quarta-feira, 18 de abril de 2012

Espiritismo completa 155 anos


Hoje, 18 de abril comemoramos o 155 anos do lançamento do Livro dos Espíritos, por Allan Kardec em Paris em 1857.

Costumeiramente comemoramos com reuniões, e atividades do gênero, segue convite aos Santistas para que participem, de hoje até sexta-feira do VII Forum do Livre Pensar da Baixada Santista.

domingo, 15 de abril de 2012

Declaração de Princípios do ICKS

Apresentamos abaixo os princípios que o ICKS aplicará em suas atividades de 2012. Estes princípios foram construídos a partir de discussão interna dos sócios do Instituto em quatro sessões, partindo de dois documentos: A Doutrina Kardecista, de Jaci Régis, e a carta de posicionamento da CEPA Brasil.

Princípios ICKS:

01 - O ICKS é, por definição, Kardecista. Portanto, ser Kardecista é entender Kardec através das obras assinadas por ele e interpretar a sua aplicação nos dias de hoje, sem se fechar no passado.

02 - O ICKS se declara uma instituição laica.

03 - O ICKS considera que a Doutrina Espírita foi concebida como ciência, filosofia com consequências morais, resultante de estudos e análises dos planos material e espiritual. O ICKS deve sempre utilizar uma linguagem tipicamente espírita evitando assim viciações de cunho cristão.

04 - O ICKS deverá manter-se atualizado com a cultura atual e que possua relevância com a Doutrina Espírita.

05 - O ICKS será um pólo irradiador de ideias, desenvolvendo cursos, pesquisas, fórum de debates e ideias, a fim de propiciar aos interessados em estudos espíritas o maior rol possível de temas, procurando aplicar metodologia de cunho científico e de princípios consagrados pela ciência acadêmica, para obtenção de novos dados, mantendo atualizados os conceitos espíritas e a realidade atual.

06 - O ICKS entende que os relacionamentos humanos não estão baseados em culpa e castigo.

07 - O ICKS entende não existir um ser definido como salvador.

08 - O ICKS entende que a ‘mediunidade’ é uma faculdade natural e foca a sua atenção para o público dos encarnados.

sábado, 7 de abril de 2012

Fato Espírita - Fenômeno Zíbia

A Revista Veja de 29 de Fevereiro apresenta uma matéria especial chamada “um país de leitores – e autores”, o preço dos livros caíram relativamente ao aumento da renda e mais e mais brasileiros passam a ser leitores vorazes, o grande campeão de vendas em 2011 foi o Padre Marcelo como seu único livro “Ágape” , na esteira do aumento de 8% na venda de livros e na queda de 5% nos preços médios, em segundo lugar temos Zíbia Gasparetto, que como sabemos muito bem, apesar de escrever obras psicografadas, não abre mão dos direitos autorais. Zíbia teria vendido ao longo de sua carreira psicográfica cerca de 16 milhões de livros, com 40 títulos, atingindo 8 vezes mais leitores do que o número de declarados Espíritas no último Censo no Brasil.

O fenômeno Zíbia, certamente o segundo maior autor de obras psicografadas no Brasil, perdendo apenas de Chico Xavier e deixando para tráz todos os outros autores juntos. Por que a dupla Zíbia e o espírito Lucius fazem tanto sucesso? Quem sabe a narrativa em linguagem comum e de fácil acesso, trazendo situações comuns, que atingem a todos, com o aspecto espírita e reencarnatório sendo abordado de leve, sejam a chave do sucesso, a mensagem moral é passada quase sem ser percebida.

O brasileiro na média lê 2 livros por ano, contra uma média mundial de 13, há muito ainda a crescer, neste país 48% da população declarou não ler 1 livros sequer por ano, as razões, fora o fato de uma parte ser analfabeta foi, segundo o levantamento chamado Retrato da Leitura no Brasil, de 2007 elaborado pelo Intituto Prólivro “ lêem muito devagar: 17%, não compreendem o que lêem: 7%, não têm paciência para ler: 11%, não têm concentração: 7%” .

Ainda no mesmo estudo obtem-se o perfil dos leitores: Formação superior – 79%, Renda familiar acima de 10 salários mínimos – 78%; Chefes de família – 76% e Espíritas também 76%.

Existem muitas críticas a Zíbia no meio espírita, mas é inegável o sucesso dela e a penetração de idéias espiritualistas na sociedade brasileira à partir de seus livros.

O que você acha? Deixe a sua opinião.

Artigo publicado originalmente no Jornal Abertura de Março de 2012

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Curso Teórico de Mediunidade de Cura termina com o sucesso de sempre.


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Curso sobre Mediunidade de Cura - início em 12 de Junho 2012

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quarta-feira, 28 de março de 2012

Entrevista com Eugenio Lara - “O inimigo não está mais lá fora, está aqui dentro”


Este artigo está sendo publicado no jornal Abertura em duas partes, nas edições de Março e Abril, você blogueiro do ICKS tem a oportunidade de acessar todo o artigo com antecipação.

A presente entrevista foi concedida pelo colaborador do Abertura, Eugenio Lara, em fevereiro deste ano à jornalista Flávia Zanforlim para a revista mensal Ser Espírita, publicada pela Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE), de Curitiba-PR. Com o objetivo de servir como fonte e base para uma ampla reportagem sobre a história do Espiritismo no Brasil, são abordados vários temas como o contexto propício em que ele surgiu em terras brasileiras, os fatos importantes ao longo de sua história e as dificuldades encontradas pelos espíritas para conquistarem o respeito, a aceitação social, hoje um fato evidente com o lançamento de filmes, peças teatrais, reportagens e especiais na televisão sobre a filosofia espírita. Leia a seguir, a íntegra da entrevista. Por entendermos que a entrevista provavelmente não será publicada na integra pela SBEE, estamos propiciando ao leitor do Abertura e ao seguidor do blog do ICKS tê-la em primeira mão.

1. Tem alguma opinião do porquê de o Espiritismo ter dado tão certo no Brasil?

O Espiritismo tinha tudo para dar certo na Argentina, o país mais europeu da América Latina. Até hoje observamos, no comportamento dos argentinos, uma influência muito grande da cultura europeia. No entanto, curiosamente, ele inicialmente se desenvolveu com bastante intensidade em Cuba, antes da Revolução Cubana; se disseminou na Argentina e na Venezuela, onde o caráter filosófico e experimental atraiu muitos adeptos e, posteriormente, no Brasil, sob uma feição cristã, religiosa. O contexto por aqui era bastante propício: a partir de 1860 já existia a benzedura, o curandeirismo indígena, as religiões africanas e o catolicismo, fatores bem marcantes no nosso dia-a-dia. O Brasil, apesar de não ter um único santo canonizado, é um dos maiores países católicos do mundo. O caldo cultural místico, religioso, bem cristão mesmo, mas com o espírito aberto a outras manifestações espiritualistas, serviu de substrato para o desenvolvimento do Espiritismo em nosso País. De início, a Doutrina Espírita, como na França, se disseminou na elite, na Corte, em círculos de estudos formados por pessoas cultas, que dominavam o francês, por filhos da elite que tinham condições econômicas de estudar na Europa. Trouxeram de lá os ideais do positivismo, do iluminismo e, também, do Espiritismo.
O Espiritismo, em sua origem, é uma cultura de postura racional, positivista, cartesiana, iluminista e eurocentrista. Enquanto que nossa cultura é toda analógica, gestual, oral. No dizer do grande poeta modernista Oswald de Andrade, o que ocorreu foi uma espécie de antropofagia, isto como metáfora da assimilação transcultural, de uma antropofagia filosófica, doutrinária. Ao tomar contato com nossa cultura religiosa, mística e supersticiosa, o Espiritismo se mesclou, foi “devorado” e assimilado pelo nosso imaginário. O resultado foi a formação de uma religião peculiar, radicalmente distante da matriz kardequiana. No dizer da antropóloga brasileira Sandra Stoll, criamos um “Espiritismo à Brasileira”, conforme os cânones de nossa cultura.
As condições culturais de nosso País foram propícias para o desenvolvimento do Espiritismo, com uma nova cara, nova feição cultural, um novo formato, determinado e adequado à nossa realidade social.

2. Conseguiria listar nomes de personalidades que foram fundamentais no espiritismo no Brasil?

Começo com Afonso Angeli Torteroli, o grande líder dos científicos no século 19, adversário de Bezerra de Menezes, líder dos místicos e outra grande personalidade da história do Espiritismo Brasileiro. Carlos Imbassahy foi o nosso primeiro grande intelectual espírita, seguido por Herculano Pires, Deolindo Amorim, Hernani Guimarães Andrade e, mais recentemente, Jaci Regis. Todas essas personalidades ajudaram a criar o que hoje podemos denominar de cultura espírita ou pensamento espírita, como alternativa e contraponto à religião espírita dominante, criada pela FEB, Chico Xavier e personalidades místico-católicas.

3. Quais momentos considera mais importantes desta história?

Os momentos foram muitos e corremos o risco de deixar de fora muitos fatos importantes para a história do Espiritismo brasileiro. A vitória dos místicos, sob a liderança de Bezerra de Menezes, no século 19, foi o fator de consolidação do Espiritismo religioso e da Federação Espírita Brasileira, que assumiu a hegemonia e a direção política do movimento espírita com o Pacto Áureo, em 1949.
Como reação a esse acordo de cúpula, de lideranças, o chamado Pacto Áureo, Deolindo Amorim fundou o Instituto de Cultura Espírita do Brasil (ICEB) em 1957, iniciativa que inspirou e tem inspirado muitos grupos espíritas por todo o Brasil, preocupados com o desenvolvimento da cultura espírita. Nesse aspecto, deve ser considerada também a fundação da Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE), hoje um dos grandes polos de disseminação do pensamento espírita no Paraná e em todo o País, desde os anos 1960.
Cabe lembrar a fundação da USE - União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, em 1947, sob a orientação de Herculano Pires e Edgar Armond, que tornou-se um modelo para o projeto de unificação do Espiritismo brasileiro. Nos anos 1960, também tivemos o aguerrido Movimento Universitário Espírita (MUE), retomado nos anos 1980 com outro formato e sob o nome de Núcleo Espírita Universitário (NEU); nos anos 1970, o projeto Educação Espírita, graças à liderança de Herculano Pires e a criação do COEM - Centro de Orientação e Educação Mediúnica, estruturado pelo pedagogo Ney Albach e o médico psiquiatra Alexandre Sech. Nos anos 1980, a crise entre religiosos e não-religiosos foi um divisor de águas. Nesse período, destaco o Projeto de Espiritização idealizado por Jaci Regis e José Rodrigues, em Santos-SP, através do periódico Espiritismo & Unificação, sucedido pelo jornal de cultura espírita Abertura. Nesta mesma época é importante também mencionar a Campanha de Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita, projeto idealizado pelos gaúchos Maurice Herbert Jones e Salomão Benchaya, dirigentes do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, que edita o conhecido periódico Opinião. Nos anos 1990 tivemos a penetração mais intensa da Confederação Espírita Pan-Americana (CEPA), sob a liderança do venezuelano Jon Aizpúrua e a consolidação de projetos alternativos no movimento espírita, como o Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita, em Santos-SP, de grupos de estudos espíritas, grupos de pesquisa e, no final e virada do milênio, a penetração maciça do Espiritismo na internet e nas redes sociais.

