sexta-feira, 18 de abril de 2014

                       




                                                    Foi no dia 18 de abril de 1857, na cidade de Paris, capital da França, que veio a lume "O Livro dos Espíritos", a obra basilar do Espiritismo, ditada pelo mundo invisível e compilada, separada, classificada e codificada pelo professor Hippolyte Léon Denizard Rivail, que, propositadamente, adotou o pseudônimo de Allan Kardec, a fim de que a obra pudesse ser reconhecida  pelo seu conteúdo e não por quem a assinava, já que era ele muitíssimo conhecido e reconhecido, como professor e como autor de diversos livros, vários dos quais adotados pela Universidade de Paris, notadamente os que versavam sobre educação.   
                                         Teve considerável peso também, na adoçãodo pseudônimo, o fato de que o livro foi ditado pelos Espíritos Superiores, daí o título "O Livro dos Espíritos", não sendo obra dele, professor Rivail, portanto, não obstante tenha nela lançado inúmeros comentários e observações pessoais.      
                                                     Nota-se, assim, por esses detalhes, a conduta reta e ilibada do professor Rivail, o codificador do Espiritismo, que foi discípulo de Johann Heinrich Pestalozzi, famoso educador e fundador do Internato de Yverdon, na Suíça, e, posteriormente, seu substituto predileto, tendo sido considerado pelo célebre astrônomo francês Camille Flammarion "o bom senso encarnado", que, acrescente-se, sempre procurou agir com seriedade e sem rejeições apriorísticas, características do verdadeiro cientista. Constituía traço característico de sua personalidade, por igual, a preservação da ética, sempre, em suas múltiplas e variadas expressões. 
                                        De 1855 a 1869, quando desencarnou em 31 de março, o eminente e ilustrado professor Rivail consagrou sua existência ao Espiritismo. Em seu túmulo, no Cemitério Père Lachaise, em Paris, uma inscrição sintetiza a concepção evolucionista da Doutrina Espírita: nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar, tal é a lei! Por outro lado, decorridos 154 anos, não se pode deixar de reconhecer que os ensinos contidos em "O Livro dos Espíritos", em sua essência, permanecem absolutamente aplicáveis aos dias atuais, o que, por si, recomenda a leitura, a releitura e, sobretudo, a reflexão, em torno de tão preciosa obra, que contém os princípios da Doutrina Espírita sobre a imortalidade da alma, a natureza dos Espíritos e suas relações com os homens, as leis morais, a vida presente, a vida futura e o porvir da Humanidade.
                                            Por outra parte, enfatiza lições seculares, procurando demonstrar com exemplos e com fatos que "a semeadura é livre, mas a colheita obrigatória" e que "a cada um será concedido de acordo com as suas obras". 
                                        Consola, ao salientar que ninguém será condenado irremediavelmente pelos erros, males e equívocos cometidos, por quanto até mesmo em outra reencarnação, que detalha e aprofunda, poderá repará-los, parcial ou totalmente, até quitá-los integralmente, contando com todas as oportunidades de que necessite para tal, uma vez que Deus a nenhum de seus filhos abandona ou desampara.

                                    Consola, igualmente, ao demonstrar cabalmente que as Leis Naturais são perfeitas e por isso mesmo imutáveis, advindo daí a certeza de que a Justiça Divina, que nelas se baseia, é absolutamente imparcial, não havendo seres privilegiados na Criação ou privilégio de qualquer espécie a quem quer que seja, prevalecendo a convicção de que Deus não pune, não castiga e não premia a ninguém, sendo, assim, soberanamente bom e justo, Ele que é a inteligência suprema do Universo, causa primária de todas as coisas!
                                               Aliás, esta sentença de Jesus também ensina que para que amemos ao próximo é absolutamente indispensável que nos amemos. Agindo com amor e praticando o Bem, ensina-nos a Doutrina Espírita, ingressaremos na estrada que nos conduzirá à perfeição relativa e à felicidade suprema, destino final dos seres humanos, sendo certo que, assim, sem dúvida, seremos muito mais felizes, desde agora, aqui mesmo na Terra!
                                                Por fim, nestas rapidíssimas observações, o Espiritismo ensina que o amor é a lei maior da vida, consubstanciada por Jesus na sentença que constitui o seu ensino máximo:   "amar ao próximo como a si mesmo", vale dizer, aconselhando que façamos ao próximo aquilo que gostaríamos que ele nos fizesse, porque quem assim procede estará, por esse mesmo motivo, "amando a Deus sobre todas as coisas".    

                                  Verdadeira síntese do conhecimento humano, é um tesouro colocado em nossas mãos, que merece ser lido e refletido de capa a capa, palavra por palavra.Com efeito, para dizer o mínimo, convém salientar que o Espiritismo nada impõe a seus profitentes, e muito menos a terceiros."           
                              Ao contrário, procura orientar sempre, pela palavra escrita ou falada, que somos dotados de livre-arbítrio, da faculdade de decidir livremente sobre quaisquer assuntos, esclarecendo ao mesmo tempo que, exatamente por isso, somos responsáveis pelas decisões que tomemos, sejam quais forem e nos mais variados campos, e naturalmente responsáveis pelas suas conseqüências.         


