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POR QUE JULGAMOS TANTO? Cláudia Régis Machado
É da natureza humana fazer um julgamento, uma avaliação do mundo
de acordo com suas crenças.
Não estou restringindo aqui ao aspecto moral do que é
certo ou errado, mas um olhar que abrange vários itens da vida humana onde está
contido também a perspectiva ética que compõem nossas crenças, a nossa
percepção de mundo.
Cada pessoa é um mundo, que passa por situações
e vivencias com as com as quais sofreu e aprendeu, que só ela conhece e
compreende.
Na maioria das vezes acreditamos que a nossa visão é a única
válida, e isto atrapalha de ir, de ver mais além, e compreender outras
perspectivas diferentes.
Precisamos ter uma abertura para saber que cada pessoa observa o
mundo, o cotidiano sob seu próprio prisma, com lentes pessoais assim como nós.
Não existe problemas no processo de julgar, isto só passa a
existir quando executamos de forma precipitada e imediatista. Não tomando
cuidado de analisar o quanto sabemos daquela situação, daquela pessoa e o
quanto não nos familiarizamos com o contexto que está inserido. Todos têm
direito de expressar sua opinião, emitir seu ponto de vista e ser respeitado. Julgar
não significa justificar os atos dos outros.
“Eu tenho a minha
verdade e você tem a sua. Respeito é eu validar sua verdade, ainda que eu não a
compreenda ou discorde de você”.
Não somos juízes, não estamos fazendo justiça, mas dando um
parecer, uma opinião.
O que condenamos sempre, são os preconceitos tidos como crimes e as
falsas informações com a intenção de difamar e prejudicar o outro.
Expressar e compartilhar pontos de vista não quer dizer convencer
o outro nem que sua opinião deva prevalecer sobre a outra. Mas nem por isso
devemos deixar de falar porque existimos a partir das nossas verdades, que não
são imutáveis.
Troca de opiniões, através do diálogo é ouvir e transmitir com
serenidade.
As diferenças não são negativas pois ajuda a abrir a mente diante
de diversas situações e a liberdade para se repensar ou não, nossa visão de
mundo.
Os
julgamentos que realizamos são permeados por valores e preconceitos que
carregamos dentro de nós. Revelam muito a respeito de nosso caráter, nossa
personalidade e até como anda a nossa vida e quando nos desconhecemos, apesar
de ser uma análise simplista, somos muito mais complexos tendemos como
mecanismo de defesa projetar no outro, atribuir aos outros, nossos defeitos,
sentimentos e desejos; que em psicanálise é uma forma do indivíduo defender-se
dos próprios desejos imputando-os a outro sujeito.
“A alma sempre tende a julgar os outros
segundo o que pensa de si mesma”
– Giacomo Leopardi –
Uma atitude positiva e fundamental é o autojulgamento para trazer autoconhecimento,
que facilita o olhar para si e para o outro. Traz uma flexibilidade para ouvir
o pensamento do outro, e de se colocar no lugar do outro para conseguir uma
postura de empatia.
Infelizmente executamos o ato de
julgar com mais facilidade em relação ao outro do que a nossa própria
avaliação. A postura muda quando somos julgados, sentindo-nos sensibilizados e
incomodados.
Por isso quando o foco do julgamento é o comportamento do outro
devemos sempre ter em mente: o que pretendemos realmente? É fazer com que os
outros vejam nossa visão de mundo? Devemos ter a consciência que nosso padrão,
nosso modo de ver o mundo não é o único.
Devemos
ter cuidado para que nossos julgamentos não sejam uma especulação da vida
alheia e que o uso não seja indiscriminado e virem fofoca pois geralmente se propagam
rapidamente.
Abra sua mente e permita-se descobrir novas perspectivas para
ampliar a sua visão de mundo. Faça do exercício de autoconhecimento um hábito,
tornando-se assim mais gentis e tolerantes em suas análises.
Este artigo foi originalmente publicado no Jornal Abertura de novembro de 2021, interessado em ver o jornal?
Baixe aqui:
https://cepainternacional.org/jornal-abertura-novembro-de-2021/
Outros Artigos de Cláudia Régis Machado neste blog veja no link abaixo:
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-
ESPIRITISMO, PRAZER E FELICIDADE
“O prazer é a meta natural na vida. O sofrimento é
transitório, eventual. Temos que construir uma consciência feliz, que ame, que
busque o prazer de viver “Jaci Régis
Será
que o espiritismo combina com a ideia de prazer e felicidade? Não estaria o
espiritismo ligado apenas a ideia da morte, de fantasmas do outro mundo, de
resignação ante o sofrimento? Não busca o espírita apenas a libertação do
Espírito com vistas a uma entrada feliz no outro mundo?
