte parte do que foi compreendido e termina no assombro " ( John Dewey em " A Arte como Experiência " ) .

" Que tipo de ideias podemos formar de uma época se não olharmos para as pessoas que a viveram ? Se oferecemos explicações generalizantes , criaremos apenas um deserto e
chamaremos isso de história " ( Johan Huizinga em " O Outono da Idade Média " ) .

" A Igreja Católica , apóstólica , romana é a única instituição do período medieval que sobrevive até hoje " . ( Luis Fernando Veríssimo ) .


No ano de 2010 tive a oportunidade de ler dois livros muito bons e interessantes pelo seu conteúdo teórico. Um deles intitulado " A Arte como Experiência " de John Dewey , publicado pela primeira vez em 1.934 e resultado de uma série de palestras por ele ministradas na Harvard University sobre o mesmo tema. O outro livro tem por nome " O Outono da Idade Média " de autoria de Johan Huizinga, escrito em 1.919 e traduzido agora pela primeira vez em lingua portuguesa a partir do holandês.
Em " A Arte como Experiência " , um dos temas recorrentes para Dewey é que " a função da crítica é reeducar a percepção das obras de arte; ela é um auxiliar no processo de aprender a ver e ouvir. A crítica deve ser catalisadora , não judicativa . Caso contrário , em vez de facilitar a percepção , ela a bloqueia . É o indivíduo que tem uma experiência ampliada e intensificada que deve fazer sua avaliação por si mesmo " .

No livro " Obras Póstumas " , mais especificamente no capítulo " Influência perniciosa das ideias materialistas ", Allan Kardec tece críticas sobre as artes em geral e aponta sua suposta regeneração pelo Espiritismo . Parte do princípio de que as preocupações materiais substituem o interesse pela arte , pois esta estaria diminuída sem a presença da certeza da vida futura. Afirma que o sublime da arte é a poesia do ideal , e que esse só existe na região extramaterial. E questiona : " que inspiração pode trazer ao espírito a ideia do nada ? "
 
No posfácio do livro O Outono da Idade Média , o historiador Jacques Le Goff ao fazer uma análise da arte nesse período, sempre baseado no conteúdo do livro , aponta que durante algum tempo a Idade Média conseguiu integrar " o recalque numa certa liberdade dos sentidos . Isso foi possível porque o cristianismo medieval havia se revelado capaz de unir duas formas de religião : a religião popular e a religião dos letrados que é ou tende a ser uma religião racionalizada. Ora , no final da Idade Média , conclui , essa união se rompe. O que triunfa é a religião institucionalizada . Isso será ainda mais verdadeiro no século XVI , tanto no catolicismo quanto no protestantismo, com suas aspirações a uma vida sublime ".

Sendo assim a arte deve ser a expressão do divino . É do conhecimento de todos que esse sufoco só foi superado com o surgimento do Renascimento . Mas para as religiões , desde aqueles tempos, bem como para as ideologias surgidas no século XX, o mundo das representações artísticas pertence às superestruturas, aquelas providas de certezas universais . É justamente nesse erro que incorre Allan Kardec , ao afirmar que " a decadência das artes , no século atual , é o resultado da ausência de fé e de toda crença na espiritualidade do ser " ( Obras Póstumas , idem ) . Faltou a ele um olhar mais apurado para o modo de vida , a vivência das pessoas de sua época , enfim para as infraestruturas da sociedade . Sua crítica ainda está alicerçada no paradigma medieval ( fato comum em sua época) onde a arte deve ser a expressão do sublime que já existe, está colocado, faltando apenas ser " descoberto " . 

O Espiritismo teria essa missão estética .

Percebam , como é difícil ser um espiritualista renovado e ao mesmo tempo estar livre das amarras da religião .

Mais adiante Kardec faz uma afirmação que explicita sobremaneira o seu pensar sobre como a arte deve se comportar: " é matematicamente exato dizer que , sem crença, as artes não têm vitalidade possível, e que toda transformação filosófica arrasta, necessariamente , uma transformação artística correspondente " ( Obras Póstumas , idem) . Esse tipo de arte jamais termina no assombro como preconiza Dewey , pois não passaria de uma mera cópia do Perfeito. Interessante que no século XX o nazismo , o fascismo e o comunismo ( meu Deus , quanta bobagem o ser humano já foi capaz de criar ) , também pensavam a arte a reboque, a serviço da causa ideológica . Não é muito diferente . Kardfec profetiza que " assim como a arte cristã sucedeu a arte pagã , transformando-a , assim a arte espírita será o complemento e a transformação da arte cristã " . ( Obras Póstumas , idem).

Indago : seria a arte espírita capaz de eliminar o preconceito , notadamente no campo reencarnacionista? Estaria apta a ultrapassar muralhas decorrentes dos hábitos e costumes, enfim de tornar o mundo um lugar melhor para se viver? Seria capaz a arte espírita de vivenciar uma fase de protesto e depois se obter uma reação compensatória? Não creio , pois em geral as artes espiritualistas, bem como as ideológicas, eliminam de antemão o " experimental humano ", pois partem de algo já dado . Esse experimental humano nas felizes palavras de Jacques Le Goff " é tudo aquilo que a pessoa constrói no plano da afetividade , da emoção e com seu consequente redescobrimento ". ( O Outono da Idade Média , idem).

Publicado Originalmente no Jornal Abertura - Abril 2011.
Gostaria de entrar em contato com o ICKS - use este email -  ickardecista1@terra.com.br


Roberto Rufo .

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Quer comprar o CD dos anais do XII SBPE ( XII Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita - 2011) ?


Entre em contato com a secretaria do ICKS, fale com Danielle ou pelo email ickardecista1@terra.com.br
CD XII SBPE - R$ 10,00 mais custos de correio.
CDs do VIII ao XI - custo de R$ 5,00 mais custos de correio.
Ou ligue para (13) 32842918.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

XII SBPE Segue na Vanguarda do Pensamento Espírita


Um verdadeiro festival internacional de cultura espírita. Realizado com sucesso, o XII SBPE contou com 85 inscritos e com 18 apresentadores. Somados aos trabalhos, tivemos a exposição “25 anos de Jaci Régis através das páginas do Jornal Abertura” e inaugurada no primeiro dia do Simpósio, por Palmyra Régis, viúva de Jaci Régis. Contamos também com três eventos paralelos: a Reunião anual da CEPA Brasil, a Reunião do Conselho da CEPA e o Bazar de Natal do Lar Veneranda. Todas estas atividades movimentaram mais de 120 pessoas, nestes quatro dias de Simpósio.

A presença dos amigos que vieram de longe, de várias partes do Brasil e também da Argentina nos mostram que trabalhar duro vale a pena, nos ajuda a olhar para frente sem parar muito para pensar nos pequenos problemas que esta marcha acaba por enfrentar. Problemas são oportunidades de crescimento, assim definem os gurús da qualidade. Realizar este Simpósio nos fez crescer e renovar o fôlego para realizarmos o XIII SBPE em 2013. Este espaço único aberto à contribuição individual, sem convites especiais é um espaço democrático que não pode ser perdido.

Estamos organizando o XIV SBPE – Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita

30 de outubro  a 1° de novembro de 2015.

Será realizarado em Santos, na antiga sede do ICKS, hoje colégio Angelus Domus, na avenida Francisco Glicério, 261, Gonzaga – antiga sede do ICKS.

Como se inscrever

Preencha a ficha abaixo e encaminhe ao ICKS pelo correio, endereço Rua Evaristo da Veiga, 211 Santos –SP  - CEP 11075-001 ou escaneie e envie por email, ao ickardecista1@terra.com.br . Ou então ligue no (13) 33247321.

