FRANCISCO MADERO - PRESIDENTE
ESPIRITA DO MÉXICO
Jon Aizpúrua
Nota da Redação: Este artigo trás a luz aos
brasileiros de um personagem importante da história democrática mexicana e que
ao conhecer o espiritismo mudou completamente a sua vida. Demonstrando o poder
inegável da Doutrina Espírita. Apresentamoos aqui em português e espanhol.
Francisco Ignacio Madero,
erroneamente chamado de Francisco Indalecio Madero (Parras de la Fuente,
Coahuila, 1873 – Cidade do México, 1913). Homem simples e idealista, honesto e
gentil, político com firmes convicções democráticas e sincera preocupação social,
cujo pronunciamento contra a longa ditadura do General Porfirio Díaz
desencadeou a Revolução Mexicana. Após seu assassinato enquanto ocupava o cargo
de presidente mexicano, ficou conhecido como o "Apóstolo da
Democracia".

Francisco Ignacio Madero
Além de sua renomada carreira
política, ele também tinha o status único e sem precedentes de ser o único
governante de um país. Ele expressou publicamente sua adesão à doutrina
espírita fundada e sistematizada por Allan Kardec em seus discursos, cartas e
livros, bem como sua firme convicção de que o progresso da humanidade deve
estar alinhado à evolução moral e espiritual de seus líderes. Portanto, ele via
o Espiritismo não apenas como uma forma de compreender o espírito e a vida após
a morte, mas também como um guia para as pessoas elevarem sua consciência e se
identificarem com os princípios do amor, da liberdade, da justiça e da
igualdade.
Familia e Estudos
Membro de uma família abastada de proprietários de
terras e industriais, primogênito de Francisco Madero e Mercedes González,
recebeu sua educação inicial em casa, continuou seus estudos no Colégio Jesuíta
San Juan, em Saltillo, e posteriormente consolidou sua formação nos Estados
Unidos e na França. Em 1886, seus pais o matricularam nas Academias Culver, em
Indiana, e ele então foi para Baltimore, onde estudou agricultura na Escola
Saint Mary. Em 1889, foi enviado a Paris, onde moravam vários parentes, para
estudar contabilidade, economia política e sistemas comerciais no Liceu Hoche
de Versailles, e estudos de avaliação comercial na École des Hautes Études
Commerciales (HEC), em Paris. Finalmente, ingressou na Escola Técnica de
Agricultura da Universidade Berkeley, em São Francisco.
Após receber uma educação completa, retornou ao México
em 1893 e dedicou-se à administração das propriedades e outros bens do pai;
prosseguiu com estudos sobre a produção de vinho em Coahuila; modernizou os
sistemas agrícolas; promoveu a educação; e fundou a escola comercial em San
Pedro de las Colonias, onde residia. Propôs a construção de represas para
abastecer a região durante as secas e, após a publicação da proposta, recebeu
uma carta de felicitações do presidente Porfirio Díaz. No entanto, comovido com
a miséria da população rural e as condições subumanas dos operários fabris,
decidiu ingressar na política, começando em sua região natal e se espalhando
gradualmente por todo o país. Madero começou a namorar Sara Pérez Romero por
volta de 1897, e eles se casaram seis anos depois. Não tiveram filhos.
Intensa participação política
A longa ditadura do General Porfirio Díaz, que durou de 1876 a 1910,
consolidou um modelo rígido de ordem política, econômica e social, garantindo a
paz imposta ao país como condição indispensável para seu desenvolvimento
econômico. Benfeitor da oligarquia agrária, protetor dos privilégios da Igreja
Católica e dos investimentos americanos e europeus, o ditador perpetuou seu
poder violando o princípio constitucional da não reeleição. A estabilidade
política e algumas melhorias econômicas não corrigiram os desequilíbrios
sociais e, em vez disso, agravaram a deterioração das condições de vida dos
camponeses e da população urbana pobre. Nos anos que seriam os últimos do
chamado "Porfiriato", o descontentamento não se limitou aos setores
mais desfavorecidos; vozes críticas surgiram entre as próprias elites, novos
partidos políticos foram fundados e novas lideranças surgiram, entre elas
Francisco Ignacio Madero.
Sua atividade política começou em 1904, quando concorreu à prefeitura de
San Pedro de las Colonias. Com o apoio apenas da família e movido por seus
ideais, competiu em desvantagem contra o candidato do partido governista e foi
derrotado pela poderosa máquina governamental. Por volta de 1905, os abusos de
poder do governador de Coahuila levaram ao início de seu ativismo político:
fundou o Partido Democrático Independente e começou a expressar suas ideias no
jornal El Demócrata.