4. Quais as facilidades para a entrada e permanência do Espiritismo no Brasil?

O processo de desenvolvimento e consolidação do Espiritismo no Brasil não foi fácil. Foi longo e tortuoso. No início, os espíritas tiveram que enfrentar a Igreja, a classe médica e até o Estado, que sob influência católica, proibiu durante um certo período o funcionamento de centros espíritas, como combate ao “curandeirismo” e às práticas contrárias aos interesses da Igreja. O Espiritismo era um caso de polícia. Possivelmente, não somente pelo espírito de caridade, mas também como uma maneira de ser aceito socialmente, os espíritas desenvolveram um trabalho assistencial muito pujante e respeitadíssimo pela sociedade. Além do fato de personalidades mediúnicas como Chico Xavier, Divaldo Pereira Franco, Yvonne Pereira, Zíbia Gasparetto, Luiz Gasparetto, dentre outras, terem contribuído com seu trabalho, exemplo e carisma para que o Espiritismo fosse cada vez mais aceito pela sociedade.
Quanto à permanência do Espiritismo, isso dependerá dos próprios espíritas, segundo uma frase atribuída a Léon Denis: “o Espiritismo será aquilo que os homens fizerem dele”. E penso que se o Espiritismo seguir o caminho do esclarecimento cultural, ético, procurando demonstrar suas teses através da experimentação e pesquisa sérias, o futuro do Espiritismo estará garantido. O caminho deverá ser, necessariamente, experimental, cultural, filosófico e profundamente ético. A transformação moral deve se impor, sem a qual, seríamos um movimento estéril e improdutivo.

5. Quais as dificuldades que o Espiritismo passou? O que perdemos com elas?

Assim como qualquer movimento de ideias, que aspira pela cidadania e aceitação social, o Espiritismo vem prosseguindo como um movimento bastante respeitado pela sociedade. Primeiramente, as maiores dificuldades enfrentadas, como citamos, foram com agentes externos: a Igreja, o Estado, a classe médica, a imprensa. Hoje, por ser um movimento consolidado, esses fatores externos não são mais tão marcantes assim. As dificuldades maiores encontram-se nos interstícios do Espiritismo. Ou seja, os próprios espíritas tornaram-se, de modo até inconsciente, os maiores inimigos do Espiritismo. O inimigo não está mais lá fora, está aqui dentro.

6. Como avalia o atual momento do Espiritismo no Brasil? Carecemos de um novo líder?

Vejo com otimismo o desenvolvimento do Espiritismo no Brasil. A intensa aceitação social, estimulada por filmes, peças teatrais e minisséries inspiradas na temática espírita, contribui para que haja a curiosidade, uma certa simpatia prévia em relação à filosofia espírita. Não acho que o Espiritismo precise de um líder, nos moldes religiosos. Chico Xavier era chamado, por muitos não-espíritas, de Papa do Espiritismo. No entanto, ele nunca desejou e nem consolidou algum tipo de liderança ideológica. Mesmo quando Bezerra de Menezes presidiu por duas vezes a Federação Espírita Brasileira, ele não era propriamente um líder como se exige de alguém vinculado a um movimento de ideias como o espírita, pois nosso movimento não é, por exemplo, como a Igreja, hierarquizado, com rituais de iniciação etc. Neste sentido, temos que considerar o caráter anárquico do Espiritismo, desde que surgiu por aqui no século 19. Mesmo com todo o processo de unificação, de tentativa de padronização e hierarquização, o que prevalece mesmo é a autonomia das entidades espíritas. A FEB, a USE ou qualquer outra entidade federativa não possuem o “controle” desejado do movimento espírita. Apesar dos “caciques”, o nosso movimento espírita parece ter mais “índio” do que “cacique”. A feição democrática que o fundador do Espiritismo, Allan Kardec, delineou no Projeto 1868, deveria ser uma referência doutrinária para as lideranças espíritas.

7. Como a homeopatia, maçonaria, religiões africanas e ideologia política progressista liberal podem ter colaborado com o Espiritismo no Brasil?

A história da homeopatia está imbricada com a história do Espiritismo. Os primeiros homeopatas brasileiros eram quase todos espíritas. O passe, muito comum hoje nos centros espíritas brasileiros, surgiu com os homeopatas, especialmente Bento Mure e Vicente Martins, pioneiros da homeopatia no Brasil. O primeiro Prolegômenos, em O Livro dos Espíritos (1857), tinha como um de seus autores Samuel Hahnemann, o fundador da Homeopatia.
O mesmo pode-se dizer da Maçonaria. Muitos líderes espíritas foram maçons. Há quem sustente que Kardec teria sido maçom, como foi Léon Denis. No Brasil, a Maçonaria e o Espiritismo foram parceiros em muitas oportunidades, como na Coligação Nacional Pró-Estado Leigo, com ampla participação dos espíritas, o que resultou na criação da Liga Espírita do Brasil, no Rio de Janeiro.
Sobre a questão da religião africana, não há como ignorar a Umbanda, surgida no movimento espírita carioca, na década de 20 do século passado, num meio kardecista. Pode-se dizer que a Umbanda é uma das filhas bastardas do Espiritismo. Apesar da confusão doutrinária que existe até hoje entre ambos, a Umbanda contribui bastante com a prática mediúnica e o ensino da reencarnação, da imortalidade da alma, da mediunidade, dentre outros princípios doutrinários, por influência determinante do Kardecismo nessa religião sincrética, genuinamente brasileira. A seu modo, contribui para divulgar as ideias espíritas. A Umbanda não deve ser vista como inimiga, mas como aliada. A Umbanda é a filha rejeitada devido ao preconceito social dos espíritas e a influência ainda muito marcante do eurocentrismo no estudo do Espiritismo.
Quanto à questão da “ideologia política progressista liberal”, não sei bem o que vc quer dizer com isso. O que é uma ideologia progressista liberal? É o PSDB, o PL, o antigo PFL, atual DEM? É uma ideologia de direita, antissocialista? Seria o Partido dos Trabalhadores uma nova ideologia progressista, depois do sucesso do governo Lula? São questões ainda em aberto...
O que importa ressaltar é que o Espiritismo não é de direita nem de esquerda: ele é humanista, a favor do ser humano, encarnado ou desencarnado, é partidário da liberdade, da igualdade e da fraternidade. Tem características libertárias, democráticas e socialistas. Como afirmou Allan Kardec na Revista Espírita (julho/agosto 1868), ele até poderia ser visto como um partido político: “A palavra partido, aliás, não implica sempre a ideia de luta, de sentimentos hostis. Não se diz: o partido da paz? o partido das criaturas honestas? O Espiritismo já provou, e provará, que pertence a esta categoria.”

8. Se quiser comentar mais alguma coisa, fique à vontade.

A História do Espiritismo no Brasil precisa ser reescrita de modo crítico e contextualizado para que não fiquemos reféns de ideologias que consideram somente a ação de supostos “vultos do Espiritismo”, quando sabemos que essa história é uma construção coletiva, não depende somente de alguns “grandes vultos”, normalmente eleitos por segmentos sectários e autoritários. O Espiritismo é uma obra aberta, uma construção coletiva, da alçada de nós, seres humanos, os verdadeiros elaboradores da Doutrina Espírita. Como afirmou Kardec: “Numa palavra, o que caracteriza a revelação espírita é o ser divina a sua origem e da iniciativa dos Espíritos, sendo a sua elaboração fruto do trabalho do homem.” (A Gênese, cap. I – grifo meu).

Para ler outras matérias é só clicar em "postagem mais antiga" abaixo deste artigo. Deixe seu comentário, sua opinião é fundamental para nós.

 

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Sobre o Pseudônimo de Rivail - Eugenio Lara


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terça-feira, 27 de março de 2012

IX Curso Teórico Prático de Mediunidade - Santos, SP

Abertura faz 25 anos em Abril de 2012


Amigos blogueiros e assinantes do Jornal Abertura, há 25 anos iniciava-se a grande jornada deste importante jornal, mensageiro da abertura no pensar, na ruptura com o atavismo - 25 anos pregando um espiritismo ético, a favor da liberdade de pensamento, mas com uma ligação muito forte com o pensamento original de Allan Kardec, porém atualizado, gostamos de pensar que desenvolvemos o Espiritismo ou a Doutrina Kardecista com a mesma vitalidade que Allan Kardec o fez em 1857 e anos seguintes através de todas as suas obras.

O Abertura nasceu à partir de um movimento de expulsão de nosso grupo da USE - União das Sociedades Espíritas de São Paulo e da UMES - União Municipal Espírita de Santos, fomos afastados por não aceitarmos o Espiritismo como uma religião, bem estamos aqui, continuamos propondo novas idéias e desenvolvendo uma forma de ciência da alma livre pensadora.

Deixe o seu comentário, favorável ou não - não temos barreiras às opiniões, desde que fraternas.

Qual matéria do Jornal Abertura foi mais marcante para vocês?

terça-feira, 20 de março de 2012

O FIM DA “GUERRA ESTÚPIDA” por Roberto Rufo


O FIM DA “GUERRA ESTÚPIDA”

Roberto Rufo

“A guerra só acabou para os americanos. Ninguém sabe se a guerra terminará também para nós”. (Emad Risn, colunista de um jornal de Bagdá).