Certamente
a felicidade absoluta é impossível neste mundo. Como poderíamos ser absolutamente
felizes em um planeta no qual existem tantos problemas. Aqui na Terra temos
insegurança alimentar, doenças, violência, desemprego, famílias sem teto,
crianças desamparadas, destruição ecológica, ditaduras políticas e tantos
outros problemas. Neste sentido, falarmos em felicidade absoluta seria um
verdadeiro egoísmo, pois estaríamos alimentando uma postura indiferente, alienada
dos graves problemas que vivemos na faixa da existência terrestre.
Mas podemos perguntar ainda. É possível pelo menos
uma felicidade relativa neste mundo? É possível uma felicidade pessoal geradora
de prazer interior, porém não alienada, não desconhecedora dos problemas
terrenos?
O
espiritismo nos traz uma ideia de felicidade e prazer possíveis de serem
alcançados na Terra. O espiritismo bem compreendido nos traz alguns princípios
filosóficos importantes para que compreendamos a vida física de forma positiva.
A
primeira ideia a ser destacada que nos oferece a filosofia espírita é que a
defende que a vida terrena é oportunidade de aprendizado, de crescimento,
amadurecimento, realização e conquista da sabedoria. O espiritismo nos convida
a olharmos nossas existências terrestres como oportunidades de construção de
nós mesmos e do mundo ao qual pertencemos. Portanto, nos ensina a valorizarmos
e amarmos a vida, a Terra, o mundo.
Em
relação ao sofrimento o espiritismo nos ensina a distinguir entre o bem e o mal
sofrer. O mal sofrer é o que causa a revolta, o desânimo, que nos faz desistir.
Já o bem sofrer é aquele que nos faz resistir corajosamente aos desafios e
dificuldades da vida com vistas a nos tornarmos mais firmes, mais sábios, mais
experientes perante nossas dores e sofrimentos, com vistas a superação.
Sem
dúvida que existirão as lutas que não venceremos e que a aceitação madura
perante o incontornável será necessária. Segundo Léon Denis: “É um dever lutar contra a adversidade.
Abandonar-nos, deixar-nos levar pela preguiça, sofrer sem reagir aos males da
vida seria uma covardia. Mas, quando os nossos esforços se tornam supérfluos,
quando tudo é inevitável, chega então o momento de apelarmos à resignação”.
Não
há dúvida, no entanto, que mesmo as batalhas perdidas podem trazer ensinamentos
ao Espírito imortal que somos e podem se traduzir em amadurecimento pessoal,
espiritual, se soubermos enfrentar com sabedoria esses momentos de perda.
É
necessário dizer também que o espiritismo não condena a alegria, os momentos de
festa. Não nos diz para sermos sisudos e aparentarmos uma seriedade que muitas
vezes não temos. O exemplo Jesus de Nazaré tem relevância para os espíritas
nesse sentido. Da mesma maneira que brindava o casamento de alguns amigos,
chorava por Lázaro e expulsava os vendilhões do templo. Jesus de Nazaré possuía uma conduta natural,
não artificial, não farisaica, fingindo hipocritamente ser melhor do que os
outros. Agia em conformidade com cada ocasião.
Provavelmente,
Jaci Regis foi o pensador espírita que melhor compreendeu a importância teórica
de se ressaltar o prazer de viver como tema relevante no âmbito filosofia
espírita e como práxis existencial espírita. Jaci compreendeu extraordinariamente
a importância de se construir uma vida produtiva e útil no bem e de nos
afastarmos do culto ao sofrimento tão presente na proposta cristã e espírita
cristã.
Não que Jaci negasse a existência do
sofrimento, apenas enfatizava a necessidade de nos dedicarmos a sua superação,
sem ficarmos perdendo tempo em cogitações hipotéticas, de caráter reencarnacionista,
frequentemente indemonstráveis empiricamente, sobre eventuais causas anteriores
do sofrimento. Não desconhecia, é claro, a lei natural das vidas sucessivas,
apenas criticava esse procedimento especulativo inútil banalizado em nosso
movimento espírita.
A
vida é para ser vivida agora com alegria e confiança. Não precisamos esperar o
além para sermos felizes. Aqui e agora realizaremos o céu e o inferno dentro de
nós. No momento presente, nesse instante, nessa fração de segundos entre o
passado e o futuro, é que se encontra a vida. Portanto, segundo o melhor
entendimento da filosofia espírita, é o agora que importa. O além obviamente
existe, mas nosso estado futuro será determinado pelo que somos agora.
Reflexão sobre Allan Kardec e o futuro do espiritismo - Jaci Régis
Allan Kardec elaborou o Espiritismo dentro
da cultura cristã.
Formatou a doutrina dentro de 3 parâmetros,
compatíveis com o modelo cristão.
