quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

RECICLAR

                    Às vezes, quando questionadas sobre o que fazem diante dos problemas ambientais que nossa sociedade enfrenta, algumas pessoas respondem "reciclo meu lixo". Da mesma forma, em muitas escolas, a Educação Ambiental se reduz a projetos que visam a reciclagem de resíduos, com atividades que estimulam a competição entre os alunos, premiando àqueles que contribuem com uma maior quantidade desses resíduos.
                    Mas, você já se questionou: reciclar é o melhor caminho? Não quero dizer com isso que não devemos reciclar. No entanto, mais importante do que reciclarmos, é reduzirmos nosso consumo.
                    Nossa sociedade estimula o consumo desenfreado, produzindo necessidades e esvaziando, cada vez mais, nossa reflexão e crítica diante da lógica que a sustenta. Somos induzidos a descartar produtos em ótimas condições de uso simplesmente porque não podemos "ser felizes" sem o novo modelo lançado, que promete realizar funções, das quais, na verdade, não necessitamos.
                    Diante disso, nossa consciencia permanece tranquila, afinal, vamos reciclar o produto anterior. Mas fingimos não compreender que para a produção desse novo produto (o qual não precisávamos) foram utilizadas "matérias-primas" - forma que a natureza é designada quando enxergamos algo que podemos explorar, utilizar, vender. Além disso, para que o produto (o qual logo substituiremos por um novo) fosse produzido, trabalhadores tiveram seu trabalho explorado, produzindo diante de condições vazias de sentido e economicamente desfavoráveis.
                    Reciclar faz parte da lógica do sistema em que vivemos: consumimos, reciclamos e consumimos novamente, num ciclo contínuo com geração de capital, até que comecemos a questioná-lo, criticá-lo e tentar agir de forma diversa.
                    Não recicle apenas, reduza!
                    Assim como os produtos, tornar-se pessoa tem a ver com reciclar a mente. Mente fechada, pessoa limitada, mente aberta e arejada, pessoa em crescimento!Quem não respira o oxigênio da alteridade de ideologia ou de fé respira com as narinas tapadas.
                    Acostume-se a abrir as janelas do seu coração!

Gisela Régis


 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Senso de Justiça - por Gisela Régis

             
              
             O senso de Justiça, para alguns, é produto cultural, para outros, é inato ao ser humano. Não vamos entrar no mérito dessa questão porque, não há provas de uma ou de outra coisa, e sim meras especulações filosóficas. Para o Espiritismo, a idéia de Justiça abrange a possibilidade de sucessivas encarnações para a sua concretização.                
              O maior expoente da ciência no estudo científico das reencarnações é Ian Stevenson, da Universidade de Virgínia, nos Estados Unidos, que conseguiu comprovar centenas de casos de reencarnação em diversos países ocidentais e orientais. Todavia, outras centenas de casos estudados ficaram sem comprovação. Assim, a reencarnação, sob o ponto de vista científico, continua sendo uma possibilidade aceita por alguns e refutada por outros, permanecendo mais como uma questão de fé do que de ciência. Cumpre observar, todavia, que não apenas o Espiritismo é reencarnacionista, mas também uma variada gama de outras religiões, principalmente orientais.
             Pois bem. Tomemos como possível a existência de sucessivas reencarnações da alma, a fim de que possamos analisar a ideia espírita de Justiça. Allan Kardec, em “O Livro dos Espíritos”, questão 8751, pergunta aos espíritos como se deve definir a Justiça, ao que respondem: “A Justiça consiste no respeito aos direitos de cada um”. Essa definição não está inconforme com o Direito posto, ao longo dos séculos da história da Humanidade. Continuando, pergunta Kardec o que determina esses direitos e os espíritos respondem que “são determinados por duas coisas: a lei humana e a lei natural. Como os homens fizeram leis apropriadas aos seus costumes e ao seu caráter, essas leis podem variar com o progresso (...). O direito dos homens, portanto, nem sempre é conforme a Justiça. Só regula algumas relações sociais, enquanto na vida privada há uma infinidade de atos que são de competência exclusiva do tribunal da consciência”. Para Allan Kardec, a verdadeira lei de Justiça está associada ao amor e à caridade, razão porque acrescenta que “o critério da verdadeira Justiça é de fato o de se querer para os outros aquilo que se quer para si mesmo, e não de querer pra si o que se deseja para os outros, o que não é a mesma coisa”.
             Algumas interpretações mais conservadoras da Doutrina Espírita entendem que se deve suportar as dores do mundo como obra da Justiça, decorrentes de atos faltosos da vida pregressa. Isso leva a um tipo de resignação descabida em nossos dias, quando a evolução da Humanidade nos ensina a lutar pelos nossos direitos. Assim, as correntes mais recentes da hermenêutica espírita põem a ênfase sobre o livre-arbítrio do homem, para reivindicar o que lhe for de direito e assim ir tecendo a sua história, com liberdade de decisão.  Assim, vemos que a idéia de Justiça espírita abrange leis mais amplas do que as dos homens e a extrapola, incluindo a possibilidade de reencarnação, para a consecução dessa mesma idéia de Justiça.