Nome:............................................................................................
Cidade:..........................................................................................
Profissão: .....................................................................................
Instituição de que participa:.......................................................
Tipo de Inscrição: ( ) A vista ou ( )número de parcelas
Vai precisar de Hospedagem: ( ) Sim ou ( ) Não 
E.mail e telefone.


Entre em contato com o  ICKS  por email para ickardecista1@terra.com.br. Precisamos de seu nome, endereço, telefone, email e forma de pagamento de sua escolha, veja detalhes a seguir.


O valor da inscrição até o dia 30 de julho é de R$ 90,00 depois desta data passa para R$ 110,00 que pode ser parcelado em até 3 vezes, com a secretaria do ICKS.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Alexandre Cardia Machado no Fronteiras da Ciência

Editor do Jornal Abertura, Alexandre Cardia Machado, esteve no programa Fronteiras da Ciência, da TV Santa Cecília de Santos, no dia 06 de novembro. Alexandre tratou do tema Ciência Espírita, e foi grande o número de telefonemas e perguntas de telespectadores. Durante o programa, que é apresentado pelo Engenheiro Jadir Albino, foi feito convite para a participação do público no XII Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita e, claro, também foi destacado o Jornal Abertura. O programa é transmitido ao vivo, aos domingos, a partir das 19 horas, com reprise no sábado seguinte, às 21 horas. O site do programa é http://www.fronteirasdaciencia.com.br/ e os interessados podem assisti-lo no endereço http://www.mundomaior.com.br.

domingo, 23 de outubro de 2011

Programa do XII SBPE - trabalhos e horários


Vejam a programação do XII SBPE de 11 a 14 de Novembro

Inscrições para participação ainda abertas pelo telefone (13) 32842918 ou pelo email ickardecista @ terra.com.br Inscrição R$ 100,00

domingo, 16 de outubro de 2011

XII SBPE -22 anos fazendo história

Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita 22 anos de história

No momento em que estamos organizando o XII SBPE, ns ocorre relembrar um pouco de sua trajetória, Em 1989 Jaci Régis propõe um novo forum de exposição de idéias para aquele grupo que em 1986 foi expurgado do Movimento Espírita cristão. Na sua primeira edição, a única onde os expositores foram convidados a discorrer sobre temas específicos, teve a presença de muitos pensadores relativamente independentes.

A abertura provocada pelo então chamado Simpósio Nacional do Pensamento espírita acabou criando um mecanismo de geração de idéias que foi replicado em encontros, seminários e outras formas de reunião no Brasil e na Argentina.

Na histórica edição de 1989 estiveram presentes apresentando trabalhos Krishnamurti Carvalho Dias, Ciro Pirondi, Milton Medran, Aylton Paiva, Milton Felipeli, Maria Eli Paiva, Paulo Magalhães Dias, Luis Fuchs, Velentin Lorenzetti, Cristina Helena Sarraf e claro Jaci Régis. Após este primeiro outros 10 Simpósios o sucederam, mais de 1800 participantes, sempre com temas inscritos por seus próprios autores, como é praxe em congressos profissionais.

Hoje o SBPE está na Wikipédia

Você é nosso convidado, venha participar desta idéia vencedora.

Estamos programando o XIV SBPE:

XIV SBPE – Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita

Será realizarado em Santos, na antiga sede do ICKS, hoje colégio Angelus Domus, na avenida Francisco Glicério, 261, Gonzaga – antiga sede do ICKS.

Como se inscrever

Preencha a ficha abaixo e encaminhe ao ICKS pelo correio, endereço Rua Evaristo da Veiga, 211 Santos –SP  - CEP 11075-001 ou escaneie e envie por email, ao ickardecista1@terra.com.br . Ou então ligue no (13) 33247321.

Nome:............................................................................................
Cidade:..........................................................................................
Profissão: .....................................................................................
Instituição de que participa:.......................................................
Tipo de Inscrição: ( ) A vista ou ( )número de parcelas
Vai precisar de Hospedagem: ( ) Sim ou ( ) Não 
E.mail e telefone.


Entre em contato com o  ICKS  por email para ickardecista1@terra.com.br. Precisamos de seu nome, endereço, telefone, email e forma de pagamento de sua escolha, veja detalhes a seguir.


O valor da inscrição até o dia 30 de julho é de R$ 90,00 depois desta data passa para R$ 110,00 que pode ser parcelado em até 3 vezes, com a secretaria do ICKS.

sábado, 15 de outubro de 2011

Entrevista com a psicóloga Cláudia Régis Machado autora dos livros Kadu e o Espírito Imortal e do livro de passatempos Desafios do Kadu


O Jornal Abertura de Junho de 2011 traz nesta edição uma entrevista com Cláudia Régis Machado, psicóloga participante do Gabinete Psico-Mediúnico do ICKS. O Gabinete desenvolve um trabalho filantrópico destinado a pessoas com problemas emocionais, todas as segundas-feiras, às 19h30.


Abertura - Cláudia, o Gabinete Psico-Mediúnico está funcionando desde setembro de 2009. Quais as maiores dificuldades para a realização deste trabalho?

Cláudia -Não colocaria como dificuldades, mas como aspectos próprios de cada trabalho a ser executado. Neste trabalho específico, a busca de colaboradores comprometidos qualificados foi a primeira dificuldade, já superada. Hoje temos uma equipe muito empenhada, tanto no lado físico como no extra-físico.
É um trabalho de grande responsabilidade, pois estamos lidando com problemas psicológicos e espirituais que necessitam de orientação específica e adequada, sempre levando orientações equilibradas que conduzam a atitudes efetivas para uma melhor qualidade de vida.

Abertura -Como é formado este grupo de trabalho? O que exatamente é feito neste trabalho?

Cláudia - O trabalho tem várias etapas. A primeira é a recepção, que é cuidadosa e amigável. Depois, a anamnese, que é uma entrevista inicial onde o entrevistador observa e seleciona se as dificuldades apresentadas pelo paciente se enquadram no trabalho que desenvolvemos, para que nossa ajuda possa ser efetiva. Neste momento, também são explicados o procedimento e o que temos a oferecer. Posteriormente, a pessoa selecionada participa de uma preleção sobre Espiritismo - que consta de noção sobre os princípios básicos da doutrina, um pouco da história do Espiritismo e alguns detalhamentos dos principais temas da Doutrina Kardecista - espírito, médium, mediunidade, reencarnação. Todo este conteúdo é dividido em pequenas aulas. Passamos, em seguida, para o relaxamento físico e mental e, posteriormente, às orientações psicológicas propriamente ditas. Por último, os pacientes recebem energização magnética. A orientação espiritual é dada na primeira, na quinta e na décima reunião, de tal forma que o trabalho desempenhado por cada colaborador soma para o resultado final.

Abertura -Como você considera então os resultados finais deste trabalho? Qual é o feedback dos freqüentadores?

Cláudia - Considero um bom resultado, pois atingimos o objetivo a que nos propusemos. O feedback é positivo e observamos a melhora daqueles que terminam o tratamento, com agradecimentos pelo apoio obtido, pela atenção e força dadas para seguirem na sua jornada. Muitos mudam o seu olhar para o mundo, mudam o seu estilo de vida, assim como os valores que priorizavam. Outros reforçam seu objetivo de vida, suas atitudes e pensamentos esquecidos pelas situações ocorridas. Todos buscando um melhor equilíbrio emocional e espiritual.

