E
viva a Democracia
Na edição de setembro do
jornal Abertura, o colunista Roberto Rufo relembrou que em 2017 serão
comemorados os 100 anos da revolução que deu origem ao regime comunista na
Rússia, que, com o tempo, gerou a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.
Lembrava ele também que todos os regimes comunistas que surgiram posteriormente
foram fracassos redundantes (vide Cuba, Coréia, Vietnam, China).
A constatação destes fatos leva normalmente à exaltação do sistema
democrático de cunho capitalista como a melhor solução político-econômica para
as nações. Fala-se muito das oportunidades iguais que tal sistema proporciona
aos cidadãos, da geração contínua de riqueza, da liberdade que todos gozam. E,
por tabela, elogia-se a economia de livre mercado, verdadeira panaceia
econômica para o mundo.
O outro lado da moeda é a situação que vemos no Brasil. Observamos
uma promiscuidade generalizada entre o poder público e a iniciativa privada,
com propinas a políticos de todos os matizes, formação de carteis, fraudes em
licitações, “pedaladas”, e outras tantas práticas que vêm cada vez mais fazendo
parte do vocabulário do brasileiro.
Mas não nos enganemos. A crise que vivemos (que, a propósito, é
menos política ou econômica que moral) não é prerrogativa do Brasil. Ocorre em
todos os países, em maior ou menor grau. Difere em tamanho, na punição e no
grau, mas em todos eles encontramos a mesma promiscuidade.
E aí vemos as pessoas dizendo que “o povo tem uma arma: o voto!”.
Mas como usá-la se não há partido em que se possa confiar, se não existe
agremiação política que não tenha por princípio o mesmo velho princípio do “é
dando que se recebe”. A democracia existe na teoria: na prática...E a faceta mais perversa desta prática, que tanto mal causa ao país
foi mostrada ao Brasil na última semana: para tentar garantir um mínimo de
governabilidade, a presidente entregou o ministério de maior orçamento ao
partido com maior número de representantes, visando, obviamente, garantir
quórum nas votações do Congresso. Seria só mais do mesmo se, para tanto, ela
não tivesse que demitir o melhor Ministro da Saúde que já tivemos, nosso
companheiro Arthur Chioro (Ademar, para nós dqui de Santos).
Saímos deste episódio mais fracos, mais desamparados, mais
desesperançados. E, pelo menos eu, cada vez mais desacreditado do sistema
capitalista. Um sistema que tentam nos mostrar como justo, mas que concentra
50% (isso mesmo, metade!) de todo o dinheiro do mundo na mão de 86 pessoas.
Essa desigualdade na distribuição da riqueza, historicamente, levou a grandes
desgraças – esperemos que isto não ocorra novamente.
Ademar, obrigado pelo trabalho excepcional neste curtíssimo tempo. E
quem sabe este exemplo possa inspirar a todos a como tratar a coisa pública.
Precisamos de tempo, mas esse é um começo muito promissor.
NR: Artigo originalmente publicado no Jornal ABERTURA em novembro de 2015.
Nenhum comentário:
Postar um comentário