Antônio Moris Cury

quarta-feira, 2 de abril de 2014

BATALHA RELIGIOSA NOS EUA 


                   

                 Deu no Globo de 30.04.2014 ( Domingo ) : " Enquanto os noivos oficializavam o casamento diante de um rabino e algumas dezenas de convidados, numa casa de eventos em Las Vegas, semana passada, cerca de 30 manifestantes gritavam, cartazes à mão, do lado de fora :  - Bígamo ! Tenha vergonha ! Dê a ela o  get !
                 Meir Kin é separado há mais de sete anos, mas se recusa a conceder à ex-mulher, Lonna Kin, o documento que a lei judaica ortodoxa exige para que um casamento seja encerrado . Lonna, portanto é uma agunah (algo como mulher acorrentada, em hebraico ) , e, sem o get , não pode casar novamente ou ter filhos da sua religião .
                Os homens judeus também são proibidos de ter mais de uma mulher - a não ser com a permissão de cem rabinos , o que os muitos líderes de congregações judaicas que protestavam na porta da festa garantem que não ocorreu com Kin " .
              Percebam meus amigos do blog do ICKS a que ponto pode chegar a ignorância da religião , seja ela qual for . Em pleno século XXI pela lei judaica ortodoxa , só o marido pode conceder o divórcio . Centenas de mulheres encontram-se nessa situação nos EUA . Para dar o get  à mulher ele está pedindo U$$ 500 mil , além da custódia do filho Moshe . 

Comentário : sempre encontraremos em qualquer religião, pessoas maravilhosas e que praticam o bem abnegadamente. Todavia na cúpula do poder dessas religiões, e isso é inerente a qualquer uma, sempre encontraremos pessoas autoritárias exercendo com muito prazer o seu enorme desrespeito ao próximo. Que felicidade o Espiritismo não ser uma religião, com seus gurus desfilando o seu repertório de preconceitos , notadamente contra a mulher .


                                                                                                                                                                                          Roberto Rufo .

segunda-feira, 31 de março de 2014



                                                                           

              Neste mês de abril é comemorado os 150 anos da obra “ O Evangelho segundo o Espiritismo” do Codificador da doutrina Espirita, Allan Kardec. 
             O título do original francês é “L’EVANGILE SELON LE SPIRITlSME” (Paris, abril 1864). A tradução para o português foi feita por GUILLON RIBEIRO da 3ªedição francesa, revista, corrigida e modificada pelo Autor em 1866. Sobre a qual Kardec escreveu, em Revue Spirite de novembro de 1865, o seguinte: "Esta edição foi completamente refundida. Além de algumas adições, as principais modificações consistem numa classificação mais metódica, mais clara e mais cômoda das matérias, tornando a obra de mais fácil leitura e facilitando igualmente as consultas".
        O livro explica o pensamento de Jesus Cristo, nos ensinos interpretados à luz do Espiritismo e desvendando, além da letra, a essência das palavras de Jesus Cristo. O Espiritismo aí refulge, com toda a pujança, como o Consolador Prometido nos Evangelhos, que "viria reviver as imorredouras lições do Cristo e ampliá-las com novas revelações". Esta é a obra que vincula, indissoluvelmente, o Cristianismo ao Espiritismo. 
         Na obra,  as matérias contidas nos Evangelhos,  foi dividida em 5 partes : aos atos comum da vida do Cristo; os milagres; as predições; as palavras que foram tornadas pela Igreja para fundamento de seus dogmas; e o ensino moral. As quatro primeiras tem sido objetos de controvérsias, a última, conservou-se inatacável. Para os homens constitui  aquele código uma regra de proceder que abrange todas as circunstancias da vida privada e pública, o principio básico de todas as relações sociais que se fundam na mais rigorosa justiça. É, finalmente o levantamento de uma ponta do véu que nos oculta a vida futura. 
         O inusitado é o arranjo em moderno estilo literário,  da moral evangélica, que lhe tira a primitiva simplicidade que, ao mesmo tempo, lhe constitui o encanto e a autenticidade. As máximas destacadas e reduzidas a sua mais simples expressão proverbial. Essa razão que ao mesmo tempo que rasga horizontes novos para o futuro, projeta luz nao menos viva sobre os mistérios do passado.
                                                                                             redação

sábado, 8 de março de 2014

Onde estará A FELICIDADE!