“Algum dia a Guerra do Iraque será considerada a virada fatal dos Estados Unidos”. (Lee Siegel, colunista do Los Angeles Times e agora também do Estadão).

“Encerrarei de uma vez por todas essa guerra estúpida”. (Barack Obama, em promessa de campanha).


A pretexto de eliminar a ameaça representada pelo ditador Sadam Hussein, que possuiria arsenais de destruição em massa, que os EUA sabiam tratar-se de ficção, há nove anos iniciou-se a invasão do Iraque. A guerra começou com uma mentira, mas terminou com um saldo catastrófico. As estatísticas são devastadoras. As baixas fatais americanas foram da ordem de 5 mil mortes. Cerca de 110 mil civis iraquianos morreram e 1,5 milhão fugiram para os países vizinhos.

O custo financeiro, para os EUA, da sua louca aventura, é da ordem de US$ 800 bilhões, pelos dados oficiais. No entanto, estimativas independentes falam em até US$ 3 trilhões. Seja qual for o dado verdadeiro não há como deixar de associá-lo ao estado crítico das finanças americanas. Fora tudo isso será muito difícil aos iraquianos esquecerem as atrocidades cometidas por soldados americanos na prisão de Abu Ghraib. Claro, foi tudo feito em nome dos valores americanos da liberdade e da democracia.

Sem falar em cifras milionárias que foram desviadas por empresas contratadas pelo governo americano para prestar todo tipo de serviço no Iraque. Para essas empresas contratadas, a guerra foi um sucesso de negócios, podendo até mesmo usar o falso argumento ético da geração de empregos.

Pergunta 742 do Livro dos Espíritos: Qual é a causa que leva o homem à guerra? Resposta dos Espíritos: “Predominância da natureza animal sobre a natureza espiritual e satisfação das paixões. À medida que o homem progride, ela se torna menos frequente, porque lhe evita as causas e, quando é necessária, sabe aliá-la à humanidade”.

Pergunta 745 do Livro dos Espíritos: Que pensar daquele que suscita a guerra em seu proveito? Resposta dos Espíritos: “Este é o verdadeiro culpado e precisará de muitas existências pra expiar todos os homicídios dos quais foi a causa, porque responderá pelo homem, cada um deles, ao qual causou a morte para satisfazer sua ambição”.

Não há resposta melhor do que essa para o verdadeiro significado da guerra do Iraque.

Artigo publicado no Jornal Abertura em Janeiro/Fevereiro de 2012

quarta-feira, 14 de março de 2012

Conversando com Jaci Régis


Conversando com Jaci Régis
Nota da Redação: Esta entrevista foi concedida por Jaci Régis ao Obervador Espírita em 2009.

- A religião continua sendo um equívoco dentro do movimento espírita?

Sem dúvida. Na medida em que o Espiritismo se torna uma religião, perde a flexibilidade evolutiva que lhe caracteriza a estrutura criada por Allan Kardec. A religião, por definição, apoia-se em verdades absolutas e por afirmações dogmáticas.

- Por que os espíritas têm tanta dificuldade para romper com os laços religiosos e cultivar uma religiosidade mais natural?

Devemos ter em mente que as estruturas religiosas se sedimentaram em nossa mente através das reencarnações. Romper com elas é tarefa de reflexão, meditação, raciocínio e decisão. Isso acontece quando a pessoa consegue superar o medo de ficar desamparada pelo divino e compreende que o divino se manifesta diariamente na vida de todos.

- Você acredita que Kardec estranharia o atual movimento espírita no Brasil?

Creio que sim, porque a forma como foi desenvolvido o Espiritismo no Brasil contraria a linha que ele adotou na criação da doutrina.

- Queiram ou não queiram os antipáticos, o chamado Grupo de Santos formou escola e já entrou para a história do movimento espírita. Como você vê tudo isso?

O “grupo de Santos” do qual eu fui o principal articulador, teve a coragem, no seu tempo, de apresentar uma visão dinâmica da doutrina em contraposição ao esquema montado por pessoas e Espíritos ligados umbilicalmente ao sentido cristão da vida.

- Você sempre foi muito crítico ao perfil doutrinário da FEB e de outras entidades federativas. Houve alguma mudança na sua opinião?

A FEB é uma instituição respeitável e lidera a maior parte do movimento espírita. A ela estão ligados os representantes dos centros e federações. Entretanto, desde sua fundação ela seguiu um caminho próprio, diferente do preconizado por Kardec. Esse caminho compreendeu um extremo sentido religioso, místico e até aceitando as teses de Roustaing. Ultimamente se tornou menos inflexível, mas prossegue na sua intenção de liderar o movimento espírita mundial, na feição de corrente evangélico-mediúnica.

- A CEPA é realmente uma alternativa crescente no movimento espírita?

A CEPA pode se tornar uma alternativa positiva ao Espiritismo mundial, na medida que se espalha não apenas na América, mas também na Europa. É numericamente pequena, mas reúne um grupo de espíritas que possui gabarito intelectual para disseminar uma forma de entender o Espiritismo adequado ao progresso e à realidade social. Para isso, contudo, é necessário definir claramente seus objetivos e trabalhar por eles.

- E sobre as práticas espíritas, você considera o ‘passe’ uma autêntica atividade espírita?

Hoje em dia se diz aplicação ou transmissão energética, por ser mais adequada ao processo de transmissão de energia humana e magnética. Não se trata de uma prática genuinamente espírita, mas oriunda do magnetismo. Penso que é útil e efetiva quando aplicada de forma consciente e fraterna, sem considerá-la uma panacéia.

- O que é o Gabinete Psico-Mediúnico?

Com o Gabinete Psico-Mediúnico pretendemos oferecer uma opção para as pessoas com problemas emocionais, nos quais incluímos, naturalmente, a obsessão. Queremos criar um ambiente seguro de bases psicológicas, através de técnicas de relaxamento e respiração, por exemplo, indução à renovação do pensamento e complementarmente por orientação mediúnica e aplicação energética.

- Por que você passou a utilizar a expressão “kardecista”, não bastava apenas “espírita”?

Entre as muitas deturpações a que o Espiritismo tem sofrido, incluímos a apropriação de desvio do significado dos termos “espiritismo” e “espírita”. Correntes esotéricas e de base dos cultos africanos se autodenominaram espíritas e as ousadias de dirigentes de centros que se intitulam espíritas criando “doutrinas próprias”, tornou o ambiente confuso, de modo que a palavra “espírita” não significa necessariamente o que Allan Kardec criou. Por isso, acreditamos que a palavra “kardecista” oferece uma apropriada denominação ao esforço que temos feito de reescrever o pensamento de Allan Kardec, adequando-o ao processo evolutivo das ideias e da humanidade. Daí crermos que “kardecista” refere-se mais especificamente ao trabalho original de Allan Kardec, delimitando nosso espaço e definindo nossos propósitos. Certamente, jamais a palavra “espírita” será substituída por ter sido criada por Kardec, mas “kardecista” está diretamente ligada ao criador da doutrina.

- Ser kardecista hoje significa ser fiel, sectário e até fanático em algumas situações e agremiações espíritas. O que está acontecendo?

Ser kardecista é ter conseguido livrar-se dos condicionamentos sectários e ter um novo pensar, dinâmico e reflexivo sobre os problemas humanos, a partir dos enunciados iniciais de Allan Kardec.

- Finalmente, o que está desatualizado: Kardec ou o Espiritismo? Kardec é necessariamente sempre sinônimo de Espiritismo?

Kardec é o criador do Espiritismo. Daí ser a raiz do pensamento espírita agora e sempre. Mas ele deixou claro um caminho de evolução e aperfeiçoamento do corpo doutrinário. Sendo, como foi, um homem atual, moderno e um pensador sábio, ao constatar que o Espiritismo seria ultrapassado se fosse uma religião ou tentasse ter as respostas absolutas para os problemas da pessoa humana com os conhecimentos de sua época. Por isso, deixou claro que o Espiritismo evoluiria ou morreria. A “morte” do Espiritismo não se dará por desaparecer, mas por perder seu significado progressivo e progressista e quando não puder oferecer ao ser humano uma reflexão cabível e atual sobre si mesmo e seu futuro.

Texto publicado no Jornal Abertura Jan-Fev 2012

quarta-feira, 7 de março de 2012

Abrindo a Mente - 7 bilhões de humanos – estaríamos ‘raspando’ o umbral? Por Alexandre Machado