Assuntos relacionados:

http://www.blogger.com/blogger.g?blogID=8190435979242028935#editor/target=post;postID=8454870676877542008


Resposta da atividade da Coluna Brincando com Kadu


A Sobrevivência das Comunidades Espíritas no Século XXI - Junior da Costa Oliveira

Nestes últimos 30 anos, convivendo em instituições espíritas, constatamos que o modelo em vigência é o mesmo do século passado, com raras exceções. Quais as razões do modelo atual estar alicerçado em pilares que nada contribuem para o desenvolvimento da casa espírita, em pleno século 21?

Se tirarmos uma fotografia atual das entidades, encontraremos o seguinte esquema de trabalho: reuniões ao longo da semana sem interação entre seus frequentadores que, geralmente, participam de uma ou duas reuniões da casa durante o período semanal, omitindo-se das demais. Observaremos, ainda, reuniões que não privilegiam os estudos espíritas, prevalecendo a experiência prática dos elementos mais velhos para implantação de trabalhos, com resultados pouco produtivos e repetitivos ao longo dos anos. Há também a falta de comprometimento das pessoas em assumir novas tarefas objetivando o fortalecimento do grupo e da própria casa espírita. Na mediunidade, não há avaliações de pessoas e conteúdo, a fim de que o trabalho possa ter melhores resultados. Por fim, há a falta de intercâmbio entre as casas espíritas visando trabalhos em conjunto nas diversas áreas de atuação dos centros.

Pensando sobre o tema proponho estabelecer novos paradigmas na casa espírita, como aproximar todos os frequentadores com seus dirigentes, por meio da apresentação dos trabalhos desenvolvidos na semana, informando coordenação, pauta e horário. Também distribuição de questionários, com a proposta de inserir estas pessoas em algum campo da casa.

No campo doutrinário, no começo de cada ano, sugiro reuniões específicas para elaboração de temas, eleição de coordenadores, apresentação dos trabalhos e seu desenvolvimento. Importante também é a criação de contatos com outras casas espíritas, buscando interação de trabalho e, principalmente, integração de dirigentes, com visitas mútuas. Outro ponto é o marketing e o desenvolvimento de pautas para elaboração de eventos da casa espírita, sejam eles internos ou externos, além da utilização da Internet. Também o trabalho voluntário e o desenvolvimento de uma reunião que englobe Centro/Mocidade/lnfância Espírita.

Ainda neste campo, devem ser estabelecidos critérios para coordenação de trabalhos doutrinários e para ocupação de postos de direção na casa espírita. Para trabalhos de coordenação, vejo a necessidade de, pelo menos, dois anos de estudos doutrinários para que se possa assumir postos de direção.

É importante a troca de experiências (positivas ou negativas) entre as entidades espíritas, inclusive as apresentando em outros centros. Também a criação de um plano de sucessão para coordenadores e membros da diretoria, além da criação de "Planos de Gestão", a fim de qualificar pessoas para dar continuidade aos trabalhos da entidade espírita.

Este é apenas um exercício de pensar positivamente para a melhoria dos nossos centros espíritas.

sábado, 8 de outubro de 2011

Pode o Pensamento deslocar-se acima da velocidade da luz?

Por Alexandre Cardia Machado

Abrindo a Mente

Pode o pensamento se deslocar acima da velocidade da luz?
Esta afirmação é recorrente nas publicações espíritas e, mais recentemente, fui instigado a pensar sobre ela pelo meu amigo Henrique Régis, que me questionou a respeito no seu espiritbook, onde discutíamos sobre Transcomunicação Instrumental (vale conferir no endereço destacado abaixo).
Da introdução do LE retiramos: “Livres da matéria, a linguagem de que usam entre si é rápida como o pensamento, porquanto são os próprios pensamentos que se comunicam sem intermediário”. Além disto, na questão 89, a proposta é mais direta: Os Espíritos gastam algum tempo para percorrer o espaço? – “Sim, mas fazem-no com a rapidez do pensamento (...)”.
Primeiramente será preciso definir o que entendemos por pensamento, para depois avaliar as suas propriedades. Existem duas características amplamente empregadas no LE: uma é o pensamento como ato de pensar, a onde o pensamento é o resultado do ato de pensar. Exemplo: Eu estou pensando neste momento. O resultado dos milhões de pensamentos que passaram pela minha mente é o que está nesta coluna. Os Espíritos se referem, muitas vezes ao “pensei em você” e, com isto, meu Espírito como que alcança aquela pessoa, naquele momento. Este seria o resultado do ato de pensar: uma informação foi passada a outra pessoa. Isto é interessante, porque muitas vezes esta pessoa capta esta informação ou mensagem.
O ponto em discussão seria qual a velocidade que esta informação se desloca no espaço. Se esta informação for constituída de pacotes de informação decodificáveis, semelhantes ao que usamos nos meios de comunicação como rádio e TV, seria absolutamente formada por pacotes de Ondas Eletromagnéticas (OEM) e estaria limitada à velocidade da luz.
No entanto, existem outras interações entre “partículas” que não são OEM, que é o que ocorre nas chamadas partículas de interação. É o caso da famosa experiência dos spins dos elétrons, quando com relógios atômicos muito precisos, em 1982, os físicos Allain Aspect, Philipe Grangier e Gerard Roger, usando um par de fótons emitidos por uma cascata de cálcio radioativo, conseguiram uma proeza fascinante: mediram a correlação da polarização linear dos seus spins, antes e após a alteração de um deles, e verificaram a certeza da predição da mecânica quântica, ou seja, a correlação entre fótons era instantânea, ou pelo menos, com velocidade maior que a da luz. Os fótons com spins iguais a + ½, davam como resultado da sua soma o valor zero, antes e após a alteração de um deles. Estaria Einstein errado? Vamos seguir acompanhando.
Se estes estudos se mostrarem certos, um tipo de informação pode ser passada de elétron a elétron a velocidades maiores que a da luz e, considerando o pensamento um pacote de informações, extrapolando a idéia ainda que hipoteticamente, podemos “pensar” que o pensamento possa também ser transmitido acima da velocidade da luz.
Para abrir mais a sua mente, leia:
1 -http://www.espiritbook.com.br/ - procurar Abrindo a Mente – ectoplasma.
2 -ASPECT,A.; GRANGIER, P.; ROGER, G. (1982) Experimental realization of Einstein-Poldosky-RosenBohm gedankenexperiment: a new violation of Bell’s inequality.PhysicalRev.Lettersv.49,No2.
3- Quem somos nós? William Arntz, Betsy Chasse e Mark Vicente- editora Prestígio - 2005

Rosana Régis de Oliveira -Presidente do ICKS

Entrevista com Rosana Régis e Oliveira – Presidente do ICKS

Rosana Régis e Oliveira é casada com Junior da Costa e Oliveira, segunda filha de Jaci e Palmyra Régis, tem 3 filhos, Fernanda, Juliana e Felipe e uma netinha Maria Clara. É Assistente Social tendo trabalhado 25 anos no Lar Veneranda, foi vice-presidente do ICKS desde a sua fundação e com o desencarne de Jaci Régis em dezembro de 2010, após aprovação por unanimidade do Conselho Deliberativo do Lar Veneranda em fevereiro de 2011, passa a dirigir o ICKS.

O jornal Abertura esteve em sua residência com o objetivo de entrevistá-la.

Abertura: Com você se sente dirigindo o ICKS?
Rosana: No momento eu ainda estou me apropriando do que é dirigir o ICKS. Estou aprendendo muito sobre os detalhes, estou começando mas me sinto muito bem por que eu já vinha trabalhando como vice –presidente do Instituto desde a sua fundação.