1. O
mundo é de provas e expiações,
2.
Os habitantes são espíritos imperfeitos que expiam suas faltas no processo de
vidas sucessivas,
3. Deus se manifestou em três grandes momentos,
para a salvação moral humanidade, nos dez mandamentos de Moises, nas palavras
de Jesus Cisto e, finalmente, pela manifestação dos Espíritos.
São as três revelações da Lei de Deus. Dentro
desses parâmetros, aceitou que Jesus Cristo trouxe a verdade possível e que o
Espiritismo completaria a verdade atual.
A trajetória de Kardec é sinuosa. Queria
que o Espiritismo fosse uma ciência. Mas criou uma religião, sem querer que
fosse religião. Na verdade, agiu como equilibrista da razão e da fé.
Todavia, aceitou que o motivo central do
Espiritismo era restaurar o cristianismo e implantar no mundo o Reino de Deus,
utopia evangélica que está na base das aspirações místicas e irreais da
humanidade ocidental, cristã.
Isso levou à afirmação do Espiritismo como
o Consolador Prometido, representava também tacitamente a certeza de que Jesus
Cristo era a verdade e toda a verdade teria vertido pela sua boca. Esse
Consolador simbolizaria a vinda do Senhor ao mundo, completaria todas as
verdades e ficaria conosco para sempre. Era a expressão da ilusão de que,
brevemente, por obra divina, haveria modificações espetaculares na face da
Terra. Surgiria um reino de paz, de alegria, de fraternidade.
Era a implantação do Reino de Deus no
mundo. Que mundo? Sem qualquer demérito para as lições inigualáveis do
Nazareno, estamos num tempo em que as exclusividades e as verdades absolutas
não têm lugar. No livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, Kardec
afirmou que o Espiritismo não vinha destruir a lei cristã, como o Cristo não
teria destruído a lei mosaica. Essa sequência teológica provinha do sentimento
de uma intervenção direta de Deus ou Jesus no encaminhamento das soluções e no
desenvolvimento moral das civilizações.
O céu comandando a Terra. Jesus Cristo, o
rei governando o mundo.
Mas o tempo da era cristã, no seu aspecto
institucional, político e religioso estava no fim.
Desenvolver a ideia espírita dentro do
caldo de cultura cristã foi um paradoxo. Pois o Espiritismo na sua estrutura
básica é a negação do cristianismo. Consequentemente tornou o Espiritismo
prisioneiro da promessa da vinda do reino de Deus. Kardec então elaborou seu pensamento tentando
encontrar justificativas e argumentos para as afirmações teológicas dos
profetas e messias.
Seria diminuir seu gênio reduzir sua obra a
essa análise simples. Pois sua obra é capaz de superar os entraves contextuais
e projetar-se para o futuro, porque teve a
sabedoria de abrir o caminho para o progresso, para a renovação. De tal
forma que o Espiritismo seria capaz de reciclar-se, aceitando as novas ideias e
mudar o que fosse necessário para não imobilizar-se. O que seria, disse, o
suicídio da doutrina.
É
baseado nessa extraordinária abertura para a evolução e progresso das ideias
que creio ser válido propor uma definição dinâmica para o Espiritismo nos dias
atuais.
A definição do Espiritismo
O século XXI desponta como uma incógnita
sob a liderança inconteste da ciências duras, coadjuvadas pelas ciências
humanas.
Como definir, compreender e projetar o
Espiritismo neste século vinte e um?
Neste século, o Espiritismo terá pelo menos
duas expressões.
1. O Espiritismo cristão
Com duas versões:
- Religião
Espírita
Atualmente, de modo geral e
majoritariamente o Espiritismo é uma religião cristã, cujos programas e o entendimento
remetem-se aos textos evangélicos e aos enunciados do século dezenove,
repetindo as palavras de Allan Kardec, sem atentar para o contexto em que foram ditas.
Os espíritas cristãos são basicamente
católicos mediúnicos.
-Espiritismo laico cristão.
Substituiu-se o tríplice aspecto de Ciência
Filosofia e Religião, por Ciência, Filosofia e Moral, isto é a moral cristã.
Ambos os movimentos não fazem ciência e não filosofam.
2 -
Espiritismo pós-cristão
A única saída para que o Espiritismo alcance
sua originalidade e ofereça uma contribuição genuína para a sociedade é escoimá-lo
do enfoque teológico da Igreja. Isto é, ser um Espiritismo pós-cristão.
Esse Espiritismo pós-cristão não apenas
abandonará a retórica e a teologia católica, como se organizará sugestivamente
como uma ciência humana. A Ciência da alma.