Abrindo a mente:
7 bilhões de humanos – estaríamos ‘raspando’ o umbral?
Alexandre Cardia Machado
Como explicar, através da lei de reencarnação, a multiplicação da população da Terra em seis vezes, em apenas 250 anos? Em 1750 éramos, apenas, pouco mais de 1 bilhão de habitantes no planeta; hoje beiramos os 7 bilhões. Mas de onde vieram todos estes Espíritos? Quantas encarnações cada um deles teve como humano? Como referência, no ano Zero da era Cristã, a população mundial era de 250 milhões de habitantes, levamos 1500 anos para dobrar este número e chegar aos 500 milhões em 1500, ano do descobrimento do Brasil. De lá até o referido ano de 1750 – mais 350 anos – e, após a conquista da América e a ocupação da Austrália pelos europeus, a população mundial chegou a 1 bilhão.
Se fosse somente este o salto populacional da humanidade não seria tão complicado de imaginar os ciclos reencarnatórios, pois teríamos a nosso favor cerca de 4 milhões de anos desde que nos diferenciamos de nosso elo perdido, passando pelos diversos hominídeos e chegando ao Homo Sapiens, há cerca de 250 mil anos. Portanto, nesse tempo saímos de um pequeno grupo de cerca de 50 espécimes, que se diferenciaram e, a partir daí, pelo acúmulo de vantagens competitivas. Os novos Espíritos que se agregavam aos humanos iam sendo absorvidos d os outros hominídeos que coexistiam com o Homo Sapiens como os Homo Eréctos e o Homo de Niendertal encarnando na população humana em formação. Mas como chegamos aos 7 bilhões, sem contar um número muito difícil de estimar de desencarnados? A conta não parece fechar
O contraponto aqui é que não existiam 7 bilhões de primatas na Terra, ou seja, durante todo este período, necessariamente, princípios espirituais encarnaram pela primeira vez como hominídeos e, finalmente, como humanos.
Existe, é claro, a hipótese defendida por Emmanuel em A Caminho da Luz de que muitos espíritos tenham emigrado da constelação de Capela (estrela dupla). Não sou favorável a ela, pois não é possível observar saltos na evolução humana que não tenham explicações muito mais simples – a hipótese da emigração traz este componente de missão que não passa pelo meu senso crítico. É perfeitamente defensável a evolução humana através de coisas simples como o domínio do fogo, do artesanato, da agricultura; depois da pecuária, da escrita cuneiforme, da escrita moderna e outros tantos que podem muito bem ser entendidos passo a passo sem intervenções drásticas do ‘Alto’. O desenvolvimento do corpo físico, sem dúvida, é resultado dos mecanismos de adaptação ao meio – mais conhecido como “evolução natural das espécies” – assim, somos o produto de nossa história aqui na Terra.
Esta questão é importante, pois pode explicar porque seguimos convivendo de um lado com um certo progresso social, mas porque pontualmente vemos ações individuais que beiram a barbárie. Acredito que estejamos ‘raspando’ o umbral, dando oportunidade de reencarnação àqueles que possivelmente não puderam reencarnar tanto anteriormente, mas que pela explosão demográfica estão podendo reencarnar neste momento.
A grande vantagem que um avanço social proporciona a esta gente é a oportunidade de reencarnar em patamares de educação melhores, numa sociedade que busca a valorização do homem, ainda que com muitas dificuldades, causadas pelas desigualdades socias. Mas o fato de existirem telecomunicações, educação básica para muitos, o domínio da escrita, da leitura e da tecnologia acelera o crescimento individual. Estamos todos à caminho da luz, de uma forma ou de outra.
Para saber mais : Leia críticamente o Livro A Caminho da Luz de Emmanuel psicografado por Francisco Xavier

Originalmente publicado no Jornal Abertura de Julho de 2011.

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sábado, 25 de fevereiro de 2012

O espírita e o mês de dezembro - Imprensa Espírita

Recebemos diversos jornais e revistas espíritas enviados por nossos companheiros do Brasil inteiro e, como sempre fazemos, procuramos encontrar sinais comuns entre eles, ou então matérias que merecessem uma maior análise. Como em sua maioria tratavam-se de jornais de dezembro, o assunto que predominou foi o Natal.
O Opinião, de Porto Alegre trouxe Jesus, um homem entre muitos mitos. A matéria apresenta a questão mítica da data herdada de outras crenças e, seu editorial “Nós e o Natal” analisa como estas questões mitológicas chegaram até hoje, e justifica o destaque dado à data por tratar-se do “momento maior, de nossa cultura , para se celebrar a confraternização ...”. O Reformador traz na capa a chamada: Onde e quando nasceu Jesus. O periódico A Flama Espírita apresenta a Súplica de Natal; o Seareiro, de conteúdo predominantemente Cristão, escreve sobre a Comemoração do Natal – Passado, Presente e Futuro. O Mundo Espírita, do Paraná, trata das Ressonâncias do Natal, por Joanna de Ângelis e, finalmente, Resenha Espírita tem 90% da revista dedicada ao Natal.
Esta ênfase na necessidade, por um lado, de explicar o fenômeno de marketing que o Natal representa – que sabemos ser o responsável por até 30% das vendas anuais do comércio de produtos eletrônicos, por exemplo – e que vem ganhando, portanto, cada vez mais destaque pela imposição da troca social de presentes tem, por outro lado, a necessidade de reforçar, como bem fez o Jornal Opinião, a questão da confraternização e do amor. No entanto, muitos dos artigos apenas demonstram a intensão de louvar a Jesus.
Neste sentido, a curiosidade acendeu a dúvida: como Kardec trataria do Natal? Neste caso, temos a nosso favor onze edições de dezembro da Revista Espírita e convido os leitores a fazerem uma busca. Não encontrarão absolutamente nada sobre o Natal.
Logo, há um explícito contraste entre quase 100% da mídia espírita, ao eleger este assunto não só de grande interesse, como em sua maioria, matéria de capa e, de outro lado, Allan Kardec que não fez menção alguma em nenhuma das muitas oportunidades que teve ao seu dispor. Como analisar isto? Só podemos concluir que Kardec não achava o tópico Natal, dentro da análise científica que o mesmo fazia do papel de Jesus na história, algo que merecesse destaque. Fica aqui o convite à reflexão.

Da Redação do Jornal Abertura - Edição Jan/Fev 2012

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A Orquestra - Sobre a vida de Jaci Régis por Carol Régis


O movimento Espírita de Santos sempre foi como uma Orquestra. Começou há muito, muito tempo, com músicos bastante novos, cheios de sonhos e idéias, cada qual em seu palco. Espíritas de diversas famílias que estudavam a doutrina em seus centros, fazendo intercâmbios de quando em vez.

Até que na década de 40, desembarcam no porto de Santos dois irmãos. O mais velho, tinha o dom do sorriso. Podia ser um violonista, com notas alegres, especialista no instrumento. Não há quem ouça sua música que não sorria imediatamente. Certamente encantador, trazia no olhar a admiração e a preocupação constante com o companheiro de viagem. Seria assim durante toda a jornada, sem fim.

O mais novo era especial. Poderia tocar o violino também, mas seu talento era mais intrigante. Seria capaz de tocar diversos instrumentos, tinha dotes intelectuais espetaculares. Dedicou-se ao Espiritismo com toda a alma, sentindo cada nota de Kardec como se fosse compor uma obra prima em homenagem ao mestre.

Como não podia deixar de ser, com o passar dos anos, todos aqueles músicos avulsos começaram a ensaiar juntos. Debatiam, estudavam, tocavam as partituras, nem sempre harmoniosas, do Espiritismo Santista. Viam que se destacavam do restante dos músicos Brasil afora. Faltava alguma coisa, uma diretriz, um norte a seguir.

E então, aquele músico, que tanto talento possuía, assumiu seu papel natural de líder, produtor de idéias, semeador de novidades. Enfrentava as divergências conceituais como um novo espetáculo a montar. Mediante àquela coragem e àquela paixão pelo ideal Kardecista, os espíritas santistas passaram a respeitar o músico como algo além: Jaci Régis tornava-se o Maestro.

E assim foi durante outros tantos tempos: o Maestro lançava sua Orquestra em turnês nem sempre amistosas. Propunha acordes e arranjos quase impossíveis de alcançar. Exigia ensaios exaustivos a seus parceiros de palco. A reação dos espíritas, que agora faziam parte da renomada Orquestra do Movimento Espírita de Santos, era variada. Alguns viam no mestre exemplo de homem e pensador a seguir. Outros discordavam de seus métodos e quiçá de suas obras. Mas nenhum deles podia abandonar o posto. Já estavam imersos naquele organismo vivo que se apresentava cada vez mais vanguardista sob a batuta de Jaci.

E estavam acostumados demais a ver aquela figura brilhante regendo, mesmo que, por vezes, quase imperceptível, em um canto mais escondido das coxias. Eram palestras, livros, obras de auxilio social, simpósios, tudo saído da mente daquele homem de saúde um tanto frágil. Era inacreditável como tal espírito cabia naquele corpo tão terreno.

Dizem que alguns músicos foram tocar em outras bandas. Ousavam dizer aos ventos sobre suas dúvidas a respeito do antigo Maestro. Mal sabiam que, mesmo sob nova regência, a base inegável e atavicamente tinha vindo de Jaci que, a essa altura, havia começado a ensaiar sua mais nova e ousada obra. Fruto de seu amor inabalável por Kardec e de décadas de filosofias íntimas, A Doutrina Kardecista era o retrato fiel da alma do Maestro: provocadora, embasada, inquietante.

Então, o Maestro recebeu propostas de tocar em outras Orquestras. Negou algumas, resistiu, lutou, mas inesperadamente partiu.

A Orquestra que assumirá agora é muito maior, muito mais especial que a anterior e Jaci dividirá o palco com tantos outros Maestros do nível dele. Será um novo desafio. A Orquestra de Santos? Sente-se órfã. Perdeu seu Maestro de tantos e tantos anos de Espiritismo. Mas, como bom pai, ensinou seus filhos a nortearem-se pelos palcos sozinhos. Seguirão, sem dúvida, tocando. Mas aquela ausência pelos corredores dos centros Espíritas por onde tocavam será sentida sempre. A saudade será amenizada pela certeza dos acordes que chegarão, cedo ou tarde, vindos dos palcos regidos por Jaci. Sua música será ouvida sempre, onde quer que ele se apresente.

Texto originalmente publicado no Jornal Abertura em Janeiro de 2011.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Reuniões Publicas do ICKS 2012 - Reiniciam -você é nosso convidado!


Informamos que, as reuniões das sextas-feiras no ICKS terão início em 2012,
na primeira semana do mes de fevereiro, ou seja, dia 03/02/2012.

Pedimos a todos que levem sugestões para a confecção dos temas e formas
para desenvolvimento durante o ano em curso.


Aguardamos seu comparecimento e divulgue para seus amigos.


Atenciosamente


Rosana Regis
Presidente do ICKS

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O que sabemos que sabemos? Abrindo a Mente - Alexandre Cardia Machado

O que sabemos que sabemos?
Originalmente publicado no Jornal Abertura de Novembro 2010

Início do século XIX – o que víamos, pensávamos era a realidade.
Metade do século XIX – existe uma explicação lógica para a existência do espírito.
Fins do século XIX – Freud desvenda o inconsciente.
Início do século XX – Einstein derruba a dualidade matéria e energia, demonstra que espaço euclideano não existe ( o espaço depende da massa distribuida ) e o tempo é uma dimensão.
Início do Século XX – O infinitamente pequeno é probabilístico – a matéria se comporta ora como onda e ora como partícula.
Metade do Século XX – A evolução das espécies proposta 100 anos antes é provada através da descoberta da genética moderna.
Fins do século XX – O homem vai á Lua e orbita permanentemente o planeta em estações espaciais.
Início do Século XXI – O Genoma humano e de diversos animais é decifirado, todos os seres humanos estão conectados por ondas eletromagnéticas ( TV aberta, TV a cabo, celular, web, etc).

