Somos Felizes? por Cláudia Régis Machado
Todo
final de ano muitas pessoas têm o hábito de refletir sobre o ano que finda. Quais
as realizações, o que deixou de fazer? E, em seguida passa a pensar no
planejamento do ano que está por vir.
No
entanto raramente se fazem uma pergunta: “Fomos felizes”?
Muitos
associam a felicidade com os resultados obtidos, no entanto vamos abordar o
assunto enfatizando o sentimento “felicidade”, na concretude que fica diluída
no abstrato, na subjetividade porque muitas vezes especificar, dimensionar
felicidade se mostra bastante complicado já que não é um conceito único e está
sujeito a visão de mundo de cada um, ao lugar, a época vivida, entre outras
coisas. Mas ainda fica a questão O que é felicidade? Se não soubermos de que
felicidade estamos falando não saberemos se fomos felizes.
Fazendo
uma pesquisa na internet no site a mente maravilhosa, que mostra
o conceito de felicidade de alguns filósofos dentre eles Aristóteles e Epicuro,
os mais conhecidos e, dois mais modernos Nietzsche e Ortega y Gasset, podemos
ter uma noção que este tema sempre foi importante e já foi estudado por muitos.
“Para
Aristóteles, o mais proeminente dos filósofos metafísicos, a
felicidade é o maior desejo dos seres humanos. Do seu ponto de vista, a melhor
forma de conseguir ser feliz é através das virtudes. Cultive as boas virtudes e
alcançará a felicidade.”
“Para
Epicuro um filósofo grego que teve muitas contradições com os filósofos
metafísicos. A diferença entre eles é que ele não acreditava que a felicidade
provinha somente do mundo espiritual, mas também tinha muito a ver com
as dimensões terrenas. acreditava na possibilidade de uma vida feliz e
harmônica neste mundo. Ele postulou o princípio de que o equilíbrio
e a temperança davam origem a felicidade”.
“Para
Nietzsche - acreditava que viver pacificamente e sem qualquer
preocupação era um desejo das pessoas medíocres e que não valorizam a vida. Para
ele, “estar bem” graças a circunstâncias favoráveis ou a boa sorte
não é felicidade. Isto é uma condição efêmera que pode mudar a qualquer
momento.
Estar
bem seria uma espécie de “estado ideal de preguiça“, onde não existem preocupações e
sobressaltos. Em vez disso, a felicidade é força vital, espírito de luta
contra todos os obstáculos que restrinjam a liberdade e a autoafirmação.”
“Para
Ortega y Gasset, a felicidade é definida quando “a vida projetada” e a
“vida real” coincidem. Ou seja, quando a vida que desejamos coincide
com o que realmente somos. Ideia de confluência. Todos os seres humanos têm
potencial e desejo de ser feliz. Isto quer dizer que cada um define o que
irá fazê-lo feliz; se conseguir construir a sua vida de acordo com os seus
desejos, será feliz”.
O
Espiritismo como filosofia espiritualista traz sua contribuição, colocando a
ideia de que a felicidade é um estado que se manifesta através do servir e do bem
que se oferece ao próximo, chegando à plenitude do ser não no mundo material e
sim no espiritual já que somos espíritos imortais.
A questão 920. Do Livro dos Espíritos é assim
colocada: O homem pode gozar na Terra uma felicidade completa? - Não, pois a
vida lhe foi dada como prova ou expiação, mas dele depende abrandar os seus
males e ser tão feliz quanto se pode ser na Terra.
Já
na questão 922, por sua vez pergunta, há, entretanto, uma medida comum de
felicidade para todos os homens? - Para a vida material, a posse do necessário;
para a vida moral, a consciência pura e a fé no futuro
O
espiritismo auxilia através de suas orientações morais a compreensão da
felicidade propondo um futuro racional que advém das escolhas e ações por nós
realizadas.
Na
perspectiva contemporânea trazemos Jaci Regis pensador espírita que coloca a
felicidade como o propósito central da vida. Inovador ao trazer o conceito de prazer,
destituída da ideia crista e espírita-cristã, quando postulando o prazer como
fator catalizador para o crescimento e evolução espiritual.
Segundo
Jaci o “O Espiritismo não pode ser a doutrina da dor e do sofrimento. Mas
a doutrina do prazer, no seu sentido amplo, libertador e construtivo”. Conduzindo a conquista de uma vida terrena
relativamente feliz e exitosa. Essa visão propõe uma ética do 'bem viver'
fundamentada no otimismo e no serviço do bem. Ideias trazidas por Ricardo Nunes
no artigo Jardim de Epicuro editado jornal abertura de janeiro/fevereiro a
outubro de 2019.
Disponível
no blog do ICKS https://icksantos.blogspot.com/2019/11/jaci-regis-e-o-jardim-de-epicuro-por.html
Artigo publicado no Abertura dezembro de 2025, quer ver o jornal? veja aqui:
https://icksantos.blogspot.com/2025/12/saiu-o-jornal-abertura-de-dezembro-de.html
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