Como Ciência da Alma, o Espiritismo
abandona a ilusão de ser uma revelação
divina, para ombrear-se, de forma muito
especial, com o esforço das ciências humanas que surgiram para
entender o ser humano, suas limitações, problemas e futuro, fora dos limites
das ciências duras, físicas. Isto é, uma ciência humana cujo objeto é explicar
o ser humano como uma alma, sua estrutura, sua atuação e sua evolução.
Com isso pode desenvolver um espírito
crítico e explorar a realidade essencial do ser humano dentro da lei natural,
da naturalidade dos processos evolutivos, através da reencarnação, como uma alma
atemporal, imortal e em crescimento, seja no campo íntimo seja no campo social.
Como Ciência da Alma, o Espiritismo
abandona sua pretensão autárquica de se abranger todos os problemas da
humanidade, mas apoia-se nos esforços das demais ciências humana que compõem o
leque das realidades e comportamentos das pessoas.
O objetivo maior será introduzir na cultura
o sentido sério, basicamente defensável aos postulados puros do Espiritismo.
Terá que dispor de recursos e meios para
provar, insofismavelmente, a imortalidade. O que implicará na renovação do
exercício e objetivos da mediunidade, superando a fase meramente moralista e
religiosa em que se situa atualmente.
Só a prova da imortalidade será a base de
renovação social, humana e do pensamento humano e sustentará as teses da
reencarnação e da evolução do Espírito. Numa estrutura compatível com a
evolução do conhecimento humano. Como Ciência da Alma, introduzirá a noção de
espiritualidade como uma busca natural, imprescindível para o equilíbrio
pessoal e social, propondo positivamente o desenvolvimento ético na sociedade
em mudança que vivemos.
Muitos podem questionar se um Espiritismo
pós-cristão, a estruturação da Ciência da Alma, pode ser kardecista, dada a
crítica e a reelaboração que se faz necessária do trabalho de Allan Kardec,
conforme temos provado. É kardecista na medida em que se apoiará nos alicerces
básicos, puros, do pensamento doutrinário, desprezando os acessórios das
interpretações e extensões contextualizadas no início e do tempo decorrente.
O caráter da Ciência da Alma, como qualquer
ciência humana será essencialmente progressivo, jamais se imobilizando no
presente, apoiada somente no que for provado.
Assimilará as ideias reconhecidamente
justas, de qualquer ordem que sejam físicas ou metafísicas. Pois não quer ser
jamais ultrapassada, constituindo isso
uma das principais garantias de credibilidade.
Jaci Régis, escritor espírita, psicólogo e
economista - desencarnado em 2010
O desafio de manter a serenidade em tempos de mudanças socias
Trabalho apresentado no XXIII Congresso Espírita Panamericano
Tivemos a oportunidade de fazer parte deste evento
mundial e poder apresentar uma reflexão mais positiva a respeito do gênero
humano. Procuramos demonstrar que não há nada na história recente da humanidade
que nos desanime e que não nos permita pensar que estamos evoluindo como
espíritos. Como em tudo na vida a evolução não se dá em linha reta, precisamos
entender os nossos ciclos.
Notamos,
mesmo entre os espíritas um comportamento muito próximo das pessoas não
espíritas, o fato de sabermos que somos imortais não parece arrefecer o impulso
a ações mais ríspidas, ou mesmo exageradas.
O
Espiritismo nos ensina o caminho do meio, a moderação o controle de nosso
impulsos a temperança.
Buscamos
trazer aqui trechos de artigos publicados por diversos autores nas páginas do
Jornal Abertura palavras que nos animem e que nos ajudem a manter a serenidade.
Nas
palavras de Jaci Régis:
“O
Novo modelo (Doutrina Kardecista) identifica o ser humano, prioritariamente,
como um Espírito imortal, evoluindo através de sucessivas encarnações. Embora a
extraordinária e fundamental importância da vida corpórea para o Espírito, o
nascimento, a existência e a morte no campo corpóreo é apenas um segmento da
vida, na sua expressão imorredoura, progressiva e dinâmica.”[1]
Finalmente concluiremos que uma das missões do espiritismo é demonstrar na prática que este comportamento sereno é possível, que se pode criticar e com isto aprender a melhorar, mas não podemos perder a tranquilidade porque a imortalidade dinâmica nos ensina que esta caminhada é longa e tem percalços, mas por isto mesmo é bonita.
O momento em que o Espiritismo surge – ambiente
A primeira vez que uma pessoa lê o Livro dos Espíritos
percebe imediatamente que se trata de um diálogo tranquilo entre o mestre
Kardec e os Espíritos que colaboraram na sua elaboração.
Muitos podem imediatamente pensar que Kardec que
residia em Paris, na França onde todos sabemos que o trabalho foi desenvolvido,
vivia momentos tranquilos, mas a realidade pessoal e social não era bem assim.