Sabemos , ao constatar estes saltos que o conhecimento de hoje é muito menor do que será em 20 anos, não temos a menor idéia de quais saltos tecnológicos ou de conhecimento daremos em vinte ou quarente anos. Até hoje, ainda que estes paradigmas tenham ligações com o conhecimento anterior, nenhum sábio previu, com uma antecipação de 10 anos que seja, que o velho telefone do Alexander Graham Bell viraria uma plataforma multimidia, interligada por microndas, satélites e cabo, permitindo acessar qualquer ponto do planeta, pessoas, notícias, temperatura ambiente, humidade relativa do ar entre outros milhares de opções.

Enquanto isto quais foram os saltos dado pelo espiritismo?
Período de codificação ( 1857 a 1868)
Período de crescimento científico ( fim do século XIX)
Período de Cristianização ( inicio do século XX)
Período Mediúnico Psicográfico ( meados do século XX)
Período Transcomunicacional ( fins do século XX)
Perído de atualização que com grande esforço tentamos implementar no início do século XXI, ainda que o grande sucesso da década tenha sido o filme “Nosso Lar” que não veio para atualizar nada.

Comparando o saber científico com o espiritualista, vemos que mudamos muito pouco, em velocidade muito menor, com a permanencia da fase anterior em paralelo com a nova etapa por muito tempo, não temos saltos não acompanhamos o progresso.

Sugiro que vocês naveguem no Google, no Bing, na Wikepedia não fiquem parados – estudem e comparem e se estiverem fazendo a mesma coisa, do mesmo jeito há 10 anos, provavelmente estarão fazendo algo errado, superado ou que esteja no mínimo desatualizado. Até colecionadores de antiguidade tem blog ou Ipod.

Para abrir mais a sua mente leia:
www.google.com.br; www.bing.com.br ; http://pt.wikipedia.org/wiki/Espiritismo

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

A DOR - na visão Kardecista por Jaci Régis

Certamente a dor e o sofrimento são constantes e atingem a todos. Pela doença, pela opressão, pelos conflitos. A dor individual intrapessoal,interpessoal ou grupal confrange, une, desune, arrebenta, estraçalha coração, anima a fogueira do ódio, ou eleva a resignação, a alienação e impotência diante do inevitavel. Mas,apesar disso, parece que o mal cresce, que as injustiças são maiores, os tempos piores.
Porque o homem sofre?

Reportando-se apenas as explicações mistico-religiosas, vemos que todas as crenças aceitam e afirmam que Deus pune. Os antigos queriam deuses ferozes, dominadores, inflexiveis. Que destruiam colheitas, inundavam as terras, queimavam populações. Para aplacá-los sacrificavam animais, pessoas e coisas. Sangue e lágrimas, para agradar os deuses. Mesmo o Deus invisível dos judeus, o iracundo Jeová, deus vulcânico, não tinha menos paciência ou flexibilidade. Parcial e colérico condenou Moises a não ver a Terra Prometida e fez derrubar as muralhas de Jericó para a vitória dos judeus. Submeteu Abraão à prova mais dura e a Jó a sofrimentos crueis para provar a fé, a fidelidade e a submissão.

A expulsão do Paraíso, o dilúvio, Sodoma e Gomorra são mostras bíblicas de que o Senhor tem seus limites. Na verdade a Bíblia é o relato do conflito entre Deus e as criaturas. Aquele sempre insatisfeito com estas e estas sempre desobedecendo, aborrecendo seu criador. De tal forma que Jeova resolve punir para sempre as gerações. Mas o sangue do Cordeiro é que viria resgatar o pecado do mundo.

Nos Evangelhos cristãos, a dor tem lugar distinto. No Sermão da Montanha, Jesus de Nazaré teria dito ...Bem aventurados os que choram, porque serão consolados... Bem aventurados vós que agora chorais, porque rireis. Ai de vos que agora rides, porque gemereis e chorareis.

Esse quadro escuro marcou a sociedade cristã. O homem foi colocado numa posicão de impotência, cumulado de culpa, desobediência e sujeito à ação fulminante da divindade. Nada de alegria. Nem de felicidade. Essa, quando tudo da certo, só depois da morte. Aqui, a dor é soberana. O Velho Testamento diz, sem meias medidas, que Deus não faz acordo com quem desobedece suas leis.

No Espiritismo,a vida terrena é colocada, filosoficamente, como um exercício natural e inerente ao processo de crescimento espiritual. Mas quando a vida é analisada sob o ponto de vista moral, a encarnação é ainda vista como um mal necessário, e relacionada com expiação de erros, como condição para almas condenadas pela Justiça Divina. Além disso, a categorização da Terra como planeta de provas e expiações, vale de lágrimas, prisão ou hospital, dá um sentido ainda mais trágico a todo o processo. Batizada pelo passado, a vida terrena é tida como um exílio e o corpo um fardo pesado.

Desde o início, a dor e o sofrimento tambem foram louvados, como formas “naturais" para pessoas tão inferiores. De um modo geral, as seguintes palavras do Espírito Santo Agostinho, sintetiza essa concepção: “Vossa Terra é por acaso um lugar de alegrias, um paraiso de delícias? A voz do profeta não soa ainda os vossos ouvidos? Nao clamou ele que haveria choro e ranger de dentes para os que nascessem neste vale de dores? Vós, que nele vieste viver, esperai, portanto lágrimas ardentes e penas amargas. E quanto mais agudas e profundas forem as vossas dores voltai os olhos aos céus e bendizei ao Senhor por vos ter querido provar! (...) Felizes os que sofrem e choram! Que suas almas se alegrem porque serão atendidos por Deus" (0 EvangelhoSegundo o Espiritismo, capitulo V).

Ao fundar o Espiritismo, Kardec, como é natural, absorveu todo o ideário moral ao cristianismo. Desde então, muitas concepções sadomasoquistas foram incorporadas ao dia-a-dia doutrinario, dando um colorido escuro, doloroso, ao entendimento da vida.

O Espiritismo cristão apologia a dor, o sofrimento, dá-lhe expressão grandiloquente e quem sofre estoicamente é o heroi. Na verdade,toma a vida terrena umaverdadeira odisseia para ser levada a terrno.

No livro O Consolador, o Espirito Emmanuel, através da mediunidade de Francisco Candido Xavier, afirma: "Podemos classificar o sofrimento do Espirito como a dor-realidade e o tormento fisico, de qualquer natureza, como a dor-ilusão (...) a dor física é um fenômeno, enquanto a dor moral é essencial (...) só a dor espiritual é bastante grande e profunda para promover o luminoso trabalho do aperfeirçoamento e da redenção" (pagina 239). E, em segundo diz "No trabalho de nossa redenção individual ou coletiva a dor e sempre o elemento amigo e indispensavel."

Diz ainda Emmanuel: "A redenção de um Espirito encarnado, na Terra, consiste no resgate de todas as suas dividas." (pagina 241).

O Espiritismo como Ciência da Alma, pensa a espírito como um ser em busca da felicidade, sendo a dor um obstáculo a ser superado.

Jaci Régis - extraído do livro Novas Idéias

Publicado originalmente no Jornal Abertura em Dezembro de 2010

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O Perispírito segundo Jaci Régis - uma análise comparativa por Egydio Régis


Esta semana relendo o Caderno Cultural Espírita- edição de outubro de 2002- editado ICKS, tive a oportunidade de mais uma vez saborear a matéria sobre o perispírito. Marcelo Coimbra Regis e Reinaldo di Lucia exploraram de maneira objetiva e corajosa à luz dos modernos conhecimentos científicos “o corpo espiritual” das mais antigas culturas e o perispírito da era kardecista. Jaci fecha a matéria do Caderno com sua habitual visão e corajosa posição revolucinária quanto a revisão e atualização de alguns conceitos doutrinários. Mas, antes de chegarmos à lição do Jaci, vamos fazer algumas considerações a respeito do que se falou e se fala sobre o perispírito.
Recentemente fiz uma busca na internet para ver se conseguia algo atual, baseado em pesquisa científica, sobre o perispírito. Entrei em um site que se propõe a entrevistar cientistas (?) e apresentar informações sobre pesquisa de assuntos ligados ao Espiritismo e Espiritualidade em geral. Abri um vídeo com entrevista de um companheiro de D.E., o estudioso e conhecido Eng. Ney Prieto Perez.

Fiquei atento na esperança de ouvir novidades a respeito do tema. Infelizmente nada mais foi acrescentado além do que já se escreveu. Definição de Kardec (aliás a mais precisa se considerarmos os conhecimentos científicos da época e sem inventar teorias que não pudessem se sustentar com o tempo.), informações de A. Luiz, teoria do MOB- Hernani Guimarães Andrade e outros.Nenhuma nova ou arrojada teoria. Todos circulam em volta do que escreveram Denis, Dellane, além dos acima citados. Parecem satisfeitos a despeito da evolução científica e da assertiva progressista de Kardec, quando afirmou que o Espiritismo não disse a última palavra e que ele (o Espiritismo) deveria acompanhar o desenvolvimento científico, sob pena de sucumbir como todas as doutrinas que pararam no tempo. Esses nossos confrades de reconhecida inteligência e de formação científica (embora não sejam cientistas) continuam presos à ideia de que o Espiritismo foi ditado por Espíritos Superiores e que espíritos como Emmanuel, por exemplo, são autoridades incontestáveis.

Assim, todos os pesquisadores, como o citado Hernani G.Andrade e poucos outros, procuram desenvolver suas teses com base nessas informações e conformar suas conclusões de modo a não mudar o que consideram sagrado, isto é, o que os Espíritos disseram. Nada se cria, nada é original. O próprio Modelo Organizador Biológico, criado por Hernani ( a quem admiramos desde de nossa juventude) que é considerado o trabalho de maior respeito pelo movimento espírita, não criou nada de novo além de A.Luiz e apenas deu nova e atualizada roupagem sobre as propriedades do perispírito. É bem verdade que A. Luiz trouxe notável contribuição para estudo sobre o corpo do Espírito e é pena que algumas de suas colocações não foram suficientemente compreendidas e aproveitadas pelos estudiosos, exceção feita, como veremos, a Jaci Regis.