Em 1908, Porfirio Díaz declarou que o povo mexicano estava maduro para a
democracia e anunciou a convocação de eleições, sua intenção de não se reeleger
e de permitir a participação de outros partidos políticos. Madero aproveitou
essa oportunidade para publicar o livro "A Sucessão Presidencial de
1910", uma obra moderada em defesa das liberdades civis e da verdadeira
democratização do país, que foi amplamente divulgada e aceita. Mas uma mudança
repentina de opinião do presidente, que se declarou candidato novamente,
frustrou as expectativas e causou indignação generalizada. Tudo isso apenas
intensificou o ativismo de Madero.
Em 1909, o Partido Nacional Anti-reeleição indicou Madero como candidato
presidencial e iniciou sua campanha nacional com o slogan "Sufrágio
efetivo e nenhuma reeleição". No entanto, o ditador ordenou sua prisão e
encaminhamento para uma prisão em San Luis Potosí. Assim, com seu rival
subjugado, o Congresso reelegeu Díaz para um novo mandato de seis anos. Madero
concluiu que não era possível chegar ao poder por meio de eleições e que
somente uma revolta armada poderia trazer uma mudança real. Em outubro de 1910,
conseguiu escapar para os Estados Unidos e, de seu exílio em San Antonio,
Texas, publicou o programa político denominado "Plano de San Luis
Potosí", no qual denunciava os abusos da ditadura, a necessidade de
substituí-la por um governo democrático e a urgência de beneficiar os setores
agrários, devolvendo aos camponeses as terras que lhes haviam sido confiscadas.
A data de 20 de novembro de 1910 foi marcada para a revolta, à qual os
camponeses aderiram com grande entusiasmo. Esta data entrou para a história
como um marco que marcou o nascimento da Revolução Mexicana.
Entre os insurgentes, juntamente com outros líderes locais, estavam
alguns dos líderes que desempenhariam um papel fundamental nesse processo:
Pascual Orozco, Emiliano Zapata e Pancho Villa. Diante da incapacidade do
governo e da impotência do exército, a Revolução logo se espalhou por todo o
país e, em 7 de junho de 1911, Madero entrou triunfantemente na capital. Um
governo provisório foi formado, convocado para eleições, e em novembro daquele
ano, ele assumiu o cargo de presidente constitucional do México.
Embora o governo Madero tenha durado apenas quinze meses, obteve avanços
notáveis em educação, saúde, condições de trabalho e organização do erário
público. Também fomentou a atividade econômica, proporcionando maiores
benefícios aos produtores de médio e pequeno porte e estabelecendo acordos mais
justos e equilibrados com empresas internacionais. Politicamente, estabeleceu
um regime de liberdade e democracia parlamentar. No fim das contas, porém, seus
esforços se mostraram infrutíferos. Teve que confrontar setores representativos
do antigo regime, o militarismo, a oligarquia e o clericalismo, bem como
líderes revolucionários agrários como Emiliano Zapata, que exigiam medidas tão
radicais que, se adotadas, mergulhariam a nação no caos.
Em meio a essas
lutas, o general Victoriano Huerta, que parecia leal a Madero e gozava de sua
confiança, ganhou destaque. Comandante das forças que deveriam defender o
governo, ele foi instrumental em uma famosa e ignominiosa traição durante os
chamados Dez Dias Trágicos, nome dado aos violentos eventos ocorridos na
capital mexicana de 9 a 19 de fevereiro de 1913. Huerta ordenou a prisão de
Madero, obrigou-o a assinar sua renúncia e prometeu-lhe permissão para deixar o
país com sua família. No entanto, em 22 de fevereiro de 1913, Madero e seu
vice-presidente, José María Pino Suárez, foram fuzilados por um grupo de
soldados no pátio da penitenciária.
Seus passos
iniciais no espiritismo
Em suas
Memórias, escritas em 1909, Madero relatou seu encontro com as ideias espíritas
aos dezoito anos, enquanto estudava administração e comércio em Paris:
Entre as minhas
muitas e variadas impressões daquela época, a descoberta que mais impactou
minha vida foi que, em 1891, por acaso, me deparei com alguns números da Revue
Spirite, da qual meu pai era assinante e que era publicada em Paris desde sua
fundação pelo imortal Allan Kardec.
O jovem
estudante mexicano comenta que não tinha crenças religiosas ou filosóficas na
época e que as ideias católicas de sua infância haviam desaparecido, de modo
que se sentia na melhor disposição para julgar os ensinamentos do Espiritismo.