Abertura: Qual a maior dificuldade para substituir o Jaci Régis?
Rosana: É a grande responsabilidade, porque ele tinha o poder de gerenciar, administrar, ter as idéias e colocá-las em prática. Sei que tenho agora uma responsabilidade muito grande de assumir e fazer o que ele fazia.

Abertura: Quais os planos para 2011?
Rosana: A gente pretende manter o que fizemos em 2010, sem grandes mudanças por que estamos querendo manter o projeto. Uma grande modificação administrativa foi a divisão de tarefas que a diretoria e os colaboradores tiveram que assumir. Com bons resultados até o momento, por que todas as atividades estão mantidas. Agora nosso maior evento em 2011 será o XII Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita em novembro

Abertura:Quais foram as boas experiências que você já passou neste dois primeiros meses ?
Rosana: A experiência melhor foi a continuação do Abertura que segue em boas mãos e que já nos trás uma grande tranquilidade por que mantemos a divulgação das idéias e do trabalho do Instituto. Outra coisa muito boa foi a união da diretoria e dos colaboradores, na manutenção do andamento do ICKS.

Abertura : Como você vê o futuro do ICKS em digamos cinco anos?
Rosana: Não sei se permaneceremos no atual prédio que pertence ao Lar Veneranda, é muito grande, o custo é muito alto, meu pai deixou isto encaminhado com um imóvel que ele e minha mãe, D. Palmyra doaram ao ICKS, claro que se conseguirmos manter as atividades e as receitas em níveis adequados, continuaremos no Prédio Jaci Régis divulgando e defendendo uma idéia renovadora do pensamento espírita.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O Humanismo Espírita - Eugenio Lara

O Humanismo Espírita

Eugenio Lara

“O homem é a medida de todas as coisas, das que são e das que não são.”
(Frase atribuída ao filósofo grego Protágoras)

Você pode adquirir este livro pelo ickardecista1@terra.com.br - valor R$ 25,00 entregue em sua residência


No final da Idade Média e início do Renascimento, falar e pensar sobre o ser humano, sua consciência, valores, o sentido e a origem, sua ontologia, era algo subversivo, uma atitude de vanguarda frente a um pensamento quase que completamente dominado pelo dogmatismo religioso. Pensar o homem sem a rigidez e os cânones do pensamento cristão era algo descabido para a época. Por sua vez, hoje, ser humanista parece uma atitude reacionária, retrógrada, em meio à vigência do culto ao individualismo, do hedonismo. É como se o ser humano estivesse fora de moda, junto com o Humanismo.
Agir sob a égide de uma postura humanista significa agir em rota de colisão com o culto do ego, do eu sozinho, do culto às celebridades, do espetáculo social, em aparente contradição com os princípios de uma modernidade supostamente ultrapassada, arcaica, anacrônica. E seu contraponto, a chamada pós-modernidade, algo ainda difícil de se definir e de se localizar historicamente de modo claro, é muito mais do que a expressão do individualismo e, longe de legitimá-lo, ela extrapola o hedonismo exacerbado ao questionar as bases da modernidade e, indiretamente, o Humanismo, um de seus filhos mais diletos.
Além da ditadura do dogmatismo egocentrista, observamos hoje a ditadura do cientificismo, do que supostamente a ciência prova, a ponto de identificarmos um certo exagero em seu uso como oposição à religião. Fato observável, por exemplo, na propaganda de bens de consumo onde, amiúde, aparece um sujeito de jaleco no laboratório, com sotaque estrangeiro, numa imagem que serviria para expor a demonstração científica de que o produto “é bom, testado e aprovado”. Isso quando não vemos as práticas mais pseudocientíficas serem legitimadas sob a chancela de adjetivos pomposos, como o termo quântico, que serve para qualificar as práticas mais absurdas e destoantes de um pensar filosófico e científico.
Enquanto isso, o ser humano parece esquecido. Ao mesmo tempo em que nunca se valorizou tanto o individualismo na história da Humanidade, também é difícil crer que essa mesma Humanidade possa se desumanizar ainda mais do que a temos visto fazê-lo, desde o Holocausto e o Apartheid. O individualismo exacerbado desumaniza o ser humano. A espiritualidade, então, torna-se opaca, sem sentido, inútil, incômoda, quando não vira, com frequência, mais um bem de consumo ou uma desprezível fonte de renda. Desumanizado e desalmado, assim parece ser a condição do ser humano de nosso tempo, numa moldura exageradamente tétrica, imersa num “eterno” suplício, mas prenhe de significado.

Laicismo e Humanismo

Normalmente, aqueles que se opõem à ideia de um Espiritismo de conotação laica associam, de modo ingênuo e equivocado, a laicidade ao antirreligiosismo, ao ateísmo, a ponto de imaginarem uma forma ateia de se pensar/praticar a Doutrina Espírita. Haveria, portanto, um paradoxo curioso: o surgimento de um Espiritismo ateu ou, talvez, um Espiritismo iconoclasta, anticristão, comunista, como se fosse possível conceber a existência de um pensar espírita que não seja deísta. A fim de se evitar esse tipo de equívoco tão comum, é imprescindível compreender que a laicidade no Espiritismo não está exclusivamente associada à separação entre o Estado e a Religião. Mas sim, fundamentalmente, ao seu caráter humanista, ao Humanismo enquanto concepção de mundo, do qual o pensamento espírita é um lídimo representante.
A palavra Humanismo possui dupla acepção. Expressa dois sentidos que não se opõem, mas se complementam. O primeiro caracteriza-se pela extrema valorização do ser humano, situando-o como o centro das atenções, o sentido e a finalidade do conhecimento na construção do que se convencionou chamar de antropocentrismo, em oposição ao teocentrismo medieval. E o segundo sentido, pela formação intelecto-moral fundamentada nos clássicos latinos, nos autores gregos e romanos da Antiguidade, responsáveis pelo desenvolvimento da filosofia, da literatura, da cultura ocidental, das chamadas ciências humanas.
O Humanismo é fruto de uma conquista histórica, filosófica, ética, em todos os sentidos, tanto na preocupação com a humanidade como na formação obtida pelo estudo da cultura greco-romana, latina, na construção de uma paidéia, de um ideal de beleza e sabedoria. Ele representa uma dramática, trágica e longa luta dos intelectuais pela liberdade de pensamento, pelo conhecimento científico, obscurecido pelo dogmatismo religioso, pelo poderio eclesiástico e os poderes firmados no período medieval.