No mês de outubro de 2002, foi lançada pelo Instituto Cultural Kardecista de Santos, a primeira (se não me engano a única) edição do Caderno Cultural Espírita. A matéria objeto dessa publicação foi sobre o perispírito, dentro de uma nova abordagem. Dois jovens engenheiros espíritas- Marcelo Coimbra Regis e Reinaldo Di Lucia, juntamente com Jaci, desenvolveram, sob ângulos diferentes, ideias sobre funções e constituição do perispírito baseados em autores clássicos encarnados, desencarnados contemporâneos e em conceitos científicos modernos.

Em síntese, a conclusão de ambos deixa bem claro que o conceito dos autores clássicos, assim como dos Espíritos contemporâneos, que têm o perispírito como entidade modelar do corpo humano e guardião da memória do espírito através das encarnações, não se sustenta à luz da ciência e da lógica filosófica do Espiritismo. Marcelo faz uma análise das posições de autores como Gabriel Dellane, Ernesto Bozzano, assim como de André Luiz, concluindo quanto aos dois primeiros: “Ernesto Bozzano e principalmente Gabriel Dellane transferem para o perispírito atribuições antes reputadas ao espírito, bem como todas as funções orgânicas não explicáveis até sua época. Enquanto A.Kardec posicionava o perispírito mais do ponto de vista de sua necessidade fisiológica, seus seguidores europeus viram no mesmo a chave para explicação de muitos fenômenos materiais não explicados. Além disso eles materializaram em demasia o espírito transferindo para o perispírito o foco de atenção da ciência Espírita.” Em relação a André Luiz conclui: “ A. Luiz avança ainda mais na valorização do perispírito como coordenador de todas as funções e processos corporais.Para ele o Corpo Espiritual é a sede da evolução física do Homem tanto encarnado quanto desencarnado. Destaca-se aqui seu papel ativo e detalhista nas atividades orgânicas e psíquicas do Homem, relegando ao Corpo Físico um papel secundário, de menor importância, passando ao perispírito todas as funções superiores.”

Entrando no campo da ciência moderna, Marcelo faz um breve comentário sobre os avanços da Biologia, especialmente no campo da genética com relevância ao DNA. São suas conclusões: “ A genética revelou que o corpo possui um programa escrito em seus cromossomos, formado durante séculos de evolução contínua... o Corpo Humano é um organismo complexo,auto-suficiente em suas funções básicas, possuidor de mecanismos que permitem sua perpetuação e a manutenção de sua estabilidade, sem a necessidade de uma interferência direta do perispírito.”

Reinaldo de Lucia aprofunda o tema analisando os novos conceitos da Física, principalmente em relação à matéria/energia que revolucionou o entendimento científico do século XIX. Diz ele: “O problema está no pensar da ciência do século XIX. Esta ciência é discreta, ou seja, pensa o Universo macroscopicamente, em elementos distintos e estanques, ligados entre si por algum tipo de meio físico. Assim, o perispírito seria um ente particular, perfeitamente definido em si mesmo, que serviria de meio entre dois elementos: o espírito inteligente e a matéria bruta.”E continua: “ A ciência do século XX quebrou estes dois conceitos: mostrou que, apesar de no âmbito das partículas subatômicas as energias serem trocadas em quantidades determinadas. ou “pacotes” fechados e existirem “ saltos quânticos” que afetam drasticamente as partículas, no mundo macro há um desenvolvimento contínuo da matéria no que tange, por exemplo, às freqüências envolvidas, nos níveis em que é possível a detecção pelos equipamentos disponíveis. E mostrou também que não são necessários quaisquer meios para transmissão de energia no espaço-tempo. Parece então mais lógico postular o perispírito como uma continuação energética da matéria.” É claro que não é somente isso que estamos tentando resumir. A matéria desenvolvida por Reinaldo é extensa e elucida muitos pontos referentes aos conceitos antigos apresentados por eminentes pensadores espíritas. Ficamos no campo da citação e quem se interessar deve ir diretamente a fonte que é o Caderno Cultural acima referido.Vamos fechar suas idéias com esta conclusão: “ O Espírito age como se fosse (numa analogia grosseira) uma carga. Tal como uma carga elétrica cria em torno de si um campo eletromagnético, o Espírito cria em torno de si um campo, que à falta de nome melhor, poderia ser chamado de campo espiritual. Este não seria, então, um corpo, um organismo propriamente falando, mas um aglomerado energético-material em constante interação como o espírito.”

O último artigo do caderno é de autoria de Jaci Regis. E, não poderia ser de outra maneira porque é a síntese racional e lógica de toda a matéria. Utilizando-se das idéias avançadas de Marcelo e Reinaldo e suportando-se em Kardec e nas revelações de André Luiz, Jaci oferece uma das mais consistentes argumentações sobre a existência, propriedades e funções do perispírito. É uma nova proposta sobre o corpo espiritual e como ele diz: “Trata-se, contudo, de uma discussão teórica, uma hipótese de trabalho, que embora alicerçada no momento da ciência sobre as funções da transmissão da herança genética, é ainda uma tentativa de compreender a inserção do elemento espiritual nos processos naturais, uma vez que não é possível apresentar provas inconcussas e experimentais da nossa proposta.” Jaci repensou as funções do perispírito, até então tido por todos os autores, antigos e modernos, como entidade permanente e repositório de todas as experiências do espírito, matriz e modelo organizador do corpo material. “ O perispírito é produto da mente que, alcançando o pensamento contínuo, consegue mantê-lo íntegro após a morte do corpo físico...restringe-se no espaço extra-físico ao papel de “capa energética” identificadora do Espírito desencarnado. E, afirma com autoridade de quem pensa mais adiante: “ Em cada encarnação o perispírito é desagregado diluindo-se no processo de gestação” E mais: “ Assim parece perfeitamente aceitável que o perispírito, não sendo um organismo, não possua órgãos, o que elimina a suposição de que a mente, ou seja, a capacidade intelecto-afetiva do Espírito esteja nele sediada.” Baseia-se nas informações de André Luiz, que encontrou o caminho, mas não conseguiu (ou não quis contrariar o “status” sobre o perispírito), para apontar o corpo mental ( que envolve o espírito) como o arquivo real do espírito: “O corpo mental é o único instrumento organizador aderido ao Espírito. Como órgão executor e permanente.” Sua argumentação é consistente e alicerçada em raciocínios lógicos que esclarecem dúvidas e pôe as coisas nos seus devidos lugares. Não vamos nos estender mais porque senão teríamos que reproduzir todo o artigo, o que não é nosso propósito. É importante resgatar esse trabalho, republicando ou disponibilizando na internet. Vamos encerrar estas considerações transcrevendo apenas algumas posições da conclusão ( em número de dez) para que os estudiosos se interessem e reflitam sobre as mesmas: 
1. O perispírito é um campo energético que identifica o Espírito... 
2. As funções ontogenéticas geralmente atribuídas ao perispírito, são, na verdade, exercidas diretamente pelo Espírito, através de seu corpo mental... 
3. Sendo produto do pensamento do Espírito, o perispírito é transitório ... 
4/5. Em cada encarnação o perispírito é desagregado...portanto, pode-se afirmar que durante a gestação não existe perispírito.
11. O perispírito é, como afirmamos, uma “capa energética bem próximo da expressão “envoltório” usada por Kardec, sem estrutura e sem organização propriamente dita, mas existindo pela vontade do Espírito, como instrumento de identificação.”

Gostou, você agora pode acessar este Caderno Cultural em sua versão microfilme, aqui mesmo no nosso blog: clique abaixo:



Nota do Moderador: O Caderno Cultural - Perispírito está esgotado, ainda temos disponíveis o Caderno Cultural sobre Reencarnação.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Abrindo a Mente - A vida com ela é, ou seria? Primeria vez foi encontrado um ser vivo que contém na sua estrutura do DNA um componente inédito As

Artigo de Alexandre Cardia Machado

O Processo de adaptação, de sobrevivência do mais forte nos supreende a cada dia, revestido de todo um marketing especial, a Nasa, Revista Science e a Organização Pesquisa Geológica dos Estados Unidos deram a conhecer que pela primeria vez foi encontrado um ser vivo que contém na sua estrutura do DNA um componente até então inédito. Até esta data os componentes básicos eram Carbono, Hidrogênio, Nitrogênio, Oxigênio Enxofre e Fósforo. A vida mais uma vez nos ensina, nada parece ser absoluto, sempre há algo a aprender.

Em um lago chamado Mono, na Califórnia, que contém uma grande concentração de Arsênio (As), componente que causa envenenamento na maior parte dos seres vivos, mas que neste ecosistema sustem a vida vegetal em sua borda e algumas bactérias no interior do mesmo, mas que agora finalmente encountrou-se bactérias que incorporaram, na sua estrura do DNA, parcialmente o As. Esta constatação abre as portas a diversas especulações, quais sejam que passou a ser possível imaginar outras trocas químicas, de alguns dos outros componentes básicos. Afetando inclusive nossa forma de pesquisar a possibilidade de vidas em outros planetas.

Antes de ficarmos eufóricos, há que se considerar que esta bactéria, trocou 2 elementos químicos que estão na mesma categoria da tabela periódica e que isto é extremamente comum na química. Esta é a razão pela qual muito se cogitou, na possibilidade de troca do Carbono pelo Silício. A própria Nasa estuda isto. Claro que até o momento não encontramos nenhum ser vivo, na terra que tivesse este tipo de alteração na sua composição de DNA. O Silício é muito mais comum, na Terra que o Carbono, além de não ser um veneno e no entanto a vida se desenvolveu à partir deste elemento que dispõe de uma facilidade, plasticidade e variabilidade muito maior, capaz de criar toda um química chamada Orgânica.

O grande artista foi a bactéria GFAJ-1 for fazer a troca química no DNA pois outros sers vivos conseguiram adaptar-se sem necessitar disto. Um outro caso desafiador acaba de ocorrer nos úlimos 10 anos em uma região da polinésia, uma bactéria foto sensível partilhou o seu DNA com um Krill ( pequeno camarão) formando o primeiro animal capaz de fazer fotossíntese – esta simbióse pode explicar como seres tão pequenos como bactérias deram orígem a todos os animais que exitem hoje. Assim como o caso da bactéria GFAJ-1 isto só foi possível de ser conhecido por haver uma forma de adquirir conhecimento, que é seguida por toda a comunidade científica, ou seja, artigos técnicos, registros bem organizados e disponíveis ao acesso de outros pesquisadores pela internet.