Leu o máximo de exemplares daquela revista que conseguiu encontrar e adquiriu
as obras de Allan Kardec:
Não li esses
livros, mas os devorei, porque suas doutrinas, tão racionais, tão belas, tão
novas, me seduziram, e desde então me considero espírita.
Frequentou
vários centros espíritas e ficou positivamente impressionado com os fenômenos
que presenciou. Foi informado de que ele próprio era médium escrevente e
decidiu comprovar isso organizando sessões com seus familiares, seguindo as
instruções de Kardec em O Livro dos Médiuns. Após várias tentativas, começou a
sentir que uma força além de seu controle movia sua mão com muita rapidez e,
nos meses seguintes, as mensagens transmitiram lições importantes para
completar sua formação intelectual e enfatizaram questões morais. Parou de
beber, tornou-se vegetariano e aprendeu a aplicar técnicas de cura baseadas na
homeopatia e no passe magnético. Reconhecia que o Espiritismo o transformara de
um jovem depravado e indiferente em um homem justo, bondoso, atencioso e
preocupado com o destino do mundo, particularmente de sua pátria.
De volta ao
México
Aos vinte anos,
Madero retornou ao México, formado profissionalmente como administrador e
transformado em suas crenças pelo Espiritismo. Imediatamente entrou em contato
com sociedades espíritas, assinava os periódicos então publicados e, com o
apoio da família, fundou o Centro de Estudos Psicológicos San Pedro, onde
promovia estudos doutrinários enquanto exercia sua faculdade mediúnica.
Motivado pelo desejo de difundir os ensinamentos espíritas, Madero adquiriu
livros de Kardec, Lèon Denis, Gabriel Delanne, Amalia Domingo Soler, Quintín
López Gómez e outros autores de editoras francesas e espanholas, e os
distribuiu generosamente a pessoas interessadas que conheceu ao longo do
caminho.
O movimento
espírita mexicano que Madero encontrou ao chegar não estava em seu auge, devido
aos obstáculos impostos pelo regime porfiriano devido à sua aliança com a
Igreja Católica. No entanto, em anos anteriores, havia demonstrado considerável
força e se espalhado por todo o país, graças à atuação de diversas figuras de
grande prestígio social, entre as quais o General Refugio González e o
intelectual Santiago Sierra. Em 1872, esses homens fundaram uma revista para a
divulgação e defesa dos ideais do Espiritismo, intitulada La Ilustración
Espírita (A Ilustração Espírita), que circulou até 1893. Essa publicação
gozou de grande prestígio no México e no exterior por seu excelente conteúdo e
apresentação gráfica. Naquele ano, uma grande assembleia foi convocada a partir
de suas páginas, que concordou com a criação da Sociedade Espírita Central da
República Mexicana, da qual participaram dezenas de sociedades das principais
cidades. Nos anos seguintes, esse órgão central representou o Espiritismo
perante as autoridades e o público, conquistando seu reconhecimento e respeito,
como ocorreu nos famosos debates realizados no Colégio Hidalgo, na capital, nos
quais se discutiu o tema do Espiritismo e sua relação com a ciência, o
materialismo e o positivismo.
O ano de 1906
pode ser considerado o ponto de partida de uma nova era na vida do Espiritismo
mexicano, que, embora breve, foi muito intensa e produtiva em termos de
divulgação. Em abril daquele ano, realizou-se o Primeiro Congresso Espírita
Nacional, com a presença de delegados de quarenta sociedades espíritas e a
participação de representantes de Cuba, Porto Rico, Nicarágua e das cidades de
Laredo e San Antonio, no Texas. Foram discutidos temas de grande interesse
doutrinário, acatadas as conclusões dos Congressos Espíritas Internacionais de
Barcelona (1888) e Paris (1900), e aprovadas importantes resoluções, entre elas
a criação de uma comissão científica e experimental para a verificação dos
fenômenos psíquicos e mediúnicos, a fundação de uma livraria espírita e de um
jornal chamado El Siglo Espírita, que circularia até 1911. Pela primeira
vez, acordou-se estabelecer relações com os movimentos espíritas de outras
nações para criar uma Confederação Espírita Latino-Americana, projeto que só se
tornaria realidade em 1946, quando foi fundada em Buenos Aires a Confederação
Espírita Pan-Americana (CEPA).