Mas isto não o impediu de ser sereno na condução da elaboração da Doutrina
Espírita.
Tentarei montar o quadro da situação geopolítica na
Europa nos anos 50 e 60 do século 19.
Buscando concentrar nos principais conflitos no mundo de então nos quais
a França esteve de alguma forma envolvida:
(ver o vídeo)
Peço aos historiadores que me perdoem por não
aprofundar em demasia e não incluir todos os conflitos que havia na época entre
países europeus em suas colônias, que só eram mantidas a força. Assim como a
luta entre eles mesmos, mundo a fora.
Este quadro histórico demonstra, que mesmo neste
ambiente conturbado, Kardec não transcendia estas aflições que certamente o
acometiam à construção do Espiritismo.
Allan Kardec o bom senso encarnado se focava nas
relações humanas e espirituais, nos aspectos individuais, ou seja, aqueles que
contribuíam para o crescimento do ser espiritual. Isto não significa que Kardec
e os espíritos superiores consideravam a guerra ou os abusos de crueldade algo
desprezível. Para tal nos deixaram a chamada Lei da Destruição (Livro Terceiro
– capítulo VI do LE).
No entanto estes problemas não eram a sua prioridade,
ele os julgava temporários, com a evolução humana os conflitos tenderiam a se
reduzir. Isto claro não aconteceu imediatamente, para Kardec parecia que as
mudanças seriam muito mais rápidas, mas estas mudanças de fato estão
acontecendo vagarosamente.
Se olharmos o século 19 tivemos as guerras
Napoleônicas, a guerra do Congo e a Revolta Taipé na China que juntas mataram
mais de 27 milhões de pessoas, no século 20 com a primeira Guerra Mundial, a II
Guerra Mundial e a revolução Russa que juntas levaram a morte a mais de 60
milhões de pessoas segundo a revista Superinteressante, outros conflitos
levaram muito mais pessoas para o Plano Espiritual.
Já nos 21 anos de século XXI, nos principais conflitos
que de alguma maneira ainda persistem até os dias de hoje, como: a guerra do
Iêmen; a guerra de Boro Karan; do Afeganistão; do Iraque; do Sudão e da Síria
(todas tem como vínculo causal as disputas internas do islamismo combinada com
a proximidade de grandes jazidas petrolíferas). Estes enfrentamentos levaram a
morte cerca de 1 milhão de pessoas e milhões de refugiados.
Fica claro que os mecanismos internacionais, ainda que
deficientes estão sendo capazes de reduzir os efeitos terríveis, de mortes
inúteis nas guerras.
Não há dúvida de que vivemos num mundo muito melhor do
que aquele onde Kardec desenvolveu a Doutrina Espírita.
Evidências de que Kardec se manteve sereno
Reforçamos então a mensagem de que o Espiritismo surge
para nos dar tranquilidade diante das intempéries da sociedade. Na introdução
do Livro dos Espíritos[1]
Kardec assim nos ensina “ Os bons
Espíritos nos solicitam para o bem, nos sustentam nas provas da vida e nos
ajudam a suportá-las com coragem e resignação; os maus nos solicitam ao mal: é
para eles uma alegria nos ver sucumbir e nos assemelharmos a eles.” Como na
música de Roberto Carlos “se o bem e o mal existem, você pode escolher, é
preciso saber viver”.
Para saber viver é preciso ter clareza sobre quais problemas do mundo
temos capacidade de influenciar e quais estão fora de nosso alcance, procuremos
atuar naqueles que podemos fazer algo e acreditar que há boas pessoas que podem
fazer o mesmo nos problemas em que a solução está fora de nosso alcance como
indivíduo. (Alexandre
Cardia Machado – A tranquilidade Espírita -março 2020 -Jornal Abertura)
O momento em que
vivemos hoje – A Parábola da calçada (assista o vídeo no Youtube)
Esta foto da calçada da
Ponta da Praia em Santos, nos ajudará a ilustrar a mensagem que gostaríamos de
passar A calçada, assim como a nossa democracia é um caminho, para o bem estar.
Santos é uma cidade que possui seis quilômetros de praia, na área urbana, na
sua maior parte possui um grande jardim, mas quanto mais nos aproximamos da
Ponta da Praia, bairro mais próximo ao Guarujá, o jardim termina e ficamos
apenas com a calçada.
Andar por este caminho é
exercer a democracia na prática, pois o espaço é justo e é compartilhado por
pescadores, gente carregando canoas, foodtruck para dar um
novo nome aos traillers que vendem alimentos, alguns poucos
bares nos piers existentes, turistas, gente correndo, cães com ou sem
coleiras, carrinhos de bebê e muita gente. Todos andando desordenadamente, cada
qual exercendo seus direitos individuais do livre ir e vir.