por Gisela Régis


terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Quem roubou a nossa água? - por Alexandre Machado

Quem roubou a nossa água? - por Alexandre Machado

Este título pode ser considerado uma paródia ao nome de um best seller e livro de auto-ajuda gerencial “ Quem roubou o meu queijo?”. Parece ter sentido, pois quando consumimos a água encanada, em nossas casas, em geral não nos preocupamos muito com o como obtivemos e tratamos a mesma, geralmente consideramos a água como um recurso infinito.

No dia 28.11.2014 o ICKS recebeu  o Sr. Rodolfo José Bonafim, Engenheiro e membro da ONG Amigos da Água que muito nos ajudou a compreender a problemática que passaremos a relatar.
Aínda que a água seja abundante na Terra pois 2/3 da sua superfície está coberta por água do mar, a água doce corresponde a  uma parcela muito pequena, 3% apenas incluíndo aí as geleiras e as calotas polares, portanto toda a atenção é necessária a este recurso limitado.

Historicamente, lutar por mananciais aquíferos fez parte de nossa geopolítica, muitas fronteiras entre países foram definidas por rios que na antiguidade eram um obstáculo difícil de ser superado por exércitos e fácil de ser defendido por aqueles que estavam fortificados na outra margem. O controle da água significava o sucesso ou não de uma nação.

Sabemos também que sem água, não vivemos, após algumas horas já podemos morrer por desidratação, dependendo das condições ambientais. Com todo o exposto deveríamos dar muito mais importância a como, nossos governos cuidam do acúmulo, uso e tratamento da água e como cidadãos vigiar-nos enquanto consumidores.

Como espíritos, precisamos de corpos em boas condições e de um ambiente saudável para exercermos plenamente nosso livre arbítrio e com isto evoluírmos.

O estado de São Paulo, vive uma grande crise de falta de chuvas, comparadas às médias anuais, enfrentamos um período de 2 anos de seca, ora na Região Sudeste, é justamente  onde se concentram as principais hidroelétricas do país, o uso da água doce, fica então dividido entre o consumo humano e a geração de energia.

Para os nordestinos este problema sempre esteve na agenda dos governantes, mas no sudeste do Brasil, isto é uma novidade. Pensando nisto optamos por trazer o assunto à pauta, pois cada um de nós precisa se conscientizar e multiplicar as boas práticas de consumo consciente. Evoluímos como sociedade, mas precisamos discutir mais os problemas que nos afetam e juntos contribuírmos para a sua solução.

Temos, como espíritos encarnados a inteligencia como nosso mais forte fator de mudança, repetimos isto o tempo todo, mas parece que não conseguimos dar um exemplo prático de sua aplicação no dia a dia, assim aqui vai um: reduzir o consumo, eliminar o desperdício por vazamentos e influenciar os nossos deputados, é isso mesmo, acabamos de elegê-los, mandemos mensagens aos nossos deputados.


Temos o  poder para acelerar as medidas de engenharia necessarias para aumentar a captação de água. Não poderemos esperar que 20 milhões de pessoas fiquem sem água para agirmos, temos que dar o sentido de urgência.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

O que é ser progressista? Por Alexandre Cardia Machado

Esta questão se faz importante num momento em que a humanidade alcança avanços impressionantes em todos os campos de conhecimento, a ciência a cada dia nos tráz novidades, a medicina, a internet, os meios de comunicação. No campo das questões sociais nos parece que o avanço é mais lento, pois esbarra em alguns pontos que gostaríamos de discutir aqui.

O progresso social depende da cultura, das características do país, da política, mas principalmente da economia. Muitos dirão e com razão que tudo depende da política, pois é neste campo que se discute as relações entre os poderes e suas consequências no campo social e finalmente na vida de cada cidadão. Então para ser progressista no campo social há que se permear a política. Nosso jornal desde o seu nascimento teve uma proposta de abertura, ao pensamento espírita, a atuação e participação social, à questão cultural em nosso campo de ação na ruptura com a religião espírita.