Em 1908,
realizou-se o Segundo Congresso Nacional Espírita, reunindo delegados de
setenta e cinco centros espíritas. Teve significativo alcance internacional,
com a presença de representantes de dez países, e foram discutidos trabalhos
submetidos por proeminentes escritores europeus e americanos. Madero participou
ativamente de ambos os Congressos, deixando uma marca duradoura com seu
conhecimento, seu entusiasmo pelos ideais espíritas e seu status como uma
figura pública que já brilhava intensamente no cenário político nacional. Em
meio à sua agenda lotada, Madero encontrou tempo para terminar um livro que
vinha escrevendo aos trancos e barrancos: Manual Espírita, um resumo dos
ensinamentos básicos do Espiritismo, que seria publicado em 1911, após assumir
a presidência da nação. Considerou apropriado, para não confundir o ideal
espírita com circunstâncias políticas, assiná-lo com um pseudônimo e, neste
caso, adotou o nome "Bhima", personagem mítico do texto épico
indiano, o Mahabharata.
Além de suas
leituras constantes, ele também fornecia informações obtidas no mundo
espiritual, as quais psicografava. No desenvolvimento de suas atividades
mediúnicas, distinguem-se duas etapas, com base em seu conteúdo e propósitos
específicos. A primeira abrange os anos iniciais, desde seu retorno ao México
até 1905. Uma entidade espiritual que se apresentou como "Raúl", o
irmão mais novo que havia falecido tragicamente anos antes, instou Madero a
aderir aos padrões morais derivados dos ensinamentos espiritualistas,
insistindo que ele evitasse perder tempo com jogos, rejeitasse vícios,
dedicasse boa parte de seus bens materiais a ajudar os pobres e lutasse por sua
transformação interior.
Segundo suas
memórias, ele cumpriu a disciplina prescrita e então iniciou uma segunda fase,
na qual suas comunicações eram transmitidas por meio de um espírito que se
identificava como "José". Agora, tendo superado a luta para controlar
seus instintos, essa entidade anunciou que ele deveria se preparar para cumprir
uma tarefa desafiadora em defesa da democracia mexicana. Anunciou que
escreveria um livro que abalaria o clima político e o ajudaria a cumprir a
tarefa que lhe fora confiada. "José" o chamou em suas comunicações de
"soldado da liberdade e do progresso" e um "combatente
incansável pela causa democrática".
Pode-se dizer
que as comunicações mediúnicas recebidas por Madero retrataram com admirável
precisão o caminho que ele percorreu desde o início do século: sua árdua
preparação, a disciplina espiritual que teve que seguir, seus erros e acertos,
a publicação de seu livro "A Sucessão Presidencial" em 1910, sua
cruzada pelo México erguendo as bandeiras da regeneração moral e política, até
que finalmente governou sua amada pátria como presidente. Uma parte
significativa dessa obra, tão importante para a história mexicana, veio, em
parte, das mensagens que ele recebeu de seu conselheiro espiritual.
Vários líderes
espíritas ocuparam cargos em ministérios e escritórios durante sua
administração de quinze meses. Um deles, que permaneceu ao seu lado como leal
amigo e conselheiro, foi o escritor, poeta e jornalista costarriquenho Rogelio
Fernández Güell, que serviu como Diretor da Biblioteca Nacional do México, o
primeiro e último estrangeiro a dirigir aquela prestigiosa instituição
cultural. Fernández Güell desempenhou papel de destaque em ambos os Congressos,
fundou e editou a revista Helios e escreveu várias obras relacionadas a temas
espíritas, incluindo Psiquis sin velo (Psiquê sem Véu), que dedicou com
carinhoso afeto ao presidente. Ele também escreveu um livro histórico e
político, El moderno Juárez. Estudio sobre la identidad de Francisco I.
Madero (O Juárez Moderno. Um Estudo sobre a Personalidade de Francisco I.
Madero), que destacou a imensa tarefa que ele desempenhou como presidente do
país.
Durante grande parte de sua curta vida, Francisco Ignacio Madero oscilou
entre dois polos que dominaram seu pensamento e suas ações: sua prática
política e suas convicções espiritualistas. Alguns buscaram separar o Madero
político do Madero espiritualista, com base em seus interesses ou pontos de
vista particulares. Mas a verdade é que o idealismo de Madero, derivado dos
princípios filosóficos e valores éticos do kardecismo, nos quais ele acreditava
inequivocamente, norteou suas ações no espinhoso mundo da política partidária.
Ele estava convencido de que era possível alcançar uma sociedade melhor, mais
humana e inclusiva, livre e equitativa, apelando à educação e à boa-fé dos
indivíduos. Talvez houvesse ingenuidade em seu projeto utópico, mas a imensa
lição de dignidade que ele nos deixou com seu exemplo e seu sacrifício
permanecerá para sempre como um legado indestrutível.
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FRANCISCO MADERO.