                                                                                       Gisela Régis



          “O lugar da mulher é onde ela quiser estar”, disse minha irmã.
          Novamente comemoramos hoje o dia da Mulher. Pensando sobre isso, sempre vêm a questão: Qual é o papel da mulher? Realmente a mulher é a parte fraca ou já dominamos o mundo? Reinamos emocional e psicologicamente? Carreira e vida profissional ainda o velho dilema: buscamos a  conquista profissional em detrimento da vida familiar? Será que a busca do sucesso profissional e mais importante que tudo? Realmente temos que ser bem sucedidas, ter um modo estressante de vida para sermos felizes?          
          Claro que lutamos e derrubamos barreiras para o avanço social para as conquistas de opotunidades, salários e promoções. Mas devemos supor que essas conquistas suprirão as demandas de vida pessoal? Ser profissionalmente bem sucedida é o ponto máximo da aspiração feminina? 
          Todas essas questões pipocam em minha mente, então leio as perguntas:
775- Qual seria para a sociedade, o resultado do relaxamento dos laços de família? “Uma recrudescência do egoismo.” e 
882- Homem  é igual a mulher? …dos direitos, sim; das funções não, - do Livro dos Espíritos e não consigo responder a todas essas questões que me veem a mente…voce leitor  poderia me ajudar?


segunda-feira, 3 de março de 2014

XIII SBPE e os grupos de estudos - Abrindo a Mente - Alexandre Cardia Machado


XIII SBPE e os grupos de estudos

Nesta edição de 2013 do XIII SBPE tivemos a presença de dois grupos de estudos: o GELP – Grupo Espírita Livre Pensador, e o Grupo de Estudos do ICKS – Instituto Cultural Kardecista de Santos. Como linha de junção entre eles, está a vontade de estudar e a maturidade.
O GELP apresentou o trabalho ‘Pesquisa mediúnica sobre reencarnação’, em que o grupo, uma vez por mês, dedica-se à aplicação do método de Kardec de pesquisa, com a preparação de um questionário seguido da gravação e transcrição das comunicações para análise e elaboração de trabalhos, como o apresentado. Já o ICKS focou em um projeto para transformar as contribuições diversas do pensador Jaci Régis sobre a Ciência da Alma em um conjunto organizado e, para isto, usou de um estudo epistemológico denominado ‘Pode o Espiritismo ser considerado Ciência da Alma? Uma análise epistemológica da proposta do pensador espírita Jaci Régis’.  

Cada grupo conta com um número grande de participantes, no GELP são 15 pessoas e no ICKS 12 participantes, ou seja, 27 pessoas durante um período prolongado se dedicaram a elaborar um projeto, desenvolvê-lo e apresentá-lo no XIII SBPE.

O Espiritismo, enquanto ciência, possui um método de pesquisa, que Kardec chamou de Método Experimental, ou seja, tal qual às ciências positivas, textualmente: Como meio de elaboração, o Espiritismo procede exatamente da mesma forma que as ciências positivas, aplicando o método experimental. Fatos novos se apresentam, que não podem ser explicados pelas leis conhecidas, ele os observa, compara, analisa e, remontando dos efeitos às causas, chega a lei que os rege; depois lhes deduz as consequências e busca as aplicações uteis” (Gênese, pág.20)”.
Kardec explica nesse parágrafo que o Espiritismo não partiu de hipóteses e sobre elas construiu uma teoria e, sim, através da observação de fatos é que se estabeleceu uma teoria. Esta forma de ação é muito utilizada na ciência e Kardec afirma que: “acreditou-se que esse método só era aplicável à matéria, ao passo que o é também às coisas metafísicas”. (opus cit., pag.20).
O método de pesquisa Espírita libera-se da necessidade da prova experimental, utilizando-se do chamado “crivo da razão” e da confrontação das comunicações, o que certamente foi muito útil para a elaboração da Doutrina. Porém, para a ciência a comprovação se faz necessária. Isto é tão importante que Albert Einstein esperou de 1905 a 1919, para que, durante um eclipse solar, se comprovasse a hipótese, contida na Teoria da Relatividade Especial, de que ‘um raio de luz deveria sofrer um desvio quando se aproximasse de um campo gravitacional intenso’.
O Espiritismo nestes pontos perde o apoio cientifico por não poder prová-los. Certamente hoje, os grupos de estudo tem que considerar também como efetivamente provar os resultados obtidos, este sim um grande desafio – fica aqui o convite a todos para que busquem a leitura destes dois trabalhos.

Para abrir mais a sua mente - Pesquisa mediúnica sobre reencarnação –GELP –anais do XIII SBPE e Pode o Espiritismo ser considerado Ciência da Alma? Uma análise epistemológica da proposta do pensador espírita Jaci Régis. – ICKS – anais do XIII SBPE - você pode conseguir uma cópia deste artigo, enviando um email para ickardecista1@terra.com.br.
 

Ciência da Alma: O Espiritismo e a Psicanálise – Jaci Régis


Nota da Redação : extraído do trabalho apresentado em 1996 por Jaci Régis ao Comité Científico da CEPA no XVI Congresso Espírita Pan-americano em Buenos Aires – 12 de outubro de 1996.

Seria absurdo tentar encontrar similitudes formais, lineares entre Psicanálise e o Espiritsmo.

O Espiritismo é uma doutrina com objetivos moralizantes, éticos e possui uma estrutura definida filosoficamente, tentando dar sentido científico às suas propostas sobre a natureza espiritual do homem e da sua visão de mundo.