Allan Kardec e o Humanismo

Ao conceber o ser humano como um espírito imortal, livre, perfectível, o Humanismo Espírita situa-se numa via alternativa entre o niilismo da concepção materialista e o dogmatismo da ideologia judaico-cristã. Trata-se de uma visão otimista, enobrecedora, emancipadora, que valoriza e engrandece o ser humano sob um enfoque espiritualista e deísta, não-fatalista, sem os prejuízos do espírito de sistema, do fundamentalismo e do sectarismo religioso, e avesso a qualquer tipo de autoindulgência.
O pensar humanista e a ação humanitária são o apanágio da práxis espírita, cujos atributos e características peculiares acham-se determinados pela liberdade e a alteridade. O Espiritismo é, ao mesmo tempo, humanista e humanitário. Humanista, pelo resgate da dignidade humana, no aqui e agora, sem fixar os olhos no passado palingenético e sem se perder numa visionária e alienante idealização do além-túmulo. E humanitário por tomar a caridade em seu sentido mais amplo, como o componente motivador de sua práxis.
O Espiritismo não admite que o ser humano seja tratado como um objeto, como uma coisa desprovida de humanidade, de dignidade. Essa visão não é propriedade do cristianismo e não se inicia com ele, mas sim na Antiguidade. Todavia, será em Jesus de Nazaré que a natureza humana terá o seu momento maior de compreensão ética e valorativa. Daí que, apesar de não ser cristão, o Espiritismo incorpora em seu ideário humanista os princípios morais ensinados por Jesus de Nazaré. Portanto, não foi à-toa que Allan Kardec afirmou que a moral espírita e a moral cristã são essencialmente semelhantes.
A filosofia espírita se insere no contexto do Humanismo Espiritualista do século 19, anticlerical, secular e de inspiração iluminista, fatores presentes na ação e no pensamento dos socialistas utópicos Robert Owen, Conde de Saint-Simon e Charles Fourier. No entanto, a maior influência no pensamento humanista de Kardec vem do Iluminismo, especialmente Jean-Jacques Rousseau.
Allan Kardec conhecia os clássicos e traduziu obras da literatura clássica francesa para o alemão, como Telêmaco, de Fénelon. Dominava fluentemente o latim, grego, italiano, holandês, inglês, gaulês e o castelhano. Foi um profundo estudioso da filosofia grega, como pode ser observado em sua análise do pensamento filosófico de Sócrates e Platão, os quais considerou, ao lado de Jesus de Nazaré, como precursores do Espiritismo, na magistral introdução de O Evangelho Segundo o Espiritismo.
Educado no Humanismo pestalozziano, de nítida influência do pensamento ético e pedagógico de Rousseau, o fundador do Espiritismo possuía uma formação clássica, enciclopédica, típica dos humanistas de seu tempo. Segundo Deolindo Amorim “é considerado humanista, no sentido antigo, aquele que tem uma cultura geral muito sólida, com fundamentos mais profundos nas ciências básicas, na história, nas línguas. Allan Kardec, por exemplo. Podemos considerá-lo pedagogo, moralista, pensador entre os mais autênticos, mas é bom não esquecer que sua formação, antes de tudo, era de humanista. Pelas questões que levantou, pela segurança com que formulou as teses fundamentais da Doutrina em seus diálogos com os espíritos instrutores e pelas próprias linhas mestras de sua estrutura intelectual, vê-se logo que havia, nele, os recursos culturais de humanista completo”. (Ideias e Reminiscências Espíritas, p. 78. Grifo meu).


Demasiadamente Humano...

A visão do Espiritismo como uma forma de Humanismo entrará inevitavelmente em choque com o “Espiritismo Evangélico”, com o dogmatismo doutrinário, o religiosismo, com a mentalidade cristã e cristrólatra. O caráter humanista do Espiritismo é absolutamente inegável.
Em um simples exercício estatístico, podemos observar que a palavra homem, no sentido de representante do reino hominal, aparece em O Livro dos Espíritos (2ª edição) 679 vezes. A palavra humanidade tem 81 ocorrências e humano, 50. Esses números são suficientes para demonstrar, ao menos em termos quantitativos, que a filosofia espírita tem no homem, no ser humano, o objeto primordial de suas reflexões, conceituações e ensinamentos. O caráter humanista do Espiritismo é parte integrante de sua natureza. Sua filosofia é humanista, assim como sua antropologia, sociologia e psicologia, tanto quanto sua pedagogia, todas elas ciências aplicáveis em estado embrionário, em estado de potência ainda por ser desenvolvido.
O pensamento humanista espírita se expressa não somente pela via filosófica, mas também pela via cultural, na valorização dos clássicos e da cultura humanista de todas as épocas. Mas, sobretudo, pela tomada de posição manifesta em relação ao ser humano, como elemento primordial de qualquer processo de transformação moral, social e política. O Espiritismo, apesar de sua aparência supostamente religiosa, cristã, transcendental, é essencialmente humano, demasiadamente humano...

(*) Eugenio Lara, arquiteto e jornalista, é editor do site PENSE - Pensamento Social Espírita [www.viasantos.com/pense] e membro-fundador do CPDoc - Centro de Pesquisa e Documentação Espírita. E-mail: eugenlara@hotmail.com

Posteriormente à elaboração deste artigo, em 2012, Eugenio Lara publicou um livro denominado " Breve Ensaio sobre o Humanismo Espírita - publicado pelo CPDoc - Santos -SP, 102 páginas. Disponível para venda aqui no nosso site, basta entrar em contato pelo email: ickardecista1@terra.com.br .


sábado, 1 de outubro de 2011

Do Jesus Pré-cristão ao Jesus Cristão - Jaci Régis

DO JESUS PRÉ-CRISTÃO AO JESUS CRISTÃO


Jaci Regis


JESUS DE NAZARÉ
Quando começou sua pregação, Jesus era um homem de 30 anos. Na sua época, um homem de 30 anos era uma pessoa de idade bastante expressiva, diante da expectativa de vida.
Por isso, é natural que fosse casado e que tivesse até filhos. Essa humanização dele foi repelida e continua sendo repelida pois, desde sua morte, seus seguidores dividiram-se sobre a sua natureza.
Jesus baseou-se na Lei Mosaica e não apenas a reformulou, como criou uma revolucionária forma de relacionamento humano, extraordinariamente acima dos preconceitos judaicos.
Na verdade, apenas se apoiou nas bases bíblicas e descortinou um novo cenário para entendimento do ser humano. Esse novo cenário baseou-se no amor e na reciprocidade entre as pessoas, subvertendo o entendimento, fazendo daquele que serve o maior. Usou expressões comuns, parábolas e ensinamentos tirados do dia a dia, criando uma compreensão fácil e concreta da existência humana.
Em apenas três anos ele criou a base para uma revolução moral em meio à mediocridade geral dos fariseus e saduceus.
Os judeus viviam sob o Império Romano e a população desejava a libertação política, e não via qualquer relação histórica entre Jesus de Nazaré e o esperado Messias. Ele não possuía nenhum perfil compatível com a esperança desse Messias libertador e promotor do esplendor de Israel.
Por isso, preferiu-se Barrabás, o revolucionário político, a Jesus de Nazaré, com sua doutrina renovadora e revolucionária.
Podemos dizer, rigorosamente, que Jesus de Nazaré foi uma pessoa pré-cristã.
Não fundou uma religião, nem escreveu seu testamento.
Seus discípulos e primeiros apóstolos eram todos judeus, geralmente de nível social mais elementar.
Criaram a igreja do caminho e teriam levado suas palavras ao esquecimento e se reduzido a uma seita judaica, não fosse a adesão de um intelectual: Saulo de Tarso.
Saulo de Tarso, ao se converter às idéias do Nazareno, iniciou um grande programa de divulgação entre as comunidades judaicas dispersas no Império Romano, até chegar à Roma. Ele foi morto em 64 D.C. e sua pregação indica claramente que acreditava e esperava o retorno do Nazareno, ainda em sua existência, para instalar o Reino de Deus na Terra.