EL PRESIDENTE ESPIRITISTA DE MÉXICO
Jon Aizpúrua
Francisco
Ignacio Madero, llamado erróneamente Francisco Indalecio Madero. (Parras de la
Fuente, Coahuila, 1873 – Ciudad de México, 1913). Hombre sencillo e idealista,
honrado y bondadoso, político de firmes convicciones democráticas y sincera
preocupación social, cuyo pronunciamiento contra la larga dictadura del general
Porfirio Díaz desencadenó la Revolución mexicana. Tras su asesinato durante el
pleno ejercicio de la presidencia mexicana, pasó a ser conocido con el
apelativo de “Apóstol de la democracia”.
A su
reconocida trayectoria política se suma la original e inédita condición de ser
el único gobernante de un país, que manifestaba públicamente en sus discursos,
cartas y libros, su adhesión a la doctrina espiritista fundada y sistematizada
por Allan Kardec, y su firme convicción de que el progreso de la humanidad
debía estar alineado con la evolución moral y espiritual de sus líderes y por
ello veía en el espiritismo no solo una forma de comprender al espíritu y la
vida después de la muerte, sino también una guía para que las personas elevasen
su conciencia y se identificaran con principios de amor, libertad, justicia e
igualdad.
Familia y
estudios
Miembro de
una acaudalada familia de terratenientes e industriales, hijo primogénito del
matrimonio formado por Francisco Madero y Mercedes González, recibió en casa
sus primeras letras, siguió estudios en el colegio jesuita de San Juan en la
ciudad de Saltillo y posteriormente consolidó su formación en Estados Unidos y
en Francia. En 1886 sus padres lo inscribieron en las Culver
Academies de Indiana y luego fue a Baltimore, donde hizo estudios de
agricultura en el colegio Saint Mary’s. En 1889 fue enviado a París, donde
vivían varios parientes suyos, para estudiar contabilidad, economía política y
sistemas de comercio en el Lycée Hoche de Versalles, y estudios de peritaje mercantil en la École des
hautes études commerciales (HEC) de París, y finalmente ingresa a la Escuela Técnica de Agricultura de Berkeley
University, en San Francisco.
Tras
haber recibido una esmerada educación, retorna a
México en 1893 y se dedica a administrar las haciendas y demás posesiones de su
padre; sigue estudios sobre la producción vitivinícola de Coahuila; moderniza
sistemas de cultivo; fomenta la educación y funda la escuela comercial de San
Pedro de las Colonias en donde se hallaba su residencia. Propone la construcción de represas para dotar de agua a la
zona en tiempo de sequías y, al publicarse la propuesta, recibe una carta de
felicitación del presidente Porfirio Díaz. Sin embargo, le conmueven la miseria
de la gente del campo y las condiciones infrahumanas de los obreros de las
fábricas, y se dispone a incursionar en actividades políticas, comenzando en su
región natal y progresivamente en toda la nación. Madero inició su noviazgo con
Sara Pérez Romero por el año de 1897 y el matrimonio se celebró seis años
después. No tuvieron hijos.
Intensa participación política
La larga dictadura del general
Porfirio Díaz que se extendió desde 1876 hasta 1910, había supuesto la
consolidación de un rígido modelo de orden político, económico y social, que
asegurara una paz impuesta al país como condición indispensable para su
desarrollo económico. Benefactor de la oligarquía agraria, protector de los
privilegios de la Iglesia católica y de las inversiones estadounidenses y
europeas, el dictador se había eternizado en el poder violando el principio
constitucional de no reelección. La estabilidad política y algunas mejoras
económicas no corregían los desequilibrios sociales y más bien agudizaban el
deterioro de las condiciones de vida de los campesinos y los pobres que
habitaban en las ciudades. En los que serían los últimos años del llamado
”Porfiriato”, el descontento no se limitaba a los sectores más desfavorecidos,
sino que fueron surgiendo voces críticas entre las mismas élites, se fundaron
nuevos partidos políticos y aparecieron nuevos líderes, entre ellos Francisco
Ignacio Madero.
Su actuación política se inició en
1904 al presentarse como candidato a la presidencia municipal de San Pedro de
las Colonias. Contando apenas con el apoyo familiar y animado por sus ideales,
competía en desventaja con el candidato oficialista y fue derrotado por la
poderosa maquinaria oficialista. Hacia 1905, los abusos de poder del gobernador
de Coahuila, determinaron el inicio de su activismo político: fundó el Partido
Democrático Independiente y empezó a exponer sus ideas en el periódico El
Demócrata.