Recentemente fomos chamados por um companheiro espírita de não progressistas por termos uma linha de editoriação que não se relaciona diretamente com a esquerda política. Ficamos pensando, ah! então o termo progressista estaria ligado necessariamente a uma ideologia? Mas como assim? Talvez a uma ideologia progressista? Acontece que isto não existe, ideologias, sejam elas de esquerda ou de direita, elas, assim como as religiões não são progressistas. Existem movimentos sociais progressistas, que lutam por direitos humanos, como por exemplo no passado pela maior participação feminina, pelo  direito ao divórcio, pela redução das jornadas de trabalho, nem todas ideias de esquerda, mas certamente nenhuma delas de direita, daí talvez a ideia ou vontade da apropriação do conceito progressista.

O ABERTURA sempre se posicionou contra os atos de desrespeito aos direitos humanos e aos atos de fé sem raciocínio, sejam eles atos de fé religiosa ou ideológica. Este jornal foi contra a invasão do Afeganistão pelos EUA inclusive colocando uma faixa negra escrita paz em branco, em frente ao ICKS, pois foi um ato sem apoio internacional. Mas também não fomos e não seremos  favoráveis a nenhum ataque terrorista, pois somos fundamentalmente a favor da paz.

Nos sentimos à vontade de comentar qualquer ato de corrupção ativa ou passiva, sem nos preocuparmos por qual partido está por tráz, a corrupção talvez seja o maior mal que devemos nos livrar na sociedade atual. Ele carrega consigo toda uma marginalidade, um desrespeito a todos os cidadões por aqueles que recebem o mandato em seu nome. O ABERTURA defende o voto consciente, sem fazer campanha partidária, que cada um analise e pense em qual candidato melhor representa o seu conjunto de valores.

O ABERTURA possui colunistas que assinam as suas matérias, não fazemos censura, desde que o tema seja espírita ou relevante à sociedade e abordado sob a ótica espírita, ele será publicado, os editoriais em sua grande maioria são publicados sem assinatura por representarem a opinião do Jornal ABERTURA, normalmente escritos pelo seu Editor-chefe, como fazem todos os veículos jornalísticos.

O nome Abertura existe justamente por escrevermos sobre temas que outros jornais espíritas não abordam, revisamos textos de Allan Kardec que precisam ser atualizados, comparamos textos mediúnicos com textos de Allan Kardec para análise, algo que todo espírita deveria fazer, lançamos temas novos, questões sociais, promovemos debates, todo um conjunto de ações em nosso entender progressistas. Temos consciência de manter um canal aberto contra a mesmice e por isto lutamos constantemente para nos atualizarmos.

Mantemos o convite permanente aos nossos leitores que nos escrevam, que nos ofereçam a sua posição, através de nosso email ou de nosso blog, onde postamos algumas de nossas matérias e outras questões mais polêmicas, em um meio mais livre como deve ser o ambiente de internet. Temos um grande prazer em publicar as mensagens ou matérias enviadas.

Se isto não é ser progressista então talvez tenhamos que usar o termo aberto para nos definir, pois em essência é o que somos.

O que é ser progressista segundo algumas referências ? Na wikipédia uma definição livre é “O progressismo é uma doutrina política ou corrente filosófica muitas vezes relacionada ao evolucionismo e ao positivismo. O progressismo expressa a crença ou o desejo de evolução, desenvolvimento, aperfeiçoamento, superação. Opõe-se ao conservacionismo.   Políticas progressistas são aquelas que propõem mudanças sócio-econômicas radicais, para o desenvolvimento e o progresso da sociedade.” – nestes dois sentidos somos progressistas.


O diário online de português assim define a palavra, casualmente da mesma forma que Aurélio Buarque de Holanda –“que, ou pessoa que tem idéias políticas e sociais avançadas. Favorável ao progresso; que não é conservador ou reacionário.” Neste sentido o Abertura é progressista.

Publicado Originalmente no Jornal Abertura - Maio de 2014

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Tolerância Religiosa - postado por Gisela Régis

Tolerância

          

Pierre Bayle, filósofo francês do século XVI, ensinou há mais de trezentos anos que "a tolerância deve ser praticada entre as religiões, e o Estado não pode ser instrumento de perseguição em nome de uma determinada fé."

Cerca de 4 milhões de pessoas foram as ruas contra jihadismo, o fascismo do século XXI, o "islamofascismo", neologismo que descreve com perfeição o fenomeno de intolerância e de imposição pelo terror do totalitarismo em nome da religião criada por Maomé no século VII da era cristã. Provando que o atentado teve efeito inverso ao pretendido. O fundamentalismo e o extremismo pereceram ante a indignação européia. Laços humanos se apertaram em torno de um ideal de liberdade que, naquele solo revolucionário, parece brotar nos momentos mais difícieis. Em suma, não houve vingança do profeta. A satisfação em um plano espiritual, jamais se completaria.