JESUS CRISTO
O cristianismo foi fundado no Concílio de Nicéia, no ano 385 da Era Cristã, sob a firme determinação do Imperador Constantino.
Até ali, várias correntes ou seitas se digladiavam sobre a figura de Jesus, criando divisões, as quais o Imperador determinou o fim.
O Concilio, por ele convocado, decidiu pelo domínio da Igreja de Roma e estabeleceu o credo da Igreja Católica, a divindade de Jesus, englobando todas as correntes existentes de modo esparso e conflitante.
Esse emaranhado de seitas produziu 315 evangelhos que o mesmo Concílio baniu, fixando-se nos quatro evangelhos canônicos.
Segundo J. Herculano Pires, “há um abismo entre o Cristo e o Cristianismo tão grande quanto o abismo existente entre Jesus de Nazaré, filho de José e Maria, nascido em Nazaré, na Galileia, e Jesus Cristo, nascido da Constelação da Virgem, na Cidade do Rei Davi, em Belém da Judéia, segundo mito hebraico do Messias” (Revisão do Cristianismo).
Como o cristianismo, Jesus Cristo nasceu em Nicéia. Nele, Jesus de Nazaré foi transformado em Jesus Cristo, dissolvido na Santíssima Trindade e tornou-se prisioneiro da retórica e da escolástica.
Legitimamente, o Jesus pré-cristão perdeu-se no Jesus cristão, Jesus Cristo, Messias, um judeu rejeitado pelos judeus, mas adorado pelos cristãos.
Com o cristianismo foi iniciado um longo período de negação da verdade, pela imposição de uma verdade final, desmentida ao longo dos séculos.
O cristianismo começou a se desfazer com a renascença.
Quando e Espiritismo surgiu, o cristianismo já estava em decadência. Nos novos tempos, uma consciência pós-cristã recupera da proposta de Jesus de Nazaré sua essência, sob uma linguagem positiva. Esta é a proposta do Espiritismo como a Ciência da Alma, não de um povo, não de uma região, mas de todos os espíritos.


Nota da Redação: Este texto foi encontrado entre os arquivos deixados por Jaci Regis. Talvez tenha sido o último esforço intelectual desse grande pensador, escrito cinco dias antes de sua internação.

Abrindo a Mente - Uma entrevista com Hernani Guimarães de Andrade

Entrevista com Hernani Guimarães de Andrade

Alexandre Cardia Machado

Em 1971 O Clarin publicou um livro de 80 páginas chamada A Matéria Psi, o livro na verdade é uma entrevista com Hernani G. Andrade (HGA), seguido de uma palaestra do autor.

Selecionei algumas perguntas e respostas muito interessantes e atuais referentes ao principal foco de pesquisas deste eminente cientista Brasileiro.

Sobre a “teoria corpuscular do espírito” – HGA - “ Penso que tudo o que existe deve ter um fundamento físico natural . Considero a matérial como um caso particularíssimo de algo substancial e energético muito mais amplo” referindo-se aos limites do conhecimento ele diz “ as barreiras conceituais discriminatórias vem caindo uma a uma. Assim, a barreira entre energia e massa caiu com a Teoria da Relatividade de Einstein.as fronteiras entre vivos e o inanimado praticamente caíram com as experiências de Fraenkel – Conrat e Robbley Willians quando estes sintetizaram o virus mosaico do tabaco”.

Estas expriências foram realizadas em 1955 na Universidade de Berkley na Califórnia – os citados cientistas à partir de proteínas básicas, conseguiram construir um virus sintético – ou seja criaram o tipo de vida mais simples existente à partir do RNA. Em 1960 conseguiram descreve a sequencia completa de 158 aminoácidos que compõe a capa deste virus

Quando perguntado sobre adescoberta da “anti-matéria” – grande xodó dos espiritas atuais vejam a resposta de Hernani. “ A anti-matéria interessa, praticamente, só à Física. Crei que pouca ou nenhuma implicação poderia ter com o Espiritismo.”

Sobre a materialização de espíritos o professor emite a opinião de que materializações de fato não ocorrem, não é um processo energético ou seja que envolva – desmaterializar e rematerializar, pois as energias envolvidas seriam astronômicas, mas sim de ideoplastia, ou seja o corpo energético dos espíritos - comunicante e médium - plasmariam o ectoplasma produzindo o fenômeno com muito menos energia.

Hernani é certamente a maior refência brasileira no campo do estudo do espírito, desenvolvendo um vasto material disponível no IBBP. Sobre a sua importância recorro a Nas palavras de Hermínio de Miranda “Engenheiro Hernani Andrade, especialmente a sua proposta "matéria psi", apoiada basicamente na sua "Teoria Corpuscular do Espírito", lançada em 1958. Este livro propunha "uma extensão dos conceitos quânticos a atômicos à idéia do espírito", imaginando um átomo tetradimensional capaz de aceitar os "encaixes" da matéria física de forma a possibilitar a interação espírito/matéria.
As dificuldades de convencer os céticos e os acomodados de uma realidade espiritual, que salta aos olhos e grita, não é minimizada pelo autor. Até mesmo os mais bem intencionados pesquisadores freqüentemente se perdem pelos caminhos, dado que, por excesso de cautelas, parecem "paralisados de medo ante a idéia de descobrir realmente algo novo"
Pensar sobre o novo – abrir a mente este é o nosso objetivo, assim fica o convite à pesquisa.

Para abrir mais a sua mente leia: A Matéria Psi – Hernani Guimarães Andrade – O Clarim; Uma avaliação do Espiritismo no Brasil -

Jaci Régis biografia e vida - por Ademar Arthur Chioro dos Reis

Jaci Regis Um Radical Discípulo de Kardec 




 O espaço destinado a Jaci Regis na história do Espiritismo depende de quem conta a história. O que não se pode negar, entretanto, é que ele é uma das personalidades mais marcantes da história contemporânea do Espiritismo. Um homem que conseguiu questionar e abalar as estruturas do movimento espírita oficial, introduzindo a crítica fundamentada, numa obra profunda, contundente, consistente, contra-hegemônica e..., portanto, profundamente polêmica. Polêmico por natureza, personificou a contradição em toda sua essência. Era, ao mesmo tempo, um homem sensível, culto, repleto de ternura, explosivo, ríspido e autoritário. Acessível às novas idéias, progressista, estimulou e defendeu a adoção de comportamentos responsáveis e livres de preconceitos no que diz respeito à sexualidade e à liberdade, fundamentais para a construção da felicidade humana, que compreendia como diretamente ligada à busca do prazer. 

Por outro lado, era politicamente conservador, um liberal clássico na acepção da palavra, que nutria exagerada antipatia ao socialismo e a esquerda em geral. Filho de Octávio Regis e Izolina Adriano Regis, espíritas praticantes, nasceu em Florianópolis, em 30 de outubro de 1932, sendo o sexto filho de uma prole composta por oito irmãos: Otávio, Arnaldo, Francisco, Albertina, Mariazinha (já falecidos), além de Ivon, Luci e Egydio. Fez o curso primário nesta cidade catarinense, onde começou a frequentar o Catecismo Espírita e, mais tarde, a Mocidade Espírita. No início de 1947 veio para Santos com a família e em novembro deste ano entrou para a Juventude Espírita de Santos, recém-fundada pelo Centro Espírita Manoel Gonçalves.

 A partir daí começa a sua exitosa trajetória de líder, divulgador e pensador espírita, destacando-se pela sua inteligência, impulsividade e criatividade. Em 1949, quando a Juventude, já então denominada Mocidade Espírita Estudantes da Verdade (MEEV), mudou-se para o Centro Beneficente Evangélico, assumiu a liderança da mesma (tinha então 17 anos) com a transferência de Alexandre Soares Barbosa, fundador e grande polarizador dos jovens, para a cidade de Araraquara. Em 1952 liderou o movimento que assumiu a direção do Centro Beneficente Evangélico. A partir daí esse centro tomaria um rumo diferenciado dos demais. 