En 1908, Porfirio Díaz declara que el
pueblo mexicano está maduro para la democracia y anuncia la convocatoria a
elecciones y su propósito de no presentarse a la reelección y permitir la
participación de otras formaciones políticas. Madero aprovecha esta apertura
para publicar el libro La sucesión presidencial de 1910, obra de talante
moderado en defensa de las libertades civiles y de la democratización real del
país que tuvo una gran difusión y aceptación. Pero un repentino cambio de
opinión del gobernante, que volvió a postularse candidato, acabó con las
expectativas y causó gran indignación. Todo esto no hizo sino intensificar el
activismo de Madero.
En 1909, el Partido Nacional
Antirreeleccionista designó a Madero candidato a la presidencia y comenzó su
campaña por todo el país con el lema “Sufragio efectivo y no reelección”, pero
el dictador ordenó que fuese detenido y llevado a una prisión en San Luis
Potosí. Así, con su rival sometido, el Congreso reeligió a Díaz para un nuevo
sexenio. Madero llegaba a la conclusión de que no era posible alcanzar el poder
por la vía electoral y que solo el levantamiento armado podía llevar a un
verdadero cambio. En octubre de 1910 consiguió escapar a Estados Unidos y desde
su exilio en San Antonio (Texas) hizo público el programa político llamado
“Plan de San Luis Potosí” en el que denunciaba los abusos de la dictadura, la
necesidad de sustituirla por un gobierno democrático y la urgencia de favorecer
a los sectores agrarios restituyendo a los campesinos los terrenos que se les
habían arrebatado. Se fijó el 20 de noviembre de 1910 como fecha del
alzamiento, al cual se sumaron los campesinos con gran entusiasmo. Esta fecha
ha quedado para la historia como un hito que señala el nacimiento de la
Revolución mexicana.
Entre los insurrectos figuraban,
junto a otros caudillos locales, algunos de los líderes que habrían de jugar un
papel trascendental en aquel proceso: Pascual Orozco, Emiliano Zapata y Pancho
Villa. Ante la incapacidad del Gobierno y la impotencia del ejército, la
Revolución no tardó en extenderse por toda la geografía nacional y el 7 de
junio de 1911 Madero entró triunfalmente en la capital. Se formó un gobierno
provisional que convocó elecciones y en noviembre de aquel año asumió como
presidente constitucional de la nación mexicana.
Aunque el gobierno de Madero duró
apenas quince meses, logró para el país notables avances en educación, sanidad,
condiciones laborales, organización de la hacienda, y fomentó las actividades
económicas, dando mayores beneficios a los medianos y pequeños productores, y
estableciendo convenios más justos y equilibrados con las compañías
internacionales. En materia política, estableció un régimen de libertades y de
democracia parlamentaria. Pero, finalmente, sus esfuerzos fueron infructuosos.
Debió enfrentar, a los sectores representativos del antiguo régimen, del militarismo,
de la oligarquía y del clericalismo, e igualmente a los líderes revolucionarios
agraristas, como Emiliano Zapata, que exigían medidas tan radicales que de ser
adoptadas llevarían la nación al caos.
En medio de estas luchas fue ganando
relevancia el general Victoriano Huerta,
quien aparentaba ser leal a Madero y gozaba de su
confianza. Comandante de las fuerzas que debían defender al gobierno,
protagonizó una célebre e ignominiosa traición durante la llamada Decena
Trágica, nombre con que son conocidos los violentos sucesos acaecidos en la
capital mexicana del 9 al 19 de febrero de 1913. Huerta ordenó que Madero fuese
encarcelado, lo obligó a firmar su renuncia y le prometió la salida del país
con su familia. Sin embargo, el día 22 de febrero de 1913, Madero y su
vicepresidente, José María Pino Suárez, fueron fusilados por un grupo de
soldados en el patio de la penitenciaría.
Sus pasos iniciales en el espiritismo
En sus Memorias, escritas en
1909, Madero contó cómo fue su encuentro con las ideas espiritistas, a sus
dieciocho años, cuando se hallaba en París siguiendo estudios de administración
y comercio:
Entre mis múltiples y
variadas impresiones de aquella época, el descubrimiento que más ha causado
trascendencia en mi vida, fue que en 1891 llegaron a mis manos, por casualidad,
algunos números de la ‘Revue Spirite’, de la cual mi papá era suscriptor y que
se publicaba en París desde que la fundó el inmortal Allan Kardec.
Comenta el joven estudiante mexicano
que entonces no tenía ninguna creencia religiosa ni filosófica, y que las ideas
católicas de su infancia se habían desvanecido, por lo que se sintió en las
mejores condiciones mentales para juzgar las enseñanzas espiritistas. Leyó
cuantos ejemplares pudo encontrar de aquella revista y adquirió las obras de
Allan Kardec:
No leí esos libros,
sino que los devoré, pues sus doctrinas tan racionales, tan bellas, tan nuevas,
me sedujeron y desde entonces me considero espírita.