A Psicanálise se define como uma ciência psicológica, com estrutura própria e tenta equacionar o ser humano dentro de uma teoria e prática terapêutica e, extrapolando-a, uma visão de home e de mundo decorrente.

O homem é o objetivo tanto do Espiritismo, quanto da Psicanálise.
 
 
Foto de Jaci Régis

Seria incorreto dizer que a Psicanálise é materialista. Diríamos que, como as demais ciências do homem ela o vê dentro do prisma orgânico em que se manifesta no mundo. Entretanto, admite a existência de um estágio psíquico no homem e embora concebendo-o objetivamente, trabalha sobretudo em níveis de subjetividade ao tentar analisar seu comportamento a partir de instâncias psíquicas sem bases biológicas.

O Espiritismo pretende encontrar a razão do viver, a essência do homem em dimensões espirituais. Divide-o entre sua natureza de Espírito, como ser inteligente e seu corpo somático, que o define apenas enquanto encarnado, e sobre o qual não apenas tem a precedência como a sobrevivência.  Além disso, o Espiritismo olha o homem no presente como produto de uma série de experiências reencarnatórias.

A Psicanálise trata mais precisamente dos problemas neuróticos, dos desvios do comportamento, tentando fazer o homem internalizar-se para melhor desenvolver suas potencias, sem objetivos moralizantes ou espirituais, no sentido de permanência do ser após a morte.

Tanto o Espiritismo, quanto a Psicanálise tentam descobrir a razão do comportamento humano.

A Psicanálise localiza-se no universo da vida presente, buscando a razão dos desvios nas relações afetivas desenvolvidas na infância, embora reconheça que existem estruturas inatas no homem que determinariam sua escolha neurótica.

O Espiritismo localiza-se num universo mais amplo, projetando-se para uma vivência do Espírito como individualidade permanente, em sucessivos segmentos encarnatórios e encontra na culpa do passado a razão dos desvios do presente e projeta o desenvolvimento pessoal conjunturando sobre a perfeição no tempo e no espaço.

Como dissemos, o Espiritismo filosofa sobre a natureza do homem e de suas problemas. A Psicanálise pesquisa e atua sobre os sintomas neuróticos, tentando encontrar no desenvolvimento da existência atual a causa dos desvios.

Sob o ângulo específico da estrutura do ser, a Psicanálise desenvolveu um modelo do aparelho psíquico e estabeleceu parâmetros de análise das causas do comportamento humano, como o complexo de édipo, os princípios do prazer e da realidade, a estrutura do aparelho psíquico, nas tópicas do ego, id e superego e consciente, pré-consciente e inconsciente, e outros mecanismos de defesa psicológicas, que determinam o estar no mundo da pessoa.

Existem pontos de contato entre o Espiritismo e a Psicanálise?

Se consideramos que Allan Kardec disse: “ O Espiritismo e o materialismo são como dois viajantes chegados a certa distância, diz um, “ Não posso ir mais longe”. O outro prossegue e descobre um novo mundo. O Espiritismo marcha ao lado do materialismo, no campo da matéria, admite tudo o que segundo admite; mas avança para além do ponto em que este último para”, podemos aproveitar a estrutura do pensamento Freudiano e adicionar a ela o entendimento do Espiritismo.

Acredito que o discurso psicanalítico tem um valor importante e o discurso espírita pode utilizar-se dele, utilizar seu aparato teórico e introduzir nele conceitos que, a meu ver, lhe dão continuidade. Agora, então teremos um discurso espirito somático, pois postulamos não uma transcendência dos sistemas neuróticos e psicóticos, mas experiência vivencial concreta, humana, no círculo das angústias e necessidades do homem comum.

Só que o homem comum, sob a ótica espírita não se restringe ao organismo. É uma combinação espírito-organismo uma unidade espiritual e somática.

Freud não considerou a existência da alma como ser. Mas descobriu e explorou o psiquismo que codificou, embora sem dizer ou saber onde localizá-la no cosmo cerebral. Ele todavia não pode exonerar-se de muitas facetas do comportamento para as quais não encontrou explicação.

Analisando a raiz dos comportamentos ele, por exemplo, adotou o princípio das ideias inatas, não como reminiscência de um passado vivido, mas como estruturas de caráter que não encontram bases na existência, mas que estabelecem tendências que determinam o encaminhamento do indivíduo na vida.

Antes dele os problemas emocionais e comportamentais eram catalogados dentro de horizontes religiosos ou psiquiátricos, restritos às disfunções cerebrais. Com ele o psiquismo humano passou a ser considerado de uma forma sistemática. Desde então criou-se propriamente a psicoterapia.

Sua maior contribuição foi a descoberta do inconsciente, como lugar de recalque dos sentimentos que não podem ser suportados no consciente, devido as censuras. E por esse caminho considerou que o homem desconhece a si mesmo, isto é, que possui no seu cosmo interior, emocional, sentimentos, idéias, desejos controversos, conflitantes. Ao centralizar sua analise no sexo, escandalizou e criou incompreensões. Mas ao mesmo tempo tem mostrado que a sexualidade domina o indivíduo, pelo menos neste estágio evolutivo, como base que é da expressão das incertezas, emoções e desejos de intercomunicação de cada ser.