O que isto tem a ver com
a democracia? Bem a democracia é uma ideia boa, pois permite que todos
expressem suas ideias, ideologias e disputem o mesmo pedaço de forma
organizada. No caso a disputa do governo de um país, estado ou municípios.
Neste espaço estreito da
calçada temos que negociar a passagem, a velocidade com que nos deslocamos a
fim de que todos possam usufruir dela. Isso é o que acontece com as
democracias. Tudo isto faz parte da Lei de Sociedade. Precisamos negociar os
limites de nossas ideias que em algum momento entram em choque. Quando tudo
parece bem, acontecem eventos não esperados. No caso aqui apresentado, as
ressacas, nas democracias, as crises, geralmente associadas a grandes perdas
balanço de pagamentos internacional, guerras, pandemias ou preços das comodites.
O que vemos é que 5 anos depois a calçada está mais larga e mais resistente,
assim como nós deveríamos ficar no convívio com o processo democrático.
Este fenômeno de
mudanças mais ou menos radicais no equilíbrio dos partidos se dá de forma
global, em muitos países, há costumeiramente uma mudança, sempre que um governo
lança um país em uma crise, ou não consegue sair dela. Nestas condições
acontecerá o que ocorreu na França, Itália, Grécia e Espanha com guinadas ora
para a esquerda, ora para a direita, só para citar alguns exemplos. Mas a
vontade popular é que a democracia sobreviva.
Allan Kardec, chamado
por seus contemporâneos de o bom senso encarnado, já atribuía o bom senso ao
avanço intelecto-moral. Assim como na calçada da Ponta da Praia, e na política
a busca pelo equilíbrio é proporcional ao bom senso nosso de cada dia (Machado, Alexandre - O difícil caminho da
democracia - editorial jornal Abertura de novembro de 2016).
Serenidade
Sobre como enfrentar a
realidade e o Estado de Bem Estar Social - O Pensador francês Luc Ferry muitas
vezes citado neste periódico, em seu livro “ A Revolução do Amor” de 2010 nos
apresenta um texto, contido no capítulo - Três fortes
objeções contra uma “política do amor” - que gostaria de
reproduzir aqui alguns trechos, como contribuição ao debate que nos assola nos
dias de hoje e convidar os leitores a revisar este livro.
“Alguns pensam que
com a crise “vamos retornar a um pouco mais de generosidade, a um pouco menos
de egoísmo” porque eles não compreenderam nada de economia nem da humanidade.
Retornar (retrotopia)? ... Vocês acreditam que a sociedade do século XIX era
mais generosa e menos egoísta que a nossa? Releiam Balzac e Zola!” – André
Comte-Sponville – O gosto de viver”.
Não se poderia dizer
melhor. Concordo que se deva apelar para o ideal para criticar o real. Mas,
nessas condições, a menor das exigências consiste em indicar de que real se
fala, e que ideal se exige. Ora, apesar de todos os defeitos que se queira
encontrar, o real dos Estados de bem-estar social europeus é simplesmente o
mais suave que já se conheceu na história humana.
Quanto ao ideal em nome
do qual ele é criticado, o mínimo é que ele exiba claramente os motivos que nos
permitam ter a menor esperança de que ele fará melhor, e não, como de costume,
infinitamente pior. Vocês me permitirão duvidar ainda e sempre, mais do que
nunca, de que o marxismo-leninismo enfeitado com um pouco de maoísmo e de trotskismo,
doutrinas que sempre produziram as piores catástrofes humanas por toda parte
onde foram impostas aos povos, esteja hoje pronto para fazer melhor do que esse
misto admirável de liberdade e bem-estar que, bem ou mal, conseguiram garantir
nossas repúblicas democráticas.”
Luc Ferry expressa
claramente o porquê da rejeição aos partidos socialistas que vem ocorrendo
repetitivamente mundo afora, eles não apresentam históricos convincentes de
sucesso. Onde atingiram algum sucesso, foi à custa de muitas vidas e pela
supressão da liberdade. A guinada ao centro que estamos presenciando é uma
aposta da sociedade na busca deste estado de bem-estar social. Que é
social-democrata, que é capitalista, mas com viés social, que não é estatizante
e que valoriza a produtividade.
A Tão Complexa Lei do
Progresso
Gostaríamos de discutir
um pouco esta importante Lei Natural que é a lei do progresso onde muito bem,
nos explicam os Espíritos tem como maiores obstáculos ao seu desenvolvimento
natural no orgulho e o egoísmo.
Da Questão 793 do Livro
dos Espíritos quero extrair uma frase importantíssima “À medida que a
civilização se aperfeiçoa, faz cessar alguns dos males que gerou, males que
desaparecerão todos com o progresso moral.” Vejam a pergunta e uma parte da
resposta abaixo:
“793. Por que indícios
se pode reconhecer uma civilização completa?