Concurrió a algunos centros espíritas
y se impresionó favorablemente con los fenómenos que presenció. Fue informado
de que él mismo era médium escribiente y decidió verificarlo organizando
sesiones con sus familiares siguiendo las instrucciones dadas por Kardec en El
libro de los médiums. Después de varios intentos comenzó a sentir que una
fuerza ajena a su voluntad movía su mano con gran rapidez y en los meses que
siguieron los mensajes trasmitían importantes lecciones para completar su
formación intelectual y ponían énfasis en las cuestiones morales. Dejó de
beber, se hizo vegetariano, aprendió a aplicar técnicas curativas basadas en la
homeopatía y en los pases magnéticos. Reconocía que el espiritismo lo había
transformado, de comportarse como un joven libertino e indiferente, en un
hombre de justicia, bondadoso, reflexivo y preocupado por el destino del mundo,
en particular de su patria.
De vuelta en México
A sus veinte años, Madero volvió a
México, formado profesionalmente como administrador y transformado por el
espiritismo en sus convicciones. De inmediato entró en contacto con las
sociedades espiritistas, se hizo suscriptor de las revistas que entonces se
publicaban, y con el apoyo familiar fundó el Centro de Estudios Psicológicos de
San Pedro, donde impulsaba los estudios doctrinarios a la vez que ejercitaba su
facultad mediúmnica. Animado por el deseo de difundir las enseñanzas
espiritistas, Madero compraba a las editoras francesas y españolas, libros de
Kardec, de Lèon Denis, Gabriel Delanne, Amalia Domingo Soler, Quintín López
Gómez y otros autores, y generosamente los distribuía entre las personas
interesadas que encontraba a su paso.
El movimiento espírita mexicano que
encontró Madero a su llegada no estaba en su mejor momento, debido a los
obstáculos que interponía el régimen porfirista por su alianza con la iglesia
católica. Pero en años anteriores había demostrado una considerable fortaleza y
se había propagado por todo el país, gracias a la actividad de algunas personalidades
de gran prestigio social, entre las cuales destacaron el general Refugio
González y el intelectual Santiago Sierra. Estos hombres fundaron en 1872 una
revista para la divulgación y defensa de los ideales del espiritismo que llevó
el título de La Ilustración Espírita y circuló hasta 1893. Esta publicación
gozó de un gran prestigio en el país y en el exterior por su excelente
contenido y presentación gráfica. En aquel año, desde sus páginas se convocó a
una gran asamblea que acordó la creación de la Sociedad Espírita Central de la
República Mexicana, a la cual concurrieron decenas de sociedades de las
principales ciudades. Durante los siguientes años, este organismo central
representó al espiritismo ante las autoridades y la opinión pública,
consiguiendo que fuese apreciado y respetado, tal cual sucedió en los célebres
debates que se llevaron a cabo en el Liceo Hidalgo de la capital, en los cuales
se trató el tema del espiritismo y su relación con la ciencia, el materialismo
y el positivismo.
Se podría señalar el año 1906 como
punto de partida de una nueva etapa en la vida del espiritismo mexicano, que,
aunque breve, fue muy intensa y productiva a los fines de su divulgación. En
abril de ese año se celebró el Primer Congreso Espírita Nacional, al cual
acudieron delegados de cuarenta sociedades espiritistas y contó además con
representantes de Cuba, Puerto Rico, Nicaragua y de las ciudades de Laredo y
San Antonio, de Texas. Se discutieron temas de gran interés doctrinario, se
aceptaron las conclusiones a las que se había llegado en los Congresos
Espiritistas Internacionales de Barcelona (1888) y París (1900), se aprobaron
importantes resoluciones, entre ellas, la creación de una comisión científica y
experimental para la verificación de los fenómenos psíquicos y mediúmnicos, la
fundación de una librería espiritista y de un periódico denominado El Siglo
Espírita, que habría de circular hasta 1911. Por vez primera se acordó
establecer relaciones con los movimientos espíritas de otras naciones para
crear una Confederación Espiritista Latinoamericana, un proyecto que solo se
haría realidad en 1946, cuando en Buenos Aires se fundó la Confederación
Espírita Panamericana (CEPA).