Por sua sugestão, a casa mudou o nome para Centro Espírita Allan Kardec (CEAK). Em 1962 liderou outro movimento composto por um grupo de jovens que assumiu a direção da Comunidade Assistencial Espírita Lar Veneranda, fundada em 1954, da qual foi presidente por 32 anos. Sua gestão foi marcada por grandes realizações, culminando com a construção de um belo prédio, sede da creche que atende hoje 130 crianças e 80 mães, e outro para a escola (posteriormente vendido) que continua atendendo 60 crianças. Participou destacadamente do movimento juvenil no Estado de São Paulo, sempre combativo e inovador. Foi um dos fundadores da União Municipal Espírita de Santos (UMES), em 1951, sendo seu primeiro vice-presidente. Foi idealizador e presidente da Divulgação Cultural Espírita (Dicesp), órgão da UMES, desenvolvendo um grande trabalho de divulgação. Jovens da MEEV, editavam o jornal Espiritismo, que posteriormente fundiu-se com o jornal Mensageiro da União, órgão da UMES, surgindo o "Espiritismo e Unificação", do qual foi diretor e editor por mais de 23 anos, em companhia de José Rodrigues, que faleceu também em 2010. 

A partir das divergências e disputas encetadas com o segmento religioso da UMES, fundou a Livraria Cultural Espírita (Licespe), vinculada ao Lar Veneranda. E o Jornal ABERTURA, em 1987, do qual foi presidente e redator até o seu desencarne. Por cinco décadas foi membro do Conselho Diretor e participou de atividades doutrinárias no CEAK, do qual foi presidente por 12 anos. Em 1999, afastou-se do CEAK e fundou o Instituto Cultural Kardecista de Santos (ICKS), entidade ligada ao Lar Veneranda, que presidiu até o seu desencarne. Também presidia, desde 1994, o Conselho Deliberativo do Lar Veneranda. 

Sempre empreendedor, criou em 2009 uma OCIP, denominada Lar Ven, para cuidar dos cursos profissionalizantes ministrados no Edifício Jaci Régis, pertencente ao Lar Veneranda e sede do ICKS e do Lar Ven. 

 Escreveu as seguintes obras: A Mulher na Dimensão Espírita, em parceria com Nancy Puhlmann Di Girolamo e Marlene Rossi Severino Nobre (1975), Amor, Casamento & Família (1977), Comportamento Espírita (1981), O Poder no Movimento Espírita (1981), Uma Nova Visão do Homem e do Mundo (1984), Caminhos da Liberdade (1990), o romance As Muralhas do Passado (1993) Introdução À Doutrina Kardecista (1997), A Delicada Questão do Sexo e do Amor (1999), Doutrina Kardecista - Uma releitura da Obra de Allan Kardec (2005), Novas Idéias - Textos Reescritos (2007), Doutrina Kardecista - Modelo conceitual (2008) e Novo Pensar - Deus, Homem e Mundo (2009). 

Dirigente, orador, divulgador do Espiritismo, escritor, jornalista, por décadas dedicou-se à causa espírita, desempenhando inúmeros e relevantes papéis. Poucos, entretanto, sabem que Jaci, muito embora tenha cedo iniciado seu contato com a mediunidade, dirigindo reuniões por muitos anos, tardiamente desenvolveu faculdades mediúnicas, tendo contribuído por muitos anos como médium em reuniões de desobsessão, assistência espiritual e de pesquisa mediúnica no CEAK. Por 17 anos interrompeu suas atividades mediúnicas, mas há pouco mais de um ano as tinha retomando nas reuniões do Gabinete Psico-Mediúnico do ICKS. 

Era casado com Palmyra há 57 anos, companheira dedicada que conheceu na época de mocidade espírita e com a qual teve 6 filhos: Valéria (pedagoga), Rosana (assistente social), Gisela (bióloga), Cláudia (psicóloga), Fernando Augusto (médico) e Marcelo (engenheiro). Seus genros, Junior Oliveira, Roberto Rufo e Alexandre Machado, inspirados em seu exemplo e dedicação, tornaram-se militantes espíritas muito valorosos. A maioria dos seus 11 netos participa ativamente da MEEV. Atualmente o Lar Veneranda é dirigido por sua filha, Valéria Regis Silva, e sua numerosa e devotada família participa ativamente na gestão desta entidade, bem como do Jornal Abertura, do Lar Ven e do ICKS. Trabalhou durante 30 anos, até aposentar-se, na Refinaria Presidente Bernardes - Petrobrás, chegando a cargos de chefia de departamentos. Formou-se em Economia, Jornalismo e Psicologia. Freudiano assumido, era psicólogo clínico e até o seu desencarne exercia intensa atividade profissional, que influiu decisivamente para que se dedicasse a abordagem de temas relacionados ao comportamento humano, a sexualidade, a família, a personalidade humana e suas relações com os problemas afetivos e psíquicos. 

Desenvolveu, ao longo da década de 90 do século passado, uma teoria a que denominou Espiritossomática, procurando estabelecer pontos de confluência e a construção de uma práxis terapêutica a partir das contribuições doutrinárias do Espiritismo e de outras áreas da Psicologia, em particular a psicanálise. 

Era expositor e autor que fazia (e continuará fazendo) muito sucesso entre os jovens e espíritas livre-pensadores, desprovidos de preconceitos, tocados pelos argumentos e pela abordagem moderna, aberta, fundamentada e consistente com quem lidava com os mais diversos temas doutrinários e problemas humanos. Um autor que possuía um estilo peculiar, de reconhecida competência. Sua pena produzia há décadas ensaios e crônicas, publicadas em jornais e livros, de rara sensibilidade e ternura, que tocam as mais profundas fímbrias de nossos corações e mentes. Um texto sensível e criativo, sem que recorresse à mesmice que caracteriza a literatura espírita. Ao mesmo tempo, era capaz de produzir artigos, trabalhos, textos e livros de cunho doutrinários que se constituíram em verdadeiros clássicos da literatura espírita contemporânea, indispensáveis aos estudiosos da Doutrina Espírita. Desenvolveu uma linha de raciocínio e argumentação extremamente fundamentada e consistente, a partir dos postulados de Kardec – que conhecia como poucos. 

Era um líder nato e grande realizador. Não há dúvidas de que o Lar Veneranda foi a grande obra de sua vida, pois embora tenha tido inúmeros e valorosos colaboradores, sua obstinação, competência e liderança foram fundamentais para erguer e consolidar esta instituição modelar. Sua contribuição intelectual ao pensamento espírita, por outro lado, foi sendo desenvolvida e aperfeiçoada num processo no qual se destacam três fatos de fundamental importância na definição de sua obra: a "descoberta" de Freud e sua formação psicanalítica, no curso de Psicologia; o acesso às informações contidas na Revista Espírita, o que lhe permitiu um aprofundamento e a contextualização do pensamento de Kardec; e, por fim, a elaboração de uma proposta de re-leitura de Kardec, uma reconceituação das atividades doutrinárias, de modo a adequá-las aos princípios e objetivos do Espiritismo, num movimento criado e difundido a partir de 1978, ao qual denominou "Espiritização", que alcançou grande repercussão no movimento espírita. Constituiu-se, sem dúvida, no mais contundente e consistente crítico do Espiritismo evangélico/cristão e do não assumido roustanguismo da Federação Espírita Brasileira.

Denunciou a concentração de poder nas mãos dos conservadores dirigentes das federativas e suas nefastas consequências. Impulsionou, a partir de meados da década de 80, a discussão em torno do caráter religioso do espiritismo, defendendo vigorosamente que o espiritismo não é uma religião, combatendo a incorporação de práticas e rituais religiosos pelo movimento e as distorções no uso e prática da mediunidade. Foi um dos líderes, em 1986, da chapa de oposição à USE-SP, que terminou amplamente derrotada. A este processo seguiu-se uma verdadeira caça às bruxas, que objetivava isolar todos aqueles que de alguma forma estavam próximos ao "Grupo de Santos", ou seja, os influenciados e/ou liderados por Jaci Regis. Foi deliberadamente satanizado, rotulado de obsedado por seus "fraternos" inimigos. A divulgação do jornal por ele dirigido e de seus livros foram proibidos. 