Embora o próprio Kardec tenha manifestado que a reencarnação era inerente ao processo de crescimento do ser e não mero instrumento punitivo, o Espiritismo, de modo geral, não conseguiu superar o peso da tradição judaico-cristã sobre o pecado original, a culpa e a dor, o sofrimento como únicos instrumentos de ascensão, purificação e regeneração da alma.

O Espiritismo persegue o ideal moral, às vezes moralista. Encontra na culpa pela prática do mal, a raiz de todos os males da pessoa e da sociedade. E propõe a cura desses males pela resignação na dor e pela prática das virtudes da moral de Jesus. A psicanálise, embora seu fundador tenha sido, a rigor, um moralista, não se propõem a curar, nem a julgar, mas explorar as resistências, tenta tornar o inconsciente consciente, pela reelaboração dos sintomas resultantes do “retorno reprimido”.

Acho que uma conexão teórico-prática entre os postulados psicanalíticos e espíritas, sem que um se reduza ao outro, mas, no meu ver, se completam. Dentro dessa premissa, acredito que o espiritismo tem uma contribuição à psicologia, não fosse ele a doutrina dos Espíritos, não apenas no sentido de que os entes desencarnados são considerados seus autores, como principalmente no fato de que está todo assentado sobre o estudo e a natureza do ser. Nesse sentido, pode-se dizer que além de doutrina dos Espíritos é também a doutrina do Espírito.

Nota da redação: Este trabalho foi seguido da elaboração da Espiritossomática por Jaci Régis, esta que é uma das raízes da Ciência da Alma - Artigo publicado na coluna Ciência da Alma - Jornal Abertura -dezembro de 2013 - Caro leitor deixe aqui a sua opinião

Voto Consciente visão Espírita - Rosana Régis de Oliveira

04 de março de 2014

Voto Consciente  

                                        Rosana Regis e Oliveira

         
                O artigo da escritora Lya Luft, publicado na revista Veja do dia 26 de fevereiro, resume tudo o que penso sobre o poder do voto consciente. Diz a escritora: ..."Podemos ser mais dignos? Podemos melhorar de vida?......Podemos uma porção de coisas melhores em nossa tumultuada vida? Podemos ser mais dignos e altivos? Não sabemos para que lado nos virar, onde procurar, a quem recorrer.Talvez a esperança seja não a destruição de ônibus, a quebradeira de lojas, a insensatez desatada. A esperança pode estar no gesto mais simples, breve, pequeno, porém transformador, desde que a gente saiba o que está fazendo, o que deve fazer: O Voto. Para que o voto seja esta esperança transformadora é preciso se informar, debater e descobrir algum nome a quem confiar esse voto ou acabará significando nada. Precisamos melhorar logo, para que o país não lembre uma nau sem rumo."
               Creio que é nele que todos nós temos o poder de mudar. Portanto leitor, pense muito antes de votar, leia, se informe e não deixe de propagar suas idéias aqueles a sua volta. Deixe seu comentário e debata com a gente sobre o voto!               

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Violencia - Existe Soluçao? por Gisela Regis

Violencia - Existe Soluçao?

Gisela Regis

   
              O filósofo e escritor Jean-Paul Sartre, em 1947 escreve o seguinte: "Reconheço que a violência, seja qual forma que se manifeste, é um fracasso. Mas é um fracasso inevitável pois estamos em um universo de violência. E ainda que seja verdade que o recurso `a violência contra a violência, corre o risco de perpetuar, também é verdade que é a única maneira de acabar com ela".
      Hessel, um homem de valores humanistas e universais partilha dessa idéia até certo ponto, distanciando-se de Sartre ao rejeitar a idéia da inevitabilidade da violência como solução única. Escreve Hessel: "A frase de Sartre eu acrescentaria que a não violência é um meio mais seguro de acabar com a violência".
      A mídia nos mostra manifestações de violência em todas as partes, causando medo, insegurança. Ninguém está tranquilo e a violência está em toda a sociedade.  A transgressão mais a impunidade causam a violência? Estamos voltando ao olho por olho com o aumento do justiçamento? 

    Como enfrentar a violência?             

        
       A democracia está pronta? Porque valores de consumo são mais importantes hoje do que os valores morais e de família?

     São diversas perguntas que nos fazemos sem respostas. Nós espíritas, fundamentados na evolução, podemos acreditar que somos um povo primitivo?

     Pela resposta, à pergunta 753, do Livro dos Espiritos que diz "Nos povos primitivos a matéria prepondera sobre o Espírito. Eles se entregam aos instintos do bruto e, como não experimentam outras necessidades além das da vida do corpo, só da conservação pessoal cogitam e é o que os torna, em geral, cruéis. Demais, os povos de imperfeito desenvolvimento se conservam sob o império de Espíritos também imperfeitos, que lhe são simpáticos, até que povos mais adiantados venham destruir ou enfraquecer essa influência". Parece que nos encaixamos direitinho.