En 1908 se reunió el Segundo Congreso
Espírita Nacional, que congregó a los delegados de setenta y cinco centros
espíritas, y tuvo un significativo alcance internacional, pues contó con la
presencia de representantes de diez países, y se discutieron ponencias enviadas
por destacados escritores europeos y americanos. En ambos Congresos, Madero
participó activamente, dejando una grata impresión por sus conocimientos, su entusiasmo
por los ideales espíritas, y por su condición de hombre público que ya brillaba
con luz propia en el escenario político nacional. En medio de sus ocupaciones
Madero encontró tiempo para terminar un libro que venía escribiendo a ratos: Manual
espírita, un resumen de las enseñanzas básicas del espiritismo, que
circularía en 1911 después de asumir la presidencia de la nación. Consideró
conveniente, para no mezclar el ideal espírita con las circunstancias
políticas, firmarlo con un seudónimo, y en este caso adoptó el de “Bhima”,
personaje mítico del texto épico indio Majabharata.
A sus continuas lecturas se añadían
las informaciones que obtenía del mundo espiritual y que él psicografiaba. En
el desarrollo de sus actividades mediúmnicas se pueden distinguir, por su
contenido y propósitos específicos, dos etapas. La primera cubre los años
iniciales, desde su regreso a México hasta 1905. Una entidad espiritual que se
presentaba como “Raúl”, el pequeño hermano fallecido trágicamente años atrás, reclamaba
a Madero que atendiera las normas morales que se derivan de las enseñanzas
espiritistas, insistiendo en que evitara perder el tiempo en juegos, que
rechazara los vicios, que destinara buena parte de sus riquezas materiales para
ayudar a los pobres, y que se empeñase en su transformación interior.
De acuerdo con lo que relata en sus Memorias,
cumplió con la disciplina señalada y comenzó entonces una segunda etapa, en la
cual las comunicaciones se debían a un espíritu que se identificó como “José”.
Ahora, ya superada la lucha para controlar los instintos, esta entidad le
anunciaba que debería prepararse para cumplir con una exigente tarea en defensa
de la democracia mexicana. Le anunciaba que escribiría un libro que sacudiría
el ambiente político y le serviría para cumplir con la tarea que le estaba
encomendada. “José” le llamaba en las comunicaciones “soldado de la libertad y
el progreso” y “luchador infatigable por la causa democrática”.
Podría decirse que las
comunicaciones mediúmnicas recibidas por Madero mostraban con admirable
precisión el camino recorrido por Madero desde el inicio del siglo, su dura
preparación, la disciplina espiritual que debió seguir, sus errores y aciertos,
la publicación del libro La sucesión presidencial en 1910, su cruzada
por el territorio nacional enarbolando las banderas de la regeneración moral y
política, hasta regir como presidente a su amada patria. Una parte
significativa de esta obra tan importante para la historia mexicana, provino en
parte de los mensajes que recibió de su orientador espiritual.
Varios líderes espíritas tuvieron
responsabilidades en la dirección de ministerios y oficinas durante los quince
meses que duró su gobierno. Uno de ellos, que estuvo a su lado como un leal
amigo y consejero, fue el escritor, poeta y periodista costarricense Rogelio
Fernández Güell, quien se desempeñó como Director de la Biblioteca Nacional de
México, primer y último extranjero que estuvo al frente de esa prestigiosa
institución cultural. Fernández Güell tuvo una relevante participación en ambos
Congresos, fundó y dirigió la revista Helios, escribió varias obras
vinculadas a los temas espíritas entre las que se destaca Psiquis sin velo
que dedicó con entrañable afecto al presidente, y el libro de corte histórico y
político en el que ponía de relieve la inmensa tarea que cumplía al frente del
país: El moderno Juárez. Estudio sobre la personalidad de Francisco I.
Madero.
Durante buena parte de su corta
existencia, Francisco Ignacio Madero se movió entre dos polos que dominaban su
pensamiento y sus acciones: el de la práctica política y el de sus convicciones
espiritistas. Algunos han querido separar al Madero político del Madero
espiritista, según sus particulares intereses o puntos de vista. Pero, lo
realmente cierto es que el idealismo de Madero, derivado de los principios
filosóficos y valores éticos del kardecismo en los que creía de manera inequívoca,
orientó sus acciones en el espinoso mundo de la política partidista, convencido
de que era posible conseguir una sociedad mejor, más humana e inclusiva, libre
y equitativa, apelando a la educación y a la buena fe de las personas.
Posiblemente hubo ingenuidad en su proyecto utópico, pero quedará para siempre
como legado indestructible, la inmensa lección de dignidad que nos dejó con su
ejemplo y su sacrificio.
Artigo originalmente publicado no Jornal Abertura - agosto de 2025, se acessar o jornal clique no link abaixo:
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