“Reconhecê-la-eis pelo
desenvolvimento moral. Credes que estais muito adiantados, porque tendes feito
grandes descobertas e obtido maravilhosas invenções; porque vos alojais e
vestis melhor do que os selvagens. Todavia, não tereis verdadeiramente o
direito de dizer-vos civilizados, senão quando de vossa sociedade houverdes
banido os vícios que a desonram e quando viverdes como irmãos, praticando a
caridade cristã. Até então, sereis apenas povos esclarecidos, que hão
percorrido a primeira fase da civilização.” A civilização, como todas as
coisas, apresenta gradações diversas. Uma civilização incompleta é um estado
transitório, que gera males especiais, desconhecidos do homem no estado
primitivo. Nem por isso, entretanto, constitui menos um progresso natural,
necessário, que traz consigo o remédio para o mal que causa. À medida
que a civilização se aperfeiçoa, faz cessar alguns dos males que gerou, males
que desaparecerão todos com o progresso moral...”
Enfim fica aqui o
convite à reflexão de nossos leitores.
[1] Kardec, Allan – O livro dos
Espíritos -Ed FEB - Introdução
Comunicado aos assinantes do Jornal ABERTURA
O nosso Abertura, colorido, online já é totalmente
grátis, claro que somente na versão digital e com acesso livre em qualquer
parte do mundo.
Você já
pode baixar o Jornal Abertura digital diretamente, basta clicar sobre a foto no
Blog do ICKS à direita, conforme mostra o círculo, na foto abaixo, logo ao
entrar na página. Você poderá acessar todos os Aberturas de 2021, coloridos. Vá
ao nosso Blog: https://icksantos.blogspot.com/
Ou se
preferir, basta clicar diretamente no link abaixo e acessar o site da CEPA – Associação
Espírita Internacional e ler o Abertura.
https://cepainternacional.org/journal-y-revistas/
Qualquer pessoa pode baixar o Abertura.
ESPIRITISMO E PANDEMIA
TEXTO DE RICARDO NUNES APRESENTADO NA MESA REDONDA “ESPIRITISMO E PANDEMIA” NO XXIII CONGRESSO DA CEPA EM 08 DE OUTUBRO DE 2021
É
interessante observar que em uma época de individualismo exacerbado promovido
por concepções neoliberais de economia, política e sociedade, um vírus, um
simples e invisível vírus, denominado COVID 19, acentuou ainda mais a separação
entre as pessoas.
Na
verdade, muitos de nós já vivíamos sob a perspectiva do isolamento introjetando
os valores da sociabilidade capitalista, os quais apontam para o ter e não para
o ser, para o egoísmo e não para o altruísmo. Infelizmente, temos
frequentemente esquecido que o bem-estar e o equilíbrio do grupo social são
fundamentais para a existência e felicidade de cada indivíduo e que os laços
sociais são uma espécie de oxigênio da vida.
Durante
a pandemia do vírus não pudemos mais nos abraçar, não pudemos nos beijar, não
pudemos nos aproximar. Ficamos reclusos em nossas casas tentando organizar os
espaços de fora, e nos deparando muitas vezes com os vazios de dentro. O velho
ditado “tempo é dinheiro” perdeu o sentido. Aquela sensação de ocupação e
pressa nos abandonou por esses longos meses.
Tivemos
que exercitar a paciência, a espera, e os dias passaram devagar. Passamos a
trabalhar em casa misturando nossos materiais de trabalho com o ambiente
doméstico e com os brinquedos de nossos filhos, renunciamos aos lazeres e
passeios, nos afastamos de familiares e amigos. Muitos de nós perdemos entes
queridos. Familiares e amigos partiram para o mundo maior, para o mundo dos
Espíritos, enchendo-nos o coração de dor e saudade, sendo a filosofia espírita
o mais forte apoio aos nossos pensamentos e emoções nestes graves momentos.
O
vírus certamente trará grandes lições. Sairemos melhores desta crise?
Aprenderemos alguma coisa? É difícil dizer.
E o espiritismo, enquanto filosofia
espiritualista, o que tem a dizer em um momento tão difícil para a humanidade? A
filosofia espírita descortina a todos novos horizontes existenciais. Nos ensina
que tudo passa, se transforma e evolui.
Segundo o espiritismo, das sociedades agrárias
às sociedades pós-industriais, estamos submetidos a um complexo processo
evolutivo, não uniforme, sem dúvida sujeito a avanços e retrocessos no terreno
da história, porém rumo a patamares superiores de civilização, sendo que tal
processo evolutivo se dá pelas leis psicofísicas da reencarnação.