Esta descoberta, claro favorece a tese Espírita da Pluralidade dos Mundos Habitados, não façamos disto uma falácia, mas a confirmação que a vida, uma vez gerada é capaz de adaptar-se, pela lei de evolução e que sabemos existe um grande ator presente em todos os processos o chamado Principio Espiritual. Escrevi em meu trabalho A Evolução do Principio Espiritual- 2009 que a vida fora da Terra deveria ser buscada à partir do estudo dos limites da vida na Terra ( Vulcões, lagos salgados, fundo do mar, em meio ao gelo etc).
Para abrir mais a sua mente leia: Revista Veja, 8 de Dezembro de 2010. Avida como ela (agora) também é. – Naiara Magalhães, Naiara .A Evolução do Pricípio Espiritual – XI SBPE – Machado, Alexandre - 2009

Artigo publicado originalmente no Abertura de Dezembro de 2010.

Caso queira assinar o Jornal Abertura - entre em contato conosco pelo email ickardecista1@terra.com.br

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

BREVES COMENTÁRIOS À CARTA DE POSICIONAMENTO DA CEPABrasil - Abertura Dezembro de 2010. Artigo de Roberto Rufo - Filósofo e Metroviário.

BREVES COMENTÁRIOS À CARTA DE POSICIONAMENTO DA CEPABrasil .

Em seu preâmbulo à Carta de Posicionamentos , elaborada em reunião durante o II Encontro Nacional realizado em Bento Gonçalves-RS , de 3 a 6 de Setembro de 2010 , a CEPABrasil manifesta seu pensamento a respeito do Espiritismo e do papel da CEPA , fazendo questão de reconhecer que todos os espíritas , vinculados ou não à CEPA podem pensar inversamente. Admite também a mutabilidade desses pensamentos dentro do princípio da progressividade . Muito interessante é que logo em seu segundo parágrafo outorga à CEPA a " PRIMAZIA " e a " liderança " mundial de um movimento de ideias que luta pelo resgate da proposta original do fundador do espiritismo . É de se supor então que outras instituições ou indivíduos devem solicitar seu aval caso elaborem propostas de novos conceitos que julgarem interessantes dentro do resgate pretendido .

1. QUANTO À NATUREZA E IDENTIDADE DO ESPIRITISMO .

Nesse tópico são sete as posições assumidas pela CEPA , a primeira ( 1.1) querendo resgatar , baseado no " discurso de abertura " de Allan Kardec ( Revista Espírita - Novembro/1.868 ) , o significado que nos interessaria da palavra religião. Isso talvez para não amedrontar instituições vinculadas à CEPA que possuam muita religiosidade em seu dia-a-dia . A palavra religião , tal como a palavra cristão estão perenemente contaminadas . É inútil esse esforço ,além de desnecessário. Outras posições ( 1.2 , 1.3 ) são inerentes a um dos princípios fundamentais do Espiritismo , ou seja , a Evolução Infinita . O Item 1.4 , perfeito na sua sustentação , deveria ter sido escrito em linguagem bem direta : " Não se admitem mais termos como 3a.Revelação , Consolador Prometido ou Revivescência do Cristianismo " .
Brilhante a posição expressa no item 1.5 , onde outros conhecimentos são apresentados como necessários no subsídio que nos prestam à análise espírita das questões humanas . O muito extenso item 1.6 quer dizer algo bem simples : " O Estado deve ser laico " . No entanto em seu item 1.7 a posição acima parece contraditória ao afirmar-se que " não se coaduna com a verdade ( ? ) pretender identificar laicismo com antirreligiosidade , nem , evidentemente , com ateísmo " . Pelo contrário , o Estado tolera e protege as individualidades na sociedade , mas é antirreligioso em sua estrutura . Uma instituição pública pode e deve ensinar a Teoria Evolucionista de Darwin , mas não pode e não deve ensinar que o homem foi criado por Deus . Aí é questão de foro íntimo .

2. QUANTO ÀS OBRAS BÁSICAS DO ESPIRITISMO .

O Item 2.1 , bem como o item 2.2 e 2.5, podem ser incluídos no que se refere a " Pentateuco Kardequiano " , " Bíblia dos Espíritos " e " Secretário dos Espíritos " na sugestão acima do item 1.4 . Os Itens 2.3 , 2.4 , 2.6 e 2.7 ( que tal excluir essa palavra " codificação " e incluí-la no item 1.4 acima ) são obviedades que não necessitam ser matéria de uma Carta de Posicionamentos da CEPABrasil .

Fim da primeira parte

3. QUANTO À ESTRUTURA , ORGANIZAÇÃO E OBJETIVOS DA CEPA .

Se a Carta de Posicionamento da CEPABrasil tem por objetivo principal o resgate do Espiritismo , tudo o que nela está escrito é posição firmada da CEPA , não necessitando se justificar tanto em nove itens , pois pode se transformar numa mensagem confusa , como por exemplo ao afirmar no item 3.6 que " uma instituição que adere ou se filia à CEPA não está subordinada a regulamentos de obediência a normas emanadas por aquela". Pode portanto continuar usando " Pentateuco Kardequiano " , " 3a Revelação " , " Consolador Prometido " e outros termos não espíritas ? O item 3.8 então é de uma ambiguidade sem tamanho ao afirmar que a CEPA respeita as diferentes visões , mas não admite dogmatismo ( ! ) . sectarismo ( ! ) , o patrulhamento da pretensa pureza doutrinária ( a quem se dirige especificamente essa advertância ? ) , o academicismo vazio de aplicações ( tem algo de Karl Marx nessa advertência ) e por último o filosofar estéril , sabe-se lá Deus o que isso quer dizer . Parece mais um discurso dirigido a algumas pessoas em particular do que contra instituições federativas , essas sim , que fizeram do Espiritismo uma ideia sem sentido . Mas , sei lá , amanhã talvez seja possível uma aproximação . Convém não fechar as portas . Depois de tantas advertências e avisos , algumas delas que mais parecem dizer " cuidado conosco " , o Item 3.9 ameniza a linguagem e fala em contribuição , colaboração , estímulo ao estudo e à pesquisa , contribuição , enfim " há que endurecer porém sem jamais perder a ternura " .

4. QUANTO À RELAÇÃO DA CEPA COM O MOVIMENTO ESPÍRITA BRASILEIRO .

Ou o projeto da CEPA é de confronto com as demais correntes do movimento espírita , ou qual a razão para se redigir uma " Carta de Posicionamentos "
pensando no resgate da proposta original do fundador do Espiritismo e pela sua permanente atualização ( palavras textuais da Carta ) . Para que foi criada a CEPA senão pelo total antagonismo de ideias e conceitos com o movimento espírita dito oficial ? Fala em seu item 4.2 que " sua visão de movimento espírita não contempla qualquer sentido de poder , de dominação , de imposições de ideias " .
Quando se cria uma instituição e ela cresce , como é o caso da CEPA , o poder é inerente a essa existência . Cultivar a liberdade de pensamento passa a ser então seu maior desafio , não a eximindo no entanto de afirmar-se claramente , sem rodeios . Sem com isso ser um pensamento único , como diz o texto , que é na verdade o sonho de todo espírito totalitário quando pretende exercer o " controle das informações " . O que não é o caso . Em relação ao movimento espírita brasileiro ( MEB , quase MDB ) não há sequer " união " em torno dos princípios fundamantais do Espiritismo , tal a disparidade de interpretação desses princípios , como aliás aponta a Carta de Posicionamentos em vários de seus itens .


Fim da segunda-parte

5. QUANTO À ATUALIZAÇÃO DO ESPIRITISMO .

Para o Item 5.1 a indagação é antiga : Onde está o Plano de Ação ?
Dentro da liberdade de pensamento exponho que não há melhor Plano de Ação do que o Novo Modelo Conceitual do Jaci Regis , bastando apenas transformá-lo num modelo 5W1H para melhor entendimento a todos . É preciso revisar o modelo de aprendizagem espírita . Gostei da frase do item 5.4 : " Não se pode atualizar sem revisar " . Então mãos a obra . E por revisar entenda-se uma nova interpretação de textos que já não traduzem um significado atual depois de tanto conhecimento adquirido em mais de cento e cinquenta anos após o lançamaneto do Livro dos Espíritos . Mesmo que isso signifique rejeitar certas colocações , sem condenações , pois muitas delas são frutos do momento em que foram escritas . È claro que não se pode alterar textos consagrados sob pena de violação de direitos autorais , como queriam fazer com os livros do Monteiro Lobato .

6. QUANTO AOS CONCEITOS DE REENCARNAÇÃO , EVOLUÇÃO E MEDIUNIDADE .

Sem dúvida o melhor da Carta de Posicionamentos . A CEPA discorda , A CEPA aceita , A CEPA busca , A CEPA não estimula . etc . Ainda não inventaram algo melhor do que a forma direta de comunicação . Instituições que não aceitam esses seis itens ( 6.1 a 6.6 ) não podem fazer parte da CEPA . É uma ideia clara e distinta , como falou Descartes .

7. QUANTO À PARTICIPAÇÃO DO ESPÍRITA NA SOCIEDADE .

Outro grande momento da Carta de Posicionamentos , por mostrar claramente que o Espiritismo não é defensor de teorias deterministas , que tentam justificar o injustificável , tal como as desigualdades sociais ,que são fruto da ação humana , como muito bem nos ensimam os espíritos no Livro dos Espíritos .