    E a respeito da violência, você concorda com Sartre ou com Hessel?



terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Até quando?




Este é um trecho da musica "Até Quando" de Gabriel O Pensador. Voce concorda com ele?  A mudança desse mundo conturbado, violento, cheio de contestaçoes esta nas maos de cada um de nos?

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

A Ciência e suas Hipóteses - por Roberto Rufo

Certa ocasião ( 1.984/1.985 )  o Padre Waldemar , reitor da UNISANTOS e meu amigo , convidou um professor e ex-aluno seu de nome Nelson Gonçalves Gomes para nos dar um minicurso sobre Filosofia da Ciência. O professor havia morado na Alemanha,  Áustria e Inglaterra se me lembro bem e  tinha feito vários  cursos sobre filosofia da ciência, inclusive  com o filósofo Karl Popper. Na época o Professor Nelson dava aulas na Universidade de Brasília sobre Filosofia da Ciência .

Chegou a nos relatar um fato muito interessante , do convite feito por ele ao filósofo Karl Popper , já muito idoso , para uma conferência na Universidade de Brasília . Tudo certo , até o Popper telefonar e informar que não havia recebido as passagens aéreas .  Investigando o ocorrido , a reitoria lhe informou que havia uma pressão de setores ditos progressistas e revolucionários da Universidade de Brasília em receber o filósofo Popper por considerá-lo um reacionário da direita .

Fazendo um paralelo a esse tipo de situação , lembro-me quando o estadista Nelson Mandela aos 80 anos de idade resolveu fazer um périplo pelo mundo fazendo conferências expondo a nova situação da África do Sul , em busca também de investimentos no país . Já havia recebido o Prêmio Nobel da Paz . Quando estava prestes a chegar aos EUA , o governo Clinton lembrou que nos registros policiais do país , o Mandela ainda era considerado um terrorista da esquerda Foi aquela correria para evitar-se o vexame de no aeroporto o grande Mandela ser preso e algemado . Enfim casos que só a ignorância das ideologias pode proporcionar.

Bom , mas o que me leva a escrever a vocês , é que o professor Nelson no seu curso me disse uma verdade insofismável sobre a ciência , baseado na teoria dos paradigmas.

Eis o pensamento : “ Roberto , se amanhã o sol não nascer , não tem problema para a ciência . Emitiremos uma nova lei afirmando que a cada 4 bilhões de anos o sol não nasce !
Pronto , está estabelecida uma nova lei científica . E desconsidera-se o dito anteriormente “ .
Por Deus , pelo que li abaixo o cientista Hawking está afirmando que os buracos negros não existem . Se ele estiver certo , caso não seja apenas um traço de senilidade de sua parte, quero lembrar que foram anos e anos , livros e livros explicando os buracos negros . Só falta eles não existirem !!  Quem o contesta se apoia na sua doença . Mas como me disse o professor Nelson , não tem problema. Alteraremos a lei atual e buscaremos uma melhor. 

Essa é a grande vantagem da ciência sobre a astrologia e as religiões com suas verdades imutáveis . O problema é que muita gente ganhou um bom dinheiro com os buracos negros  . Espero não ter ido tudo pelo ralo , ou pelo buraco negro . E o cientista Hawking vive apregoando a não existência de Deus e da vida após a morte , taxando-as de uma fantasia . Nem mais certeza sobre os buracos negros ele tem , após clamar em altos brados pela sua existência.

Amigos , prevejo para um tempo não muito distante, a afirmação de que o Big Bang foi uma grande explosão de erros. Paciência.

Clamo pela volta da subjetividade , tão útil para nós espíritas quando se trata do conhecimento interior da realidade e do conhecimento. A objetividade deve limitar-se aos fatos .

Sugiro para tanto a leitura do livro Filósofos da Consciência . Autor : Eugene Webb .
Um grande abraço a todos .
Roberto Rufo .
E VOCÊ NOSSO LEITOR, O QUE PENSA DA CIÊNCIA?  DEIXE A SUA OPINIÃO, ELA É IMPORTANTE PARA NÓS DO ICKS.

Rolezinho - por Gisela Régis

ROLEZINHO....

A reportagem "Eu não quero ir no seu shopping" (Veja - 22 de janeiro 2014") suscitou comentário de um leitor que achei muito pertinente e o qual reproduzo aqui: 

"A reportagem me chamou a atenção por revelar detalhes que vão além do preconceito ou da desigualdade social, como pregam os simpatizantes de causas sociais. Por trás de cada rolezinho estão pais sem autoridade, que abrem mão de seus pequenos salários, conquistados com trabalho árduo e dignidade, para alimentar os desejos consumistas de seus filhos, jovens que creem cegamente que roupas e acessórios absurdamente caros ditam o caráter e os valores de um individuo. São pais que não sabem dizer não e que, por inúmeros motivos, não conseguiram ensinar valores como respeito e dignidade a seus filhos. 