O
espiritismo ensina que a vida, em si mesma, é imperecível e transcendente. Que
acima de tudo somos e que continuaremos a ser mesmo após a morte. Ensina a
confiança na razão, na ciência, na capacidade do ser humano em resolver os seus
problemas. Lembra que a dor e o prazer, a vida e a morte,
a tristeza e a felicidade, são fatores inerentes às leis naturais do planeta em
que vivemos, sem desconsiderar, é claro, os excessos e equívocos humanos na
produção de sofrimentos.
Nos conscientiza que somos os protagonistas do
nosso destino, sem desprezar os determinismos de variada natureza que incidem
sobre nossas vidas. Esclarece a
importância do amor e da solidariedade na construção de um ser humano e de um
mundo melhor.
Que
possamos, a partir das lições deste difícil período, ter clareza da importância
de nossa existência terrestre em nosso desenvolvimento individual e coletivo.
Que aprendamos a cultivar uma nova sociabilidade não mais centrada apenas no “eu”,
mas que considere o “nós”. Que compreendamos a terra como nossa casa comum a ser
preservada e que nos conscientizemos da rede invisível que nos entrelaça a
todos, em uma trama de ações e reações sob a perspectiva dialética
indivíduo-sociedade.
Uma
das grandes lições do vírus é a de que ele não é democrático, pois atingiu preferencialmente
os pobres e despossuídos, os quais ficaram mais expostos e vulneráveis por
viverem em habitações precárias que não permitem os devidos cuidados de
afastamento social, e também por terem tido que sair às ruas, em meio à maior
crise de saúde pública de nosso século, na busca do pão de cada dia.
Apesar disso, constatamos, que o aristocrata,
o milionário, e o trabalhador são iguais em fragilidade física. Ficou claro
para aqueles que tem “olhos de ver” que o dilema economia X saúde é um falso
dilema. Sem trabalhadores saudáveis não há possibilidade de se construir uma
sociedade economicamente forte.
A prioridade em qualquer sociedade civilizada
deve ser a vida e não o capital, mesmo porque todos sabemos que o problema do
mundo não é falta de dinheiro, mas sim a concentração da riqueza nas mãos de
minorias privilegiadas.
Outra
lição fundamental deste período, foi a que nos ensinou que o risco de morte
repentina é uma realidade mais próxima do que imaginávamos, o que nos fez compreender
que o amanhã na Terra é apenas uma possibilidade. Compreendemos, efetivamente,
a importância do agora.
Esta
crise da pandemia também abriu algumas poucas janelas de oportunidade.
Parece-me que a maior delas se deu no campo das comunicações. Este congresso
virtual da CEPA, reunindo espíritas das Américas e da Europa, sem saírem de suas
casas, é um bom exemplo desse novo tempo que se inicia.
Finalmente,
gostaria de fazer alguns agradecimentos:
Em
primeiro lugar, aos profissionais de saúde, em especial aos médicos e enfermeiros
que ficaram na linha de frente no combate ao COVID 19.
Aos
cientistas que trabalharam intensamente com vistas a descobrir as vacinas
necessárias ao enfrentamento desta doença. Sonho com o dia em que as conquistas
da ciência beneficiarão toda a humanidade.
A
todos os trabalhadores dos supermercados, farmácias e comércios em geral que
mantiveram a economia básica funcionando, com vistas a evitar a escassez de alimentos
e produtos fundamentais.
A
todos os professores que mantiveram sua tarefa de ensinar mesmo à distância,
sem poder contar com a presença física e a alegria de seus alunos.
A
todos os governos que promoveram a valorização da ciência e compreenderam a
necessidade das estratégias de afastamento social e, por isso, cumpriram com seu
dever de cuidado perante seus cidadãos.
A
todos os Estados que possuem um sistema de saúde público, universal e gratuíto.
Ficou absolutamente claro que os países que tinham sistemas públicos de saúde
estavam mais aparelhados para enfrentar essa tremenda crise.
Em relação ao Brasil, meu país, deixo minha
especial homenagem ao SUS (Sistema Único de Saúde), sistema que luta para
sobreviver ante a carência de verbas de financiamento, mas que possui em seus
quadros verdadeiros heróis na luta contra a pandemia e contra as doenças em geral.
Os profissionais e militantes dos SUS têm nos ensinado que medicina e saúde não
devem ser compreendidas como mercadorias.
A
todos os cidadãos do mundo que não deixaram de acreditar na ciência em tempos
de negacionismo científico. Cabe-nos, agora, manter a esperança em dias
melhores. E, juntamente com Chico Buarque de Hollanda, cantor, compositor e
escritor brasileiro, repetir a frase da canção: “Amanhã vai ser outro dia”.