8. QUANTO A JESUS , AO EVANGELHO E AO CRISTIANISMO .

Assim como Kardec se sentiu premido a " dar explicações " sobre Jesus , o Evangelho e o Cristianismo , escrevendo o " Evangelho Segundo o Espiritismo " , a CEPA tinha que enfrentar esses Leviatãs em sua Carta de Posicionamentos . E se sai muito bem , exceção feita aos itens 8.2 e 8.3 quando quer " livrar a cara " de kardec procurando ligar " Espiritismo Cristão " ao pensamento moral de Jesus de Nazaré . Além de não ser nada disso , o estrago já foi feito . Covém voltar à velha forma afirmativa : " A CEPA REJEITA QUALQUER ASSOCIAÇÃO DO ESPIRITISMO COM OS TERMOS CRISTÃO E CRISTIANISMO " . A princípio pode machucar , mas o tempo é o melhor remédio . Ficou muito bem registrado no item 8.9 que a CEPA corrobora o critério de abordagem exclusivamente no ensino moral de jesus . Realmente é somente isso que nos interessa ao se tratar de Jesus . E é muito justa a crítica feita a Kardec pela tentativa de conciliar conceitos espíritas com a teologia católica buscando dar-lhes sustentação racional através de seus três últimos livros - O Evangelho Segundo o Espiritismo , O Céu e o Inferno e A Gênese , apesar do contexto histórico .
Eis a oportunidade : A CEPA PROPÕE QUE AS INSTITUIÇÕES A ELA ADESAS PROCUREM NÃO MAIS UTILIZAR OS LIVROS " O CÉU E O INFERNO " , " A GÊNESE " E O " EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO " NA ELABORAÇÃO DE SEUS PROGRAMAS DOUTRINÁRIOS . Essa vai doer bastante , mas como falou Emmanuel , " não há evolução sem dor " .

9. QUANTO À DIVULGAÇÃO DO ESPIRITISMO .

São cinco itens muito bem colocados , contribuição importante a quem necessite no seu dia-a-dia em suas instituições expressar de alguma forma a comunicação do Espiritismo . Também aqui é reforçada a necessidade de conhecimentos específicos no auxílio dessa comunicação . A Carta de Posicionamentos da CEPABrasil é antes de tudo uma Carta de Compromissos , que só o tempo dirá se sua aplicação foi eficaz .



Roberto Rufo - Santos-SP

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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Energia Nuclear e Espiritismo

Uma nova corrente contra o uso abusivo da Energia Nuclear

O site da revista Exame publicou a seguinte notícia, no dia 23 de Março ”No bairro paulistano da Liberdade, um pequeno grupo de manifestantes acendeu velas e vestiu camisas negras para homenagear as vítimas do tsunami no Japão e ao mesmo tempo protestar contra o programa nuclear brasileiro. “Uma vigília pacífica, silenciosa, marcada apenas pelo tambor como se fosse um velório”, detalhou a organizadora do ato, a ativista Rebeca Lerer “ atos similares ocorreram simultaneamente em sete capiatais brasileiras.
Na Alemanha multidões saem às ruas para protestar contra o uso generalizado da Energia Nuclear para geração de energia, queremos ressaltar a importância destas manifestações coletivas, pois demonstram uma evolução no nível de conscientização da sociedade.

Allan Kardec na questão 731 do LE adiciona a seguinte nota: “Sendo o progresso uma condição da natureza humana, não está no poder do homem opor-se-lhe. É uma força viva, cuja ação pode ser retardada, porém não anulada, por leis humanas más. Quando estas se tornam incompatíveis com ele, despedaça-as juntamente com os que se esforcem por mantê-las. Assim será, até que o homem tenha posto suas leis em concordância com a justiça divina, que quer que todos participem do bem e não a vigência de leis feitas pelo forte em detrimento do fraco.” A Sociedade cobra de seus governantes ações claras e abertas sobre os riscos e benefícios desta tecnologia. Assim a luta por um lugar melhor para se viver permanece no alto das prioridades socias.

Publicado pela Redação do Jornal Abertura em Abril de 2011

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Um ano sem a presença física de Jaci Régis - por Egydio Régis


Em homenagem a esta pessoa que fundou o ICKS, o Jornal Abertura e tantas outras atividades publicamos algumas palavras proferidas por seu irmão Egydio Régis e publicadas no Jornal Abertura na edição especial de Janeiro-Fevereiro de 2011.

Irmão coragem
Ainda me lembro daqueles tempos em que usava calça curta, aos dez anos de idade (imaginem!) quando começava a freqüentar as aulas de evangelho no Centro Espírita Manoel Gonçalves. A Juventude Espírita de Santos acabara de ser fundada (1947) e eu via os jovens como meus ídolos, liderados por personagens inesquecíveis, verdadeiros “monstros” sagrados de minha infância: Alexandre Barbosa e Isaura Perrone. Meus irmãos Ivon e Jaci faziam parte do grupo, juntos com outros inesquecíveis ícones de meus dez anos: Armando, Maria, Maria Nilce, Irene, Antonio Garófalo, Quinzinho e outros de quem não me lembro os nomes. Todos religiosamente entusiasmados pelo grande líder que era o “seo” Barbosa. No meio deles alguém já começava a aparecer, primeiramente pelo tipo físico dos seus quatorze anos e pelos cabelos rebeldes e calças largas. Cheio de idéias e irrequieto logo começava a dar claros sinais de que iria “incomodar” bastante o meio que era coordenado e orientado pelos mais velhos. A primeira atitude foi apoiar e incentivar o desligamento da Juventude (hoje Mocidade Espírita Estudantes da Verdade) e seus orientadores, do Centro Manoel Gonçalves, por incompatibilidade com a direção que desejava impor algumas regras na condução dos trabalhos dos moços. Barbosa e Isaura, assim como os demais Perrones acompanharam a mudança para o então pequeno grupo espírita – Centro Beneficente Evangélico- localizado na rua Rio de Janeiro.

 Aí começa toda a história desse revolucionário, idealizador, criador e apaixonado kardecista. Determinado e acima de tudo de uma coragem jamais vista no meio espírita. Liderou, contra a vontade dos então dirigentes do Centro Beneficente Evangélico,a primeira alteração da denominação dessa entidade, acrescentando o nome Espírita e, posteriormente, para Centro Espírita Allan Kardec.

Assumiu, por volta dos seus 19 ou 20 anos, a presidência do CEAK, iniciando uma verdadeira revolução nos métodos de estudos da doutrina e na filosofia de trabalho desde a infância até às reuniões. Sua incrível capacidade de trabalho e sua forte personalidade marcaram definitivamente uma nova era no movimento espírita de Santos, extrapolando para o resto do país. Assim como Herculano Pires, teve a coragem de criticar os Centros que mais pareciam igrejas evangélicas do que casas de estudo e prática dos princípios da D.E. Ainda me lembro de seu primeiro comentário crítico a um dos grandes centros da cidade que tinha no seu salão de reuniões públicas um nicho com a imagem de Maria e todos que passavam por ali se benziam como fazem os católicos. Essa crítica lhe custou a proibição de entrar no referido Centro. Mas, Jaci não ficava apenas nas palavras e seu coração lhe indicava que era preciso também cuidar das pessoas amenizando suas angústias e suas dificuldades materiais.

Assim, lançou-se corajosamente a dirigir um lar de crianças órfãos ou abandonadas que era mantido por uma associação de trabalhadores- o Lar Veneranda. Pequeno e limitado em seus recursos, essa entidade transformou-se numa das mais expressivas e exemplares da cidade de Santos, graças ao comando agressivo e empreendedor de Jaci. Precisou de muita coragem inclusive para enfrentar e vencer dificuldades criadas até mesmo por pessoas que o cercavam e não acreditavam no sucesso do empreendimento. No campo das idéias no movimento espírita, teve a coragem de quebrar paradigmas como o da evangelização, a supremacia de Emmanuel em detrimento de Kardec, o misticismo religioso, etc. Jaci inscreve seu nome na galeria dos mais importantes nomes na defesa e na divulgação da Doutrina Espírita.

Com seu espírito combativo, ousado, consistente, jamais se deixou abater pelas críticas, pelos despeitos e pelo isolamento do movimento espírita em todo o Brasil. Escritor emérito sobre temas espíritas, Jaci foi original. Médium psicofônico de recursos, abandonou sua mediunidade porque tinha luz própria e não queria ser instrumento de outras mentes. Sua produção literária é inteiramente de sua criação e é um legado importante para quem se interessa pela evolução ou atualização da D.E. Seu último ato de coragem talvez tenha sido o de discordar do próprio mestre Kardec em alguns pontos sem, entretanto, deixar de ser seu maior defensor e admirador. Para ele Espiritismo é kardecismo. Mas seguia a própria orientação do mestre quanto ao progresso da Doutrina. Por tudo isso e pela sua imensa coragem e incansável batalha para estimular os espíritas ao estudo e a abertura das mentes, Jaci merece todas as homenagens sinceras dos seus irmãos e companheiros e, principalmente, deste que escreve estas breves linhas e que embora nunca lhe tenha revelado a viva voz, foi sempre seu aliado e confesso discípulo. Meu irmão coragem, aquele abraço.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Conheça o Lar Veneranda e seja um sócio contribuinte




Fundada em 5 de junho de 1954 a Comunidade Assistencial Espírita Lar Veneranda tem 62 anos de trabalho promocional , beneficiando centenas de famílias e crianças, com um programa educacional e de capacitação humana, resgatando valores e indicando rumos diferentes para as vidas de cada uma delas. 

Em 2024, o Lar Veneranda completará 70 anos.

O Lar Veneranda é hoje um complexo educacional e de promoção humana e profissional, com atividades diversas, convergentes, todavia para o mesmo objetivo, que é a valorização da pessoa. Em sua sede, a Rua Evaristo da Veiga, 211/213, mantém creche, núcleo de recreação infantil “Amelie Boudet” e oficinas pedagógicas, atendendo 175 crianças e adolescentes em período integral.

Para as famílias, no núcleo de promoção social”Dona Júlia”, promove desde 1975, alfabetização, cursos de capacitação e complementação de renda, além de extenso programa de cidadania, com aulas e palestras.

Desde 2001, a Comunidade ampliou seu trabalho com a inauguração do edifício “Jaci Regis”, na Av. Francisco Glicério, 261, onde funciona o CEPROF- Centro de Capacitação Profissional e Humana, especializado em Inclusão Digital e o Espaço Florescer-convivência e capacitação para jovens. Neste mesmo prédio funciona também o ICKS.

Ligue e se inscreva como sócio ou faça uma doação: (13) 3239-4020
Para saber mais:
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