Deixou de ser convidado para proferir palestras e conferências. As entidades do movimento de unificação do Espiritismo brasileiro procuraram isolá-lo, crentes que desta forma conseguiriam sufocar a crítica à deturpação do Espiritismo por eles transformado em uma religião conservadora e assim sufocar a retomada de um movimento genuinamente kardecista, progressista e laico. Buscando construir uma estratégia que pudesse romper o isolamento dos espíritas kardecistas que haviam sido excluídos e marginalizados (ou que se auto-excluíram por não suportarem mais as condições impostas pelo movimento oficial), idealizou e realizou em 1989 o I Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita (SBPE), bianual, destinado a estimular a produção doutrinária de espíritas encarnados, que este ano atingirá a sua 12a edição ininterrupta. Jaci Regis proporcionou com o SBPE um reencontro de antigos líderes espíritas e o surgimento de uma nova e promissora geração de dirigentes espíritas. Com isto, houve um grande fortalecimento e a definitiva capilarização da CEPA em todo o território nacional, que culminou com a criação da CEPABrasil, que tradicionalmente realiza suas assembléias durante esse evento. Proferiu palestras e conferências em vários eventos internacionais realizados pela CEPA.

Assim, tornou-se conhecido (e suas idéias reconhecidas) na Argentina, Venezuela, Espanha, etc., bem como seus livros e artigos traduzidos para o espanhol. Inicialmente manteve uma posição de autonomia em relação à entidade, mas aos poucos foi se aproximando, culminando com a adesão do ICKS à CEPA e a sua participação, em parceria com Milton Medran, da Secretaria Editorial do Conselho Executivo da CEPA, eleito em Porto Rico, para a gestão 2008-2012. Embora tenha participado ativamente de seus eventos e seja responsável por vasta contribuição intelectual ao debate de ideias no seio desta instituição, manteve sempre uma relação extremamente tensionada, quase conflituosa. Na última década “sacudiu” o movimento espírita laico dirigido pela CEPA, a quem prioritariamente procurava estabelecer um diálogo, ao propor novos rumos para o espiritismo a partir de algumas ideias que sintetizam parte dos consensos construídos no interior deste movimento nos últimos anos com outros conceitos e propostas instigantes e polêmicas. 

Concebeu um Novo Modelo Conceitual, com o qual se propunha a reescrever o modelo espírita, e a Doutrina Kardecista, que finalmente vinha denominando Ciência da Alma. Em setembro de 2010 esteve presente no II Encontro Nacional da CEPABrasil, em Bento Gonçalves, discutindo em toda a radicalidade o seu Modelo Conceitual e a Ciência da Alma. Tratam-se de contribuições fundamentais que devem ser amplamente debatidas e aprofundadas, dado o alcance e repercussões das proposituras ali contidas. Era sem dúvida um espírito complexo e profundamente polêmico: íntegro, direto, inquieto, impulsivo, autoritário, muitas vezes ríspido. 

Ao mesmo tempo era um homem sensível, sereno, amável, carinhoso e profundamente benemerente. Entre os adeptos do Espiritismo e dirigentes espíritas, é admirado por muitos, odiado por tantos outros, mas respeitado por todos. Um espírita que ousou romper a mediocridade reinante. Alguém que contribuiu como poucos (e ainda contribuirá por muito tempo) com o estudo e a divulgação do Espiritismo, comprometido de fato com o pensamento de Kardec, numa dinâmica libertária, capaz de produzir uma nova visão do homem e do mundo. 

Um dirigente espírita influenciou profundamente a cada um dos que com ele conviveu ou teve acesso a suas ideias e pensamentos. Um líder na essência da palavra, com seus erros e acertos, defeitos e virtudes. Uma vida dedicada com amor e paixão ao Espiritismo. Inquestionavelmente, uma das grandes personalidades espíritas do século 20 e da primeira década do 21. Até a véspera de sua internação na Santa Casa de Santos, em decorrência de insuficiência renal crônica, vinha trabalhando normalmente em seu consultório e em suas atividades doutrinárias. Mas o corpo cansado, embora tenha deixado a UTI por 2 dias, não mais resistiu. Jaci Regis desencarnou no dia 13 de dezembro de 2010, aos 78 anos de vida, em Santos, após 45 dias de hospitalização. Retornou ao mundo dos espíritos, onde queridos companheiros devem (em festa) tê-lo recebido. 

Deixa-nos, entretanto, com a firme convicção de que a partir desta data o clima de contemplação e tranquilidade idealizado por muitos para caracterizar o mundo dos espíritos estará com os dias contados. Em breve, o mais radical discípulo de Kardec estará de volta, com toda a sua genialidade e inquietude, produzindo entre encarnados e desencarnados novas reflexões, desmobilizando o conservadorismo reinante, instigando a todos a dar continuidade à permanente atualização do pensamento espírita, a buscar incansavelmente o conhecimento e o crescimento espiritual. E, ao mesmo tempo, envolvido nas tarefas de acolhimento aos que padecem de sofrimentos psíquicos e morais e que necessitarem de sua ajuda qualificada e amorosa. 

O desencarne de Jaci Regis, por tudo que ele representa para incontáveis espíritas em todo o mundo, não será o fim de uma história. Não extinguirá a trincheira libertária que ele abriu nas mentes de várias gerações de espíritas. O movimento emancipatório que ele liderou terá continuidade. Caberá a cada um de nós, que ao longo de nossas vidas nos iluminamos a partir de suas ideias, dar continuidade, de alguma forma, às diversas frentes que esse homem (insubstituível) plantou, cultivou e viu florescer. Cuidar desse imenso jardim não é tarefa para poucos, mas terá continuidade. 

 Ademar Arthur Chioro dos Reis

Jaci Régis e o  seu legado


Jaci Régis Biografia - por Ademar Arthur Chioro dos Reis



Homenagem a Jaci Régis e José Rodrigues - XXI Congresso Espírita Panamericano em Santos 2012





Nota: Artigo originalmente publicado no Jornal Abertura de Santos.

Gostou? Você pode encontrar muito mais no Jornal Abertura – digital, totalmente gratuito.

Acesse: CEPA Internacional ou https://cepainternacional.org/site/pt/component/phocadownload/category/20-jornal-abertura-2021 


quinta-feira, 15 de setembro de 2011

XII SBPE - Vejam os trabalhos que serão apresentados

Participe

Faça a sua inscrição pelo email - ickardecista@terra.com.br. O Investimento é de apenas R$ 100,00 e você além de participar do evento de 4 dias receberá um CD com os trabalhos.





quinta-feira, 31 de março de 2011

CURSO CONHEÇA O ESPIRITISMO

Deu início no dia 30 de março, quarta-feira às 20:00 hs o Curso Introdução a Doutrina Kardecista que agora recebe um novo nome CONHEÇA O ESPIRITISMO. O curso permanece com a mesma grade de palestras e é direcionado para aqueles que desejam saber o que o Espiritismo ensina sobre a comunicação com os mortos, a reencarnação, o sofrimento e o futuro. Para aqueles que ainda não se matricularam no curso, ainda há tempo, a inscrição é R$ 30,00 e você recebe o livro Introdução à Doutrina Kardecista de Jaci Regis. As inscrições e informações podem ser feitas na sede do Instituto Cultural Kardecista de Santos que realiza o curso a 10 anos na Avenida Francisco Glicério, 261 - Gonzaga - Santos - São Paulo, ou por telefone (13) 3284 2918. Confira as aulas e os palestrantes.