Os rolezinhos servem para esfregar na cara da sociedade que a defasagem da educação no Brasil não somente é um mal que acomete as escolas como denuncia que elas devem ser repensadas desde o nascimento pelos pais. 

Infelizmente a sociedade e o governo populista que só quer angariar votos enxergam no fenômeno somente o preconceito e a desigualdade social, fazendo a maioria pensar que a culpa de os rolezinhos existirem é da suposta classe média consumista e ostentadora que trabalha para sustentar os governantes e seus projetos pseudossociais." - Stefanie Veras de Oliveira

LIVRO DOS ESPIRITOS - Da Lei do Progresso - capitulo VIII

Pergunta 785. Qual o maior obstáculo ao progresso?

"O orgulho e o egoísmo. Refiro-me ao progresso moral, porquanto o intelectual se efetua sempre. A primeira vista, parece mesmo que o progresso  intelectual reduplica a atividade daqueles vícios, desenvolvendo a ambição  e o gosto das riquezas....Curta, porem, é a duração desse estado de coisas, que mudará a proporção que o homem compreender melhor que, além da que o gozo dos bens terrenos proporciona uma felicidade existe maior e infinitamente mais duradoura."

E você? qual a sua opinião sobre esse assunto?

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Encontro com Fátima Bernardes em Outubro de 2013 aborda a Reencarnação - por ICKS


Encontro com Fátima Bernardes aborda a Reencarnação

No dia 29 de outubro a Rede Globo no programa da Fátima Bernardes abortou uma temática espírita, quem sabe motivada pela nova novela Joia Rara que tem como tema central uma menina que se reconhece numa encarnação anterior, o ator Caio Blat que interpreta um lama na novela estava presente.

Haviam vários convidados, dentre eles um médico e presidente de um Centro Espírita que trabalha curas espirituais, uma das mães citadas no filme sobre Chico Xavier, sue biógrafo Marcel Souto Maior  que agora está lançando o livro “ Kardec a biografia” e a global Christiane Torloni que se espiritualizou após a desencarnação de um de seus filhos.

Vale conferir o programa no site da Globo pela data 29 de outubro http://tvg.globo.com/programas/encontro-com-fatima-bernardes/videos/

 

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

3 anos sem Jaci Régis


Hoje, 13 de dezembro faz 3 anos da desencarnação de Jaci Régis. Jaci como o chamávamos em nosso grupo do ICKS foi o idealizador e fundador do Instituto Cultural kardecista de Santos e seu Presidente, desde a fundação em 3 de outubro de 1999.
Jaci Régis escritor, psicólogo, economista e jornalista, foi presidente da Comunidade Assistencial Espírita Lar Veneranda, do Centro Espírita Allan Kardec  ambos de Santos. Escritor de diversos livros e  um grande pensador que deixa uma vasta obra para as futuras gerações.
Para saber mais de Jaci Régis, veja sua biografia, aqui mesmo no nosso blog.

Deixe suas lembranças desta grande personalidade em forma de comentários neste blog.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

A Liberdade de Ser e Escolher - Jaci Régis publicado no Jornal Abertura - novembro de 2013


Talvez o que caracterize as aspirações das pessoas de nossos dias seja encontrar a sua identidade.

O que somos, porque vivemos, para onde vamos?

Essa questão tem sido colocada há milênios, sem uma resposta satisfatória. Apenas que tudo são “insondáveis desígnios de Deus”, aos quais ninguém tem o direito de  questionar.

Foi estruturado um modelo de vida, a partir de uma suposta rebeldia da criatura com Deus, o pecado original. Indignado Deus teria determinado que as consequências desse pecado se transmitisse para toda a espécie humana, em todas as gerações. Tudo foi fechado no pressuposto da vontade de Deus. Porta vozes dessa pretensa vontade, as crenças estabeleceram regras, ordenações, que se  sobrepuseram às virtudes naturais.

Pecador nato, réprobo, o ser humano, não tem direito à liberdade de escolha. A vida, o corpo, o ar, a terra, a chuva, o sol, a morte, seu casamento, seus filhos, eram propriedade divina. Sua única esperança é o futuro, além da morte, caso aceite sem reclamação todas as dores e humilhações, se castre e renuncie a si mesmo. O modelo humilha a pessoa, não considera seus sentimentos, nem sua estrutura de ser.

Durante muitos séculos tal modelo não foi contestado. Veio, porém, a ruptura e chegamos ao século vinte, onde a ciência, desligada desse modelo, avançou rapidamente, penetrando no que se chamava “desígnios de Deus”.

As transformações se sucederam e a autoridade das religiões, criadoras e guardiãs do modelo, caiu ao ponto da sociedade rebelar-se contra a atuação desse Deus que as crenças sustentam.
 
Jaci Régis

 

E O ESPIRITISMO?

 

O Espiritismo afirma ter resolvido a equação: quem somos, de onde viemos e para onde vamos?