Surgiu, sim, o manto da solidariedade pairando acima da república mais significativa da história, formada contra um regime ainda mais tirânico e conspirador. Apesar do massacre, ainda existe esperança neste mundo. A civilidade venceu!






domingo, 18 de janeiro de 2015

É Preciso saber viver - por Alexandre Cardia Machado

É Preciso saber viver - por Alexandre Cardia Machado

Desta guerra, você participa todos os dias!


Era apenas uma manhã normal de segunda-feira, eu estava indo buscar minha esposa na academia apenas  poucas quadras de minha casa. Para me deslocar de automóvel até la tenho que passar por algumas ruas de pouco movimento e de velocidade máxima de 40 km/h.

Num cruzamento, onde a preferencial era no meu sentido, alguma coisa, talvez um pressentimento me fez reduzir muito a velociade e verificar se na outra via haviam placas de pare, olhei pros dois lados e vi a placa e também a inscrição de pare no asfalto. Foram quem sabe 2 segundos, segui em frente, neste momento passa uma camionete de entrega a mais de 60 km/h, o motorista não quiz saber de nada, passou direto, não deu importância aos sinais claros de trânsito, não parou.

Caso eu, que estava na preferencial, não tivesse reduzido a velocidade potencialmente estaria morto, pois o choque do mesmo seria na minha porta, este editorial só seria possível por via mediúnica.
Este episódio me fez pensar, onde estamos? Ciclistas, pedestres, motoqueiros e entregadores de todos os tipos, simplesmente ignoram a sinalização de trânsito, transformando o ato de dirigir um automóvel, numa verdadeira roleta russa.

Aqui nem se trata da aplicação da lei do mais forte, é uma total insensatez, pois em geral são veículos leves, altamente vulneráveis, dirigidos por pessoas irresponsáveis que arriscam a sua própria vida e colocam a de outrem em risco também.

As vias de circulação das cidades ficaram pequenas com o aumento astronômico do número de veículos. Acidentes de trânsito e mortes por assassinato rivalizam no topo das estatísticas de mortes evitáveis em nosso país.

Como dar um basta a isto, existe um símbolo que está sendo adotado por cidadões conscientes, que param nas faixas de pedestres e que tentam pelo exemplo difundir um pouco de cidadania, mas a maioria não está nem aí! Os jornais impressos ou televisivos mostram as cenas, fotos expõe a estatística mas nada disso tem efeito prático, parece que todos tem muita pressa, mesmo que seja para chegar logo e não fazer nada depois.

Precisamos baixar a velocidade. Na capital paulista todas as vias de circulação, no governo Kassab, tiveram a sua velocidade reduzida, mas cada um de nós, precisa internalizar que, no espaço confinado de uma cidade, onde a população aumenta e os meios de transportes individuais são múltiplos e em excesso, todos devem saber viver e reduzir a velocidade.



Os dados acima são obtidos através da requisição do DPVAT, não contém os mesmos dados do ministério de saúde que são mais amplos,o DPVAT é aquele seguro obrigatório que todos os proprietários de veículos pagam junto com o IPVA, está aqui para demonstrar sem sombra de dúvidas que existe uma tendência de aumento no número de vítimas, ora, como espíritas somos a favor da vida e não podemos ficar calados.
A causa principal é a imprudência, cerca de 90% dos casos esta é a razão do acidente, excesso de velocidade, descuido com a sinalização, falta do uso de cinto de segurança, dirigir embreagado e por aí vai.
Jaci Régis em seu clássico livro Comportamento Espírita de 1981, assim se refere a nós passageiros deste planeta “ ... o homem do nosso século (XX), como vimos, traz uma história, uma ficha de aprendizagem, em que estão inculcadas normas, regras, traumas e pressões a que tem sido submetido no transcorrer  dos tempos ...”  Estes espíritos que hoje estão encarnados expressam o seu comportamento de uma forma complexa, transfere para o automóvel, para a motocicleta a vontade de ser livre, poderoso, alienando-se dos riscos envolvidos, tem o comportamento otimista, de que os outros são tolos eles são espertos, bloqueiam a entrada em suas mentes às estatísticas, como se jamais fossem atingidos por elas,   podemos esperar melhoras? É evidente que sim, chega uma hora em que mais e mais pessoas acidentadas, portadoras de deficiências físicas e psíquicas causadas pelos acidentes de transito se farão presentes, novas regras e ações de engenharia nos obrigarão a reduzir a velocidade a força, o indivíduo pode trasgredir, mas a sociedade termina por reagir e impor limites a liberdade.
Finalmente, como Espíritas devemos dar o exemplo e mostar que é possível saber viver e ao dirigir, ser cuidadoso, dirigir defensivamente – como diz Jaci, no livro citado fazendo referencia a música de Geraldo Vandré – “quem sabe faz a hora não espera acontecer”.