Em tese é verdade, dentro do seguinte enunciado: “Somos Espíritos imortais, criados simples e ignorantes e estamos no processo de crescimento evolutivo, em segmentos reencarnatórios”. Ele também apresenta uma nova visão da humanidade como um conjunto de Espíritos, ora encarnados, ora desencarnados.  Esse novo modo de entender as reações e interações físico-mentais, introduzirá uma forma mais ampla de avaliar o objetivo da vida e do projeto individual de cada um.

Na prática, contudo, esse enunciado sucumbe pela utilização de linguagem e conceitos muito parecidos com o modelo das igrejas.

Kardec aceitou, na elaboração de O Livro dos Espíritos, a utilização pelos Espíritos de uma linguagem que mantém, em parte, a falsa relação entre Deus e a criatura, constantemente ressaltada nos textos bíblicos. Felizmente podemos analisar suas ideias no contexto atual, em relação ao contexto em que as escreveu.

Ali encontrarmos expressões como Deus não permite. Como ousais pedir a Deus conta dos seus atos? Pensais poder penetrar os seus desígnios? Os únicos sofrimentos que elevam são os naturais porque vêm de Deus. Deus castiga a humanidade com flagelos destruidores, para fazê-la avançar mais depressa.  As classes que chamais sofredoras são mais numerosas porque a terra é um lugar de expiação.

944 – O homem tem o direito de dispor da própria vida?

Não. Somente Deus tem esse direito.

953.a – Concebe-se que, em circunstâncias, seja o suicídio repreensível, mas figuremos o caso em que a morte é inevitável e em que a vida só á abreviada por alguns instantes.

-É sempre uma falta de resignação e de submissão à vontade de Deus.

Outro ponto básico da doutrina espírita é o livre arbítrio. Sem ele o ser seria uma máquina, é textual. O livre arbítrio, contudo, tem sido mais usado como explicação para os fracassos e justificar as dores, numa aplicação direta da Pena de Talião. E não como pedra angular do edifício da vida universal, no pleno exercício da liberdade de construir seu próprio destino. A liberdade  é vista, sob certa forma, como problema,  dada as consequências dos atos, gerando culpa e castigo.

Que dizer então da pretensa supremacia dos Espíritos sobre os encarnados?
 Nesse sentido a sua influência é maior do que supondes, porque muito frequentemente são eles que vos dirigem”  diz O Livro dos Espíritos, anulando a teoria do livre arbítrio.

A elaboração das ideias pelos gênios e pessoas inteligentes, “somente algumas proveriam deles próprios. Pois frequentemente são apenas interpretes do pensamento de Espíritos, estes sim, sábios e superiores”.

Mantido esse entendimento é difícil tornar aceitas as teses espíritas.

 

UM NOVO PERFIL

 

É necessário modelar um novo perfil para a pessoa humana e para a sociedade.

Agora as pessoas pretendem ter liberdade de escolher o próprio destino, sem o tacão de Deus.

São legítimas essas pretensões? Afinal o que se pretende? Destruir a sociedade? Viver sem valores, sem regras, sem limites?  Eis as questões que precisam ser consideradas. 

Aborto, eutanásia, células embrionárias, liberdade sexual, liberdades civis. Geralmente esses temas são logo combatidos pelas religiões que pretendem parar o sol, com seus dogmas e falar em nome de Deus.

Os espíritas não têm por que temer debater essas reivindicações. Não se trata de aceitá-las ou negá-las simplesmente. Nem, muito menos, engrossar o protesto frágil das religiões. Devemos, com bom senso, aceitar o desafio, pois o progresso se faz sempre.

A sociedade materialista e também niilista, segue adiante.

Kardec disse que o Espiritismo “Não deve fechar as portas a nenhum progresso, sob pena de suicidar-se.” E adverte “Entretanto, embora seguindo o movimento progressista, é mister faze-lo com prudência e evitar entregar-se às cegas aos devaneios, utopias e novos sistemas. Importa faze-lo a tempo, nem muito cedo, nem muito tarde e com conhecimento de causa”.

Orientação mais segura e positiva impossível.

O Espiritismo tem base para uma nova visão de Deus e do ser humano. Mas precisa reelaborar algumas posições, que o afastam das aspirações mais legítimas.

Que será do mundo sem Deus?

Mas que Deus?

Estes textos parecem definir bem o que o Espiritismo pode afirmar:

“Deus tem as suas leis, que regulam todas as vossas ações. Se as violardes, a culpa é vossa. Sem dúvida, quando um homem comete um excesso, Deus não expende um julgamento contra ele, dizendo-lhe, por exemplo: tu és um glutão e eu te vou punir. Mas ele traçou um limite: as doenças e por vezes a morte são consequências dos excessos. Eis a punição: ela resulta da infração da lei.”

“A sabedoria de Deus se encontra na liberdade de escolha que concede a cada um, porque assim cada um tem o mérito de suas obras.” (123).

 

Nota da Redação : Este artigo data de junho de 2007 não encontramos evidências de que tenha sido publicado anteriormente.